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qualidade ! universalmente pol i tic s ambas parecem estar ligadas a

No documento As Instituições brasileiras da Era Vargas (páginas 30-35)

traços de percepção

p

esOal e de pe!onalidade que o irmanam ao

'pincipe-, pois e identi

i

cam a seu natural e p

ru

d

n

te pcsSimisnw, Para Maqulavel. tal p::ssimismo resulta do fato de que "os homens

devem ser annados ou exterminados, pois se se vingm de ofensas h:ves. das graves j. n.o o podem fê-lo", ou "de que vai tania diferença entre o como e vive e o modo por que se deverã viver, que q

u

em se

p

rcu

pa com o que se

deveria

f7er, em V; do que se faz. ap

r

ende

antes a p

r6

p

ri

a ruína do que o modo de se pn:servar. E um

h

omem que quiser fazer profissão de bondade,

ê

na

t

ural que se anuine entre tantos que sâo maus".

t

o mesmo pesssmo que o faz COIlS1atar que -os homens, por serem pérfidos, h

s

itam menos em ofender aos que se fazem amar aos que se fazem temer ... e o principe. se confiou plenamente em palas.

se o

trnou precauçóes. estã ruinado"."

se mCSlllo pessimi<lO preside, sem d

u

vida.

s

lentos prepa­ rativos que antecedem as dedsôes de Vargas e que transmitem. como vimos. a Impressão de um temperamento acomodado ou hesitante

.

"Getulio". revela João Neves. "mais do que realista. era

constucional­

ene

um pesslnlslo e

um :/lco".

e ntO se engajava em nenhuma Juta sem um sólido conhecimento das forças

m J

ogo

.

"Não l

h

e elgisscm, portamo. a travessia do Rubicâo sem prcparaç10 prévia." Dai suas hesitações. $Cus avanços e

r

euC!os

.

"

" Mono que. p,clt

.

.. Ilem.

p.

4. 10 e 101.

30 s

NlÇOES

< EIM V . �S

A adoção de rumos previamente traçados exige. por outro lado. perfeito equilíbrio lntcrior e completo autodominio. apontado desde eedo como uma earaelerislica fundamental da personaidade de Vargas. que estimula tambêm o controle e a previsão dos efeltos do tempo sobre o comportamento e ação dos Individuas. Sua "pru· dência" e "eapacidade de esperar" lhe permitem. assim. "jogar com as cartas e Impacl�nclas do adversarlo. Não com as próprtas. Por Isso. pode surpreender várias vezes as fraque.as e equivocas alheios e deles tirar o melhor partido"." Essa morosidade do jogo politlco afasta·o. convém lembrar. dos conselhos de Maquiavel. que recomenda contra o InimIgo. ações fulminantes. de efeito e deinitivo." Em Vargas. ao contrário. a conciUaçáo freqüentemente abranda os efeitos do maquiaveliSmO

.

e o tempo dilui conflitos: se puder

esUlar

o adver· sárlo. não o elimina. Juraci Magalhães. seu oposltor desde t937.

não deixa de Insistir que Vargas Jamais castigava um inimigo Inu· tllmcnte.'· e era comum realocar um ator alijado em novos postos ou novas funções. neutralizando em parte animosidades e descon" tentamentos.

A capacidade de planejar a ação poliUea com teporo/idade

diversa da que era vlvenclada pelos demais alOrcs no eampo poliUco confere a Vargas alguns atributos que deixam de ser meramene

djelios e adquirem conotação substanti: sUencloso. secreto. frio.

caculista. são lemlOS que nos revelam. em uma mesma dieção. o

corte radical entre quem deia explicitas objet

i

vos e finaidades. e

quem os onde ou obscurece. ou entre quem � manipulado e quem

manipula.

Tais contrastes, evidentemente. chamam a atenção para as repercussões

da oina

sobre a ação pollUca. A obra de Maqulavel e a prâxls de Vargas são fortemente impregnadas de una ordem po. lit;a conturbada e Inslavel. e de una construção do Estado em pro' cesso. na qual a habilidade do ·princlpe" consiste em seleionar com clarlldtncla. As regras do Jogo são. poianto. explicitadas em função da e

O

ou inversD de alianças e coaliz6es já feitas. ou então. levando em conta a diversidade de forças e as oposições eistentes. Nesse sentido. dominam as especulaçócs sobre as relações complexas entre unidads territoriais. ao lado da relação triangular entre o "prin­ clpe". as clltes (aristocracia) e o povo (as massas).

,. J4o N!! da Fonloura. op.d1

.

.. Maquia"'i. p.clL. p. 58 .

ARA C CRSNAIA: A 31

Maqulavel

Insiste. por exemplo. que o campo prlvlleglado de

Intervenção do "princlpe" é a ação

providencil c

antecipatória

sobre a

conjuntura: "Não só remediar o presente mas prever os casos futuros. e

prevenHos com toda

a

perc.

de foma que se lhes possa facilmente levar coetiv

o. e nâo deixar que se

aprimm

s

aco

ntecimntos

.

pois

deste modo

o remMio não chega a tempo"

...

E continua: "Assim se dá com as coisas

do Estado: conhecendo-se os

males com anteced;ncla. o que e dado senão aos homens

pudes.

rap

idment

e são curados:

mas

quando. por

se

te

m Ignorado. se têm deixado aumentar. a ponto

de

serem conhecidos de

dos. não

ma

is

remédio àquel

es

males"'''

Uma

cstrategla

Jâ deflnlda

regula.

portanto.

a

Intervenção

sobre

acontecimentos e fatos. embora. as vezes. seja necessário

encaminhar-se "para a direção a que os ventos e

as varlaçôcS da sorle o Impclirc

m

".'

