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2018
THIAGO BOTTINO (Organizador)
Atribuição – Uso Não Comercial – Não a Obras Derivadas
Impresso no Brasil
Fechamento da 1ª edição em dezembro de 2018 Periodicidade: Anual
Os conceitos emitidos neste livro são de inteira responsabilidade dos autores.
Coordenação: Rodrigo Vianna, Sérgio França e Thaís Mesquita Capa: S2 Books
Diagramação: S2 Books 1ª revisão: Halime Musser 2ª revisão: Dênis Rubra
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Mario Henrique Simonsen/FGV
Anuário de publicações da graduação, 2018 (Recurso eletrônico) / Thiago Bottino, organizador. – Rio de Janeiro : Escola de Direito do Rio de Janei-ro da Fundação Getulio Vargas, 2018.
1 recurso online (502 p.) : PDF Dados eletrônicos.
Inclui bibliografia. ISSN: 2526-706X
1. Direito. I. Bottino, Thiago. II. Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas.
Cristina Alves Coordenadora de Ensino da Graduação
em Direito da FGV Direito Rio Thiago Bottino Coordenador da Graduação em Direito da FGV Direito Rio Os verdadeiros burros e os falsos loucos
O mais esperto dos homens é aquele que, pelo menos no meu parecer, espontaneamente, uma vez por mês, no mínimo, se chama a si mesmo asno..., coisa que hoje em dia constitui uma raridade inaudita. Outrora dizia-se do burro, pelo menos uma vez por ano, que ele o era, de facto; mas hoje... nada disso. E a tal ponto tudo hoje está mudado que, valha-me Deus!, não
há maneira certa de distinguirmos o homem de talento do im-becil. Coisa que, naturalmente, obedece a um propósito.
Acabo de me lembrar, a propósito, de uma anedota espanho-la. Coisa de dois séculos e meio passados dizia-se em Espa-nha, quando os Franceses construíram o primeiro manicómio: «Fecharam num lugar à parte todos os seus doidos para nos fazerem acreditar que têm juízo». Os Espanhóis têm razão: quando fechamos os outros num manicómio, pretendemos demonstrar que estamos em nosso perfeito juízo. «X endoide-ceu...; portanto nós temos o nosso juízo no seu lugar». Não; há tempos já que a conclusão não é lícita.
PESQUISAR NO CAMPO DO DIREITO significa invadir o direito com a pesquisa. A invasão da pesquisa no campo do direito reveste-se de difi-culdades quanto à inteligibilidade do que se pode extrair do estado da arte do direito e às aproximações e aos afastamentos possíveis que as múltiplas análises permitem. Os dois caminhos, o que se extrai e o que/ como se analisa, sugerem uma apropriação dos domínios do direito numa perspectiva substantiva.
O curso de graduação da FGV Direito Rio incentiva a prática da inves-tigação com vistas à apropriação do direito enquanto realidade a ser per-manentemente enfrentada, à produção de conhecimentos em benefício do desenvolvimento de instituições e a interferências teóricas e práticas na vida social.
A FGV Direito Rio em prol da concretização de sua missão institucio-nal tem investido em diferentes práticas de pesquisa. O presente anuário reflete esse compromisso institucional, bem como a excelência e a quali-dade da criação por parte de alunos e professores comprometidos com a investigação científica.
Desde o início da graduação em direito os alunos são contemplados com a participação em atividades de iniciação científica e atividades com-plementares obrigatórias de pesquisa que desafiam o desenvolvimento de habilidades de investigação atravessadas por conhecimentos empíri-cos do direito em suas diversas manifestações e sob diferentes olhares problematizadores.
O currículo do curso de graduação possui atividades de pesquisa obrigatórias, as Oficinas de Pesquisa. Através da supervisão de um pro-fessor pesquisador e a orientação de assistentes acadêmicos, as Oficinas de Pesquisa desenvolvem habilidades de pesquisa em grupo e aproximam os alunos da graduação dos temas investigados pelos Centros de Pesqui-sas da FGV Direito Rio. Ao longo de dois semestres letivos, divididos em pequenos grupos, em que os alunos de 3º e 4º período, respectivamente, elaboram um projeto de pesquisa e um artigo científico. Os resultados da pesquisa propriamente dita são apresentados a uma banca avaliadora composta por pesquisadores e/ou professores de outras instituições de ensino jurídico num evento denominado Jornada Jurídica.
O Programa de Iniciação Científica da FGV Direito Rio, com o objetivo de revelar discentes com perfil acadêmico e científico, alavanca a formação de pesquisadores de excelência em diferentes áreas e temas do direito sob a ótica interdisciplinar do conhecimento. A iniciação científica destina-se aos alunos interessados na formação em pesquisa e é fomentado por bolsas ofe-recidas pela própria instituição e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimen-to Científico e Tecnológico (CNPq).
As produções textuais de ambas as atividades discentes de pesquisa são apresentadas neste Anuário de publicações da graduação e tomam o
Direito a partir de contribuições teóricas de áreas da Economia, da Justi-ça, da Tecnologia e do Meio ambiente, constituindo-se em tema fundante para a formação integral do bacharel.
A ampliação do olhar sobre o direito, do desenvolvimento estético de intervenções na realidade e da postura ética na proposição de reformas em institutos e instituições, as práticas da pesquisa transformam sentidos, promovem tomadas de consciência e desencadeiam formações culturais diferenciadas no campo investigado.
Seguindo os princípios de visibilidade, de cooperação, de publicidade e de inovação, e também considerando o repertório conquistados pelas pesquisas realizadas, o Anuário de publicações da graduação abraça a
produção dos alunos para oferecer à comunidade acadêmica os resulta-dos de um projeto inovador na formação em Direito.
A liberdade de escolha
Realmente, se um dia de facto se descobrisse uma fórmula
para todos os nossos desejos e caprichos — isto é, uma
ex-plicação do que é que eles dependem, por que leis se regem, como se desenvolvem, a que é que eles ambicionam num caso e noutro e por aí fora, isto é uma fórmula matemática
exata — então, muito provavelmente, o homem deixaria
ime-diatamente de sentir desejo.
Pois quem aceitaria escolher por regras? Além disso, o ser humano seria imediatamente transformado numa peça de um órgão ou algo do género; o que é um homem sem dese-jos, sem liberdade de desejo e de escolha, senão uma peça num órgão?
