• Nenhum resultado encontrado

19,35Médias do 10º ano

4. E STÁGIO PROFISSIONAL : ENTRE ENTENDIMENTOS E EXPETATIVAS

4.1. O que é o estágio profissional?

O EP, o contexto de formação inicial de professores, é uma etapa de extrema importância para o início de uma carreira como profissional de educação.

Presentemente, em Portugal ter habilitações para a docência tem que ter o grau de mestre. Na FADEUP o estudante tem de cumprir o plano de estudos estipulado pela faculdade, que termina com a elaboração de um relatório relacionado com o EP (feito no decorrer do 2º ano deste ciclo) e a respetiva defesa, e ter bom aproveitamento.

O EP está estruturado de forma a ir ao encontro das orientações do Decreto-lei nº74/2006 de 24 de março e do Decreto-lei nº43/2007 de 22 de fevereiro, do regulamento geral dos segundos ciclos da Universidade do Porto, do regulamento dos segundos ciclos da FADEUP e do regulamento do curso de 2º ciclo em EEFEBS (Matos, 2012b).

Durante o período de EP, é dada a possibilidade ao estudante de passar pela vida profissional de um professor, de contactar diretamente com o universo escolar num determinado estabelecimento de ensino e com uma determinada turma, assistindo à evolução de um grupo de alunos durante um ano letivo inteiro. O aluno finalista pode sentir, dessa forma, todas as suas dificuldades que caracterizam a profissão de professor de EF. Esta experiência é progressiva e acontece sob a orientação do professor orientador e do professor cooperante. Nesta fase, o estudante consegue não só aumentar os seus conhecimentos pedagógicos, mas também obter conhecimentos, hábitos e rotinas da vida profissional no âmbito da lecionação. O estudante cresce pessoal e profissionalmente e desenvolve competências como o sentido crítico e reflexivo, que no futuro lhe darão a capacidade responder positivamente aos desafios e exigências da profissão de professor e de educador.

A FADEUP e especificamente o 2º ciclo em EEFEBS, utilizamos esta forma de integrar os estudantes na sua futura profissão. O estudante estagiário é encarregue de lecionar 1 ou mais turmas, sob a supervisão, orientação e coordenação do professor orientador e do professor cooperante, que o ajudam no primeiro impacto com o mundo

29 do trabalho. Pretende-se que o estudante evolua durante o ano letivo, quer pela reflexão, a que se entrega depois de cada aula, quer com as reuniões e restantes tarefas que pedem a sua ação e interação.

Tudo o que aprende no período de formação é utilizada na prática nesta fase, tendo isto em conta o meio e o contexto. O EP é, portanto, a ponte entre a formação e o mundo do trabalho. Para Caires & Almeida (2000, p. 220), o estágio é uma “articulação entre a experiência de trabalho e a formação teórica veiculada no contexto universitário”. Este espaço é uma das alternativas que o ensino superior propõe para solucionar lacunas identificadas na formação de cariz profissionalizante dos seus alunos.

Aquilo que devem ser os principais resultados e aprendizagens dos estagiários, durante este processo, é mais ou menos consensual. Daresh (cit. por Caires & Almeida, 2000) menciona alguns resultados e aprendizagens que se esperam dos estagiários nesta fase. Esses resultados passam, por exemplo, por conseguirem aplicar as competências e conhecimentos adquiridos durante o curso; alargarem o repertório de competências e conhecimentos; se comprometerem com uma carreira profissional; identificarem dificuldades e potencialidades nas áreas pessoal e profissional; desenvolverem o raciocínio prático e a capacidade de resolução de problemas e desenvolverem uma visão mais realista do mundo profissional e das suas exigências e oportunidades. Mas, como é evidente, estes objetivos nem sempre são atingidos, na sua totalidade.

