• Nenhum resultado encontrado

9 - CONSÓRCIO GALVÃO/TECHINT/CONSBEM

9.1 – CONSÓRCIO ANDRADE GUTIERREZ/CARIOCA RAZÕES DO RECURSO

2. Razões do Recurso apresentado e sua improcedência

O consórcio recorrente aduziu, em resumo, duas alegações para perseguir a reforma da decisão que pré-qualificou o ora impugnante. Para melhor facilitar a consulta da matéria, será indicado pontualmente cada argumento lançado.

2.1. Poderes de representação das consorciadas para a celebração do compromisso de consórcio.

As razões recursais não se mostram claras, mas aparentemente o recorrente está insatisfeito com a representação das empresas consorciadas com vistas à celebração do compromisso de consórcio para participação no presente certame. Alega que não restou identificado no acervo documental apresentado pelo consórcio impugnante qualquer elemento/documento que demonstrasse a detenção de poderes pelo “subscritor” para efeito de representação.

Diz, então, o recorrente, que não há como aferir aptidão do compromisso de consórcio para produção de efeitos, circunstância que traria insegurança a Administração Pública no que tange à futura contratação. Finalmente pede a inabilitação do ora impugnante.

Antes de mais nada, ocorre aqui manifesto cerceamento de defesa pois que o recurso perpetrado sequer identifica qual ou quais dos signatários do compromisso de consórcio tenciona colocar em discussão. Qual ou quais das empresas consorciadas não teriam sido adequadamente representadas segundo a ótica do recorrente? Sob qual ou quais aspectos não teriam sido demonstrados poderes de representação? As razões recursais nada dizem.

Já por aí se verifica que o recurso ora impugnado mais se aproxima de mera procrastinação ou resulta de análise descuidada do acervo documental trazido para pré-qualificação. No entanto, em atenção ao princípio da eventualidade e considerando que os elementos pertinentes à representação das empresas integrantes do consórcio foram regularmente apresentados, formula-se a presente defesa.

Mister esclarecer que não se trata de termo de constituição de consórcio. O ato convocatório permitiu a participação de interessados mediante compromisso de constituição de consórcio, conforme se verifica do teor da sua cláusula “4.1.3”. Como se vê, a própria lei interna da licitação não perquiriu da participação em consórcio já definitivamente constituído, ma por intermédio da promessa de constituição do mesmo.

Então, o desejo do recorrente de aplicar a disciplina estabelecida pela Lei das Sociedades Anônimas com a intensidade perquirida não prospera. Não poderia haver, assim, infração às regras concernentes ao disposto no art. 279 da Lei nº 6.404/76, eis que, sagrando-se vitorioso na licitação é que o consórcio celebrará em definitivo a sua constituição.

Contudo, até mesmo eventual questão a respeito da aplicabilidade da Lei das Sociedades Anônimas ao caso resta superada.

É o Termo de Compromisso Particular de Constituição de Consórcio sob exame observa em gênero, número e grau tanto o teor do Estatuto Federal das Licitações e Contratos (Lei nº 8666/93), quanto a Lei das Anônimas (Lei nº6.404/76).

Se o recorrente tivesse estudado o acervo habilitatório do consórcio impugnante com maior acuidade, teria constatado que os signatários do compromisso de consórcio têm poderes de representação.

Pela empresa SERGEN, Sr. Sérgio Gomes de Vasconcellos foi eleito Presidente do Conselho de Administração e também Diretor Superintendente da sociedade Sergen – Serviços Gerais de Engenharia S/A, nos termos das Atas de Assembléias Gerais Ordinária e Extraordinária, assim da Reunião do Conselho de Administração, realizadas na data de 30 de abril de 2002 e cujas publicações veiculadas no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, edição de 15 de maio de 2002, foram acostadas em forma de reprodução reprográfica autêntica e forma apresentadas com os documentos de habilitação as cópias autênticas dos documentos de identificação (cédula de identidade e inscrição no cadastro de pessoas físicas do Ministério da Fazenda – Secretaria da Receita Federal) do Sr. Sérgio Gomes Vasconcellos.

Pela empresa HELENO & FONSECA, o Sr. José de Jesus Álvares da Fonseca, na qualidade de Diretor-Presidente e o Sr. Dante Pratti Favaro, na qualidade de Diretor Superintendente, ambos regularmente eleitos em atividade assemblear da sociedade Heleno & Fonseca Construtécnica S/A e com os respectivos poderes apontados em Estatutos Sociais.

Pela empresa SANTA BÁRBARA, o Sr. Marcelo Dias, como Diretor Presidente e o Sr. Augusto Gonçalves de Paula, como Diretor, igualmente eleitos em assembléia e igualmente com detenção de poderes de representação da sociedade Santa Bárbara Engenharia S/A de acordo com o teor dos seus Estatutos Sociais.

A Lei nº 6.404/76 determina em seu art. 279 que o consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens ativo permanente. Simples leitura dos Estatutos Sociais das empresas consorciadas demonstra que os representantes em questão possuem tal autoridade, podendo gerenciar, administrar e representar as sociedades ativa e permanente. O compromisso de consórcio está regular.

Mais. Referido compromisso de consórcio foi regularmente registrado em cartório de títulos e documentos na data de 21 de outubro de 2003, como se atesta pela chancela aposta em cada uma de suas páginas.

