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A)o agente que desiste de forma voluntária de prosseguir na execução do crime, ou impede que o resultado se produza, terá sua pena reduzida de um a dois terços.

B)o arrependimento posterior, nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, deve ocorrer até o oferecimento da denúncia ou da queixa.

C)não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação.

D)crime impossível é aquele em que o agente, embora tenha praticado todos os atos executórios à sua disposição, não consegue consumar o crime por circunstâncias alheias à sua vontade.

E)diz-se crime culposo, quando o agente assumiu o risco de produzi-lo.

GABARITO: LETRA C.

COMENTÁRIOS: A questão cobra o teor da Súmula 145 do STF e por isso está correta.

Súmula 145 do STF: Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação.

LETRA A: Errado. Nesse caso (desistência voluntária e arrependimento eficaz), o agente responde apenas pelos atos praticados.

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.

LETRA B: O arrependimento posterior deve ocorrer até o recebimento da denúncia.

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.

Portanto, incorreta a assertiva.

LETRA D: Errado, pois nesse caso temos a figura da tentativa.

Art. 14 - Diz-se o crime:

II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.

LETRA E: Na verdade, essa é a definição de dolo eventual.

Art. 18 - Diz-se o crime:

I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo.

Errada, portanto, a assertiva.

3)FCC/2018 – Câmara Legislativa do Distrito Federal - De acordo com o que estabelece o Código Penal, A)não há crime quando o agente pratica o fato no exercício regular de direito.

B)entende-se em legítima defesa quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar.

C)é possível a invocação do estado de necessidade mesmo para aquele que tinha o dever legal de enfrentar o perigo.

D)é plenamente possível a compensação de culpas quando ambos os agentes agiram com imprudência, negligência ou imperícia na prática do ilícito.

E)considera-se praticado o crime no momento do resultado, ainda que outro seja o momento da ação ou omissão.

GABARITO: LETRA A.

COMENTÁRIOS: É verdade que quem pratica o fato no exercício regular de direito não comete crime.

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:

III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.

LETRA B: Errado, pois essa é a definição de estado de necessidade.

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.

LETRA C: Incorreto. Quem tem o dever legal de enfrentar o perigo não pode alegar estado de necessidade.

Art. 24, § 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo.

LETRA D: O Direito Penal brasileiro não admite a compensação de culpas. Se ambos os agentes agiram com culpa, ambos devem responder pelo fato.

LETRA E: Já vimos que o considera-se praticado o crime no momento da ação ou da omissão.

Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.

Incorreta a assertiva.

4)FCC/2018 – MPE/PB - O erro sobre elementos do tipo, previsto no artigo 20 do Código Penal, A)exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.

B)sempre isenta o agente de pena.

C)não isenta o agente de pena, mas esta será diminuída de um sexto a um terço.

D)não tem relevância na punição do agente, pois o desconhecimento da lei é inescusável.

E)se inevitável, isenta o agente de pena; se evitável, poderá diminuir a pena de um sexto a um terço.

GABARITO: LETRA A.

COMENTÁRIOS: É exatamente o que diz o artigo 20 do CP, veja:

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.

LETRA B: Errado, pois há possibilidade de punição, se o erro de tipo for evitável.

LETRA C: Incorreto, pois a questão tentou confundir o erro de tipo com o erro de proibição, previsto no artigo 21 do CP.

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.

LETRA D: É claro que tem relevância na punição do agente. Se o erro de tipo for evitável e o fato for previsto como crime culposo, haverá punição.

LETRA E: Trata-se de previsão relativa ao erro de proibição.

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.

Incorreta a assertiva.

5)FCC/2018 – MPE/PB - O arrependimento eficaz

A)configura-se quando a execução do crime é interrompida pela vontade do agente.

B)dá-se após a execução, mas antes da consumação do crime.

C)decorre da interrupção casuística do iter criminis.

D)é causa inominada de exclusão da ilicitude.

