3. TEORIA DO POSICIONAMENTO
4.5. Instrumentos e procedimentos da pesquisa
4.5.3. Questionário
Laville e Dionne (1999) expõem que além da observação dos fenômenos, existem outros métodos de se obter informação, como colher o depoimento das pessoas, que permite explorar seu conhecimento, suas representações, crenças, valores, opiniões, sentimentos, etc. Duas técnicas ou instrumentos principais servem para colher o testemunho das pessoas através da interrogação: questionários e entrevistas.
Ainda segundo os autores, os questionários privilegiam a sondagem de informações. Para tanto, os questionários são organizados em uma série de perguntas sobre um tema visado, tais perguntas são escolhidas em função da hipótese. Os questionários padronizados com perguntas fechadas, de múltipla escolha, são vantajosos para colher informações de várias pessoas de modo rápido. Por ser uniformizado, garante a apresentação das questões na mesma forma e ordem para todas as pessoas, facilitando também a compilação e tratamento
82 estatístico dos dados. Outra vantagem apontada em relação ao questionário é garantir o anonimato do informante.
Como nosso estudo é qualitativo, decidimos utilizar o questionário para ter um conhecimento do perfil das participantes da pesquisa e seu grau de envolvimento com as TICs, focalizando o uso de tais tecnologias no contexto educacional. Como as participantes da pesquisa são apenas três, e como cada uma leciona disciplinas diferentes, o pesquisador sabia a quem pertencia cada questionário, mesmo assim, o anonimato é garantido pelas questões éticas da pesquisa.
Nosso questionário não é original, foi baseado em um modelo utilizado pela Universidade Aberta do Brasil (UAB), que, por sua vez, foi feito segundo o instrumento elaborado por Verônica Mendes Vieira, em sua dissertação de mestrado, cujo título é “A percepção dos tutores do Projeto Veredas sobre o uso das novas tecnologias na educação a distância”, defendida no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora.
Obviamente, fizemos algumas adaptações nas questões propostas, bem como acrescentamos outras. Isto gerou um problema de numeração de questões, como pode ser observado na questão 23 (ver ANEXO 3). Os questionários diagnósticos foram aplicados em momentos diferentes, de acordo com a adesão de cada participante ao estudo. Como foram aplicados individualmente, pudemos esclarecer sobre o problema da numeração das questões, bem como dirimir as dúvidas das participantes quanto a perguntas que possibilitavam a marcação de mais de uma resposta.
4.5.4. Entrevista
A entrevista é outra das técnicas de se interrogar as pessoas para demandar por informação. A par do questionário, constitui-se como um instrumento de investigação baseada no testemunho, que possibilita o registro do depoimento de pessoas que detêm o conhecimento de certas informações. Algumas das principais diferenças entre questionário e entrevista são estas: o primeiro, em geral, apresenta as questões por escrito, enquanto a segunda apresenta as questões através da fala. O questionário geralmente explora questões fechadas, de modo superficial, e se forem mal-formuladas, dando margem à ambiguidade, podem resultar em perguntas que não serão respondidas. Por outro lado, a entrevista pode explorar questões abertas ou fechadas, com diferentes níveis de profundidade em relação ao
83 tema investigado, perguntas mal-formuladas podem ser reformuladas ou parafraseadas em tempo real para o entrevistado, com o fim de explicitar a questão e elicitar respostas, contudo, os entrevistados podem utilizar outras estratégias para não responder às perguntas propostas, como usar o direito de não querer falar sobre o assunto ou conceder respostas evasivas (cf. LAVILLE e DIONNE, p. 183-190).
Considerando as vantagens e desvantagens da entrevista como fonte de evidências, Yin (2001) diz que os pontos fortes desse método investigativo são: direção, pois enfoca diretamente o tópico do estudo; e percepção, por fornecer inferências causais percebidas. Por outro lado, apresenta como pontos fracos os seguintes aspectos: visão tendenciosa devido a questões mal-elaboradas; respostas tendenciosas; podem ocorrer imprecisões devido à memória fraca do entrevistado; reflexibilidade, ou seja, o entrevistado dá ao entrevistador o que ele quer ouvir.
Yin (ibid.) explica que as entrevistas podem assumir formas diversas. Para ele, a entrevista conduzida de forma espontânea é aquela em que o entrevistador indaga o respondente sobre os fatos, permitindo ao mesmo tempo o pedido da opinião do entrevistado sobre determinados eventos. Nesse tipo de entrevista, o respondente pode apresentar as próprias interpretações de certos acontecimentos, o que pode servir de base para novas pesquisas. Se o respondente auxilia o entrevistador nesse sentido, ele se aproxima mais do papel de “informante” do que de mero respondente.
Outro tipo de entrevista apresentado por Yin (ibid.) é a focal, na qual o respondente é entrevistado por um curto período de tempo. Embora o pesquisador esteja seguindo um conjunto de perguntas originadas de um protocolo, esse tipo de entrevista ainda pode assumir uma forma espontânea e ter um caráter informal.
