2.4 Sistemas de apuração e análise de custos
2.4.4 Custeio Baseado em Atividades
2.4.4.5 Quando utilizar o ABC?
O custeio baseado em atividades tem sido constantemente divulgado como sendo a solução em termos de informação de custos para as empresas. O diversos autores que tratam do tema apresentam os mais variados objetivos que podem ser alcançados com a utilização das informações geradas pelo ABC e as diversas vantagens deste sistema em relação aos sistemas tradicionais de custeio.
Nakagawa (1994, p. 39) afirma que os pressupostos do ABC têm contribuído para uma sensível melhoria da análise de custos na medida em que:
Através desta análise de atividades, busca-se planejar e realizar o uso eficiente e eficaz dos recursos da empresa de modo a otimizar o lucro dos investidores e a criação de valor para os clientes, por meio de produtos e serviços que ela desenha, produz e distribui ao mercado.
C U S T O A1 A2 A3 P1 P2 A: atividade P: produto An Pk C U S T O AI 2 AI 3 AI n AD 1 AD i P 1 P 2 P k AI: atividade indireta AD: atividade direta P: produto
(b) Sistema de múltiplos estágios
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Brimson (1996, p. 39) relata que a contabilidade por atividades ajuda a empresa a alcançar a excelência empresarial por:
- Melhorar as decisões de comprar ou fabricar, estimar e definir preços, baseadas no custo do produto que reflita o processo de produção.
- Facilitar a eliminação de desperdícios, propiciando a visibilidade das atividades que não agregam valor.
Indicar as origens dos custos através da identificação dos geradores de custo.
- Ligar a estratégia corporativa à tomada de decisões operacionais e, consequentemente, possibilitar à gerência capitalizar as atividades que são pontos fortes da empresa, bem como reestruturar as atividades que não contribuem para alcançar os objetivos do negócio.
- Propiciar feedback quanto à obtenção dos resultados esperados das estratégias para que ações corretivas possam ser iniciadas.
- Assegurar que tempo, qualidade, flexibilidade e conformidade às metas programadas sejam atingidos pela ligação das medidas de desempenho à estratégia.
- Encorajar a melhoria contínua e o controle da qualidade total, porque o planejamento e controle são dirigidos ao nível de processo.
- Melhorar a eficácia do orçamento pela identificação da relação custo/desempenho de diferentes níveis de serviço.
- Melhorar a rentabilidade pelo completo monitoramento do custo do ciclo de vida e desempenho.
- Propiciar a visão dos elementos de mais rápido crescimento e de menor visibilidade, componentes dos custos indiretos.
- Assegurar o cumprimento dos planos de investimento pelo acompanhamento do investimento através do sistema de contabilidade por atividades, que possibilitará iniciar ações corretivas quando forem localizados desvios.
- Avaliar continuamente a eficácia das atividades para identificar oportunidades potenciais de investimentos.
- Incorporar objetivos de desempenho externo, metas de custo e estabelecer metas específicas em termos de atividades.
- Eliminar muitas crises, solucionando os problemas em lugar de tratar dos sintomas.
De acordo com Ching (1995, p. 40), “o ABC permite balancear adequadamente a demanda e o fornecimento de recursos disponíveis por parte da empresa e mostra detalhadamente os recursos consumidos pelas atividades”.
Kaplan e Cooper (2000, p. 94) sugerem que, para empresas que estão fabricando novos produtos, introduzindo novos processos, procurando novos clientes e atendendo um número cada vez maior de necessidades dos clientes,
um sistema de custeio baseado na atividade oferece às empresas um mapa econômico de suas operações, revelando o custo existente e projetado de atividades e processos de negócios que, em contrapartida, esclarece o custo e a lucratividade de cada produto, serviço, cliente e unidade operacional.
Segundo Bornia (2002, p. 129), o ABC gera análises mais acuradas do overhead (custos indiretos) e também das despesas de estrutura do que os métodos tradicionais. O autor afirma que:
as informações fornecidas pelo ABC servem para dirigir a atenção da gerência às atividades responsáveis pelos custos, possibilitando uma melhor visualização dos impactos causados por decisões e melhor controle dos custos fixos. Este é um modelo de apoio a decisões de longo prazo, pois considera que a atuação sobre as atividades provocará modificações nos custos fixos.
Para Hansen e Mowen (2001, p. 392),
a premissa teórica do custeio baseado em atividade é que este atribui os custos de acordo com o padrão de consumo de recursos dos produtos. Se isso for verdade, então o custeio baseado em atividade deve produzir custos mais precisos dos produtos se houver diversidade do produto.
Martins (2000, p. 304) aponta que o ABC possibilita a análise dos custos sob duas visões:
a) a visão econômica de custeio, que é uma visão vertical, no sentido de que apropria os custos aos objetos de custeio através das atividades realizadas em cada departamento; e
b) a visão de aperfeiçoamento de processos, que é uma visão horizontal, no sentido de que capta os custos dos processos através das atividades realizadas nos vários departamentos funcionais.
De acordo com Garrison e Noreen (2001, p. 223), o custeio baseado em atividades “é um método de custeio projetado para municiar os gerentes com informações de custo, para decisões estratégicas ou de outra natureza, que potencialmente afetem a capacidade e, por conseguinte, os custos fixos”.
Todas essas opiniões ressaltam atributos do Custeio Baseado em Atividades que inegavelmente podem ser de extrema importância e utilidade para a geração de informações que sustentem de forma eficiente decisões operacionais e estratégicas nas empresas. O sistema ABC, através da análise das atividades e processos da organização, revela-se como uma excelente ferramenta para o planejamento e controle empresarial, norteando as ações da gerência para decisões que afetarão a estrutura de custos fixos da empresa, com efeitos no longo prazo.
2.5 Análise crítica dos sistemas de custeio (custeio baseado em atividades vs.