3 INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS – IRDR:
3.2 Análise do Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas
3.2.5 Questões processuais relativas ao incidente
Conforme os enunciados 343 e 344, da FPPC (2017, p.47), O incidente deve ser suscitado perante o Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal. É necessário ao menos um processo em trâmite no tribunal, justamente no qual deverá ser instaurado. Não existe, por tanto, a possiblidade de instaurá-lo diretamente no STJ.
Dessa forma, uma vez instaurado e julgado o incidente, a tese jurídica será aplicada a todos os processos individuais e coletivos que versem idêntica questão de direito, assim como nos casos futuros, da competência do respectivo tribunal ou região, o NCPC ainda inova vinculando também àqueles que tramitem nos juizados especiais do respectivo Estado ou região (NEVES, 2016).
Por exemplo, a decisão no julgamento de um IRDR instaurado no TRF da 5ª região terá efeito vinculante sobre todas as causas repetitivas que tramitam nos respectivos entes federativos compreendidos nesta, quais sejam: os Estados de Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Da mesma maneira, uma decisão de mérito de tomada por um Tribunal de Justiça terá eficácia vinculante na sua área de jurisdição. Exemplificando: Uma decisão proferida pelo TJPB abrangerá todas as causas repetitivas pendentes na justiça do Estado da Paraíba.
Nos termos do art. 976, caput, do Novo Código de Processual Civil, é cabível o incidente de resolução de demandas repetitivas, conhecido como IRDR, quando houver simultaneamente a efetiva repetição de processos que contenham a controvérsia sobre a mesma questão unicamente de direito e o risco de ofensa à insônia e à segurança jurídica (BRASIL, 2015).
De acordo com art. 976, §§ 1° e 2°, do NCPC/15, a desistência ou o abandono do processo não impedirá o exame do mérito do processo. Nesse caso o Ministério Público intervirá obrigatoriamente no incidente, assumindo a titularidade (BRASIL, 2015).
Consoante ao art. 976, §§ 3°, 4° e 5º, do CPC/15, no caso de inadmissão do incidente por ausência de um dos pressupostos de admissibilidade nada obsta que, uma vez satisfeitos os requisitos, o incidente seja suscitado novamente. Entretanto, o incidente não será cabível quando um tribunal superior já tiver afetado recurso para definição de tese sobre questão de direito material ou processual repetitiva. Além do mais, o incidente de resolução de demandas repetitivas será isento de custas processuais (BRASIL, 2015).
Quanto à legitimidade, os legitimados para instauração do incidente de resolução de demandas repetitivas estão prevista no art. 977 do CPC/15. São legitimados: juiz ou relator, quando a instauração se dará mediante ofício; pelas partes, por petição; pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública, por petição. De forma que, havendo pedido de instauração, por ofício ou petição, deverá ser instruído com os documentos necessários à demonstração do preenchimento dos pressupostos elencados no nos incisos I e II, do artigo 976, do CPC (BRASIL, 2015). Quanto à competência para julgamento do incidente, deve ser o órgão responsável pela uniformização de jurisprudência no tribunal, indicado pelo regimento interno desse, será encarregado de julgar o IRDR. O incidente ora
analisado aplica-se a recurso, remessa necessária ou qualquer processo de competência originária de tribunal. Sendo assim, ao menos um processo deve estar em trâmite no tribunal, evidentemente o processo no qual o incidente deverá ser instaurado, é o que se pode concluir da previsão contida no art. 978, P.U, do CPC/15 (MONTENEGRO, 2016).
Quanto à publicidade especial dada ao IRDR, de acordo com o art. 979, caput, do CPC/15, a instauração e o julgamento do incidente serão sucedidos da mais ampla e específica divulgação e publicidade, por meio de registro eletrônico no Conselho Nacional de Justiça (BRASIL, 2015).
Assim, os tribunais deverão manter o banco eletrônico de dados atualizados com informações específicas sobre questões de direito submetidas ao incidente, tornando ciente, imediatamente, o CNJ para inclusão no cadastro. Dessa forma, O registro eletrônico de teses jurídicas constantes no cadastro deverá conter, no mínimo, os fundamentos determinantes da decisão e os dispositivos normativos a ela relacionados, a fim de possibilitar a identificação dos processos abrangidos pela decisão do incidente, como forma de aperfeiçoar a aplicação do precedente formado no julgamento de casos repetitivos (THEODORO-JR, 2016).
Quanto à duração do IRDR, o incidente deverá ser julgado no prazo de um ano e terá preferência sobre os demais feitos, com a ressalva dos casos envolvendo réu preso e pedido habeas corpus. De modo quem, superado esse prazo previsto no caput, do artigo 980, do NCPC, cessará a suspensão dos processos prevista no artigo 982, do mesmo diploma legal, salvo decisão fundamentada em sentido contrário do relator (BRASIL, 2015).
Após a distribuição, o artigo. 981, caput, do NCPC, dispõe que o órgão colegiado competente para julgar o incidente procederá ao seu juízo de admissibilidade, considerando a presença dos pressupostos previstos nos incisos do artigo 976, do referido diploma legal. Portanto, não se trata de decisão unipessoal do relator. Sendo o juízo de admissibilidade, não é cabível recurso; não obstando, porém, suscitar novamente o incidente caso preenchido os requisitos (NEVES, 2016).
