Sobre a definição das 13 classes de Fragilidade Potencial da BHCC, os resultados obtidos demonstraram algumas peculiaridades. A principal condicionante que diferencia cada uma das 13 classes, é que não há uma constância nas variações entre cada uma delas, ou seja, não existe uma linearidade evolutiva entre as classes.
Isto quer dizer, por exemplo, que para a Classe 1 não é necessário que haja 100% de sua área sendo ocupada pela melhor classe de cada variável física. Do mesmo modo, a Classe 13 não é ocupada em 100% de sua área pelas piores classes de cada variável ambiental. Na verdade, o que há é uma combinação entre as variáveis ambientais compondo cada uma das classes de Fragilidade Potencial, e isto é definido pela relação de pesos estabelecida entre cada elemento físico com todos os demais.
Como exemplo, pode ser citado o caso da variação ‘6 a 12%’ de declividade. Na Classe 3 este intervalo de declividade ocupa 86,74% da área desta classe. Já na Classe 4 ele ocupa 13,32%, na Classe 5, 24,07%, na Classe 6, 10,9%, na Classe 7, 43,64%. Isto demonstra que, apesar da declividade ser a variável de maior peso relativo entre os elementos ambientais, o que realmente construiu a hierarquização entre as classes de Fragilidade Potencial foi a combinação entre as características dos elementos ambientais. Isto faz com que cada uma das classes se caracterize por um conjunto de condições físicas, fazendo com que seja possível identificar diferenciais ambientais entre as classes, e melhor definir formas de uso mais adequadas na bacia.
Quanto a espacialização das classes de Fragilidade Potencial da BHCC nota- se que freqüentemente há uma seqüência na distribuição de classes com valores que se sucedem em regiões específicas dentro da bacia, e que seguem um sentido preferencial que vai dos topos sentido vertentes abaixo. Como exemplo, a área centro-norte da BHCC é ocupada por uma variação que vai da Classe 1 até a Classe 5. Nas cabeceiras do arroio Olarias existe uma seqüência entre a Classe 8 e a Classe 13, assim como no extremo Leste da bacia. Por outro lado, também existem descontinuidades na distribuição não caracterizando seqüências, como é o caso da área próxima a confluência entre o arroio Olarias (margem esquerda) e o rio Cará-
Cará. Nesta área ocorre a transposição da Classe 5 diretamente para a Classe 9, e desta para a Classe 12, sem passar por classes intermediárias, entre outros casos.
Quando foram agrupadas as 13 classes conforme as variações propostas por Ross (1990) em cinco classes, que variam em níveis de instabilidade potencial que vão de ‘Muito Fraca’ a ‘Muito Forte’ como demonstra a Figura 50, tornou-se mais fácil avaliar a distribuição das classes e perceber as seqüências das 13 classes constituintes da Carta de Fragilidade Potencial da BHCC (Figura 36), assim como suas descontinuidades.
A partir da variação de Ross (1990), a BHCC apresenta características mais facilmente identificáveis quanto sua espacialização. Para a classe ‘Muito Fraca’, a ocorrência é na parte central e Norte da bacia, principalmente nos topos. A classe ‘Fraca’, predomina nas proximidades da classe anterior e na mesma região dentro da bacia. Ocorre também, mas em proporções menores, nos extremos Leste e Sul da bacia, na margem direita do arroio Olarias próximo a confluência deste com o rio Cará-Cará. Isto faz com que as porções Norte e central da BHCC se condicionem como os locais mais indicados a ocupações mais intensas, se comparadas a outras áreas dentro da bacia. Estas condições acordam com as tendências a ocupação da bacia nestas áreas promulgadas por influências já anteriormente citadas, assim como com a expansão urbana que se deu nos 22 anos de análise.
A classe ‘Média’ é a que maior área possui e ocorre principalmente na parte Sudeste da bacia. Porém, ocorre também com representatividade na parte Norte e ainda pelo vale do arroio Olarias onde se intercala com as duas outras classes que a sucedem.
As classes ‘Forte’ e ‘Muito Forte’ ocorrem de forma similar, sendo que ambas se intercalam, e ocupam o vale do arroio Olarias, em especial suas cabeceiras, e seguem pelo vale do rio Cará-Cará até algumas nascentes de afluentes deste rio na parte Nordeste da bacia, e caracterizam estes locais como sendo as áreas mais susceptíveis ao desgaste ambiental na bacia se comparados as demais classes.
Em campo foram registradas as ocorrências de alguns processos erosivos em determinados pontos. Estes pontos foram espacializados (Anexo 8) e fotografados (Anexo 9). O que se verifica é que, nas classes com maior propensão a erosão, estas realmente ocorrem com maior intensidade. Por outro lado, processos erosivos acentuados também foram identificados em classes com valores menores, o que demonstra que as formas de uso nos casos analisados tiveram grande influência no
desenvolvimento das erosões, como demonstram as fotos 5, 10 e 11 no Anexo 9. Nas áreas rurais as principais condições que influenciaram no desenvolvimento de erosões, foram o pisoteio do gado e as vias de acesso. Nas áreas urbanizadas, diversas são as ruas em estado crítico, onde o próprio tráfego de veículos torna-se difícil ou impossível em certos casos, em função de erosões. Estes casos se distribuem principalmente em torno das cabeceiras do arroio Olarias, onde tanto as declividades são mais intensas, quanto o solo predominante é do tipo Cambissolo.
Avaliando as classes de Fragilidade Potencial da BHCC a partir de seus dados quantitativos, localização, e práticas de campo, concluiu-se que os resultados apresentam correlações próximas a realidade. Tal constatação contribui a uma avaliação positiva da metodologia utilizada, assim como de todos os procedimentos de tratamento das informações, principalmente com relação a determinação de pesos entre as variáveis ambientais aplicados.
De qualquer modo, verificou-se também que, para a aplicação desta pesquisa em planos de uso da bacia, se faz necessária a compreensão que para decisões específicas voltadas a intensificação ou alternâncias de formas de uso, são importantes pesquisas de campo mais detalhadas para considerar possíveis peculiaridades locais. Isto faz com que esta pesquisa adquira um caráter ‘norteador’ de ações a serem tomadas, refletindo condições mais gerais do que específicas da bacia.