Semântica e Linguagem Jurídica
Q. QUANTIA – QUANTIDADE?
a) Quantia = contagem – “Cobrou a quantia de 500 reais para matá-lo.”
b) Quantidade = ordem de grandeza – “Era enorme a quantidade de curiosos em torno dos facínoras que assassinaram o menino João Hélio.”
R. SENÃO – SE NÃO? a) Senão
I. a não ser – “Nada diga, senão a verdade.”
II. caso contrário – “Estude o processo, senão vai perdê-lo.” III. problema – “O senão do processo é sua lentidão.”
b) Se não = condição, caso não – “Se não houver reviravolta, venceremos.” Atenção
1o Não existe a expressão à medida em que.
2o Não há preço barato ou caro. Só existe preço alto ou baixo.
3o Não se diga senador ou deputado de Minas Gerais; correto é dizer: Senador ou
deputado por Minas Gerais.
4.8. Questão comentada
(Fuvest)
A característica da relação do adulto com o velho é a falta de reciproci- dade que se pode traduzir numa tolerância sem o calor da sinceridade. Não se discute com o velho, não se confrontam opiniões com as dele, negando-lhe a oportunidade de desenvolver o que só se permite aos amigos: a alteridade, a contradição, o afrontamento e mesmo o confl i- to. Quantas relações humanas são pobres e banais porque deixamos que o outro se expresse de modo repetitivo e porque nos desviamos das áreas de atrito, dos pontos vitais, de tudo o que em nosso confron- to pudesse causar o crescimento e a dor! Se a tolerância com os velhos é entendida assim, como uma abdicação do diálogo, melhor seria dar- lhe o nome de banimento ou discriminação.
(Ecléa Bosi, Memória e sociedade – Lembranças de velhos)
O termo ALTERIDADE liga-se, pelo radical e pelo sentido, a uma pala- vra que aparece no trecho:
a) falta de reciprocidade; b) não se confrontam opiniões; c) que o outro se expresse;
d) nos desviamos das áreas de atrito; e) abdicação do diálogo.
Respostas e comentários:
A resposta é C, haja vista ALTERIDADE signifi car “qualidade do que é outro”. Não con- fundir com “austeridade” que signifi ca “severidade, rigor”.
4.9. Fixação do conteúdo
1. Texto para análise:
Uma vela para Dario
Dario vinha apressado, o guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Foi escorregando por ela, de costas, sentou-se na calçada, ainda úmida da chuva, e descansou no chão o cachimbo.
Dois ou três passantes rodearam-no, indagando se não estava se sen- tindo bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, mas não se ouviu resposta. Um senhor gordo, de branco, sugeriu que ele devia sofrer de ataque.
Estendeu-se mais um pouco, deitado agora na calçada, o cachimbo a seu lado tinha apagado. Um rapaz de bigode pediu ao grupo que se afastasse, deixando-o respirar. E abriu-lhe o paletó, o colarinho, a gra- vata e a cinta. Quando lhe retiraram os sapatos, Dario roncou pela garganta e um fi o de espuma saiu do canto da boca.
Cada pessoa que chegava se punha na ponta dos pés, embora não pu- desse ver. Os moradores da rua conversavam de uma porta à outra, as crianças foram acordadas e vieram de pijama às janelas. O senhor gordo repetia que Dario sentara-se na calçada, soprando ainda a fuma- ça do cachimbo e encostando o guarda-chuva na parede. Mas não se via guarda-chuva ou cachimbo ao lado dele.
Uma velhinha de cabeça grisalha gritou que Dario estava morrendo. Um grupo transportou-o na direção do táxi estacionado na esquina. Já tinha introduzido no carro metade do corpo, quando o motorista protestou: se ele morresse na viagem? A turba concordou em chamar a ambulância. Dario foi conduzido de volta e encostado à parede – não tinha os sapatos e o alfi nete de pérola na gravata.
(Dalton Trevisan) a) “Um senhor gordo, de branco, sugeriu que ele devia sofrer de ATAQUE”. A
reescritura correta, mantendo-se o sentido original, deve ser feita com qual das palavras a seguir? pneumonia, epilepsia, dispnéia, hemofi lia ou erisipela? Justifi que sua resposta com argumento do texto que a comprove.
b) Qual o sentido de DESCANSOU em: “e descansou no chão o cachimbo”.? c) Por que o autor escreve PASSANTE em “Dois ou três passantes rodearam-no”,
e não PEDESTRE? Estabeleça as diferenças.
