ESTRUTURA METODOLÓGICA
2.2 DETALHAMENTO DO PROJETO
2.3.2 Questionário em escala Phrase Completion
A fim de aprofundar os conhecimentos sobre as opiniões, interesses, expectativas e outros sentimentos por parte dos participantes (GERHARDT;
SILVEIRA, 2009), foi realizado um levantamento de dados (KERLINGER, 1973) a partir da aplicação de questionários (Apêndice XI). Marchesan e Ramos (2012, p. 452) indicam que os questionários “são instrumentos desenvolvidos para medir características importantes de indivíduos e para coletar dados que não estão prontamente disponíveis ou que não podem ser obtidos pela observação”. Além disso, apresentam inúmeras vantagens, como economia de tempo, obtenção de um grande número de dados, análise de um determinado grupo de maneira simultânea, garante o anonimato do sujeito e não há influência do pesquisador (RUIZ; 1997; MARCONI; LAKATOS, 1999).
O questionário foi construído considerando a escala de medição Phrase Completion (HODGE; GILLESPIE, 2003; SILVA JÚNIOR; COSTA, 2014), que determina o construto inserindo sua intensidade no próprio enunciado da escala facilitando, potencialmente, o entendimento dos respondentes e medindo de forma mais confiável e válida o que está sendo investigado. A fim de mensurá-los, Hodge e Gillespie (2013) propuseram uma escala padrão que consiste em 11 pontos, sempre de 0 a 10 na sequência dos números inteiros, em que 0 tem associação com a ausência de atributo, enquanto 10 tem relação com a intensidade máxima. Silva Júnior e Costa (2014, p. 7) apontam que o fato de essa escala ter 11 pontos facilita a interpretação dos dados e “o maior número de pontos melhora potencialmente a confiabilidade e a validade da escala”. Além disso, os alunos, sujeitos desta pesquisa, estão familiarizados com a escala de valores de 0 a 10, já que corresponde ao valor da nota quantitativa atribuída as avaliações escolares. Dessa forma, eventuais dificuldades de resposta associada ao número de pontos na escala se dissipam.
O questionário, que objetiva recolher informações sobre os alunos e as aulas de LI, foi ramificado em oito divisões, a saber: (1) a primeira parte, definida como eu e a língua inglesa e composta por treze afirmações, objetiva identificar a relação do aluno com a LE, seus conhecimentos prévios sobre a língua e a instrução formal que teve antes de ingressar no Instituto, além das motivações para a sua aprendizagem; (2) a segunda parte, definida como a língua inglesa na escola e composta por nove afirmações, intende aprofundar-se nas questões teórico-práticas em relação ao ensino da LE no contexto escolar. Questiona-se, por exemplo, sobre a importância da LI, o tempo disponibilizado para as aulas, o nível dos alunos e a complexidade dos conteúdos disponibilizados. Outro ponto abordado nesta sessão é a diferença entre um aluno presente e um aluno participativo, medindo os níveis de intensidade deles;
(3) a terceira parte, definida como as diferentes formas de aprender e composta por dez questões, busca perceber as preferências e aptidões dos alunos que compõem o grupo pesquisado. Embasada pela TIM (GARDNER, 1983; GAMA, 1998, BARRINGTON, 2004), o aluno identifica o seu nível de concordância quanto à facilidade em desenvolver determinadas competências, como estudar línguas, resolver questões matemáticas e problemas de lógica ou tocar instrumentos. Esses três primeiros blocos do questionário têm função diagnóstica, a fim de estabelecer o contexto da pesquisa e identificar características dos sujeitos quanto ao processo de ensino e aprendizagem da língua.
Logo, (4) a quarta parte, definida como o projeto dos curtas-metragens e composta por doze questões, aponta para o desenvolvimento do projeto proposto na aula de LI, objeto de pesquisa desta tese, a fim de identificar padrões na produção dos trabalhos realizados pelos alunos. Assim, aborda os pontos gerais do desenvolvimento dessa produção, como suas preferências, seu desempenho e seus resultados quanto às competências da língua; (5) a quinta parte, definida como o trabalho coletivo e composta por oito questões, busca reconhecer a dinâmica do trabalho coletivo para a realização do projeto, como as posições de liderança estabelecidas, o nível de conforto e motivação devido a essa coletividade e também os prováveis impasses de relacionamento; (6) a sexta parte, definida como a elaboração do roteiro e composta por quatro questões, intende conferir pontos específicos sobre a construção desta etapa do projeto, considerada fundamental para resultados satisfatórios para o trabalho como um todo. Aqui, observa-se se o trabalho se dá de forma coletiva, funciona como base para o resto da execução e influencia, positivamente, na aquisição de estruturas da LI; (7) a sétima parte, definida como a tecnologia e o projeto e composta por oito questões, observa os usos de ferramentas para a execução da etapa prática do projeto, como a filmagem, e mede-se a intensidade da dificuldade sobre o uso de determinados instrumentos.