E)exige que a manifestação do autor do crime seja posterior à consumação do delito.

GABARITO: LETRA B.

COMENTÁRIOS: Como vimos, o arrependimento eficaz é a situação na qual o agente, depois de terminar a execução, toma precauções para que o resultado não ocorra. Em outras palavras, após a execução e antes da consumação, há um comportamento positivo do agente (impedindo o resultado).

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados

LETRA A: Errado, pois se a própria execução for interrompida (por vontade do agente), teremos a figura da desistência voluntária.

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados

LETRA C: Nesse caso, teremos a figura da tentativa, visto que a interrupção não pela vontade do agente, mas sim “casuística”.

Art. 14 - Diz-se o crime:

II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.

LETRA D: Não se trata de causa de exclusão da ilicitude, mas sim de causa de exclusão de tipicidade, pois o agente só responde “pelos atos já praticados”. Na prática, o sujeito “sai” do crime mais grave e vai para o menos grave.

LETRA E: Na verdade, se o crime de consumar, o arrependimento não terá sido “eficaz”. É necessário o

“agir” antes da consumação.

Sendo assim, incorreta a assertiva.

6)FCC/2018 – Prefeitura de São Luís/MA - Diz-se crime tentado quando

A)ele não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente, após iniciada a execução.

B)impossível de se consumar em razão da ineficácia absoluta do meio ou da absoluta impropriedade do objeto.

C)o agente, por ato voluntário, até o recebimento da denúncia ou da queixa, repara o dano ou restitui a coisa.

D)o agente desiste, de forma voluntária, de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza.

E)o agente dá causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia.

GABARITO: LETRA A.

COMENTÁRIOS: É exatamente o que diz o artigo 14, II do CP.

Art. 14 - Diz-se o crime:

II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.

LETRA B: Errado, pois nesse caso teremos o crime impossível.

Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime.

LETRA C: Incorreto. Essa é a definição de arrependimento posterior.

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.

LETRA D: Na verdade, a assertiva trata da desistência voluntária e do arrependimento eficaz.

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados

LETRA E: Errado. Essa é a definição de crime culposo.

Art. 18 - Diz-se o crime:

I - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia.

7)FCC/2018 – DPE/AM - O erro de tipo, no Direito Penal,

A)exclui a culpabilidade subjetiva, impedindo a punição do agente.

B)quando escusável, permite a punição por crime culposo.

C)é incabível em crimes hediondos e equiparados.

D)é inescusável nos crimes da Lei de Drogas, no desconhecimento da lei penal.

E)incide sobre o elemento constitutivo do tipo e exclui o dolo.

GABARITO: LETRA E.

COMENTÁRIOS: É exatamente o que diz o artigo 20 do CP.

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.

LETRA A: Na verdade, o erro de tipo exclui o fato típico. Incorreta a assertiva.

LETRA B: O erro de tipo, quando evitável (inescusável), permite a punição por crime culposo. Assertiva errada.

LETRA C: Não há essa vedação na lei.

LETRA D: Não há essa previsão legal, até porque o desconhecimento da lei é inescusável.

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.

8)FCC/2017 – TRF da 5ª Região - A coação moral irresistível A)torna o fato atípico.

B)é causa excludente de ilicitude.

C)é circunstância que sempre atenua a pena.

D)tem o mesmo tratamento legal da coação física irresistível.

E)é causa de isenção da pena.

GABARITO: LETRA E.

COMENTÁRIOS: É verdade que a coação moral irresistível é causa de isenção de pena, pois exclui a exigibilidade de conduta diversa (e, portanto, a culpabilidade).

Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.

LETRA A: Na verdade, não há exclusão da tipicidade. Exclui-se a culpabilidade.

LETRA B: Na verdade, não há exclusão da ilicitude. Exclui-se a culpabilidade.

LETRA C: Não se trata de atenuante, mas sim de causa de exclusão da culpabilidade.