Apresentação ... 7
Relatórios PIBIC 2018 ... 13
Transparência da gestão ambiental nas empresas brasileiras: uma análise comparativa setorial ...15 O exercício do direito de defesa nos megaprocessos ... 21 O espectro ideológico partidário dos deputados estaduais do Rio de Janeiro ...29 O instituto do Amicus Curiae como forma de participação civil no Sistema Interamericano de Direitos Humanos ...37 Judicial dialogue: The interaction between The International Court of Justice and the Inter-American Court of Human Rights ...41 Pesquisa sobre a monitoração eletrônica no Estado do Rio de Janeiro 47
Os critérios estabelecidos pelo STF para a aplicação do princípio da insignificância ...59 Mecanismos de participação da Agência Nacional de Cinema
(ANCINE) ...63 Relações de consumo e meios alternativos de resolução de conflitos Uma análise quantitativa e econômica da plataforma <consumidor. gov.br> ... 71 Supremo em números: O direito internacional nos tribunais superiores brasileiros ...87
Mecanismos de participação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) ...89 Contornos do princípio da livre iniciativa: uma análise de discurso e de resultado das decisões do STF ...95 “Supremo em números”: o direito internacional nos tribunais
superiores brasileiros ... 101
Oficinas de Pesquisa 2018 ... 105
(Des)regulação da água: Agentes, instrumentos e consequências da crise hídrica de São Paulo ... 107 Reparação para os atingidos de Mariana
Uma análise das narrativas da Renova e dos atingidos para a
reconstrução econômica dos municípios ... 141 Sistema prisional e a gestão dos processos de aquisição de alimentos para presidiários: um estudo empírico para futuras contratações do Estado do Rio de Janeiro ...177 Inelegibilidades e direitos humanos: (in)compatibilidade das hipóteses brasileiras de incidência da inelegibilidade com a Convenção
Americana de Direitos Humanos ...217 Transparência e privacidade no uso de dados pessoais pelas cidades inteligentes ...469
brAsileirAs
:
umA
Análise
compArAtivA
setoriAl
Autoras: Ana Carolina de Almeida Cardoso e
Ana Clara Vieira Jansen Cavalcanti
1Orientador: Prof. Dr. Antônio José Maristrello Porto2
1. A
tividAdes desenvolvidAs em2017-2018
Neste trabalho, foram avaliadas as cinco maiores empresas do setor de Alimentos e Bebidas e as cinco maiores empresas do setor de Metalurgia e Mineração operantes no Brasil, conforme o ranking Valor 1000 de 2017.3
Buscou-se verificar se setores produtores de bens intermediários possuem maior ou menor preocupação com a transparência na gestão ambiental em comparação aos setores de bens de consumo — em geral mais sensí-veis às demandas imediatas da população.
Para a avaliação experimental da transparência da gestão ambiental nas empresas brasileiras, foram desenvolvidos cinco indicadores temáti-cos que traduzem informações qualitativas em pontuações quantitativas. Dentre o material que serviu de apoio para a elaboração dos indicado-res, estão as diretrizes G4 da GRI e o questionário do Índice de Susten-tabilidade Empresarial (ISE) da B3, aplicado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade FGV-EAESP (GVCes). Cada indicador é baseado em uma pergunta-chave e em alguns critérios de análise específicos, conforme de-talhado adiante.
1 Alunas da FGV Direito Rio. 2 Professor da FGV Direito Rio.
3 Disponível em: <http://www.valor.com.br/valor1000/2017>. Acesso em: 28.06.2018.
O Indicador 1 busca medir o compromisso da empresa com o meio ambiente, com base na pergunta chave “Em que medida a empresa se mostrou comprometida com a preservação do meio ambiente?” e em al-guns critérios específicos, como se o cuidado com o meio ambiente é con-templado nas diretrizes de gestão da empresa ou se o comprometimento com a sustentabilidade ambiental é evidente nos relatórios públicos anuais.
Já o Indicador 2 é destinado à utilização dos recursos ambientais (INPUTS), pautado na pergunta “Em que medida a empresa é explícita em relação a suas práticas de utilização dos recursos ambientais?”. Tem como critérios, dentre outros, se a empresa disponibiliza informações sobre a dimensão do consumo de água e energia e se realiza medidas ativas para redução do consumo desses insumos, relatando a proporção da redução e as bases para o cálculo.
O Indicador 3, por sua vez, relaciona-se à gestão de resíduos (OU-TPUTS), diante da pergunta-chave “Em que medida a empresa é explícita em relação a suas práticas de descarte da poluição ambiental?” e com fulcro na disponibilidade, ou não, de informações sobre emissões diretas brutas e indiretas (provenientes da aquisição de energia) de GEE; sobre o peso total de resíduos perigosos e não perigosos para cada método de disposição; e sobre os corpos d’água e habitats significativamente afeta-dos por descartes de água da empresa.
O Indicador 4, ainda, versa sobre as medidas compensatórias e in-vestimentos socioambientais da empresa, de acordo com a pergunta-cha-ve “Em que medida a organização se mostra empenhada na mitigação e/ ou compensação dos impactos ambientais?”. Para isso, analisa se a orga-nização relata a realização de projetos sociais, culturais e educacionais, apresentando os recursos destinados para cada iniciativa e se participa de atividades de recuperação de áreas anteriormente devastadas, por exemplo.
Por fim, o Indicador 5 é sobre adaptação às mudanças climáticas, com base na pergunta “Em que medida a empresa se mostra comprometida com a atenuação das mudanças climáticas?” e em critérios como se as mu-danças climáticas estão integradas à estratégia de negócios da empresa e se a organização realiza medidas para a redução de GEE, detalhando as iniciativas e o volume da redução.
Na atribuição das pontuações, cada critério avaliativo recebeu uma das três notas: 0 — quando o critério não é atendido; 0,5 se o critério é parcialmente atendido; 1 se o critério foi atendido completamente ou em grande parte. A soma das notas de todos os critérios corresponde à nota do indicador que deverá ser transformada em porcentagem para uni-formização dos indicadores, conforme demonstrado no exemplo abaixo.
Indicador 3
Avaliação Pont.Máx. Nota
Critério 1 1 0,5 Critério 2 1 1 Critério 3 1 0 Total 3 1,5 Total (%) 100 50
2. r
esultAdosAlcAnçAdosOptou-se por não denominar as empresas estudadas para preservação de suas imagens diante de um estudo ainda em fase de experimentação e aprimoramento.
Para além do cálculo das médias amostrais setoriais, utilizou-se o software estatístico Stata 13.1 para testar a hipótese nula de igualdade en-tre duas médias. Tal experimento pode não possuir validade estatística em função do reduzido tamanho amostral e em virtude de a amostragem não ser aleatória. No entanto, seus resultados são exibidos a título de ilustra-ção do potencial analítico de estudos mais amplos que porventura venham a ser realizados. Nesse sentido, são apresentados o valor t e o valor p. O primeiro é o valor observado da estatística do teste t que mede a di-ferença entre uma estatística da amostra observada e seu parâmetro de população hipotético em unidades de erro padrão (assume-se uma dis-tribuição normal padrão). O valor de p é uma probabilidade que mede a evidência contra a hipótese nula. Um valor p menor fornece uma evidência mais forte contra a hipótese nula (STOCK; WATSON, 2004).