·

Vargas r

eve

la. ao longo da sua vida. Id;nlica preocupação an

t

e

c

i

p

a

t

ó

ria

.

e. Jà em

1919. em confidência a um . migo. lamenta: -N,io tenho tempo

p

a

pensar.

SOu forçado a agir ...

De

fato. o prusglanl�mo.

por

falia de agude7a. comprometeu Nletzsche. Na luta. ve

ncer

e adap· tar

-se

.

Islo

e.

cond

iio

n

ando-se ao meio. aprccnder as forças ambien­ tes. para

dominá-lo"."

sa

preocupação de controle sobre as f

o

r

ç

as

po

li

llcas amolda­

se. portanto.

como ele mesmo o sugere. ás ImposlçOcs

do contexto

político. que parecem t

e

-

l

o

guiado maiS para uma sucessâo de tâticas parciais. preventivas. de

acomodação grad

u

al das contendas. do que

para os

gra

n

d

es

enfrentamentos do "príncipe". que se

descarta do

Inimigo com uma

ação fulminante. em campo aberto. Dai a "ausência de agressivld . de-. o "tqu!librto". "a

paciente capacidade de esperar" e

"um maravILhoso pder

dcJcnsioo- que o fr:iam adaptar-se ao "império

d

a

s c

l

rc

u

n

sn

cl

s"."

De fato. as grandes Inflexôcs da vida

po

ic

a

de

Vargas

sào

l

o

ngamen

t

e preparadas. A conciliação

no Rio

Grande é

empreendi­

mento

que se estende

por mais de uma década. Sua

candIdatura.

em

1929. ê um acontecimento esperado. como tambem o e

o

confronto ado em 1930. O gotpe de 1937 a

nl

n

g

m surpreende: urdido em

slltneLo. reune os segmentos

mais e<pressivos da comunidade polillca.

" Maqula""l. op. �It .. pp. 25/26. · Id�m. p.I07 .

.. Carla d� T�lmo Euobr. 27 d� maio d" 1919. rquivo Getúlio largas. CPDOC/GI.

32 S TÇs 4 A Vs

r:du1.lndo a oposlçlo a prolestos isolados. O complexo jogo continuísln de 1945 vinha também sendo arUculado desde 8 anos anteriores. o

mesmo ocorrendo com a volta espetacular em 1950.

Dc surprc:ndente. in&llto. fulminante. r:stou apenas o g:sto final - o suicídio -. cm 1954. (dUma elo

imprc;l$(vel

de uma longa e b:m conhecida carreira. E : esse clrlter Inesl:ndo que obriga a

revllx:s de julgamentos Já feitos e de avaliaçôes dcfinlUvls: que

reallnha refralârtos: quc oongrega 1 massa. que assIstia passiva ao desenrolar dos nconlcclmentos." E flue. afinal. outorga ao Partido Trabalhtsta o nome e a blndelra de um ídolo. "Meu sacrlliclo vos

manlm unidos

I

... ) Eu s dei a minha vida. Agora vos oo a minha morlc"." ;ste : o seu último e suprcmo gesto dcfensivo.

O popullsmo foi o coroamento untural de uma longa 1)}liUca dc acomodaçOcs. dc arbitragcm de forças contrárias. de cocxlsttncla dc clss quc. em sua extreum heterogeneidade. abrim

minho para

a açâo 'proverblal" do "princlpe".

É

nessa inSI.billdade e Indeflnlção que e criam o ZW do ,xxler c lreas de lnlL'Cls�o que Iubjugam . sociedade i política. e que concedem âs vlrlualdadcs de um homem e ao CU Jogo

."fa!slu

um Impacto sem precedems 110 âmbito do sistema politico.

A entrada das nlal�as no ccm)rio pós- 1945 e suas conseqütn­ elas sobre a cstrat:gla e a blografla polillca de Vargas merecem. pela Importância e omplexidade. uma reflexão â parte. Podemos. no en­ lanlO. adiantar que o 'Vargas popul1sta" n.0 apresenta traços quallta· Hvamente diversos daqueles que procuramos ressaltar no presente trabalho. O "pai dos pobres" conserva ainda o cunho tradicional do antigo patnalismo ooronellsta. e que provavchnentc o aproxima das populações rurais rectm·chegadas ao mundo urbano." A ousadia e o destemor do caudilho. aliados

à

prática e ao culto das lealdades pes­ soals. transferem tam:m para a poliUca dcsse periodo o espirito

dc

combate

s

lutas nacionalistas. ao lado de uma trrciistivel tendên:la

OI o

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., d .. Vargao. por 'lo o 2�" annCl da t" ., vargal. ,Lu"" a calaa ., �>ero puLar b Quais ee rd: COm un' sl�"flc

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.. Get V.'gaa. Cana-t�la",c"'o. �" Ensa>s d! p(no -..u"> Vs. Rio de Janeiro. Editora In .. 'D. 197�. p. 44 .

. e o pullao r>enl. Um te ll o coronel .. lO. omo o 'onU n_ o Wo" l U Il

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Tl. 19781. t. "" msmo \''. ua "0 I .. "afonada do

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.... t o ,0 do pais e do s.

de reaproximação com os velhos aiados de 1930, reinvestidos nOl ministerios da segunda presidência.

s

massas. ou os trabalhadores. aparecem. portamo. como pano de fundo da política. como o potencial aliado que decide as elelçOes de

1950. ml não sustenta govenos. nem governa.

A solidão IInal de Vargas. diante do povo Indiferente e passivo. e das elites hostis. confirma que "o pior que um príncipe pode esperar de um povo hostil é r abandonado por ele. Mas da Iniml7ade dos grandes, não devc temer só que o

donem.

mas que o Im-.'"

Introdução

No documento As Instituições brasileiras da Era Vargas (páginas 30-35)