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O planejamento metodológico requer a elaboração de questões de pesquisa correspondentes aos objetivos do estudo, a fim de nortear as principais escolhas teórico- metodológicas ao longo do processo de investigação (Flick, 2009). A partir da elaboração das perguntas e dos objetivos é que o pesquisador constrói o desenho metodológico do seu estudo. Neste capítulo, serão apresentadas as questões e os objetivos geral e específicos que envolvem a pesquisa referente aos indicadores da atuação de psicólogos escolares na educação superior dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFET’s).

Questões de Pesquisa

Entre os anos de 2004 e 2008, as transformações nos IFET’s foram frutos dos investimentos das políticas de expansão da oferta pública e do aperfeiçoamento do padrão de qualidade do ensino profissionalizante no Brasil. Como parte integrante do conjunto de melhorias aplicadas ao sistema da educação profissional e tecnológica, nos Institutos Federais retomou-se o interesse pela integração do currículo escolar entre o ensino médio e o ensino técnico e pela defesa da interdisciplinaridade da formação acadêmica e profissional dos estudantes. Essas políticas institucionais têm comparecido nas ofertas dos mais diferentes níveis de ensino envolvendo a educação tecnológica, por meio dos cursos técnicos integrados, do Bacharelado, das novas modalidades de Tecnólogos e da formação docente via os cursos de Licenciatura, sendo este um dos importantes compromissos institucionais com a educação básica.

Os Institutos Federais comparecem como espaços educativos diferenciados para o contexto do ensino profissionalizante ao resgatar o componente trabalho para integrar a formação acadêmica e profissional. Nessa direção, os IFET’s propõem uma nova política da educação profissional e tecnológica ao romper com a concepção de educação voltada exclusivamente para a preparação da mão de obra especializada e em caráter instrucional. Considerar que nesses espaços há uma discussão favorável para a formação de sujeitos tecnicamente qualificados como cidadãos e profissionais é reconhecer a nova institucionalidade dos Institutos Federais.

Nesse contexto, construir e implementar práticas que consolidem as transformações oriundas da política nacional da educação profissional e tecnológica tornou-se uma importante agenda para todos os atores educativos, inclusive o psicólogo escolar que trabalha nos Institutos Federais nas áreas do apoio acadêmico e da assistência estudantil (Feitosa & Marinho-Araujo, 2016a). A atuação desse profissional pode promover ações mediadoras dos processos de aprendizagem e desenvolvimento da comunidade acadêmica, com o intuito de conscientizá-la

sobre seus papeis e responsabilidades diante das políticas educativas, da promoção das práticas pedagógicas de sucesso e de transformação social (Marinho-Araujo, 2014a).

Ainda que nos Institutos Federais se mantenha em uma estrutura única a oferta de cursos do ensino médio à pós-graduação, a atuação do psicólogo escolar tem se voltado tradicionalmente para o apoio às demandas dos estudantes dos cursos do ensino médio técnico integrado e/ou dos cursos técnicos. Vale ressaltar que a reestruturação do nível superior de ensino no contexto da educação profissional e tecnológica, instituída há menos de uma década, trouxe para os IFET’s a discussão em favor da inclusão de oportunidades de formação que promovam o diálogo entre as questões do mundo do trabalho, o perfil acadêmico e o perfil institucional (Lefosse, 2010). Essa articulação envolve resgatar o papel dessas instituições diante da produção do conhecimento e da profissionalização qualificada. Para tanto, é necessário que a formação seja concebida pela aproximação dos aspectos históricos e culturais da comunidade acadêmica e de uma possível reorganização dos currículos dos cursos, envolvendo os atores educativos no processo de desenvolvimento de competências dos futuros profissionais em favor do desenvolvimento socioeconômico do país.