Indicador 1 – Compromisso com o meio ambiente
Setor de Alimentos e Bebidas Setor de Metalurgia e Mineração
Empresa 1 90 Empresa 1 80 Empresa 2 60 Empresa 2 50 Empresa 3 70 Empresa 3 90 Empresa 4 80 Empresa 4 50 Empresa 5 80 Empresa 5 60 Média 76 Média 66 t = 1,0426 p = 0,332
Indicador 2 – Utilização dos recursos ambientais (INPUTS)
Setor de Alimentos e Bebidas Setor de Metalurgia e Mineração
Empresa 1 70 Empresa 1 75 Empresa 2 40 Empresa 2 12,5 Empresa 3 60 Empresa 3 90 Empresa 4 50 Empresa 4 0 Empresa 5 20 Empresa 5 50 Média 48 Média 45,5 t = 0,1290 p = 0,9017
Indicador 3 – Gestão de resíduos (OUTPUTS)
Setor de Alimentos e Bebidas Setor de Metalurgia e Mineração
Empresa 1 66,67 Empresa 1 33,34 Empresa 2 33,34 Empresa 2 0 Empresa 3 66,67 Empresa 3 66,67 Empresa 4 83,34 Empresa 4 0 Empresa 5 50 Empresa 5 66,67 Média 60,004 Média 33,336 t = 1,5541 p = 0,1684
Indicador 4 – Medidas compensatórias e investimentos socioambientais
Setor de Alimentos e Bebidas Setor de Metalurgia e Mineração
Empresa 1 40 Empresa 1 70 Empresa 2 50 Empresa 2 10 Empresa 3 60 Empresa 3 80 Empresa 4 40 Empresa 4 0 Empresa 5 30 Empresa 5 80 Média 44 Média 48 t = -0,2169 p = 0,8374
Indicador 5 — Adaptação às mudanças climáticas
Setor de Alimentos e Bebidas Setor de Metalurgia e Mineração
Empresa 1 42,86 Empresa 1 64,29 Empresa 2 64,286 Empresa 2 0 Empresa 3 50 Empresa 3 71,43 Empresa 4 71,43 Empresa 4 21,43 Empresa 5 42,86 Empresa 5 21,43 Média 54,2872 Média 35,716 t = 1,2451 p = 0,2645
Conforme podemos observar nos resultados anteriores, com exceção do indicador 4, em geral, as empresas do setor de Alimentos e Bebidas apresentam um desempenho superior em relação àquelas do setor de Me-talurgia e Mineração no que se refere à transparência da gestão ambiental. Isso sugere que a maior sensibilidade do setor de bens de consumo não duráveis às demandas imediatas da população também afeta o reporte da gestão ambiental. No entanto, segundo o experimento estatístico rea-lizado, as evidências apresentadas não são suficientes para que se possa afirmar, com um nível de significância de 10%, que as médias dos dois setores analisados são diferentes. Ou seja, não é possível rejeitar a hipóte-se nula de igualdade de duas médias para nenhum dos cinco indicadores.
r
eferênciA bibliográficASTOCK, James H.; WATSON, Mark. W. Econometria. Tradução Monica
megAprocessos
Autores: Ana Helena Feres Nascif,
Daniel Jose Almeida Esperato,
Gabriel Custódio e Sérgio Paranhos Kezen
1Orientadores: Profa. Dra. Fernanda Prates2
e Prof. Dr. Thiago Bottino3
1. A
tividAdes desenvolvidAs em2017-2018
A metodologia da pesquisa consiste em entrevistas semiestruturadas com advogados criminalistas, membros do Ministério Público (MP) e réus em megaprocessos, além de análise legislativa e jurisprudencial a respeito do tema.
Durante o período de vigência da Bolsa PIBIC/CNPQ 2017-2018, eu realizei, como pesquisadora, quatro tipos de atividades, correspondentes à essa metodologia, que serão explicados abaixo.
Acompanhei uma entrevista com um membro do Ministério Público, conduzida pela professora e pesquisadora Fernanda Prates. Foi engrande-cedor ver de perto e ao vivo as opiniões e a vivência de alguém de dentro do MP a respeito dos megaprocessos e megaoperações. Assistir à entre-vista também foi interessante na medida em que vislumbrei como realizar entrevistas que objetivem o embasamento de uma pesquisa acadêmica.
1 Alunos da FGV Direito Rio.
2 Professora da Faculdade Nacional de Direito (UFRJ). 3 Professor da FGV Direito Rio.
Além disso, transcrevi entrevistas de réus e membros do Ministério Pú-blico. Ao ouvir os áudios e decupá-los, ficaram claras as falhas do exercício do direito de defesa nos megaprocessos. A grande quantidade de provas e réus prejudica a individualização real das condutas e a possibilidade de plena defesa dos acusados. Ademais, acaba gerando “efeitos colaterais”, ou seja, pessoas que não tinham plena consciência de seu envolvimento acabam por ser acusadas e punidas.
Depois, cataloguei estas entrevistas transcritas. Selecionei as partes mais significativas para a pesquisa e separei-as por temas. Como exemplo, temos as temáticas “Delação Premiada” e “Problemas nos Megaproces-sos”. Seguem amostras assim catalogadas, respectivamente:
Na medida em que as punições ficam mais efetivas, maior é o anseio da pessoa fazer uma colaboração. - Delação Premiada Agora aflorou um monte de coisa, mas tem muita injustiça nisso. Muita, muita injustiça. Muito, muito mais do que eles imaginam. Eles não estão tendo o cuidado... como o volume de coisa é tão grande, então eles não conseguem analisar... – Problemas nos Megaprocessos.
Por fim, busquei textos doutrinários e opinativos com a temática de “Colaboração Premiada” e separei-os em subtemas, de acordo com o en-foque dado pelo texto. Alguns exemplos dessa subdivisão são: “Direito comparado”, “Incentivos à Colaboração” e “Combate à Corrupção”. Essa atividade me possibilitou o aprendizado a respeito da seleção de textos pertinentes à pesquisa acadêmica.
Durante todo esse processo, ficou claro que é necessário pesquisar e analisar de forma sistemática os institutos em questão, ou seja, as me-gaoperações e os megaprocessos. É claro o problema do cerceamento do direito de defesa na utilização desses mecanismos. Caso a sociedade continue acreditando na importância do uso dos mesmos, é essencial que busquemos solucionar essa problemática latente.
2. r
esultAdosAlcAnçAdosSerão submetidos dois artigos científicos à Revista Qualis-A.
Cópia do trabalho realizado com recursos do PIBIC/CNPq
Projeto de pesquisa
O exercício do direito de defesa nos megaprocessos
Problemática de pesquisa: Os chamados “megaprocessos” fazem parte da cena jurídica internacional há pelo menos vinte anos. Eles se caracterizam pelo grande número de réus e de acusações, pela extensa e complexa ma-téria probatória, bem como pela longa duração dos procedimentos. (LE-SAGE E CODE, 2008; CODE, 2009).4 Esse novo modelo processual é o
re-sultado de uma nova estratégia de forças policiais visando a neutralização das atividades do crime organizado, dando ênfase em investigações lon-gas e complexas que visam a prisão em massa de membros de uma organi-zação criminosa (SHEPTYCKI, 2003; RUIZ VASQUEZ, 2007; RCMP, 2009).5
Se este novo modelo parece trazer um impacto positivo na redução do crime (PIEHL et al.; MORSELLI et al., 2003, p. 550-558), ele levanta ao mesmo tempo questões importantes em relação à aplicação dos princípios fundamentais da justiça criminal, tanto no âmbito da investigação policial quanto do processo penal. Em relação às investigações policiais, observa-mos nos últiobserva-mos anos a utilização crescente de medidas invasivas, como a utilização de vigilância, agentes infiltrados, delatores e informantes. O uso excessivo dessas técnicas levanta questões sobre possíveis violações de direitos, dentre eles a presunção de inocência e a proteção à vida privada. (LEMAN-LANGLOIS; SHEARING, 2009). No que diz respeito ao processo criminal, dois aspectos merecem ser ressaltados. Em primeiro lugar, o prin-cípio da individualização da pena – um dos fundamentos da aplicação da pena na lei brasileira – estabelece que a sentença seja imposta de forma individualizada e proporcional à responsabilidade do autor. Ora, o elevado número de réus, de acusações e de provas presentes nos megaprocessos criam sérios obstáculos à individualização da pena, podendo gerar inclusi-ve uma inclusi-verdadeira “condenação por associação” (BARREAU DU QUÉBEC, 2004, p. 3). Em segundo lugar, o direito a uma defesa plena – corolário do princípio da presunção de inocência - dá ao réu o direito de ter o “perfeito conhecimento das pretensões de seu adversário, de seus argumentos e das provas que ele apresenta” (SYLVESTRE, 1993, p. 913). Nesse sentido, podemos nos perguntar qual a real capacidade do acusado de tomar co-nhecimento da totalidade de uma prova que pode ser composta de mais por 40 mil horas de gravação de interceptação telefônica, como é o caso
4 CODE, M. Law reform initiatives relating to the mega trial phenomenon, 2009. Disponível em: <http://www.isrcl.org/Papers/2008/Code.pdf>.
