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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.4 Qualidade em Serviços de Saúde

2.4.1 Qualidade em Serviço de Saúde Laboratorial

Desde o século passado, o conceito de qualidade, diante das exigências dos clientes sofreu uma importante evolução. Em consequência disso as instituições ou organizações passaram a melhorar continuamente seus processos (Chaves, 2010) e isso não foi diferente com os estabelecimentos de saúde.

Observa-se que a sociedade espera que os procedimentos utilizados para cuidar de seus problemas de saúde sejam modernos, eficazes e que os indivíduos que os executem sejam qualificados (LEHMANN, 1998; KUREC & WYCHE, 2006; CHAVES, 2010; BARTH, 2012). Diante dessas exigências, o serviço laboratorial também vem implantado melhorias na qualidade do serviço prestado.

Laboratórios médicos são os principais parceiros na segurança do paciente. Os resultados laboratoriais influenciam cerca de 70% dos diagnósticos médicos. Qualidade de serviço laboratorial é um dos principais fatores que afetam diretamente a qualidade dos cuidados de saúde e a diminuição das taxas de mortalidade hospitalar (PINE et al., 2008; GUZEL & GUNER, 2009).

O laboratório clínico deve garantir que os resultados produzidos reflitam, de forma fiel e consistente a situação clínica que os clientes apresentam, assegurando que não ocorra nenhuma interferência no processo. A melhoria contínua de todos os processos deve representar o foco principal dos laboratórios de análises clínicas (PLEBANI, 2007).

Em um laboratório de análise clínicas, a garantia da qualidade só é alcançada tendo absoluto controle de todas as fases do processo. Essas fases podem ser definidas como: pré- analítica, analítica e pós-analítica. Uma maneira de alcançar essa garantia da qualidade em todas as fases pode ser por meio da padronização de cada atividade envolvida, com isso pode- se conseguir a qualidade que se almeja e com gestão da qualidade, garanti-la (BANFI & DOLCI, 2003; MOTTA, 2009).

A fase pré-analítica compreende a preparação do paciente, a coleta e o armazenamento de amostras. Já a fase analítica refere-se à realização do exame, essa etapa é a mais automatizada e para seu controle existem diversos parâmetros avaliados, como precisão, sensibilidade, especificidade, exatidão, entre outros. Por fim, a fase pós-analítica, etapa final do processo, consiste na obtenção dos resultados, incluindo a interpretação dos exames e a caracterização do diagnóstico (MOTTA, 2009; COSTA & MORELI, 2012).

A Figura 2.5 mostra todos os aspectos do processo de exame e como devem ser tratados: a pré-análise, análise e pós-análise.

Capítulo 2

Para obter resultados de qualidade, é fundamental que todos estejam envolvidos no processo de qualidade, desde a pessoa que recolhe a amostra até

finalidade de um sistema de qualidade é

garantir a integridade dos dados, fornecer eficiência e eficácia de custo, cliente, proporcionar oportunidades de formação e de construir laboratório (MARTIN et al

Técnicos de laboratório

estão intimamente envolvidos na assistência ao paciente e sua saúde. O principal papel dos laboratoristas é precisamente obter e testar amostras dos pacientes para as decisões médicas apropriadas poderem ser feitas. Os resultados desses testes influencia

clarifica a necessidade de intervenções terapêuticas ao longo de um tratamento. Qualidade inferior no procedimento do laboratório pode levar a erros nos testes e subsequ resultados imprecisos, o que pode ocasionar impactos adversos e poten

pacientes (BLUMEN, 2011)

Assim, os erros de laboratório podem ter um atendimento ao paciente (AGARWAL

estratégia de gestão para prevenir erros de labor

maior risco. É importante controlar e identificar as áreas críticas de modo que o ser humano e

Figura 2.5 – Ciclo de Garantia da Qualidade Fonte: Adaptado de Martin et al. (2005, p. 62)

Para obter resultados de qualidade, é fundamental que todos estejam envolvidos no processo de qualidade, desde a pessoa que recolhe a amostra até a que utiliza os resultados. A finalidade de um sistema de qualidade é a de evitar os erros, oferecer consiste

garantir a integridade dos dados, fornecer eficiência e eficácia de custo, cliente, proporcionar oportunidades de formação e de construir

et al., 2005).

Técnicos de laboratório clínico, tecnólogos e cientistas são profissionais de saúde que estão intimamente envolvidos na assistência ao paciente e sua saúde. O principal papel dos laboratoristas é precisamente obter e testar amostras dos pacientes para as decisões médicas

adas poderem ser feitas. Os resultados desses testes influenciam

clarifica a necessidade de intervenções terapêuticas ao longo de um tratamento. Qualidade inferior no procedimento do laboratório pode levar a erros nos testes e subsequ resultados imprecisos, o que pode ocasionar impactos adversos e poten

(BLUMEN, 2011).