2. (PUC-MG) Examine os dois verbetes a seguir, transcritos do Dicionário de Sinônimos e Antônimos da Língua Portuguesa (1989), de Francisco Fernandes. Em seguida, assinale a alternativa que possibilita o uso alternado das duas formas ESPIRAR e EXPIRAR.
– ESPIRAR: Sinônimo – Respirar, exalar: “Flores que espiram delicio- so aroma. Soprar”.
– EXPIRAR: Sinônimo – Respirar, exalar, bafejar, espirar: “O hálito de paz que tudo aí expirava” (Herculano). Morrer, falecer, acabar. Terminar, fi nalizar, fi ndar: “O prazo ainda não expirou”. Extinguir-se, desfazer- se, dissipar-se: “Expirou seu prestígio, sua fama”. Ant. – Inspirar.
a) Quando expirará o prazo para o pagamento? b) Minha preocupação parece jamais expirar.
c) O mandato do presidente expira na próxima semana. d) O paciente deu um gemido e expirou.
e) Expirou a herança que o pai lhe deixara.
3. Corrija as imperfeições do texto a seguir.
“A questão da discriminalização das drogas se presta a freqüentes simplifi cações de caráter maquineísta, que acaba por estreitar um se não extremamente complexo, permanecendo a discução quase sempre em torno da droga que está mas em evidencia”.
(Adaptado de Marcos P. T. Ferraz, Folha de S. Paulo)
(Ufscar – adaptada) Para responder às questões 4 a 8, leia o texto a seguir: Selinho, sim, mas só para poucos
Primeiro, Hebe Camargo, toda animada, pediu a Sílvio Santos um “se- linho” (beijinho). Não ganhou, “Nem selinho, nem selo, nem selão”, ouviu dele, categórico. Em seguida, Gilberto Gil entrou no palco, de mão estendida para cumprimentá-lo. O que fez o apresentador? Disse “selinho”, esticou os lábios e zás – tascou um beijinho na boca do mú- sico. A cena foi ao ar de madrugada, no encerramento do “Teleton”, a Maratona benefi ciente exibida pelo SBT. Gil fi cou surpreso. Hebe fi ngiu brabeza e Sílvio riu muito. “Tirei uma onda, foi só uma bicotinha”, diz ele. “Tudo tem uma primeira vez.”
(Veja, 07/11/2001, p. 101)
4. O termo “selinho” é bastante utilizado na linguagem atual. O diminuti- vo no uso da palavra serve para enfatizar que se trata de um beijo:
a) indiscreto; b) demorado; c) engraçado; d) indecente; e) breve.
5. O vocabulário do texto mostra que o jornalista optou por uma expres- são mais à vontade e informal. Essa opção pode ser comprovada pelo emprego de:
a) toda animada e categórico; b) categórico e tascou; c) esticou e tascou;
6. Há um erro, provocado pelo oralidade, na grafi a de um vocábulo do texto da Veja. Sua tarefa é encontrá-lo e reescrevê-lo corretamente. 7. Reescreva os vocábulos abaixo selecionados, todos típicos da oralida-
de, adequando-os à norma culta da língua portuguesa:
a) tascou (l.4) b) brabeza (l.6)
8. Reescreva, segundo os padrões da norma culta, a frase “Tirei uma onda, foi só uma bicotinha”. (l.6-7)
9. (UEL) “Ele foi REFRATÁRIO AO comportamento do irmão.”
Substituindo-se a expressão em destaque por seu ANTÔNIMO, tería- mos, na frase: a) avesso ao; b) adepto do; c) resistente ao; d) opositor do; e) censor do.
10. (UEL) “Seja pela MODORRA causada pelo El Niño, seja por COMPLACÊN- CIA COM O rigor jornalístico, a verdade é que nossos jornais entrega- ram-se ao pseudodeterminismo ‘pesquisótico’: obsessão pelas sonda- gens de opinião pública”.
As palavras em destaque acima signifi cam, no texto:
a) indiferença e prazer do;
b) doença e benevolência para com o; c) má infl uência e boa vontade; d) apatia e condescendência com o; e) casmurrice e intransigência com o.