LESAGE, P. ; CODE, M. Rapport sur l’examen de la procédure relative aux affaires criminelles complexes. Toronto : Ministère du Procureur général de l’Ontario, 2008. 5 RCMP. Programme des produits de la criminalité, 2009. Disponível em: <http:// www.rcmp-grc.gc.ca/poc-pdc/pro-crim-fra.htm>.
RUIZ VASQUEZ, J. C. La réforme des forces de police au Canada : les tensions entre la sécurité des citoyens, les libertés fondamentales et le fédéralisme. International Journal of Canadian Studies, n. 36, 2007, pp. 161- 190.
SHEPTYCKI, J. The Governance of Organised Crime in Canada. The Canadian Journal of Sociology, v. 28, n. 4, 2003, pp. 489-516.
da Operação Furacão,6 por exemplo, ainda mais levando em conta que
muitos advogados não possuem recursos ou infraestrutura suficiente para analisar todo esse volumoso material probatório. A estrutura dos mega-processos parece limitar a capacidade do acusado de tomar ciência do conjunto probatório formado contra ele, ocasionando assim um risco im-portante de ofensa ao direito à ampla defesa.
De fato, os problemas estruturais do megaprocessos, aliados seus pre-dicados de eficácia e eficiência (MACKAY, 2011), trazem à tona o delicado equilíbrio entre este modelo processual e exercício dos direitos fundamen-tais dos acusados, levantando ainda questionamentos sobre os riscos de erros judiciários (DENOV; CAMPBELL, 2005; ZALMAN, 2006), bem sobre a qualidade da justiça proporcionada por esse modelo processual.
Apesar da crescente presença dos megaprocessos na esfera da jus-tiça penal,7 a pesquisa brasileira sobre o assunto ainda se encontra em
estágio embrionário. Buscando entender de que forma o direito de dessa é exercido no âmbito deste modelo processual, nossa pesquisa ampliará os conhecimentos sobre este novo modelo de justiça, especialmente no contexto brasileiro.
Partimos da ideia de que o modelo de “megajustiça” suscita o debate acerca da coexistência entre os imperativos de segurança e eficiência e o direito do acusado a um julgamento justo (fair trial) (FINDLEY, 2012). Indagamos, por exemplo, se a busca por uma eficiência processual (por exemplo, incapacitação seletiva, prisões em grupo, ampliação dos meios de investigação etc.) não viria acompanhada de um enfraquecimento dos direitos fundamentais dos acusados, como bem salientam Rainer e Wil-son afirmando que esse o gerencialismo na justiça criminal representa “a
cutting back of due process rights in which the goals of efficiency and
effectiveness prevail over substantive justice ends” (RAINE; WILLSON,
1993). De fato, talvez esse novo modelo processual introduza uma mudan-ça no modelo tradicional de justimudan-ça, que contrapõe o “crime control” ao
6 Disponível em: <http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI172498,21048-Trans-cricao+de+interceptacao+telefonica+deve+ser+integral>.
7 Apenas no Rio de Janeiro podemos mencionar os seguintes exemplos: 1.
Ope-ração Tiamat, de combate ao tráfico de drogas em Três Rios, que tem cerca de 170 policiais envolvidos e que cumpriu 50 mandados de prisão e 60 mandados de busca e apreensão; 2. Operação Éden, também contra o tráfico de drogas, cumpriu cerca 50 mandados de prisão e 66 mandados de busca e apreensão na região de Barra Mansa; 3. Operação “conexão penha”, coordenada pela Polícia Militar e pelo Minis-tério Público, desarticulou grupo que atuava dentro do Complexo Penitenciário de Gericinó distribuindo drogas para comunidades da Região Serrana. A ação contou com apoio de 235 agentes e cumpriu 28 mandados de prisão e 58 mandados de bus-ca e apreensão; 4. Operação Capitania, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), cumpriu 21 mandados de prisão temporária contra pessoas acusadas de tráfico e associação para o tráfico, além de 40 mandados de busca e apreensão.
“due process” (PACKER, 1968, p. 237-261), criando um novo modelo que contrapõe a eficiência/rapidez ao “due process”. Tais questionamentos se revelam fundamentais, levando em conta o fato de que os objetivos de simplificação/rapidez dos procedimentos e de aumento de produtivida-de presentes no gerencialismo introduziram na justiça criminal uma nova forma de legitimidade baseada no desempenho e que essa lógica talvez constitua elemento limitador ao exercício pleno dos direitos de defesa. O mecanismo de plea bargaining constitui um bom exemplo desse processo de invisibilização do réu em prol de uma solução rápida do processo (RAI-NE; WILLSON, 1993).
Objetivos: A pesquisa se articula em torno de dois objetivos: 1) Identi-ficar, de um ponto de vista micro sociológico, de que forma são exercidos os direitos de defesa no âmbito dos megaprocessos. 2) Examinar, a partir de uma perspectiva macrossociológica, os contextos social e legislativos que deram ensejo ao desenvolvimento deste novo modelo procedural no âmbito da justiça penal brasileira.
Metodologia: Para alcançar nosso primeiro objetivo, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com advogados criminalistas, membros do Ministério Público e réus em megaprocessos. Para realização do segundo objetivo, foi uma análise bibliográfica e legislativa afim de trazer à tona as questões subjacentes ao surgimento e desenvolvimento desse novo mo-delo de justiça.
r
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estAduAis
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Aneiro
Autoras: Bruna Franqueira e Vanessa Tourinho
1Orientador: Prof. Dr. Leandro Molhano2
1. A
tividAdes desenvolvidAs em2017-2018
Nesta vigência da bolsa de iniciação científica foram realizadas as seguin-tes atividades:
• Revisão bibliográfica dos estudos sobre espectro ideológico partidário no Brasil.
• Revisão dos estudos de Jonathan Haidt sobre a moralidade humana. • Análise dos conteúdos programáticos dos partidos políticos
brasileiros e dos discursos dos líderes das bancadas partidárias da 11ª Legislatura.
Como resultado deste estudo, foi escrito o artigo a ser apresentado a seguir.
2. r
esultAdosAlcAnçAdos• Produção de artigo sobre espectro ideológico partidário dos partidos e dos líderes das bancadas que compõem a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ).