Assim, os erros de laboratório podem ter um impacto adverso significativo

atendimento ao paciente (AGARWAL et al., 2012). Primeiro e acima de tudo, a melhor estratégia de gestão para prevenir erros de laboratório é a identificação daquela

maior risco. É importante controlar e identificar as áreas críticas de modo que o ser humano e

Fundamentação Teórica

Para obter resultados de qualidade, é fundamental que todos estejam envolvidos no que utiliza os resultados. A consistente desempenho, garantir a integridade dos dados, fornecer eficiência e eficácia de custo, garantir satisfação ao cliente, proporcionar oportunidades de formação e de construir credibilidade para o clínico, tecnólogos e cientistas são profissionais de saúde que estão intimamente envolvidos na assistência ao paciente e sua saúde. O principal papel dos laboratoristas é precisamente obter e testar amostras dos pacientes para as decisões médicas m a saúde do paciente e clarifica a necessidade de intervenções terapêuticas ao longo de um tratamento. Qualidade inferior no procedimento do laboratório pode levar a erros nos testes e subsequentes resultados imprecisos, o que pode ocasionar impactos adversos e potencialmente letais aos impacto adverso significativo sobre o eiro e acima de tudo, a melhor atório é a identificação daquelas atividades de maior risco. É importante controlar e identificar as áreas críticas de modo que o ser humano e

os recursos econômicos não sejam desperdiçados em lidar com erros que não deveriam ocorrer. A identificação de áreas vulneráveis é alcançada pela implementação de sistemas de detecção especificamente desenvolvidos para atingir todas as três fases do processo de teste total, isto é, as fases pré-analítica, analítica e pós-analítica (BLENDON et al., 2002; McCAY

et al., 2009).

Erros médicos, incluindo os erros que ocorrem no laboratório clínico, contribuem para o aumento dos custos de cuidados com a saúde, morbidade e mortalidade. Muitas medições de qualidade são monitoradas para reduzir o risco de erro, incluindo indicadores de qualidade, tais como: controle de qualidade interna, garantia de qualidade, tempo de produção, segurança do paciente, eficácia, equidade pontualidade, eficiência, credenciais dos funcionários, suas experiências e a satisfação dos consumidores (DELOST et al., 2009; SCIACOVELLI & PHLEBANI, 2009).

O conceito de indicadores de qualidade emergiu ao longo dos últimos anos e pode ser definido como uma ferramenta que nos permite quantificar o desempenho do laboratório, selecionando um determinado critério de comparação (SHAHANGIAN & SNYDER, 2009; CHAWLA et al., 2010).

Os indicadores de qualidade e medidas de desempenho podem ser desenvolvidos para avaliar qualquer fase do processo. Os resultados desta análise são usados para identificar lacunas e necessidades relacionadas com o desenvolvimento adequado e o aperfeiçoamento dos indicadores de qualidade, assim como, monitorar e melhorar a prestação de serviços dos laboratórios (HOWANITZ, 2005; SHAHANGIAN & SNYDER, 2009). Esses indicadores da qualidade podem ser visualizados na Tabela 2.5.

Tabela 2.5 – Indicadores de Qualidade dos Estágios do Teste Laboratorial

ESTÁGIO CARACTERÍSTICAS

Pedido de exames

• Adequação dos pedidos de teste Eficácia, eficiência, intemporal

Identificação e coleta de amostra do paciente

• Erro de identificação

• Rotulagem inadequada da amostra • Satisfação do paciente com flebotomia

Segurança Segurança

Paciente-centralidade

Identificação da amostra, preparação e transporte

• Inadequação / Rejeição da amostra

• Erro de informação no recipiente da amostra

Eficácia, eficiência, intemporal Eficiência, segurança

Capítulo 2 Fundamentação Teórica

Tabela 2.5 – Indicadores de Qualidade dos Estágios do Teste Laboratorial (Continuação)

ESTÁGIO CARACTERÍSTICAS

Análise

• Ensaios de proficiência / desempenho EQA Segurança

Relatório de resultados

• Disponibilidade de resultados de laboratórios de internação • Relatórios de laboratório corrigidos

• Relatórios de valores críticos • Tempo de resposta

• Satisfação clínica (médica?) com os serviços do laboratório

Paciente-centralidade, intemporal Eficiência, segurança Segurança, intemporal Intemporal Eficácia, intemporal

Interpretação dos resultados e ação tomada

• Reação médica aos relatórios do laboratório.

• Interpretação / utilização correta dos resultados do laboratório • Acompanhamento de testes anormais de laboratório

Intemporal, eficácia

Eficácia, segurança do paciente Eficácia

Fonte: Adaptado de Zaninotto & Plebani (2010, p. 916).

Assim como os indicadores de qualidade, muitas normas foram publicadas para orientar laboratórios na criação de sistemas de gestão da qualidade. Um exemplo específico é a norma internacional ISO 15189 (Who, 2008; CLSI, 2012) que define requisitos de qualidade e competência para médicos laboratoriais. Mesmo com essas normas, há uma falta de padronização e uniformidade entre laboratórios clínicos sobre o uso adequado e consistente destes padrões (GRZYBICKI et al., 2009; SIKARIS, 2008). Como resultado, torna-se difícil para os laboratórios saber quais os padrões a seguir e como medir a eficácia dos sistemas.