O terceiro tipo de entrevista é aquele em que as questões são mais estruturadas, tratando-se nesse caso de um levantamento formal.
Sobre as entrevistas em pesquisa qualitativa, Gaskell (2007) apresenta uma tipologia que também reconhece a entrevista de levantamento fortemente estruturada, na qual é feita uma série de questões pré-determinadas. Em uma posição intermediária, apresenta-se a entrevista do tipo semi-estruturada, que é relativamente organizada em torno de um tópico guia, podendo ser realizada com um único respondente (entrevista em profundidade) ou com um grupo de respondentes (grupo focal). Por último, há a conversação continuada menos estruturada, utilizada na observação participante ou na etnografia, cujo objetivo é absorver o
84 conhecimento local e a cultura de um grupo, o que exige um período de tempo maior do que fazer perguntas em um período de tempo mais limitado.
Em termos relativamente parecidos, Laville e Dionne (1999) também fazem certas distinções entre os tipos de entrevista. Para esses autores, existe a entrevista estruturada, que se constrói como um questionário uniformizado, com opções de respostas determinadas, que são lidas pelo entrevistador, que assinala os campos em um formulário de acordo com as respostas do entrevistado. A entrevista semi-estruturada é definida como uma série de perguntas abertas, feitas verbalmente em uma ordem prevista, mas na qual o entrevistador pode acrescentar perguntas de esclarecimento. Na entrevista parcialmente estruturada, os temas são particularizados e as questões (abertas) preparadas antecipadamente – o entrevistador tem a plena liberdade de retirar algumas perguntas eventualmente, pode alterar a ordem em que são feitas, bem como acrescentar perguntas improvisadas. Já na entrevista não- estruturada, o entrevistador apóia-se em um ou vários temas e talvez em algumas perguntas iniciais, previstas antecipadamente, para improvisar em seguida outras perguntas em função de suas intenções ou das respostas obtidas de seu interlocutor.
Nesta pesquisa, assumimos que nossas entrevistas são do tipo semi-estruturada realizadas com um único respondente, organizadas a partir de um roteiro previamente elaborado (ver ANEXO 7).
Inicialmente, nosso objetivo, quanto às entrevistas, era o de realizá-las com os respondentes ao final das aulas observadas. No entanto, as entrevistas não foram realizadas desta maneira devido à falta de disponibilidade das participantes da pesquisa: ao final das aulas, algumas professoras tinham que sair apressadamente em razão de trabalharem em outra escola. Sendo assim, durante os intervalos das aulas, sempre perguntávamos às professoras investigadas se tinham disponibilidade de tempo para conceder uma entrevista, o que era raro. Pelos motivos expostos, a duração das entrevistas é muito variável e a quantidade delas também é muito limitada, como pode ser visto no seguinte quadro:
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Data de realização da
entrevista Professora entrevistada
Duração da entrevista em minutos:segundos 24/06/2010 Joana 10:19 29/06/2010 (1ª parte) Joana 02:05 29/06/2010 (2ª parte) Joana 30:13 29/06/2010 (3ª parte) Joana 14:41 29/06/2010 Márcia 54:26 18/08/2010 Joana 11:36 30/08/2010 Rosa 08:02
Quadro 3: Entrevistas realizadas
Como foi dito, realizamos entrevistas individuais semi-estruturadas, baseadas em um roteiro de tópicos e perguntas previamente elaborado. Este roteiro foi mais explorado com a Prof.ª Joana e com a Prof.ª Márcia, que mantiveram uma relação mais próxima com as TICs. A entrevista com a Prof.ª Rosa foi mais limitada, tanto pela questão de tempo, mas também porque, como a própria professora declarou no questionário diagnóstico, ela não utiliza os recursos das TICs em suas aulas.
Devido a limitações técnicas, registramos as entrevistas em áudio sob formato digital, capturado através de um dispositivo gravador digital que comprime as ondas sonoras utilizando tecnologia MPEG-1/2 Audio Layer 3 (os popularmente conhecidos “aparelhos MP3). O dispositivo gravador gerou, para cada entrevista, arquivos no formato do tipo WAVEform audio format, com taxa de bits de 32kbps (trinta e dois kilobits por segundo) atribuindo a extensão WAV. Os arquivos de áudio digital foram armazenados durante a gravação na memória flash do próprio dispositivo gravador. Posteriormente, estes arquivos WAV foram transferidos para o disco rígido de microcomputadores através da porta de conexão do tipo USB 2.0 (Universal Serial Bus 2.0). Após a tansferência para os microcomputadores, os arquivos foram reproduzidos utilizando o aplicativo Windows Media Player, cujos recursos permitiram a audição dos arquivos nas velocidades “normal” e “lenta” a fim de ser realizada a transcrição do áudio.