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r esultAdos encontrAdos

Autor: Daniel Alves Pereira

5. r esultAdos encontrAdos

Os resultados mais expressivos do presente estudo estão separados em dois grupos, sendo o primeiro relacionado à abrangência da ferramenta de monitoramento eletrônico enquanto instrumento para redução do en- carceramento, com ênfase na utilização desse meio como uma alternativa para a prisão preventiva.

Já o segundo grupo refere-se ao uso do monitoramento eletrônico no escopo da execução penal, ou seja, seu uso após uma sentença condena- tória.

Assim, passando propriamente aos resultados encontrados, temos que:

No âmbito do uso da monitoração eletrônica como alternativa para a prisão preventiva, primeiramente, foi identificado que, no recorte anali- sado, menos de 30% das discussões relacionadas ao monitoramento ele- trônico se dão em âmbito diverso do da execução das penas, posto que

72,76% dos casos são agravos em execução como se observa no gráfico15

a seguir:

Esse fato, por sua vez, permite a inferência de que o uso da tecnologia como alternativa para as prisões cautelares, apesar dos cinco anos de exis- tência da tecnologia no ordenamento jurídico nacional, ainda é limitado, conforme demonstrado no mencionado16 artigo produzido:

Essa afirmação decorre do fato de que o agravo em execu- ção só pode ser manejado durante a fase de execução da pena. Mas o percentual pode ser maior, dado que outros ins- trumentos processuais (habeas corpus, apelação, recurso em sentido estrito e embargos) podem ser utilizados tanto na fase de execução como na fase de conhecimento.

Além disso, vale dizer que esse dado vem se mostrando como uma “tendência nacional” (BOTTINO; PRATES, 2017),17 posto ser o uso do mo-

nitoramento eletrônico expressivamente dominado pela fase de execução penal:

A baixa representatividade da monitoração eletrônica enquanto mecanismo desencarcerador no Estado do Rio de Janeiro acompanha uma tendência nacional. Em recente relatório publicado pelo Ministério da Justiça (primeiro diag- nóstico nacional sobre a utilização da monitoração eletrôni-

15  Disponível em: <https://bdjur.stj.jus.br/jspui/bitstream/2011/112593/notas_so- bre_politica_bottino.pdf> – Página 6. Acesso em: 25.07.2018.

16 Disponível em: https://bdjur.stj.jus.br/jspui/bitstream/2011/112593/notas_sobre_ politica_bottino.pdf> – Página 6, nota de rodapé número 11. Acesso em: 25.07.2018. 17 Disponível em: <https://bdjur.stj.jus.br/jspui/bitstream/2011/112593/notas_sobre_ politica_bottino.pdf>. Acesso em: 27.07.2018.

ca), vemos que em mais de 86% dos casos o sistema de mo- nitoração é utilizado na fase de execução da pena, ou seja, em indivíduos que já foram condenados, sendo muito pouco empregada em casos de medidas protetivas de urgência (p. ex. Lei Maria da Penha) ou medidas cautelares diversas da prisão (Ministério da Justiça). Segundo o relatório, dos 18.172 monitorados no país, apenas 1.450 pessoas estão cumprindo medidas cautelares diversas da prisão. No Rio de Janeiro, dos 1.436 monitoramentos, apenas 36 se referem a medidas cau- telares diferentes da prisão (Ministério da Justiça, 2015, p.10). O que nos direciona para a conclusão de que, no âmbito do uso da tecnologia de monitoramento eletrônico como instrumento de política de redução da população carcerária, ainda é inexpressivo o seu uso, conforme apontado por Bottino e Prates:

Percebe-se que a escassa discussão da monitoração eletrôni- ca como alternativa à prisão no âmbito do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro reflete um movimento no qual essa nova tecnologia parece se consolidar mais como um mecanismo de controle disciplinar utilizado na gestão prisional do que como instrumento de uma política de desencarceramento, frustrando assim o objetivo inicial presente na Lei nº 12.403/11 de enfretamento ao grande volume presos provisórios no Brasil. (KARAM, 2007, p. 5)

Já no tocante ao uso da tecnologia na etapa de execução penal, te- mos os Habeas Corpus como o segundo maior volume processual no âm- bito das Câmaras Criminais do Rio de Janeiro,18 que, mesmo que pudessem

versar sobre o uso do monitoramento eletrônico como alternativa para a prisão preventiva, não eram de fato ao que se orientavam quando analisa- dos de forma específica.

