5. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
7.4 QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL DOS PROFESSORES
Essa categoria teve como objetivo verificar como os pais dos alunos com deficiência percebiam a qualificação profissional dos professores que eram responsáveis pelo ensino de seus filhos, inseridos no ensino comum. E a partir da fala formaram-se as seguintes subcategorias:
-Profissionais não capacitados.
De acordo com Wedman, 2013 Araujo e Lima 2011; Sant’ana, 2005, uma das principais dificuldades da inclusão se refere ao despreparo dos professores para receber a criança com deficiência:
“Com certeza, eles não tem capacidade pra pegar pessoas com deficiência! Tenho certeza que não tem profissional competente pra isso.” (ENTREVISTADO 04, Pai de um adolescente com 12 anos)
“Então, falta um professor preparado dentro da sala de aula”. (ENTREVISTADA 07, Mãe de uma menino com 7 anos)
“Nem todos tem a capacidade de trabalhar com alunos especiais, nem todos são preparados pra trabalhar na escola especiais, não e só o A.... que enfrenta essa dificuldade não”. (ENTREVISTADA 09, Mãe de uma jovem com 18 anos)
“[...] esse que tá agora ele é super é...interessado nessa parte né? mas não tem é...que nem você falou agora os...qualificação, isso né?” (ENTREVISTADO 08, Mãe de um jovem com 18 anos)
As falas dos pais indicam a falta de professores com competência suficiente para atender as demandas de seus filhos, embora a entrevistada 08 indique grande interesse do professor para trabalhar com o seu filho, percebe ainda como necessária a qualificação do professor. Considera-se relevante que esses professores se qualifiquem para atender de forma
eficaz esse novo público, por outro lado os gestores das instituições escolares e os entes governamentais devem assegurar essa capacitação e a oferta de professores qualificados pois, de acordo com Mantoan e Prieto (2006) a formação continuada do professor tem que ser um compromisso dos sistemas de ensino comprometidos com a qualidade do ensino, que devem assegurar que o professor esteja apto a elaborar e a implantar novas propostas e práticas de ensino para responder às características de seus alunos
A próxima subcategoria, relacionada à qualificação profissional dos professores, irá falar sobre a falta de qualificação de cuidadores /monitores.
-Falta de qualificação de cuidadores / monitores.
De acordo com Ferreira (2009), qualificado significa possuir qualificação, estar habilitado, essas atribuições são esperadas de todo profissional, no caso dos cuidadores e monitores, não é diferente. A presença destes funcionários na escola é assegurada pelo Parecer CNE nº 13 de 2009 (BRASIL, 2009) assegura que para o atendimento educacional especializado, entre outros fatores importantes para a sua organização insere entre os profissionais de educação,os profissionais que atuem no apoio, principalmente às atividades de alimentação, higiene e locomoção. Embora as responsabilidades atribuídas a estes funcionários seja importante observou-se que a inserção destes não era bem aceita pelos entrevistados:
“Esse é um dos ponto que eu sempre...eu...eu vejo que é...tem uma falha aí né? porque os professor, é o auxiliar do professor, eles não...as vezes não tem nenhum curso , assim, de...de...tem o ensino médio você já pode fazer um seletivo pra ser um monitor de sala especial, que é...sem nenhum curso na...na...na...né? conhecimento sobre pessoas com deficiência, eles não tem esse...esse, já essa qualificação, muitos tem, mas, tem outros, não são exigido no concurso”. (ENTREVISTADA 03, Mãe de uma adolescente com 14 anos)
Um dos aspectos falhos apontados pela entrevistada 03 está relacionado à ausência, do monitor ou auxiliar em sala de aula, se esta ausência de preparo preocupa os pais quando é identificada nos professores; torna-se mais patente quando se trata de um profissional que deveria dar assistência direta à pessoa com deficiência:
“Não tem ninguém capacitado pra tá com as criança, tem cuidador, cuidador pode ser qualquer pessoa né? ele não entende o quê que é o autista”. (ENTREVISTADO 04, Pai de um adolescente com 12 anos)
A ausência de preparo, de o pessoal auxiliar denominado de cuidador é identificada a partir do momento em que o pai percebe que sequer este cuidador tem informações sobre a deficiência do seu filho.
“O cuidador por exemplo, que a professora, a prefeitura, você vai...vai lá na secretaria, ele joga logo em cima, não mas tem, a professora, ela apresenta que aquela criança especial, ela tem um cuidador pra ele. Mas, ele dá uma semana de treinamento, minha fia, um mês, tú já imaginou? eu que sou mãe de uma criança especial, eu que crio desde pequenininho, eu me sinto perdida em várias situações, imagina uma pessoa que não tá preparada? Porque pra mim, isso não é preparado não”. (ENTREVISTADA 07, Mãe de um menino com 07 anos
Outra situação relatada em relação ao cuidador se refere ao treinamento do mesmo, percebido como insuficiente. Por outro lado em contraste com os depoimentos anteriores a entrevistada 06 considera que o cuidador deve ter preparo específico para trabalhar com a criança e em alguma medida, pois, nas escolas se ensina, assim ela percebe que o papel do cuidador é entendido como tarefa só de cuidar que num sentido mais amplo seria zelar, vigiar, para ela, o cuidador devia trabalhar com a criança.
“Bom, antes e...tem algumas escolas que elas trabalham com o cuidador, então assim, eu não concordo, porque assim, o cuidador é só pra cuidar, ele não ensina, ele não tem é conhecimento pra trabalhar com a criança”. (ENTREVISTADA 06, Mãe de um menino com 15 anos)
Os depoimentos dos pais revelam o anseio em ter um profissional capacitado para ensinar seus filhos, e não somente para cuidar deles. De acordo com Costabile e Brunello (2005) dentre as dificuldades enfrentadas pelas famílias após a matrícula de seus filhos na
escola pública, estas apontaram a falta de profissionais especializados. Por outro lado, em relação aos profissionais da educação que auxiliam o professor nos cuidados com a criança com deficiência, Wedman (2013) aponta que as atribuições do profissional que estará dando suporte ao professor no que se refere aos cuidados com o aluno com deficiência, não exigem conhecimentos pedagógicos suficientes, mas, o autor aponta que este profissional deve ter ou ao menos estar em formação na área da educação. A próxima subcategoria irá abordar sobre a presença de professores qualificados.