1 Alunas da FGV Direito Rio. 2 Professor da FGV Direito Rio.
3. A
rtigoEste trabalho expõe, em primeiro lugar, qual o conceito de liberalismo e conservadorismo utilizados na análise dos partidos e dos discursos parti-dários. Em segundo lugar, apresentaremos um histórico dos estudos sobre espectro ideológico-partidário no Brasil. Em seguida, introduziremos a te-oria de Jonathan Haidt e a metodologia a ser utilizada neste trabalho. Por fim, apresentaremos os resultados alcançados da análise dos conteúdos programáticos dos partidos políticos e os discursos emitidos em plenário na 11ª Legislatura da ALERJ.
3.1. d
imensão liberAlismoe conservAdorismoA definição de conservadorismo dentro da ciência política comporta di-ferentes noções, englobando elementos históricos, regionais e culturais, como a religião, tal como já havia sido apontado por estudiosos dessa dimensão no cenário brasileiro. Entre os pesquisadores, estão Gabriela da Silva Tarouco e Rafael Machado Madeira. Para esses autores, alcançar uma definição do termo para fins de análise de espectro ideológico político--partidário implica em algum grau de ambiguidade e imprecisão e, por conta disso, há um amplo debate no campo da ciência política sobre o conceito de conservadorismo e a sua oposição.
Neste artigo, optamos por considerar conservadorismo como a ide-ologia que defende a maior intervenção do Estado e das suas instituições sob a vida social para fins de controlar a falibilidade da essência humana, a qual seria caracterizada como egoísta e imperfeita. Ao seu revés, con-sideramos como liberalismo a ideologia que defende um menor papel de intervenção do Estado e das instituições sob a vida social, a partir de uma concepção que a essência humana não seria imperfeita.
A utilização de tais definições foi inspirada na sua ampla aplicação em estudos sobre o tema no cenário brasileiro e internacional.3
3 A título exemplificativo apresentamos os estudos de Gabriela da Silva Tarouco e Rafael Machado Madeira em seu artigo “Esquerda e direita no sistema partidário brasileiro: análise de conteúdo de documentos programáticos” e o livro A Conflict of
3.2. o
sespectrosideológicos pArtidáriosem Análise Os estudos quanto ao espectro ideológico-partidário no Brasil tendem a focalizar no eixo esquerda e direita, na qual a principal diferença na clas-sificação sobre um ou outro partido estaria no grau de intervenção do Estado na economia.4 A metodologia aplicada na literatura do temamos-tra-se variada, mas tende a utilizar pesquisas com os parlamentares e análise do conteúdo programático dos partidos. Um aspecto interessante quanto a essas pesquisas está na verificação do fenômeno da “direita en-vergonhada”, em que a classificação dos parlamentares está sempre mais à esquerda do que a classificação do seu próprio partido (ZUCCO JUNIOR; TAROUCO, 2013, p.93-114).
Alguns estudos, por outro lado, tentam incorporar a dimensão ide-ológica do conservadorismo e do liberalismo no estudo, procurando identificar o grau de influência dessa no espectro ideológico de esquerda--direita (ZUCCO JUNIOR; TAROUCO, 2013; MAINWARING; MENECUELLO; POWER, 2000).
O aspecto comum desses dois tipos de análises, contudo, está em apontar a influência que o período da Ditadura Militar teve sob a compo-sição e classificação dos partidos,5 principalmente, ao considerar a
dificul-dade de consolidação da identidificul-dade partidária pós-1988 (Madeira, 2006). No caso dos partidos conservadores, por exemplo, a impopularidade do regime e as tensões políticas geraram um racha no PDS (Partido Democrá-tico Social), principal partido conservador durante o regime militar, o qual originou o PFL (MAINWARING; MENECUELLO; POWER, 2000).
Nessa perspectiva, pode-se dizer que o estudo quanto ao espectro ideológico partidário no brasil tende a focalizar (i) na dimensão direita e esquerda e (ii) e faz uso do aspecto histórico para explicação do cenário atual de composição partidária.
Neste artigo utilizaremos parte da metodologia utilizada no campo, a análise do conteúdo programático dos partidos políticos, com a operacio-nalização de conceitos de Jonathan Haidt, para analisar o espectro
ideo-4 Tal como apontado no estudo de Cesar Zucco em “Esquerda, Direita e Governo: A ideologia dos partidos políticos brasileiros”, publicado pela editora da Princenton University e apresentado no Seminário Legislator Views em 2009.
5 Nesse sentido, ressalta-se a análise de Cesar Zucco Junior no seu estudo sobre a ideologia política dos partidos brasileiros, os estudos de Scott Mainwaring, Rachel Menecuello e Timoty Power sobre o tema e o artigo de Gabriela da Silva Tarouco e Rafael Machado Madeira, “A ‘direita envergonhada’ no Brasil: como partidos reinter-pretam seus vínculos com o regime militar?”.
lógico partidário na dimensão conservadorismo-liberalismo dos partidos com representatividade na ALERJ e dos líderes das suas bancadas.
3.3. J
onAthAnh
Aidte A tAxonomiAdAmorAlEm estudos sobre o comportamento humano, Jonathan Raidt, Jesse Graham e Brian Nosek (2009), procuraram categorizar os valores morais em um conjunto de pilares que seriam parte da natureza humana. Para tal, verificaram virtudes, preocupações morais, práticas e mecanismos psico-lógicos que fossem comuns a diversas culturas.
Após essa análise, os autores chegaram a cinco sistemas morais: (i)
fairness/reciprocity, relativo às preocupações com a exploração, à neces-sidade de justiça social, à busca pela igualdade, à reciprocidade e à co-operação; (ii) harm/care, pautado pela proteção, pela rejeição de qual-quer crueldade e pelo desejo de cuidado em prol de todos os que estão sofrendo; (iii) ingroup/loyalty, fruto da combinação do patriotismo com o auto-sacrifício em prol da coletividade; (iv) authority/respect, guiado por ideias de hierarquia, deferência por autoridades/lideranças e desejo pela manutenção da ordem social; e por fim (v) purity/sanctity, vinculado à religiosidade, manifestado também pela xenofobia, diante do receio de contágio de patologias, parasitas e outras ameaças (MAINWARING; ME-NECUELLO; POWER, 2000).
Com o objetivo de verificar a correlação de cada um desses sistemas com a ideologia conservadora e/ou liberal, os autores buscaram operacio-nalizar tais conceitos a partir de surveys e da análise de discursos políticos e religiosos.
O resultado do estudo foi que os valores próprios dos sistemas morais
fairness/reciprocity e harm/care são mais significativamente expressados por grupos liberais, enquanto que os valores ligados aos sistemas ingroup/
loyalty, authority/respect e purity/sanctity tendem a adquirir maior rele-vância por grupos mais conservadores.
Uma vez efetuada a categorização de cada sistema moral, os autores criaram, também, um dicionário para cada um dos cinco pilares morais, em que a frequência, o contexto e o sentido de cada palavra fosse capaz de categorizar um indivíduo como liberal ou conservador.
Utilizamos a mesma metodologia para verificar o grau de relevância de cada sistema moral nos conteúdos programáticos dos partidos que com-põem a ALERJ e também no discurso dos deputados líderes de bancada dessa casa legislativa (MAINWARING; MENECUELLO; POWER, 2000).