O EP também trás ganhos que vem desta experiência que são referido nos estudos de alguns autores, tais como “construção de uma visão mais realista do mundo do trabalho e das perspetivas de carreira destes futuros profissionais (Cole & Knowles; Jardine & Field; Kuzmic); a promoção de competências de empregabilidade e desenvolvimento de destrezas na sua área profissional (Alarcão; Espiney; Malglaive; McNally et al.; Skilbeck et al.); o desenvolvimento de competências sociais e interpessoais (Alarcão; Amaral et al.; Arends; Caires & Almeida; Cardoso et al.; Espiney; Lacey; McNally et al.); o aumento das oportunidades de emprego (Ryan et al.; Turney); ou, o aumento do "diálogo" entre o Ensino Superior e o Mundo do Trabalho (Alarcão; Canário; Espiney). Outros autores referem, ainda, como ganhos inerentes ao EP: os maiores níveis de maturidade e de auto-confiança dos alunos (Amaral et al.; Kuzmic; Simões & Ralha Simões; Sprinthall & Sprinthall); o atenuar do impacto da

30 transição da Universidade para o Mundo do Trabalho (Kuzmic; Ryan et al.; Turney); o desenvolvimento do raciocínio prático e da capacidade de resolução de problemas por parte dos alunos (Alarcão; Cardoso et al.; Malglaive); e a promoção de níveis superiores em termos do auto-conceito vocacional e dos valores de trabalho (Turney, cit. por Ryan et al.).” (Caires & Almeida, 2000, p. 222). Todos estes autores estão de acordo quando afirmam que o EP deve trazer ao aluno estagiário, “experiências significativas e exemplificativas da realidade, no sentido de se promoverem as competências necessárias ao desempenho autónomo e eficaz destes futuros profissionais” (Caires & Almeida, 2000, p. 223).

Após estes 9 meses de EP, eu própria experienciei alguns dos ganhos mencionados anteriormente. Sinto, por exemplo, que “amadureci” no modo de pensar e mesmo de agir para com os jovens e que sou hoje mais autoconfiante no que diz respeito às minhas ações. Sinto que, se não fosse o EP, onde todas as nossas ações são supervisionadas e em que somos aconselhados pelo professor cooperante, a transição da formação para o mundo real da profissão teria sido um choque enorme. Acresce que sem qualquer suporte, ocorreriam erros seriam mais graves, redundado por isso num impacto maior nos alunos. Finalmente, melhorei o meu raciocínio prático e capacidade de resolver problemas no imediato. Tudo isto contribuiu assim para um melhoramento da minha cognição e ação.

Outro elemento que importa refletir é que existência de um distanciamento entre os conhecimentos construídos na formação inicial e as práticas quotidianas vividas no âmbito escolar, pois geralmente na universidade aprende-se a criticar e a desenvolver trabalhos de reflexão, mas não a intervir nas situações de ensino aprendizagem (Soares, 2004). O EP, concretamente, serve para: “transformar” ainda mais o estudante estagiário, de forma a juntar tudo o que ele “sabe a nível teórico” com a prática e fazer dele alguém apto a lecionar, capaz de enfrentar problemas, refletir e agir, contribuindo para a formação e educação dos alunos que tem à sua responsabilidade. Na mesma linha de pensamento, Soares (2004) afirma que, por envolver atores diferentes, em situações diversas, exigindo a mobilização de conhecimento, exigência, criatividade e reflexão sobre a ação pedagógica, para a resolução de problemas pontuais, a escola expõe o professor a um movimento que não pode ser caraterizado de uma forma padrão e previsível, pois o professor vê-se obrigado a resolver problemas pontuais onde é o único responsável. Desta forma, “a

31 formação representa o ponto de partida e validação social para o devir do indivíduo candidato a professor, a escola representa o espaço do tornar-se profissional docente” (Soares, 2004, p. 50). De facto, o professor iniciante enfrenta várias problemáticas relacionadas com a tríade formação-professor-escola, onde esta última é a “realidade encontrada pelo professor e o espaço que se destina à sua formação académica.” (Soares, 2004, p. 105).

4.2. As minhas expectativas para o estágio profissional