2 REVISÃO DE LITERATURA
2.4 Qualidade dos Ingredientes, Aditivos Alimentares e Alimentos Completos
Devido à globalização, a competitividade entre as indústrias tem aumentado. Portanto, como diferencial competitivo, as indústrias de ração devem reduzir custos sem o comprometimento da qualidade do produto final. Desta forma, é imprescindível que a indústria de rações mantenha um controle rigoroso de seus produtos, sendo que para isso são necessários constantes monitoramentos e avaliações dos ingredientes que compõem a ração e no processo de produção, com o intuito de identificar e solucionar os problemas que possam comprometer a qualidade do produto final.
Conforme Bellaver (2002), produzir rações significa submeter os ingredientes a processos distintos e conhecidos, operacionalizando os procedimentos de fabricação, com controle de pontos críticos dos processos. Alguns exemplos de processamento são: redução do tamanho das partículas (p. ex. trituração, moagem e/ou prensagem), modificação da densidade (p. ex. aglomeração, peletização e/ou extrusão), mistura tratamento por calor e pressão (p. ex. cozimento, tostagem e/ou extrusão); mudanças na estrutura do amido, proteína e gorduras. Estes processos têm como objetivo melhorar a palatabilidade e digestibilidade dos nutrientes, bem como remover algumas das substâncias antinutricionais e reduzir a contaminação por microrganismos patogênicos.
Corroborando a idéia anterior, Alves (2003, p. 2) afirma que “gerenciar eficazmente cada etapa do processo produtivo, evitando perdas ou falhas e mantendo a qualidade do produto, pode ser um grande diferencial para os produtores de alimentos para animais de companhia”. Além do mais, a complexidade da composição dos alimentos para cães e gatos (produtos de origem animal e vegetal) é um desafio para a garantia de qualidade uma vez que uma grande variedade de contaminantes, toxinas e agentes patogênicos, podem estar presentes nas matérias-primas ou se desenvolver no momento da colheita, processamento ou estocagem.
Na Figura 9 podem ser visualizadas as principais etapas do processo de produção de alimentos completos para animais de companhia.
Figura 9. Cadeia produtiva para controle na indústria de alimentos completos
Fonte: Alves (2003).
As etapas envolvidas nos processos externos, como a distribuição, a venda nos lojistas e o uso e conservação do alimento pelo dono do animal, devem receber atenção especial no controle de qualidade, pois quando controladas as etapas de todo o processo de fabricação de alimentos completos (internas e externas), a garantia de qualidade e segurança dos produtos torna-se viável sem acarretar prejuízo para indústria (ALVES, 2003).
Deve-se ressaltar que a qualidade do produto final depende dessas etapas de processamento. Entretanto, outros pontos anteriores ao processamento são tão ou mais importantes para a qualidade final dos alimentos completos. Alguns exemplos de etapas anteriores que devem ser controladas são: a seleção de ingredientes e de fornecedores, o transporte e recebimento, o eventual recondicionamento (secagem, limpeza), a estocagem, as pesagens, o empacotamento e transporte das matérias-primas. Além disso, para o mesmo autor, estas etapas devem ser controladas também em relação ao produto final, (para que se obtenha um produto de qualidade (BELLAVER, 2002).
Com relação ao controle dos ingredientes Bellaver (2002) ressalta que três (3) tipos de provas podem ser feitas:
a) provas sensoriais (cor, odor, textura, umidade, sujidades, entre outros); b) provas rápidas (granulometria, luz UV para fungos) e
c) provas de laboratório (composição centesimal, substâncias tóxicas, rancidez, putrefação, amido, energia, entre outras).
A obtenção de ingredientes de boa qualidade, sem descuidar-se dos aspectos ligados ao processo de fabricação de alimentos completos deve ser preconizado pela indústria de alimentos completos. Para que isso fique evidente, devem ser estabelecidas rotinas de verificação da qualidade, as quais podem conter provas sensoriais, rápidas e laboratoriais. A garantia de qualidade do produto final (ração) dependerá do atendimento comprovado e sem atalhos dos índices técnicos obtidos com as provas citadas (BELLAVER, 2002).
Atualmente, muitos estudos têm sido realizados com o objetivo de estudar alternativas para a produção de alimentos em um processo cada vez mais rentável, seguro e de qualidade. Alves (2003) ressalta que vários procedimentos e práticas adotadas na área de alimentação humana são recomendados na produção de alimentos para cães e gatos, visto que oferecem mecanismos de redução de perigos e ações preventivas, visando garantir a segurança alimentar dos animais. Dentre esse procedimentos destacam-se:
a) Boas Práticas de Fabricação - BPF estabelecidas inicialmente como “Boas Práticas de Produção e de Prestação de Serviços na Área de Alimentos” pela Portaria no. 1428, de 26/11/93, do Ministério da Saúde e mais tarde, renomeadas como “Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”, através da Portaria no. 326, de 30/07/97, da Vigilância Sanitária, Ministério da Saúde;
b) Manual de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos de Produtos para Alimentação Animal, publicado em novembro de 2002 pelo Sindirações – Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal, pela Anfal – Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais e pela Asbram – Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais;
c) a Portaria SARC no. 5, de 03 de abril de 2002, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, submetida à consulta pública, publicada no Diário Oficial da União em 08 de abril de 2002;
d) Manual de Boas Práticas de Fabricação para Empresas Processadoras de Alimentos e o Manual de Boas Práticas de Transporte e Armazenagem de Alimentos (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE ALIMENTOS E PELA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS PROFISSIONAIS DA QUALIDADE DE ALIMENTOS (1995 e 1996); o primeiro estabelece as normas de Boas Práticas de Fabricação para assegurar que os envolvidos as conheçam, as entendam e as cumpram, alcançando-se assim a higiene pessoal, assim como a sanitização e controles aplicados aos processos e produtos,
assegurando que os mesmos cheguem aos clientes e consumidores com qualidade e livres de qualquer tipo de contaminação; o segundo fixa os procedimentos para transporte e armazenagem de alimentos industrializados, desde a sua expedição pela empresa produtora até a exposição para a venda, visando à manutenção da qualidade inicial do produto, do qual podem ser extraídas orientações extremamente úteis e totalmente aplicáveis às indústrias de alimentos para cães e gatos;
e) normas do grupo ISO 9000:2000 (ABNT, 2000).
Conclui-se desta forma, que o processo de produção de alimentos completos deve passar por um criterioso controle de qualidade, no intuito de produzir um alimento que atenda as necessidades nutricionais e que seja seguro para o animal, para o homem e para o ambiente. Logo, este produto deve ser monitorado nas diferentes fases de processamento, as quais vão desde o recebimento dos ingredientes, da avaliação de sua qualidade, da estocagem e do uso adequado dos mesmos, até o processo de venda, transporte, armazenamento dos alimentos completos nas lojas (pet shops), agropecuárias, supermercados, e nas casas dos consumidores finais.