3.3. v
erificAçãodoespectroideológicodAAlerJ
Ao aplicarmos diretamente o dicionário moral de Haidt sob os conteúdos programáticos dos partidos e sob os discursos políticos percebemos que incorremos em três tipos de problemas na análise:1. O uso de determinadas palavras não ocorria com a mesma frequência no Brasil do que nos Estados Unidos, de modo que poucas palavras foram responsáveis por determinar a relevância de cada um dos sistemas morais em cada texto analisado.
2. Algumas palavras não são utilizadas no mesmo sentido que o aplicado por Haidt, o que representou uma dificuldade na análise, tendo em vista que a cada dicionário foi necessário verificar em que medida a ocorrência de uma determinada palavra guardava pertinência com o conceito do pilar moral respectivo.
3. A quantidade de discursos em plenário dos líderes de bancada mostrou-se muito díspar entre si, existindo cinco deputados líderes que não realizaram qualquer discurso de janeiro de 2014 a junho de 2018, enquanto que outros deputados realizaram cerca de cem discursos nesse intervalo. Como tentativa de minimizar essa dificuldade, não comparamos os resultados dos deputados entre si, somente com o alcançado pelo partido, e excluímos da análise os partidos em que os deputados não realizaram discursos e os que não tinham conteúdo programático disponível no site.
No entanto, ainda sim, foi possível extrair dados interessantes a partir do conteúdo analisado. Foram coletados os ensaios programáticos dos 22 partidos com representatividade na ALERJ6 e os discursos dos 21 líderes
de bancada dessa casa legislativa de janeiro de 2014 a junho de 2018, pe-ríodo referente à última legislatura.
Optamos por analisar o conteúdo programático nacional dos partidos por representar, teoricamente, a consolidação das propostas, interesses, posições e diretrizes da instituição partidária a ser seguida em todo o ter-ritório nacional. Muito embora reconheçamos que no nível estadual a esco-lha de propostas, interesses e posições poderá ser diferente para atender aos anseios locais (SILVA PRADO, 2016, p. 1-53).
Ademais, a escolha pelos discursos dos líderes de bancada é justifica-da pela suposta atuação conjunta justifica-da base em prol justifica-da aprovação dos seus
6 Quais sejam: PT, DEM, MDB, PODEMOS, PRB, PRP, PSB, PSC, PP, PDT, PPS, SDD, PR, PSOL, PC do B, DC, PSL, PSD, PSDB, AVANTE, PHS E PTB.
projetos de lei. O líder, além de representar o partido, seria o responsável por orientar a bancada partidária quanto ao voto a ser dado em determi-nado projeto e de realizar acordos para aprovação das iniciativas legislati-vas do partido.7 Nesse sentido, as suas manifestações plenárias poderiam
ser consideradas como a posição consolidada do partido para determi-nada votação ou discussão que se está sendo tratada na casa legislativa.
Após a coleta, verificamos a incidência das palavras dos cinco dicio-nários de Haidt em cada um dos conteúdos programáticos e discursos a partir de um programa de computador criado com o código Python.
Para cada caso, foi criado uma colocação que engloba o conjunto mo-ral que mais aparece no conteúdo e a frequência das palavras relacionadas a cada sistema moral.
Os dados acima mostram uma diferença do pilar moral dominante quando se analisa o conteúdo programático dos partidos políticos e os discursos dos líderes partidários na ALERJ. Em sua maioria, com exceção dos casos dos líderes do PSL e do PP em que a predominância reside no sistema moral ingroup e harm respectivamente, há uma grande incidência de palavras do sistema moral authority/respect, mesmo nos discursos da-queles que são membros de partidos que estão mais ligados aos sistemas morais liberais, como no caso do PSOL. Uma das nossas suposições é que a preocupação com a segurança pública no Estado do Rio de Janeiro e os recentes casos de corrupção envolvendo a Lava jato faz com que os políticos tenham maior tendência a proferir discursos ligados à garantia da ordem pública, de respeito à legalidade e ao direito, palavras essas que apresentaram maiores incidência na pesquisa dessa moral.
Outro aspecto importante é que, dentre os conteúdos programáticos dos partidos analisados, nota-se uma grande incidência do sistema moral
ingroup/loyalty seguido, na maioria dos casos, do grupo harm/care. Com
exceção do PPS, PT e PP.
Uma das nossas suposições para tal, também veiculada por Gabriela Tarouco e Rafael Madeira, é que nos períodos após o regime militar as pro-postas e identidade partidárias estavam focalizadas em um objetivo co-mum: garantia de direitos e afastamento da imagem autoritária do regime. Com o passar do tempo, contudo, os conteúdos programáticos partidá-rios foram se sedimentando e, em alguns casos, com leves aproximações ao espectro conservador (TAROUCO; MADEIRA, 2013, p.93-114). Por isso, em nossa análise, assim como a dos autores supracitados, haveria forte
7 Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/POLITI-CA/150537-ENTENDA-O-PAPEL-DOS-LIDERES-PARTIDARIOS.html> Acesso em: 20.07.2018.
incidência dos dois tipos de morais ligadas a posturas conservadoras e liberais.
3.4. c
onclusãoA partir da análise dos resultados, é possível inferir que há, de fato, um dis-tanciamento ideológico entre os deputados e os seus respectivos partidos. A relevância que cada sistema moral adquire nos discursos dos políticos difere daquela verificada no âmbito dos manifestos partidários. E embora os dados coletados não sejam conclusivos, é possível supor que parte des-se distanciamento ideológico encontra sua fonte nas especificidades re-gionais sócio-políticas de cada Estado. De acordo com a urgência e signifi-catividade que um problema social adquire, os deputados parecem tender a abandonar os discursos partidários, priorizando a necessidade particular. No entanto, como mencionado anteriormente, embora seja possível extrair resultados interessantes a partir dos dados coletados, há a neces-sidade de criar um dicionário próprio para verificação da incidência de palavras de cada sistema moral nos discursos partidários. A adaptação das palavras para o contexto brasileiro poderia contribuir para a literatura nacional, diante da escassez de classificações ideológicas que considerem apenas as os valores morais de cada partido.
r
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pArticipAção
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Autora: Carolina Schenkel de Moura Leite Neves
1Orientadora: Prof. Dra. Paula Wojcikiewicz Almeida2
1. A
tividAdes desenvolvidAs em2017-2018
Com o objetivo de analisar uma possível expansão do Acesso à Justiça nas Cortes Internacionais de Justiça, o projeto adotou uma abordagem teórica dos mecanismos disponíveis para que terceiros pudessem participar nos processos referentes a direitos humanos, e sua aplicação em litigância es-tratégica perante tribunais internacionais regionais.
De início, tinha-se a intenção de abordar o amicus curiae como forma de participação da sociedade civil tanto no Sistema Interamericano como no Sistema Europeu de Direitos Humanos. Ao longo da pesquisa, contudo, optou-se por restringir o objeto de estudo aos casos da Corte Interame-ricana de Direitos Humanos (Corte IDH), utilizando a Corte Europeia de Direitos Humanos como um parâmetro de comparação.