LETRA D: Errado, pois a coação física irresistível exclui a conduta e, portanto, o fato típico. Já a coação moral irresistível exclui a culpabilidade.

9)FCC/2017 – TRF da 5ª Região - Considere:

I. Não provocação voluntária do perigo.

II. Exigibilidade de sacrifício do bem salvo.

III. Inexistência do dever legal de enfrentar o perigo.

IV. Conhecimento da situação justificante.

V. Agressão atual ou pretérita.

São requisitos do estado de necessidade o que se afirma APENAS em A)I, III e IV.

B)II, III e IV.

C)I, II e V.

D)II, IV e V.

E)I, III e V.

GABARITO: LETRA A.

COMENTÁRIOS: A questão pede que o candidato marque as assertivas corretas no que tange ao estado de necessidade.

Vamos analisá-las?

I – Realmente, para haver estado de necessidade, o sujeito não deve ter provocado o perigo.

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.

II – É exatamente o contrário. O sacrifício do bem salvo deve ser inexigível. Ou seja, o bem que foi salvo deve ser o de maior ou igual valor (em relação ao que foi sacrificado).

III – Também é verdade que o agente não deve estar em situação na qual tenha o dever legal de enfrentar o perigo, uma vez que, nesses casos, o sujeito não pode alegar estado de necessidade.

Art. 24, § 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo.

IV – Obviamente, para agir em estado de necessidade, o agente deve saber que se trata da referida situação. Isso se explica porque ninguém pode sair agredindo bens jurídicos sem que a situação seja devidamente justificada.

V - No estado de necessidade, não se fala em “agressão”, se fala em “perigo”. Portanto, incorreta a assertiva.

10)FCC/2017 – TRF da 5ª Região - Édipo, irritado com as constantes festas que seu vizinho Laio promove à noite, atrapalhando seu descanso, resolve procurá-lo a fim de resolver definitivamente a situação. Para tanto, arma-se

de uma espingarda e se dirige à casa de Laio, vindo a encontrá- lo distraído. Ato contínuo, aponta a arma em sua direção a fim de efetuar um disparo contra sua cabeça. Contudo, Jocasta, que, por coincidência, havia acabado de chegar ao local, surpreende e consegue impedir Édipo de seu intento, retirando-lhe a arma de sua mão, evitando, assim, o disparo fatal. A conduta de Édipo, para o Direito Penal, pode ser enquadrada no ordenamento jurídico como

A)arrependimento posterior.

B)desistência voluntária.

C)crime tentado.

D)circunstância atenuante.

E)arrependimento eficaz.

GABARITO: LETRA C.

COMENTÁRIOS: Nota-se que Édipo só não disparou contra Laio porque Jocasta retirou a arma da mão dele. Temos, portanto, a não consumação por circunstâncias alheias à vontade do agente, o que configura a tentativa.

Art. 14 - Diz-se o crime:

II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.

LETRA A: Errado, pois não houve esgotamento dos atos executórios. Além disso, tal arrependimento só tem lugar nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça contra a pessoa.

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.

LETRAS B e E: Erradas, pois a desistência voluntária pressupõe voluntariedade na interrupção dos atos executórios. O arrependimento eficaz, por sua vez, pressupõe o esgotamento de tais atos.

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.

LETRA D: Não se trata de circunstância atenuante. Incorreta a assertiva.

11)CESPE/2018 – MPU - Cada um do item a seguir apresenta uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada, a respeito da aplicação e da interpretação da lei penal, do concurso de pessoas e da culpabilidade.

Joaquim, penalmente imputável, praticou, sob absoluta e irresistível coação física, crime de extrema gravidade e hediondez. Nessa situação, Joaquim não é passível de punição, porquanto a coação física, desde que absoluta, é causa excludente da culpabilidade.

GABARITO: ERRADO.

COMENTÁRIOS: A questão está errada, pois fala que a coação física irresistível exclui a culpabilidade.