Podemos citar, por exemplo, writs de habeas corpus reque- rendo o benefício de visita periódica ao lar e a progressão de regime, a expedição de carta de execução de sentença com transferência para unidade prisional compatível com o regime da condenação, bem como a nulidade da decisão que determinou a regressão cautelar para o regime semiaberto baseada em informação de rompimento do dispositivo ele- trônico.

Outro dado expressivo encontrado se refere à predominância esma- gadora de pedidos do Ministério Público de cassação da decisão de pri-

meira instância que concedeu a prisão albergue domiciliar com o uso do monitoramento eletrônico, conforme se observa:

O dado, por si, denota uma resistência intrínseca do Ministério Públi- co com relação a utilização do mecanismo de monitoramento eletrônico como alternativa ao encarceramento em regimes prisionais convencionais.

Finalmente, é expressivo destacar que foi constatada, a partir da aná- lise conduzida, uma grande disparidade entre as Câmaras Criminais do Tri- bunal de Justiça do Rio de Janeiro, denotando políticas e entendimentos diferenciados entre uma câmara e outra para casos essencialmente simi- lares, conforme demonstrado a seguir para o pleito mais expressivo de cassação da decisão que concedia a prisão albergue domiciliar:

Sobre isso, Bottino e Prates apontam:

Os dados apresentados acima revelam a ampla discrepância das decisões proferidas pelas Câmaras Criminais do Rio de Janeiro. Comparando os órgãos com distribuições de pro- cessos similares (11% na frequência total), vemos que se o agravo de execução de um apenado for distribuído para a 7a Câmara Criminal, não há chance da decisão de 1a instância

ser revertida, mas se o referido recurso for para a 2a Câmara,

há 77% de chance de ele perder o direito à prisão albergue domiciliar, sendo obrigado a cumprir restante da pena em Casa de Albergado. Situação similar ocorre se compararmos a 5a e a 4a Câmara Criminal. Sendo o agravo distribuído para

a 5ª Câmara, é certo que o apenado segue em PAD, mas se o mesmo recurso cair da 4a Câmara, é praticamente certo que

ele terá que voltar para Casa de Albergado (97% de deferi- mento do pedido de cassação de PAD).

Conclui-se, portanto, que há uma relevante disparidade na forma de decidir entre as Câmaras, que se torna ainda mais expressiva quando se considera os volumes processuais si- milares e a uniformidade entre os pedidos e as subsequentes decisões conflitantes.

Fato que está em descompasso com os princípios constitucionalmen- te previstos, por meio do artigo 5º, caput, da Constituição Federal de 1988, da igualdade e da segurança jurídica. O que, por sua vez, reverbera de forma a afetar todo o ordenamento jurídico, já que torna imprevisível a orientação judicial acerca de um mesmo fato.

6. c

onclusão

Ao fim do estudo, com base nos dados levantados a partir da análise de- cisória das Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, as entrevistas conduzidas e a correlação de ambos com os conhecimen- tos extraídos da bibliografia selecionada, a presente pesquisa foi capaz de concluir e demonstrar que a utilização da tecnologia de monitoração eletrônica ainda é subaproveitada, tendo a sua aplicação ainda bastante limitada no campo das alternativas à prisão preventiva e como política de redução da população carcerária.

Desse modo, considerando-se o expressivo contingente carcerário brasileiro e a espantosa parcela de presos provisórios (cerca de 40% dos presos), é de extrema importância que o judiciário conheça as falhas levan- tadas pelo subaproveitamento da tecnologia, assim como que desenvolva políticas efetivas de redução da população carcerária, se aproveitando das possibilidades que a tecnologia de monitoramento eletrônico oferece.

Por fim, também se levantou o problema consubstanciado pela dis- sonância decisória do Tribunal de Justiça em relação à monitoração ele- trônica, posto que, conforme demonstrado, verifica-se grande disparidade decisória de uma câmara para outra, considerando-se casos essencialmen- te similares. Entendendo-se, assim, em vista da clara ofensa aos princípios constitucionais da segurança jurídica e do tratamento isonômico, que se torna necessária a uniformização do entendimento do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, pelo menos, no que tocam os temas relativos ao moni- toramento eletrônico.