No caso de admissão do incidente ora analisado, incumbirá o relator de: suspender os processos pendentes, individuais ou coletivos, que tramitam no Estado ou Região, conforme o caso; liberdade para requisitar informações a órgãos em cujo juízo tramite processo no qual se discute o objeto do incidente, que as prestarão no
prazo de 15 (quinze) dias; intimar o Ministério Público para, querendo, manifestar-se no prazo de 15 (quinze) dias (BRASIL, 2015).
Em conformidade com art. 982, §§ 1° e 2°, do CPC, a suspensão do processo deverá ser comunicada aos órgãos jurisdicionais competentes; durante a suspensão, o pedido de tutela de urgência deverá ser dirigido ao juízo onde tramita o processo suspenso (BRASIL, 2015).
Como forma de garantir a segurança jurídica, segundo o art. 982, §§ 3° e 4°, do CPC, qualquer dos legitimados, fora do limite territorial do incidente instaurado em determinado Estado, poderá requerer ao tribunal competente para reconhecer recurso especial ou extraordinário. De forma que, admito, acarretará na suspensão de todos os processos individuais ou coletivos em curso no território nacional que versem sobre questão de direito no incidente instaurado. Assim, verifica-se a interligação do microssistema de julgamentos de casos repetitivos (THEODORO-JR, 2016).
Recapitulando, quanto aos atos do incidente, de acordo com artigo 983, caput, do NPC, o relator deverá ouvir as partes e os demais interessados, inclusive pessoas, órgãos e entidades com interesse na controvérsia, que, no prazo de quinze dias, poderão requerer a juntada de documentos, bem como diligências para elucidação da questão controvertida, e, em o Ministério Público deverá manifestar- se, no mesmo prazo (NEVES, 2016).
Prosseguindo, conforme o art. 983, §§ 1° e 2°, na instrução, o relator poderá designar data para, em audiência pública, ouvir depoimento de pessoas com experiência e conhecimento na matéria. Concluída as diligências, o relator solicitará dia para julgamento (BRASIL, 2015).
No julgamento do incidente deve observar a seguinte ordem disposta no artigo 984, do NCPC: primeiro o relator fará a exposição do objeto do incidente; depois, poderão sustentar suas razões, sucessivamente: o autor e réu do processo qual foi instaurado o incidente, pelo prazo de 30 (trinta) minutos; os demais interessados, no prazo de 30 (trinta) minutos, divididos entre todos, sendo exigida a inscrição com 2 (dois) dias de antecedência. Considerando o número de inscritos, o órgão julgador poderá aumentar o prazo para sustentação oral (BRASIL, 2015).
Assim, quando a causa estiver amadurecida para decisão, nos termos do §2° do artigo 984, do NCPC, o conteúdo do acórdão abrangerá a análise de todos os
fundamentos suscitados concernentes à tese jurídica discutida, sejam favoráveis ou contrários. (MONTENEGRO, 2016)
Julgado o incidente, a tese jurídica deverá ser aplicada: a todos os processos individuais ou coletivos que versem sobre idêntica questão de direito e que tramitem no território de competência do respectivo tribunal, inclusive os que tramitem em juizados especiais do respectivo Estado ou Região; aos casos futuros que versem idêntica questão de direito e que tramitem na área de jurisdição do respectivo tribunal, salvo em caso de revisão Ademais, quando não for obedecida a tese- precedente, o tribunal poderá ser reclamado, nos termos §1°, do artigo 985, do CPC (NEVES, 2016).
Ainda, vale salientar que, de acordo com art. 985, §2°, do NCPC, se o incidente tiver por objeto questão relativo à prestação de serviço concedido, permitido ou autorizado, o resultado do incidente será comunicado ao órgão, ao ente ou à agência reguladora competente para fiscalização efetiva aplicação, por parte dos entes sujeitos a regulamentação, da tese jurídica adotada (BRASIL, 2015).
Quanto à superação da tese jurídica firmada no IRDR, está disposto no art. 986, caput, do CPC, que a revisão da tese jurídica formulada no incidente deverá ser feita pelo mesmo tribunal, de ofício ou mediante requerimento do Ministério Público ou pela Defensoria Pública, por petição (BRASIL, 2015).
Novamente, quanto ao RE e RESP no IRDR, segundo art. 987, §1° e 2°, do CPC/15, a decisão resultado do incidente poderá ser atacada via recurso especial ou recurso extraordinário. Assim, o recebimento dará efeito suspensivo ao incidente, presumindo-se a repercussão geral de questão constitucional controvertida (BRASIL 2015).
Dessa forma, apreciado o recurso especial ou extraordinário, a tese jurídica adotada pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça será aplicada no território nacional a todos os processos individuais ou coletivos que versem sobre idêntica questão de direito (NEVES, 2016).
4 EFEITOS DA TESE FIRMADA NO TRIBUNAL COM JULGAMENTO DO IRDR