A ISO 15189:2007 sugere as áreas a serem monitoradas, mas não define o método a ser utilizado para o desenvolvimento de indicador de qualidade. Assim, os laboratórios estão usando formas diferentes para desenvolver indicadores de qualidade como por exigências de certificação/acreditação de padrões, para monitorar e melhorar a qualidade e segurança do laboratório (SCIACOVELLI & PHLEBANI ; 2009).

Acreditação significa que laboratórios médicos foram avaliados em relação aos padrões reconhecidos internacionalmente para demonstrar sua capacidade de imparcialidade, competência e desempenho. Acreditação proporciona reconhecimento internacional (KOHN

et al., 1999; GUZEL & GUNER, 2009).

Padrão internacional para a acreditação de laboratórios de saúde requer que o laboratório identifique e desenvolva indicadores de qualidade, assim como os implemente para o melhor atendimento ao paciente (AGARWAL et al., 2012). Contudo, existem aspectos da qualidade que não são medidos por estes processos. Estes são amplamente focados em garantir que o teste mais apropriado clinicamente é realizado e interpretado corretamente (BARTH, 2012).

O uso de um padrão internacional para o reconhecimento de competência tem levado a uma maior confiança em laboratórios de ensaio e facilitou a aceitação de resultados de testes por parte das autoridades de todo o mundo. Organismos nacionais de acreditação têm protocolos específicos para o credenciamento de laboratórios médicos. Laboratório candidato tem que cumprir os requisitos de procedimento de aplicação. Então, organismo de acreditação prepara um plano de inspeção e ele tem de ser aprovado pelo laboratório requerente (GUZEL & GUNER, 2009).

O objetivo da acreditação é incentivar os laboratórios para melhorar o sistema de gestão, capacidade técnica e competitividade. A acreditação de laboratórios é um regime voluntário. Laboratórios acreditados também têm uma responsabilidade para com a sociedade. Cada laboratório tem que se concentrar em questões de segurança dos pacientes relacionados com os testes de laboratório e podem realizar projetos de melhoria da qualidade para reduzir o dano ao paciente devido a erros de laboratório (GUZEL & GUNER, 2009).

Atualmente, a acreditação no Brasil não é obrigatória. O laboratório pode escolher o órgão acreditador, baseando-se em sua credibilidade, experiência e no conhecimento técnico de seus auditores. Estes incentivam a equipe do laboratório, a alta direção e gerência a alcançarem níveis cada vez mais elevados de qualidade e melhoria contínua (PALC).

Em 1998, a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) criou o Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos (PALC). O programa da SBPC/ML realiza auditorias “por pares”, o que possibilita a troca de experiências entre auditores e o laboratório auditado (PALC, 2012).

Além do Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos o Brasil tem o Programa Nacional de Controle de Qualidade (PNCQ, 2012), que é uma empresa técnico-científica provedora de ensaios de proficiência para Laboratórios Clínicos e Bancos de Sangue que auxilia e oferece opções para o aprimoramento da qualidade destas empresas, colocando à disposição um grupo de assessores científicos com conhecimentos especializados em várias áreas do Laboratório Clínico. Hoje o PNCQ é o maior Provedor de Ensaio de Proficiência de porte nacional e representa o Brasil em diversas associações científicas internacionais, além de possuir uma considerável adesão de Laboratórios Clínicos, tanto nacionais quanto internacionais.

Capítulo 2 Fundamentação Teórica

A Figura 2.6 mostra a distribuição dos participantes do Programa Nacional de Controle de Qualidade.

Figura 2.6 – Distribuição de Participantes do Programa de Qualidade Fonte: PNCQ, 2012

Recentes desenvolvimentos tecnológicos na medicina laboratorial levaram ao grande desafio de manter uma estreita conexão entre a busca de eficiência por meio da automação e consolidação e a garantia de eficácia. A adoção de sistemas que automatizam a maioria das tarefas manuais que caracterizam as atividades de rotina melhorou significativamente a qualidade de desempenho do laboratório, automação total dos laboratórios pode permitir um melhor funcionamento e garantia de menos erros humanos. Além disso, desenvolvimentos tecnológicos melhoraram consideravelmente a produtividade dos laboratórios de análises clínicas, bem como reduzem o tempo de retorno de todo o processo. Conclusão, no laboratório de medicina, a tecnologia representa uma ferramenta para melhorar a eficácia clínica e os resultados dos pacientes, porém tem que ser conduzida por profissionais de laboratório qualificado (ZANINOTTO el al., 2010).

Assim, a missão do laboratório de medicina é melhorar o atendimento ao paciente, aprimorando os resultados dos testes. A fim de maximizar a eficiência, a automação parece ser pré-requisito fundamental para alcançar este objetivo, no entanto, não é uma garantia de

qualidade e confiabilidade analítica. Mesmo se o desenvolvimento da automação permitir melhorias na produtividade do laboratório, no desempenho analítico e no tempo de resposta, não há dados disponíveis que demonstram que volumes mais altos se traduzem em melhor qualidade ou na satisfação do cliente (DELOST et al., 2009).