Por fim, de maneira abrangente, investiga-se sobre o uso desses recursos no contexto escolar: (8) a oitava e última parte do questionário, definida como o uso de tecnologia na escola e composta por nove questões, faz um levantamento a fim de medir o nível de inserção da tecnologia na rotina escolar. Realizam-se considerações sobre o telefone celular, já que este é o recurso tecnológico mais presente na escola, e as motivações para o uso, ou não, da inserção dessas ferramentas na sala de aula.
Devido à quantidade de dados coletados a partir dos questionários, o corpus foi analisado a partir de procedimentos de estatística descritiva (HUOT, 2002; SILVESTRE, 2007). Essa abordagem permite sintetizar uma série de valores da mesma natureza e identificar as relações entre os conjuntos de dados. Assim, os elementos de análise são organizados e descritos de três formas: por meio de tabelas e gráficos, de medidas descritivas (BARBETA et al., 2004) de síntese, como porcentagens, proporções, médias, e de resumos verbais e numéricos. Por se tratarem de variáveis classificadas como qualitativas nominais (REIS; REIS, 2002), que representam a informação de qualidades, categorias e/ ou características, os dados são susceptíveis de classificação (MORAIS, 2005).
O primeiro passo para o tratamento estatístico das informações recolhidas através dos questionários foi armazená-las e sistematizá-las em uma base de dados (Apêndice XII), dispostas em oito tabelas conforme os tópicos principais do questionário, cujas colunas foram usadas para colocar os dados referentes às variáveis e as linhas para identificar os elementos do questionário. As variáveis deste estudo são definidas a partir de uma série de categorias que representam a classificação dos indivíduos, a saber, sua intensidade de concordância com determinadas afirmações. Assim, a planilha de dados contém um número de linhas igual ao número de questões por sessão do estudo e um número de colunas relativo ao de variáveis sendo analisadas, conforme exemplificado no Quadro 5.
Quadro 5 – Representação parcial da base de dados
VARIÁVEIS EL EM EN T O S 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
53 Todos os integrantes do grupo deram
sugestões. 6 2 3 4 3 9 10 11 8 6 18
54 Ampliei meu vocabulário através do
roteiro. 6 2 3 5 5 8 10 13 8 7 13
55 Conheci novas estruturas da língua
através do roteiro. 5 0 5 5 5 12 10 8 7 10 13
56 O roteiro ajudou na organização do
trabalho. 3 0 2 2 0 7 2 7 14 11 32
Fonte: Autora
A partir do banco de dados, utilizaram-se ferramentas descritivas, compostas de diversos tipos de tabelas e gráficos. Estes últimos ganham destaque, já que a representação gráfica dos dados facilita a visualização das informações a serem sumarizadas e analisadas (REIS; REIS, 2002). Para organizar a incidência de cada
nível de intensidade utilizado para responder ao questionário, construiu-se um quadro de Distribuição de Frequência (Quadro 6), no qual identifica-se o número de ocorrências de cada resposta. Essa tabela é composta por três eixos principais, ordenados em três colunas, contendo: (1) a escala de intensidade do questionário; (2) a Frequência Absoluta (FA), que corresponde ao número de ocorrências de cada resposta; e (3) a Frequência Percentual (FP), que corresponde à porcentagem de cada ocorrência e é obtida a partir da divisão da FA de cada categoria da variável pelo número total de elementos da amostra e multiplicando este resultado por 100 (GUEDES et al, 2015).
Quadro 6 – Tabela de Distribuição de Frequência FREQUÊNCIA
ABSOLUTA PERCENTUAL FREQUÊNCIA
CONCORDO PO U C O 0 859 14,71% 1 207 3,54% 2 260 4,45% MO D ER AD O 3 269 4,61% 4 254 4,35% 5 757 12,96% 6 389 6,66% 7 555 9,50% MU IT O 8 595 10,19% 9 498 8,53% 10 1197 20,50% 5840 100% Fonte: Autora
Logo, realiza-se a análise e síntese numérica dos dados de cada uma das oito sessões e as informações são organizadas a partir da construção de gráficos, apresentados na análise de dados.