Capitulo II – Avaliação de desempenho na Administração Pública
2.2 Modelos multidimensionais de avaliação de desempenho
2.2.2 QUAR (Quadro de Avaliação e Responsabilidades)
Para auxiliar a avaliação dos serviços o SIADAP prevê a elaboração de um Quadro de Avaliação e Responsabilidades (QUAR), estando sujeito a avaliações permanentes e atualizadas a partir dos
sistemas de informação do serviço. No QUAR deve constar a missão do serviço, os objetivos estratégicos plurianuais determinados superiormente, os objetivos anualmente fixados, indicadores de desempenho e respetivas fontes de verificação, os meios disponíveis, o grau de realização de resultados obtidos na prossecução de objetivos, a identificação dos desvios e suas causas e por fim a avaliação final do desempenho do serviço.
Os parâmetros utilizados para a avaliação do desempenho dos serviços são os seguintes:
- Objetivos de eficácia, verificar se o serviço atinge os seus objetivos e obtém ou ultrapassa os resultados esperados;
- Objetivos de eficiência, verificar a relação entre os bens produzidos e serviços prestados e os recursos utilizados (verificar se os meios utilizados atingem os fins pretendidos da melhor forma); - Objetivo da qualidade, traduzida como o conjunto de propriedades e características de bens ou serviços, que lhes conferem aptidão para satisfazer necessidades explícitas ou implícitas dos utilizadores.
Os objetivos são propostos pelo serviço ao membro do Governo de que dependa e são por estes aprovados.
No final da avaliação os objetivos são classificados da seguinte forma: (1) Superou o objetivo; (2) Atingiu o objetivo; (3) Não atingiu o objetivo.
Os serviços têm de definir indicadores de desempenho para cada objetivo e respetiva fonte de verificação, podendo fixar ponderações diversas a cada parâmetro e objetivo, de acordo com a
natureza dos serviços. Este trabalho deve atestar a participação das várias unidades orgânicas8
do serviço. Estes indicadores têm que ser pertinentes face aos objetivos que se pretende medir, credíveis, fáceis de recolher, claros, comparáveis e devem assegurar a participação de várias unidades orgânicas do serviço.
Segundo o SIADAP, no caso de o serviço integrar unidades homogéneas9 sobre as quais detenha
o poder de direção, compete ao dirigente máximo assegurar a conceção e monitorização de um sistema de indicadores de desempenho que permita a sua comparabilidade.
O sistema de indicadores deve refletir o conjunto das atividades desta unidade de forma a viabilizar a ordenação destas numa ótica de eficiência relativa, para cada grupo homogéneo, em cada serviço.
A avaliação final do desempenho dos serviços é expressa qualitativamente pelas seguintes menções:
- Desempenho bom, atingiu todos os objetivos, superando alguns;
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Unidades orgânicas - os elementos estruturais da organização interna de um serviço quer obedeçam ao modelo de estrutura hierarquizada, matricial ou mista, art. 4º alínea j) da Lei 66-B/2007. (O Comando Distrital de Braga é uma Unidade orgânica)
9 Unidades homogéneas - os serviços desconcentrados ou periféricos da administração direta e indireta do Estado que
desenvolvem o mesmo tipo de atividades ou fornecem o mesmo tipo de bens e ou prestam o mesmo tipo de serviços, art. 4º alínea i) da Lei 66-B/2007.
- Desempenho satisfatório, atingiu todos os objetivos ou os mais relevantes; - Desempenho insuficiente, não atingiu os objetivos mais relevantes.
Os serviços devem proceder à divulgação dos resultados da autoavaliação com indicação dos respetivos parâmetros, na sua página eletrónica.
Os resultados da avaliação dos serviços devem servir para a tomada de decisões a nível orçamental, nas opções e prioridades do ciclo de gestão seguinte, na avaliação do desempenho dos dirigentes superiores.
Em caso da atribuição da menção Desempenho insuficiente no processo de autoavaliação, o membro do Governo responsável pode aplicar medidas para melhorar o desempenho, medidas essas que podem incluir a celebração de nova carta de missão, na qual expressamente seja consagrado o plano de recuperação ou correção dos desvios detetados.
A atribuição consecutiva de menções de Desempenho insuficiente ou a não superação de desvios na heteroavaliação podem pôr em causa a existência do serviço, da sua missão, atribuições, organização e atividades, sem prejuízo do apuramento de eventuais responsabilidades.
Em cada ministério compete ao serviço com atribuições em matéria de planeamento, estratégia e avaliação emitir parecer com análise crítica das autoavaliações constantes dos relatórios de atividades elaborados pelos demais serviços. Com o objetivo de assegurar a coordenação e dinamizar a cooperação entre os vários serviços com estas atribuições foi é criado o Conselho Coordenador da Avaliação de Serviços.
A heteroavaliação pretende obter um conhecimento aprofundado das causas dos desvios evidenciados na autoavaliação e apresentar propostas para a melhoria dos processos e resultados futuros. É responsável pela heteroavaliação Conselho Coordenador do Sistema de Controlo Interno da Administração Financeira do Estado, podendo ser realizada por operadores internos, designadamente inspeções-gerais, ou externos, nomeadamente associações de consumidores ou outros utilizadores externos, desde que garantida a independência funcional face às entidades a avaliar. No caso da heteroavaliação dos serviços com atribuições em matéria de planeamento, estratégia e avaliação é proposta pelo respetivo Ministro.
A heteroavaliação pode igualmente ser solicitada pelo serviço, em alternativa à autoavaliação, solicitando ao Conselho Coordenador do Sistema de Controlo Interno da Administração Financeira do Estado, no início do ano a avaliar.
O projeto de relatório da heteroavaliação é dado a conhecer ao serviço para que se possam pronunciar. Posteriormente o relatório final deve também ser entregue às organizações sindicais ou comissões de trabalhadores representativas do pessoal do serviço que o solicitem.
Na Lei do Orçamento de Estado 2013 foram revogadas as normas que previam a atribuição da distinção de mérito aos serviços, com reconhecimento de Desempenho Excelente.
O SIADAP 1, o subsistema dedicado à gestão e avaliação do desempenho dos serviços é aquele que pode suportar e integrar metodologias e práticas de controlo e contabilidade de gestão. O art.
10º da Lei n.º 66-B/2007, 28 de Dezembro, confirma esta realidade ao referir que os serviços devem recorrer a metodologias e instrumentos de avaliação já consagrados, no plano nacional ou internacional, que permitam operacionalizar a gestão do desempenho, ou seja pode-se articular outros modelos como por exemplo o BSC para uma melhor avaliação dos serviços.
A integração e articulação entre o BSC (bem como outras soluções de melhoria) e o SIADAP, visto como “Modelo Global – conceptualizador e regulador da gestão da performance pública”, são fatores cruciais que podem fazer a diferença no sucesso futuro da mudança (Pinto, 2008).
Implementar a avaliação de desempenho no setor público não é fácil existindo muitas dificuldades que se apresenta no ponto 2.3.
De seguida apresentamos o modelo Balanced Scorecard.