Na verdade, a coação física irresistível exclui a conduta e, portanto, o fato típico. A culpabilidade sequer é analisada. A coação que exclui a culpabilidade é a coação moral irresistível.

12)CESPE/2018 – PC/SE - Em um clube social, Paula, maior e capaz, provocou e humilhou injustamente Carlos, também maior e capaz, na frente de amigos. Envergonhado e com muita raiva, Carlos foi à sua residência e, sem o consentimento de seu pai, pegou um revólver pertencente à corporação policial de que seu pai faz parte.

Voltando ao clube depois de quarenta minutos, armado com o revólver, sob a influência de emoção extrema e na frente dos amigos, Carlos fez disparos da arma contra a cabeça de Paula, que faleceu no local antes mesmo de ser socorrida.

Acerca dessa situação hipotética, julgue o próximo item.

A culpabilidade de Carlos poderá ser afastada por inexigibilidade de conduta diversa.

GABARITO: ERRADO.

COMENTÁRIOS: A questão narra uma situação em que Carlos está “envergonhado e com muita raiva” e sob influência de “emoção extrema”. A assertiva diz, ainda, que a culpabilidade será afastada em virtude dessas circunstâncias. Isso está errado, pois a emoção não serve para excluir a culpabilidade. Veja o que o CP diz:

Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal:

I - a emoção ou a paixão

Além disso, Carlos não está em situação de inexigibilidade de conduta diversa. Pelo contrário, Carlos deveria ter tido uma conduta diversa. No caso concreto, era exigível uma conduta diferente. A atitude do autor foi reprovável.

Portanto, incorreta a assertiva.

13)CESPE/2018 – MPE/PI - Rita, depois de convencer suas colegas Luna e Vera, todas vendedoras em uma joalheria, a desviar peças de alto valor que ficavam sob a posse delas três, planejou detalhadamente o crime e entrou em contato com Ciro, colecionador de joias, para que ele adquirisse a mercadoria. Luna desistiu de participar do fato e não foi trabalhar no dia da execução do crime. Rita e Vera conseguiram se apossar das peças conforme o planejado; entretanto, como não foi possível repassá-las a Ciro no mesmo dia, Vera levou-as para a casa de sua mãe, comunicou a ela o crime que praticara e persuadiu-a a guardar os produtos ali mesmo, na residência materna, até a semana seguinte.

Considerando que o crime apresentado nessa situação hipotética venha a ser descoberto, julgue o item que se segue, com fundamento na legislação pertinente.

Luna não responderá criminalmente, porque sua desistência caracteriza arrependimento posterior.

GABARITO: ERRADO.

COMENTÁRIOS: A questão possui vários erros. Vamos pontuá-los?

Primeiramente, a assertiva faz confusão entre desistência voluntária e arrependimento posterior. A desistência voluntária, como já visto, é causa de exclusão da tipicidade, ou seja, impede que o crime se consume.

Já o arrependimento posterior, que tem lugar nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, é uma simples causa de diminuição de pena.

Outro erro é dizer que Luna “desistiu”, levando o candidato a pensar na desistência voluntária. Na verdade, a desistência voluntária pressupõe o início dos atos executórios. Quando Luna não quis mais participar do fato, os atos executórios sequer tiveram início. Portanto, não há que se falar em desistência voluntária e muito menos em arrependimento posterior. Aquela pressupõe o início dos atos de execução e este pressupõe o fim de tais atos.

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados

A única parte certa da assertiva é a que diz que Luna não responde criminalmente.

14)CESPE/2018 – Polícia Federal - Na tentativa de entrar em território brasileiro com drogas ilícitas a bordo de um veículo, um traficante disparou um tiro contra agente policial federal que estava em missão em unidade fronteiriça. Após troca de tiros, outros agentes prenderam o traficante em flagrante, conduziram-no à autoridade policial local e levaram o colega ferido ao hospital da região.

