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Qualificação como rendimento de mais-valia

No documento Mais e menos valias em IRC e IRS (páginas 59-62)

Artigo 71.º – Incentivos à reabilitação urbana

15. MAIS-VALIAS NO ÂMBITO DA CATEGORIA G

15.1 Qualificação como rendimento de mais-valia

Nos termos do n.º 1 do artigo 10.º do CIRS:

“Constituem mais-valias os ganhos obtidos que, não sendo considerados rendimentos empresariais e profissionais, de capitais ou prediais, resultem de:

a) Alienação onerosa de direitos reais sobre bens imóveis e afetação de quaisquer bens do património particular a atividade empresarial e profissional exercida em nome individual pelo seu proprietário; b) Alienação onerosa de partes sociais e de outros valores mobiliários, incluindo:

1) A remição e amortização com redução de capital de partes sociais;

2) A extinção ou entrega de partes sociais das sociedades fundidas, cindidas ou adquiridas no âmbito de operações de fusão, cisão ou permuta de partes sociais;

3) O valor atribuído em resultado da partilha, bem como em resultado da liquidação, revogação ou extinção de estruturas fiduciárias aos sujeitos passivos que as constituíram, nos termos dos artigos 81.º e 82.º do Código do IRC;

4) O reembolso de obrigações e outros títulos de dívida;

5) O resgate de unidades de participação em fundos de investimento e a liquidação destes fundos. c) Alienação onerosa da propriedade inteletual ou industrial ou de experiência adquirida no setor comercial, industrial ou científico, quando o transmitente não seja o seu titular originário;

d) Cessão onerosa de posições contratuais ou outros direitos inerentes a contratos relativos a bens imóveis; e) Operações relativas a instrumentos financeiros derivados, com excepção dos ganhos previstos na alínea q) do n.º 2 do artigo 5.º;

g) Operações relativas a certificados que atribuam ao titular o direito a receber um valor de determinado ativo subjacente, com excepção das remunerações previstas na alínea r) do n.º 2 do artigo 5.º;

h) Cessão onerosa de créditos, prestações acessórias e prestações suplementares.”.

No âmbito do presente manual daremos mais ênfase às alíneas a) e b) supra transcritas, concretamente à alienação onerosa de direitos reais sobre bens imóveis e de partes sociais ou outros valores mobiliários.

A alínea b) suptra transcrita sofreu significativas alterações pela Lei da Reforma do IRS.

Chama-se à atenção que outras realidades dão lugar ao apuramento de mais e menos valias, como acontece com a alienação onerosa da propriedade inteletual ou industrial ou de experiência adquirida no setor comercial, industrial ou científico, quando o transmitente não seja o seu titular originário.

Caso o transmitente seja o titular originário, haverá lugar a um rendimento da Categoria B [cf. alínea c) do n.º 1 do artigo 3.º do CIRS].

Ainda a cessão, desde que onerosa, de posições contratuais ou outros direitos inerentes a contratos relativos a bens imóveis (v.g., em contratos promessa) poderão conduzir ao apuramento de mais ou menos valias5.

Também as operações relativas a instrumentos financeiros derivados, a warrants autónomos, e a certificados que atribuam ao titular o direito a receber um valor de determinado ativo subjacente, podem dar lugar a mais ou menos valias, nas condições referidas nas alíneas e) a g) do n.º 1 do artigo 10.º do CIRS.

Por fim, com a Lei da Reforma do IRS passou a estar expressamente previsto que serão de considerar mais ou menos valias fiscais os resultados decorrentes da cessão onerosa de prestações suplementares/acessórias e suprimentos.

Exemplo prático

O Sr. João Ribeiro celebrou um contrato promessa de aquisição de um imóvel por € 300 000, tendo pago um sinal de €100 000.

Entretanto, cedeu a sua posição de promitente comprador ao Sr. António Costa, tendo recebido € 150 000.

Qual a implicação de tal cedência em sede de IRS? Resolução

O Sr. João Ribeiro apurou uma mais-valia de € 50 000 (i.e., € 150 000 - € 100 000).

5 Sobre esta realidade, haverá ainda que ter em atenção as implicações em sede de impostos sobre o património, para as quais alertamos, mas não desenvolvemos por não ser a matéria desta formação.

O valor dos rendimentos qualificados como mais-valias é o correspondente ao saldo apurado entre as mais-valias e as menos-valias realizadas no mesmo ano (cf. n.º 1 do artigo 43.º do CIRS). A este valor poderão ser deduzidas perdas referentes a anos anteriores, nos termos adiante expostos.

15.2 Territorialidade

Os residentes fiscais em território português são tributados pela totalidade dos seus rendimentos, incluindo os obtidos fora desse território. Já os não residentes, apenas são tributados pelos rendimentos obtidos em território português (cf. artigo 15.º do CIRS).

Consideram-se obtidos em território português os seguintes rendimentos (vide n.º 1 do artigo 18.º do mencionado Código):

“h) Os rendimentos respeitantes a imóveis nele situados, incluindo as mais-valias resultantes da sua transmissão;

i) As mais-valias resultantes da transmissão onerosa de partes representativas do capital de entidades com sede ou direcção efetiva em território português, incluindo a sua remição e amortização com redução de capital e, bem assim, o valor atribuído aos associados em resultado da partilha que, nos termos do artigo 81.º do Código do IRC, seja considerado como mais-valia, ou de outros valores mobiliários emitidos por entidades que aí tenham sede ou direcção efetiva, ou ainda de partes de capital ou outros valores mobiliários quando, não se verificando essas condições, o pagamento dos respetivos rendimentos seja imputável a estabelecimento estável situado no mesmo território;

j) As mais-valias resultantes da alienação dos bens referidos na alínea c) do n.º 1 do artigo 10.º, quando nele tenha sido feito o registo ou praticada formalidade equivalente;

(…)

n) Os incrementos patrimoniais não compreendidos nas alíneas anteriores, quando nele se situem os bens, direitos ou situações jurídicas a que respeitam, incluindo, designadamente, os rendimentos provenientes de operações relativas a instrumentos financeiros derivados, devidos ou pagos por entidades que nele tenham residência, sede, direcção efetiva ou estabelecimento estável a que deva imputar-se o pagamento” (sublinhado nosso).

Nesta matéria, chama-se a atenção para o artigo 27.º do EBF, que prevê uma isenção de IRS relativa às mais-valias obtidas por pessoas singulares que não tenham domicílio em território português, quando realizadas com a transmissão onerosa de partes sociais, outros valores mobiliários, warrants autónomos emitidos por entidades residentes em território português e negociados em mercados regulamentados de bolsa e instrumentos financeiros derivados celebrados em mercados regulamentados de bolsa.

Será igualmente afastada a isenção relativamente às mais-valias realizadas por pessoas singulares com a transmissão onerosa de partes sociais em sociedades residentes em território português cujo ativo seja constituído, em mais de 50%, por bens imóveis aí situados ou que, sendo sociedades gestoras ou detentoras de participações sociais, se encontrem em relação de domínio, tal como esta é definida no artigo 13.º do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 298/92, de 31 de Dezembro, a título de dominantes, com sociedades dominadas, igualmente residentes em território português, cujo ativo seja constituído, em mais de 50%, por bens imóveis aí situados.

No documento Mais e menos valias em IRC e IRS (páginas 59-62)