Por meio de uma base de dados internacional, o projeto combinou uma análise quantitativa e qualitativa para avaliar a existência de um diá-logo formal e efetivo entre a Corte e a Sociedade Civil, representado pelos indivíduos e instituições, como ONGs. Nesse sentido, a pesquisa foi divida basicamente em três etapas:
1. A primeira etapa consistiu no levantamento bibliográfico sobre o amicus curiae na Corte Interamericana de Direitos Humanos
1 Aluna da FGV Direito Rio. 2 Professora da FGV Direito Rio.
e de intervenção de terceiros na Corte Europeia de Direitos Humanos. Para isso, foram utilizadas as bases de dado fornecidas pela FGV como o Heinoline e o JStor, além de livros disponíveis na Biblioteca da FGV. Com isso, foi possível a elaboração do documento “Arquivo Base”, em que foram reunidos todos os fichamentos feitos. Ao total, foram fichados 19 textos, disponíveis em inglês, francês e espanhol. Com essa pesquisa, foi possível concluir que a doutrina considera o amicus curiae como uma forma de participação nos tribunais internacionais, mas a discussão era mais concentrada na evolução desse instrumento ao longo dos anos, do que nos problemas realmente encontrados 2. A segunda etapa consistiu na elaboração de tabelas de
jurisprudência dos amici (plural de amicus) curiae na Corte Europeia e na Corte Interamericana. De forma complementar ao levantamento bibliográfico, o objetivo era entender como a Corte se referia aos amici em seus julgados, e se era possível perceber - a partir da leitura dos casos - a influência sobre a decisão dos juízes.
a. Tabela da Corte Europeia de Direitos Humanos. A tabe-la da Corte Europeia foi a primeira tentativa de realizar uma análise quantitativa. Nesse caso, só foram identi-ficados o nome do caso e os parágrafos em que a in-tervenção de terceiros era mencionada. Os casos pes-quisados foram encontrados a partir da jurisprudência referida nos textos lidos para fichamento. Ao total, foram tabelados cerca de 20 casos, de 1991 a 2008. Esse tabe-lamento teve como objetivo, além de avaliar a influência dos juízes, a comparação com a Corte Interamericana. b. Tabela da Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Foram acessadas todas as Opiniões Consultivas e todos os Casos Contenciosos que tiveram um escrito de
ami-cus curiae a partir de 2000, disponível no próprio site do Tribunal. Ao todo, foram avaliados 89 casos. A tabela foi, assim, dividida em seis colunas, que continham: (i) o nome do caso; (ii) o tipo de julgamento; (iii) data do jul-gamento; (iv) os indivíduos ou instituições que enviaram o escrito de amicus curiae; (v) transcrição do parágrafo em que o amicus curiae era mencionado e; (vi) se era possível perceber alguma influência na decisão dos juí-zes. A conclusão extraída dessa tabela foi que a Corte é aberta a receber esses escritos, tendo recebido diversas entidades ao longo dos anos. Contudo, também perce-beu-se que ela não é muito transparente quanto às
infor-mações contidas nos escritos, sendo difícil inferir a influ-ência que os amici curiae tiveram na decisão da Corte. 3. A terceira, e última etapa, foi a elaboração do artigo,
utilizando a bibliografia reunida e a tabela de casos da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Dessa forma, foram apontados dois pontos que precisam ser aprimorados, para melhor aproveitamento dessa participação: (i) falta de critérios claros para se rejeitar os amici curiae e; (ii) falta de transparência da Corte quanto ao conteúdo.
No tocante aos critérios para se rejeitar uma amicus, foram identifica-dos – em uma análise conjunta da bibliografia com a tabela – cinco causas pelas quais um amicus curiae era rejeitado: por falta de imparcialidade; por ter ultrapassado o prazo e/ou enviado em língua não oficial; devido à sua “inutilidade”; devido a não identificação do autor do amicus curiae e, por fim, amici que foram rejeitados por critérios desconhecidos.
Em relação à falta de transparência, foi percebida a dificuldade de saber o real impacto dos escritos de amicus curiae na Corte, uma vez que a Corte raramente cita-os ou refere-se a eles explicitamente. O leitor não tem como identificar quem são as pessoas ou instituições que os enviaram, e, principalmente, quais são os temas abordados nesses escritos.
A partir da identificação desses problemas, foram propostas alterna-tivas para melhorar o instituto e ampliar ainda mais o acesso à justiça por meio do amicus curiae, quais sejam:
1. Estabelecer critérios objetivos para definir “pessoa ou instituição alheia ao litígio” presente no Regulamento atual. 2. Definir qual o artigo que deve ser usado para negar um amicus
curiae que foi entregue no idioma errado em um prazo de
15 dias ou quando a tradução foi entregue após esse prazo. Se é o artigo 44 ou artigo 28(1) do Regulamento (ou então algum outro artigo). Adicionalmente, é importante repensar o próprio prazo de 15 dias após a audiência pública, que é um tempo de preparação considerado muito curto para o
amicus, principalmente se comparado ao prazo que as partes
geralmente têm (30 dias).
3. Definir o que seria um amicus útil ou relevante, uma vez que vários escritos já foram rejeitados com base na utilidade. Com essa definição, os indivíduos ou organizações que desejam apresentar um amicus curiae terão, ao menos, um parâmetro mínimo e saberão que caminho não seguir.
4. Esclarecer como os amici devem se identificar perante a Corte e por quem: se somente por aqueles que efetivamente
escreveram, ou se também por aquelas que assinaram em apoio; e
5. Adicionar disposições que recomendem à Corte a adição em seus julgamentos de uma breve descrição da identidade e conteúdo dos amici, para evitar que eles sejam negados sem as partes ou sem que os leitores saibam o motivo. Isso também auxiliaria a análise da influência dos amicus nas sentenças emitidas pela Corte.
2. r
esultAdosAlcAnçAdosNesse sentido, foi possível concluir que o amicus curiae é um instrumento útil para o aumentar o acesso à justiça da sociedade civil, mas que cabe a implementação de algumas alterações no Regulamento da Corte para melhor regulá-lo. Com isso, pretende-se publicar o artigo produzido em uma revista nacional.
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Autoras: Clara Monteiro e
Maria Letícia Carneiro Moderno de Oliveira
1Orientadora: Prof. Dr. Paula Wojcikiewicz Almeida2
1. A
tividAdes desenvolvidAs em2017-2018
Inicialmente, foi feito um estudo de textos acadêmicos que abordam o tema de diálogos entre cortes e métodos de avaliação. Tais textos compre-endem livros, capítulos de livros e artigos acadêmicos, os quais estão lista-dos na seção “Bibliografia” do presente relatório. O objetivo desse estudo foi auxiliar na compreensão do objeto de pesquisa, levando-se em consi-deração seu escopo e suas especificidades. Particularmente, este projeto se propõe a observar, refletir e aferir se a comunicação entre a Corte In-ternacional de Justiça (CIJ) e a Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), realizada por meio de citações mútuas de suas jurisprudên-cias, pode ou não se configurar como um diálogo consolidado que inter-fira, em algum grau, em seus raciocínios jurídicos e, consequentemente, em suas decisões. Sendo assim, a leitura dos textos acadêmicos referidos serviu para instruir e guiar as orientandas a apurar o olhar no momento de analisar os casos concretos.
Posteriormente, partiu-se para a busca de casos julgados por am-bas as cortes internacionais, bem como opiniões consultivas, nos quais há menções de uma em relação à outra, seja quanto a decisões judiciais,
1 Alunas da FGV Direito Rio. 2 Professora da FGV Direito Rio.
a opiniões consultivas ou, até mesmo, ao próprio regulamento interno; Por exemplo, o art. 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça, que tra-ta das fontes do Direito Internacional Público. Assim, identificando-se os documentos, as referências neles feitas e seu local no texto (por exemplo: parágrafo ou nota de rodapé), foi necessário organizar essas informações em tabelas para facilitar o andamento da pesquisa. Depois de criar as tabe-las, passou-se para a análise estatística-quantitativa, na qual se averiguou, dentro das amostras selecionadas, quantos casos/opiniões consultivas ci-tavam a outra corte, quais eram mais mencionados e a relação dos juízes que mais faziam referência à outra corte.
