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4. PRINCÍPIOS DA CONCEPÇÃO DA PLATAFORMA EDUCOELHO

4.4 QUARTO PILAR: PRODUTOS E CONCEITOS FINANCEIROS

O pilar relacionado a produtos e conceitos financeiros corresponde ao entendimento de forma mais ampla, de conceitos, regras, leis, relacionadas a produtos de consumo e de investimento, presente nos livros, contratos, regulamentações, que abordam diversas alternativas existentes. Pode ser considerada uma visão mais global de todos os aspectos relacionados aos produtos, onde a técnica presente mais importante é a da correta interpretação e compreensão, e não a matemática. Aqui temos a presença forte da língua portuguesa, a fim de se compreender o funcionamento dos diversos produtos financeiros.

O nível de risco aceitável depende de sua experiência, do conhecimento acumulado sobre o mercado, da sua idade e do valor de seus ativos, portanto, a percepção de risco se alterará ao longo da vida do investidor (ZAREMBA, 2007). Este autor lembra que riscos maiores podem trazer ganhos maiores, mas também perdas maiores. Quando um investidor não compreende o risco, as características dos mercados onde atua, se expõe em condição desfavorável. O maior bem que uma

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boa situação financeira pode proporcionar é a liberdade, a condição de escolher onde e quanto trabalhar, as alternativas para gozar a vida, alcançando independência financeira (ZAREMBA, 2007).

A ignorância impede que as pessoas façam aquilo que fariam se tivessem melhor informação, assim dizemos que "o conhecimento liberta" (HAYEK, 1983). O autor lembrava que a possibilidade de uma pessoa ser ou não capaz de uma escolha inteligente entre alternativas, ou de agir em conformidade com a resolução por ela tomada, é distinta da possibilidade de outras pessoas lhe imporem ou não seus desejos. Portanto, será com a educação, melhor qualidade de informação, que melhores ações humanas poderão ser esperadas.

Montier (2010), por outro lado, destaca o impulso que gestores tem pela tomada de risco, buscando retornos acima da média do mercado, para que despertem o interesse de potenciais clientes. O indivíduo que não tiver conhecimento do risco ao qual está exposto, das regras presentes nos investimentos ou mesmo na obtenção de crédito, ficará cedo ou tarde em grande risco. Diferente de uma cirurgia que rapidamente mostrará seus resultados, a má gestão de recursos poderá trazer respostas negativas muito tempo a frente.

É igualmente importante saber em relação aos investimentos possíveis alternativas de escapar de uma tributação maior, incidentes em aplicações como fundos de investimento (ZAREMBA, 2007). São aspectos legais que implicam em maior conhecimento dos produtos com os quais se está trabalhando que sugerem planejamento prévio, para não se realizar prejuízos desnecessários, algo que depende de conhecimento técnico.

Autoridades não exercem a função de capacitar a população adequadamente para a tomada de decisões no âmbito financeiro. Organizações privadas e algumas empresas e bancos desenvolvem práticas para preencher essa lacuna e orientar seus clientes (SAVOIA, SAITO e SANTANA, 2007). No entanto, muitas vezes não se fica livre que este viés de orientação esteja mais direcionado aos objetivos daqueles que oferecem a informação, em vez de seus usuários.

Clark et al. (2006), apud Savio, Saito e Santanna (2007), lembram que os indivíduos serão cada vez mais responsáveis pela sua renda na aposentadoria e, para que isso ocorra adequadamente, é necessário um certo nível de conhecimento financeiro, de forma a dimensionar os impactos das decisões tomadas. Os autores mencionavam que a falta de conhecimento financeiro pode provocar: o adiamento da formação da poupança previdenciária; a incapacidade de tomar decisões corretas de investimento, consumo e poupança; e o aumento da insegurança em relação ao risco e ao retorno dos produtos de investimento.

Donadio, Campanario e Rangel (2012) questionam se os indivíduos estão conscientes quanto ao cartão de crédito, de suas tarifas, taxas e outros custos que incorrerão ao não realizar o pagamento total da fatura. Para os autores, as respostas a essas questões são extremamente importantes para que se entenda corretamente o motivo do considerável crescimento do endividamento dos consumidores brasileiros, o qual pode gerar consequências relevantes em seu bem-estar, seus relacionamentos pessoais e convívio social, além, é claro, de gerar externalidades para a economia e sociedade como um todo.