Nessa situação hipotética,

se o policial ferido não falecer em decorrência do tiro disparado pelo traficante, estar-se-á diante de homicídio tentado, que, no caso, terá como elementos caracterizadores: a conduta dolosa do traficante; o ingresso do traficante nos atos preparatórios; e a impossibilidade de se chegar à consumação do crime por circunstâncias alheias à vontade do traficante.

GABARITO: ERRADO.

COMENTÁRIOS: A questão está errada, pois diz que a punição por tentativa se dará após o “ingresso nos atos preparatórios”. Na verdade, em regra, a punição se dá quando o agente ingressa nos atos executórios.

Veja como o artigo 14, II do CP traz o assunto:

Art. 14 - Diz-se o crime:

II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.

O resto da assertiva está correto, pois para termos a tentativa precisamos de uma conduta dolosa e, obviamente, da não consumação por circunstâncias alheias à vontade do agente.

15)CESPE/2018 – Polícia Federal - Em cada item seguinte, é apresentada uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada com base na legislação de regência e na jurisprudência dos tribunais superiores a respeito de exclusão da culpabilidade, concurso de agentes, prescrição e crime contra o patrimônio.

Arnaldo, gerente de banco, estava dentro de seu veículo juntamente com familiares quando foi abordado por dois indivíduos fortemente armados, que ameaçaram os ocupantes do veículo e exigiram de Arnaldo o fornecimento de determinada senha para a realização de uma operação bancária, o que foi por ele prontamente atendido. Nessa situação, o uso da senha pelos indivíduos para eventual prática criminosa excluirá a culpabilidade de Arnaldo.

GABARITO: CERTO.

COMENTÁRIOS: A questão está perfeita e trata da coação moral irresistível, hipótese de exigibilidade de conduta diversa e, portanto, de exclusão da culpabilidade.

No caso concreto, é visto se a conduta do agente, apesar de ser típica e ilícita, é realmente reprovável a ponto de necessitar da aplicação de uma pena. O juízo de censura é feito pela seguinte pergunta: “No caso concreto, era exigível que o agente tivesse outra conduta?”.

Na questão, Arnaldo foi coagido de tal forma que acabou fornecendo a senha para os criminosos. Não era razoável exigir que ele deixasse sua família morrer. É isso que diz o artigo 22 do CP.

Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.

16)CESPE/2018 – STJ - Considerando que crime é fato típico, ilícito e culpável, julgue o item a seguir.

O crime é dito impossível quando não há, em razão da ineficácia do meio empregado, violação, tampouco perigo de violação, do bem jurídico tutelado pelo tipo penal.

GABARITO: CERTO.

COMENTÁRIOS: De fato, uma das hipóteses de crime impossível é quando o bem jurídico não tem possibilidade de ser violado, em razão da absoluta ineficácia do meio empregado. É o que diz o artigo 17 do CP.

Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime

17)CESPE/2018 – STJ - A respeito da culpabilidade, da ilicitude e de suas excludentes, julgue o item que se segue.

Situação hipotética: Um oficial de justiça detentor de porte de arma de fogo, ao proceder à citação de um réu em processo criminal, foi por este recebido a tiros e acabou desferindo um disparo letal contra o seu agressor.

Assertiva: Nessa situação, a conduta do oficial de justiça está abarcada por uma excludente de culpabilidade representada pela inexigibilidade de conduta diversa.

GABARITO: ERRADO.

COMENTÁRIOS: Na verdade, houve legítima defesa. Esta pressupõe uma agressão atual (tiros do réu), injusta (o OJAF estava cumprindo seu dever quando foi recebido a tiros) e requer que os meios utilizados para se defender sejam moderados. No caso, parece que o Oficial de Justiça Avaliador Federal procedeu da única forma que lhe cabia.

Portanto, realmente não responderá pelo crime, mas em virtude de ter agido em legítima defesa. Aqui não há sequer análise dos elementos da culpabilidade.

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:

II - em legítima defesa;

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