Por fim, realizou-se a parte analítico-qualitativa das decisões selecio-nadas. Primeiro, verificaram-se as decisões da CIJ que fazem referência a casos da Corte IDH, e agora estão sendo analisadas as decisões da Corte IDH que citam casos da CIJ. Tais análises possuem como objetivo principal responder a duas questões: (i) o contexto e o propósito em que a referên-cia foi feita, e (ii) o possível reflexo dessa referênreferên-cia na decisão final como um todo. Nesse sentido, o propósito substancial da análise qualitativa é compreender o porquê de se ter feito cada referência e a sua utilidade para a decisão da outra corte – em que medida tal referência, no contexto em que foi feita, impactou o veredito emanado do tribunal.
2. r
esultAdosAlcAnçAdosO projeto de pesquisa em questão ainda está em andamento. Não obstante, algumas características se sobressaíram durante o seu desenvolvimento. Percebeu-se que a quantidade de vezes em que a Corte IDH menciona a CIJ é consideravelmente maior que a quantidade de vezes em que a CIJ menciona a Corte IDH. Isso se deve ao fato de que a CIJ, por ser uma cor-te de carácor-ter global, órgão judiciário da Organização das Nações Unidas (ONU), demonstrou-se, ao longo dos anos, ser um tribunal mais fechado, ou seja, menos propenso a citar a jurisprudência de outras cortes interna-cionais para embasar seus argumentos. Já a Corte IDH, por outro lado, por ser um tribunal específico de direitos humanos inserido em um sistema de proteção regional – o Sistema Interamericano de Direitos Humanos, ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA) – aparenta ser mais aberta em relação aos entendimentos de outras cortes internacionais, como é seu caso em relação à CIJ.
r
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Aneiro
Autor: Daniel Alves Pereira
1Orientadores: Profa. Dra. Fernanda Prates2
e Prof. Dr. Thiago Bottino3
1. A
tividAdes desenvolvidAs em2017-2018
Em dezembro de 2017, momento posterior à confecção do estudo ao qual o presente relatório se refere, segundo dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciarias (Infopen),4 publicados nos maiores veículos
informativos do país,5 o Brasil já havia conquistado, desde o fim do
primei-ro semestre de 2016, a terceira posição no ranking de países com a maior população carcerária do mundo. O país ultrapassou a Rússia e alcançou a marca de 726.712 pessoas presas, conforme detalhado na Tabela 16 abaixo:
1 Aluno da FGV Direito Rio.
2 Professora da Faculdade Nacional de Direito (UFRJ). 3 Professor da FGV Direito Rio.
4 Disponível em: <http://www.justica.gov.br/news/ha-726-712-pessoas-presas-no--brasil/relatorio_2016_junho.pdf>. Acesso em: 22.07.2018.
5 Disponível em: <https://istoe.com.br/populacao-carceraria-no-brasil-ja-e-tercei-ra-maior-do-mundo/; https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/12/1941685-bra-sil-ultrapassa-russia-e-agora-tem-3-maior-populacao-carceraria-do-mundo.shtml>. Acesso em: 21.07.2018.
6 Disponível em: <http://www.justica.gov.br/news/ha-726-712-pessoas-presas-no--brasil/relatorio_2016_junho.pdf> – Página 8. Acesso em: 22.07.2018.
Além disso, dessa soma, cerca de 40% dos presos são encarcerados em caráter cautelar/provisório, ou seja, sem condenação efetiva. Trata-se de casos em que se considera que a prisão deve ser efetuada, mesmo não havendo condenação, para garantir, dentre outros, a atuação do judiciário de forma plena, conforme previsto pelo artigo 312 do Código de Processo Penal. Entretanto, conforme ilustra o gráfico7 a seguir, é também a causa
da maior parcela individual de apenados do sistema prisional brasileiro:
Esses 40%, portanto, representam, sozinhos, quase metade da popu-lação carcerária nacional. Essa parcela de pessoas poderia fazer jus ao uso do monitoramento eletrônico, sem o prejuízo do uso para outras situações de encarceramento, uma vez que a medida é, comprovadamente, efetiva
7 Disponível em: <http://www.justica.gov.br/news/ha-726-712-pessoas-presas-no--brasil/relatorio_2016_junho.pdf> – Página 13. Acesso em: 22.07.2018.
para que se cumpram os objetivos do referido instrumento, conforme se extrai do artigo 312 do Código de Processo Penal, que o postula:
Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como ga-rantia da ordem pública, da ordem econômica, por conve-niência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria.
Ato contínuo, conforme explicitado no artigo “Notas sobre a política de monitoração eletrônica no estado do Rio de Janeiro”,8 a tecnologia de
monitoramento eletrônico cumpriria com três objetivos principais:
De modo geral, podemos identificar três objetivos principais que justificaram a introdução da monitoração eletrônica em diversos países, quais sejam: (1) o combate à superpopulação carcerária; (2) a diminuição dos encargos com pessoas en-carceradas; e, (3) a redução de riscos de reincidência criminal (CAMPELLO, 2013, p. 41).
Quanto ao terceiro objetivo, trata-se de uma maior eficiência na res-socialização do indivíduo, função secundária do sistema penitenciário que, para o estudo criminológico, não se reputa apenas a um lugar de punição e expiação dos malfeitos, mas também de instituição com a responsabilidade de reinserção do indivíduo na sociedade como um membro apto desta.
Já o primeiro e segundo objetivos, além de contribuírem de forma indireta para a concretização do terceiro, por oferecerem um sistema mais apto a ressocializar o indivíduo por não o flagelar e despir de sua dignidade, também representam objetivamente um ganho econômico à sociedade. Isso, pois, estima-se que no Brasil, em alguns Estados, um detento chegue a custar até dez vezes mais que um estudante aos cofres públicos.9 Além
disso, impossível ignorar a declaração da Presidente do Conselho Nacio-nal de Justiça e do Supremo TribuNacio-nal Federal, Cármem Lúcia, acerca da questão, feita em 2016 no curso do 4º Encontro do Pacto Integrador de Segurança Pública Interestadual e da 64ª Reunião do Colégio Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp), em Goiânia, na qual afirmou que “um preso no Brasil custa R$ 2,4 mil por mês e um estudante do ensino médio custa R$ 2,2 mil por ano”10 sobre o que concluiu que “alguma coisa está errada na nossa Pátria amada”.
8 Disponível em: <https://bdjur.stj.jus.br/jspui/bitstream/2011/112593/notas_sobre_ politica_bottino.pdf>. Acesso em: 22.07.2018
9 Disponível em: <http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2017/01/gasto-com--preso-chega-ser-10-vezes-maior-que-custo-por-aluno-em-mt.html>. Acesso em: 23.07.2018.
10 Disponível em: <http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/83819-carmen-lucia-diz-que--preso-custa-13-vezes-mais-do-que-um-estudante-no-brasil>. Acesso em: 23.07.2018.