Barroso (2013) refere-se a pesquisa da revista Exame publicada em 08/02/2012, onde entidades financeiras apontavam como um jovem de 20 a 25 anos deveria aplicar seus recursos. A sugestão seria investir cerca de um terço do patrimônio na bolsa de valores (renda variável). Estes especialistas também recomendavam fazer um plano de previdência privada com até 49% dos recursos aplicados em ações (BARROSO, 2013). Esta afirmação desconsidera o fato de que cada indivíduo tem uma realidade distinta em relação a qual investimento é mais vantajoso para ela dado seu perfil, sua tolerância a risco, suas experiências com perdas, seu planejamento fiscal entre outros aspectos. Justamente o que se apresenta é a resposta praticamente pronta, digamos pasteurizada, que oferece um caminho sem criar uma análise crítica. Investir em bolsa de valores sem conhecer de fato o investimento? E se o plano de previdência privada aplicar 49% em renda variável, como fica a regra mencionada de aplicar um terço do patrimônio em renda variável, caso já haja investimentos

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específicos nesta modalidade? Cerbasi (2009) menciona outro critério, falando da chamada “regra dos 80”, na qual o indivíduo deve diminuir este número de sua idade para saber quanto deve investir em renda variável. Cada livro e cada autor podem apresentar opiniões distintas, assim como cada indivíduo é único e deverá fazer suas escolhas. Não há respostas prontas!

Ao defender a ideia de que as pessoas devem ser independentes e livres, é possível utilizar a citação de H. B. PHILLIPS presente na obra "On the Nature of Progress”, citada por Hayek (1983, p.1):

“Numa sociedade em evolução, qualquer restrição à liberdade limita o número de experiências possíveis, reduzindo, dessa forma, o ritmo do progresso. Em tal sociedade, a liberdade de ação não é assegurada ao indivíduo porque isso lhe dá maior satisfação, mas porque, se lhe for permitido escolher seu próprio caminho, poderá, de modo geral, servir-nos melhor do que se obedecesse às nossas ordens."

Cerbasi (2009) destaca que quanto mais fácil o acesso e mais baratos os juros de uma operação, maiores podem ser as armadilhas embutidas nos contratos. No Brasil, a legislação obriga as instituições financeiras a informarem, antes da contratação, o Custo Efetivo Total (CET) da operação. Este autor destaca estratégias relacionadas a investimentos, como a observações de prazos de aplicações visando menores alíquotas de imposto de renda, ou seja, somente quem conhece os produtos tem melhores condições de fazer bom planejamento.

Há trabalhos demonstrando que conselheiros financeiros agiam de acordo com seus próprios interesses quando isso lhes beneficiava independente do que fosse de interesse aos seus clientes, assim como vendedores de seguros de vida que preferiam comercializar planos com menor qualidade e melhores condições de comissionamento, se aproveitando em especial de clientes com baixo grau de compreensão dos produtos financeiros (HASTINGS, MADRIAN e SIMMYHORN, 2013).

No trabalho de Souza (2012) está presente o seguinte comentário: “vários alunos, ao pensarem em investimento, ainda estavam presos somente à Caderneta de Poupança. Sem especificar o tipo de investimento, apenas três grupos se referiram a investimentos mais rentáveis do que a Poupança”. Importa observar o fato de que não se explica no trabalho apresentado, como funciona o investimento da caderneta de poupança, quais os riscos envolvidos, bem como os riscos existentes em outras alternativas tidas como mais atraentes, ou os motivos que potencializam um resultado superior em relação a poupança.

Para compreender sua inserção em um ambiente capitalista, cada indivíduo seja na posição de cliente, seja na posição oposta de quem está ofertando produtos e/ou serviços, deverá compreender os conceitos relacionados ao tema que é tratado. Se por exemplo estiver negociando um produto de previdência privada, deverá compreender o que significam as regras presentes no regulamento do produto. Se está comprando um automóvel, deverá conhecer o contrato e regras de amortização de um eventual financiamento. Se faz algum investimento deve conhecer os riscos relacionados. Será por meio do processo de educação que maiores ferramentas estarão à disposição dos diversos indivíduos que partem em busca de seus objetivos pessoais.

Sem conhecer os produtos o indivíduo consumidor pode ficar sem condições de fazer melhores julgamentos. Em uma venda por exemplo de um plano de previdência privada, seria mais facilmente persuadido por aquele vendedor que fizesse uma simulação usando rentabilidades mais agressivas para projeção de formação de reservas futuras. Sem entender dos regulamentos e regras atuariais poderia trocar um plano por outro sem considerar de fato quais as regras vigentes em cada uma das alternativas oferecidas, em virtude do critério de conversão de suas reservas financeiras em benefício de aposentadoria. Poderia também contratar um tipo de benefício no momento da

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aposentadoria sem considerar outras alternativas existentes, efetuar resgates e ficar exposto a obrigação de pagamento de impostos de forma desnecessária.

O não entendimento das “regras do jogo” faz com que muitos indivíduos atuem sem a devida compreensão, ficando mais sujeitos a ações a partir dos seus vieses comportamentais, ou mesmo da persuasão de terceiros, os quais podem direcionar a ação dos indivíduos em sentido contrário aos seus interesses. Aqui se destaca que além do conhecimento matemático, da capacidade de se ter maior conhecimento sobre questões comportamentais, cabe também ao indivíduo conhecer melhor conceitos e produtos que ele consome ou investe. E todo este conjunto de conhecimentos torna o indivíduo mais apto para o que será tratado no próximo pilar.