No âmbito da educação superior, evidenciar a psicologia escolar como campo de atuação, pesquisa e produção de conhecimento pode contribuir para o fortalecimento de espaços educativos favoráveis aos processos mediadores das funções psicológicas superiores dos atores educacionais, pelas quais podem ocorrer trocas acadêmicas criativas e inovadoras, aperfeiçoamentos profissionais e culturais de todos aqueles que compõem a comunidade acadêmica (Bisinoto & Marinho-Araujo, 2011, 2014a, 2014b; Marinho-Araujo, 2009). Coadunada a essa perspectiva, a tese defendida neste trabalho é a de que a intervenção ampliada e institucional da psicologia escolar pode construir processos de mediação – junto aos atores educativos – que resultem na articulação entre a formação acadêmica e a formação pelo trabalho dos estudantes. Ao propor atividades que envolvam os atores educativos diante da articulação da formação acadêmica e da formação pelo trabalho, o psicólogo escolar pode desencadear processos de conscientização e empoderamento entre aqueles que integram e são responsáveis pelas situações que compõem o cotidiano acadêmico dos estudantes.

Em cenário semelhante proposto nos Institutos Federais, em especial ao que se refere à oferta da educação superior, as produções acadêmicas desenvolvidas em Portugal tornaram-se referências relevantes para exemplificar práticas de psicólogos escolares no nível de ensino superior e, assim, complementar as análises desse estudo em torno dos indicadores da atuação profissional nesses espaços educativos de natureza profissionalizante. A trajetória do ensino politécnico naquele país apresentou relações congêneres com as políticas educacionais nos IFET’s, visto que no subsistema português foram privilegiadas adaptações curriculares no âmbito da educação superior para contextos não-universitários (Urbano, 2011). A implementação de uma nova conjuntura curricular no cenário educacional em Portugal e a

alteração do tempo de formação em nível superior, antes enquadrados como cursos de curta duração, permitiu que o ensino politécnico garantisse mais uma oportunidade de acesso da população à formação em nível superior no país.

Especificamente no contexto da educação superior em espaços não universitários em Portugal foram identificadas mudanças no perfil institucional (retirada dos cursos técnicos) e acadêmico (estudantes trabalhadores e/ou com maior idade). Nessa direção, o acompanhamento das trajetórias formativas dos discentes, o fortalecimento das políticas institucionais, as ações em prol do desempenho acadêmico nesse subsistema e a articulação entre a formação acadêmica e profissional tornaram-se dimensões de interesse para os Serviços de Psicologia presentes nesse cenário há quase três décadas.

Diante do exposto, para aprofundar e evidenciar as possíveis intervenções da psicologia escolar na educação superior nos Institutos Federais, tornou-se necessário também localizar o debate acerca da atuação do psicólogo escolar em um contexto já consolidado como é o do ensino politécnico em Portugal. Foi conduzido um estudo sobre o trabalho de psicólogos nesse subsistema de ensino português que auxiliou nas análises e nos desdobramentos acerca da atuação da psicologia escolar no nível de ensino superior dos IFET’s. Para tanto, as seguintes questões de pesquisa foram propostas para subsidiar as etapas do estudo:

(A) Educação superior nos Institutos Federais:

1. Quais são as especificidades da oferta da educação superior no contexto dos Institutos Federais?

2. Quais são os aspectos da formação em nível superior ofertadas pelos Institutos Federais que podem interessar à psicologia escolar?

(B) Atuação em psicologia escolar:

3. Quais são as ações práticas desenvolvidas pelos psicólogos nos IFET’s?

4. Quais são as atividades desenvolvidas por psicólogos escolares junto à educação superior dos IFET’s?

5. Quais são as diretrizes norteadoras para a atuação do psicólogo escolar no nível superior de ensino dos IFET’s?

A partir dessas questões norteadoras, definiram-se os objetivos para a construção desse estudo. Foram eles:

Objetivo Geral

- Investigar os indicadores para atuação dos psicólogos escolares na educação superior no contexto dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFET’s).

Objetivos Específicos

- Identificar as ações práticas de psicólogos escolares no nível de ensino superior dos IFET’s.

- Propor orientações técnicas para a intervenção de psicólogos escolares na educação superior dos IFET’s.

CAPÍTULO V