Mais ainda. Observando a disciplina estatuída pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, que consiste entidade à qual estão atribuídos os poderes legais de fiscalização do exercício da profissão de engenharia, o consórcio submeteu o compromisso de constituição do CREA do Estado de Goiás, que regularmente cadastrou para o fim de participar da concorrência promovida pela Infraero e certificou sua regularidade (Certidão nº 1266/2003 às fls. do acervo).

Finalmente, não bastasse tudo isso, a habilitação jurídica do consórcio também vem bem fixada em avaliação previamente produzida pela própria Infraero e consolidada no edital do certame. Com efeito, de acordo com a cláusula 5.5.6 do ato convocatório a demonstração de habilitação jurídica para os participantes isolados ou em consórcio será promovida mediante verificação em consulta on line ao sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores, pela própria Comissão de Licitação.

Trata-se de sistemática de cadastro instituída nos termos do art. 32 da Lei nº 8.666/93. Neste sentido, a regular inscrição no SICAF substitui a documentação atinente à comprovação de habilitação jurídica, inclusive aquela referente à representação da sociedade. Vez que sua apresentação se deu por ocasião do cadastramento e se encontra nos arquivos do ente licitante. Pois bem. As empresas consorciadas são detentoras de cadastro permanente perante o SICAF e estão em situação regular. Destarte, os poderes de representação em tela foram devidamente demonstrados antes mesmo da apresentação dos documentos de pré-qualificação.

Enfim, o documento sob exame, como apresentado pelo consórcio impugnante, se presta às finalidades delineadas no edital da pré-qualificação e atende ao quanto nele foi fixado para efeito de compromisso de participação em consórcio.

Fulminada em definitivo a alegação posta pelo recorrente.

Regularidade das demonstrações financeiras da consorciada SANTA BÁRBARA.

O consórcio recorrente também alega que as demonstrações financeiras oferecidas pela consorciada Santa Bárbara para comprovação de qualificação econômico-financeira seriam irregulares porque a sociedade não apresentou documento que demonstrasse que as peças forma aprovadas em Assembléia Geral Ordinária nos termos do art. 132, I, da Lei das Sociedades Anônimas.

Ora, com o devido respeito o recorrente tenciona ser mais realista que o rei. Arma-se de legislação para afirmar, sem mais, que nem essa nem aquela que o consórcio impugnante deve seguir os termos legais para poder exercer seu direito de participação no certame. A postura é esdrúxula.

É certo que as demonstrações financeiras de uma sociedade anônima devem ser apreciadas e aprovadas pelos administradores em assembléia geral ordinária, que devem ser objeto de publicidade e devem ser registradas na Junta Comercial, mas daí até concluir que isso não foi providenciado porque os documentos apresentados pelo consórcio impugnante não consta ata da aludida assembléia ou sua publicação deve preceder às demonstrações financeiras é um caminho muito extenso (a tese do recorrente não é compreensível; pela leitura das fls. 10 de suas razões recursais não é possível aferir se clama da ausência de ata de AGO aprovando as contas do exercício de 2002 ou se contesta a ordem no tempo em que se deram as publicações dos atos).

Em primeiro lugar, o edital da pré-qualificação não determinou a apresentação de referida ata. Pediu sim as demonstrações contábeis do último exercício já exigíveis na forma da lei (o que, aliás, é a dicção da Lei 8.666/93). Assim fez a sociedade Santa Bárbara. Trouxe cópia autêntica de publicação no Diário Oficial das demonstrações financeiras do exercício de 2002(Diário do Executivo, Legislativo e Publicação de Terceiros, edição de 26 de abril de 2003), devidamente vistas pela diretoria da sociedade, por contador responsável técnico regularmente identificado, por auditor signatário e com aposição de certificação |Comercial do Estado de Minas Gerais de registro na data de 9 de julho de 2003, sob nº 2961792, protocolo nº 037947419. Isso basta para atendimento das regras editalícias.

Mas aludidas demonstrações financeiras também foram devidamente aprovadas em Assembléia Geral Ordinária da sociedade, realizada na data de 30 de abril de 2003 e veiculada em publicação do Diário Oficial (Diário do Executivo, do Legislativo Publicação de Terceiros, edição de 10 de junho de 2003), que por sua vez foi igualmente levada a registro na Junta Comercial do Estado de Minas gerais em 2 de junho de 2003, sob nº 2947429, protocolo nº 037743538.

Todos os elementos legais foram atendidos à risca e foram apresentados com a documentação de pré-qualificação. Não se vislumbra qual a dificuldade imaginada pelo recorrente e não se identifica qualquer regra na Lei das Sociedades Anônimas pertinente ao tempo ou momento de veiculação na imprensa desses atos que socorra as alegações recursais.

Finalmente, com a análise e arquivamento no Registro do Comércio pela Junta Comercial do Estado de Minas Gerais pesa em favor da empresa Santa Bárbara presunção de legitimidade quanto à regularidade de suas demonstrações financeiras.”

ANÁLISE DA COMISSÃO DE LICITAÇÃO:

Nada de irregular foi verificada na documentação do Consórcio com relação a representação dos Diretores da empresa SANTA BÁRBARA que firmaram o Termo de Compromisso de Formação do Consórcio e da legitimidade do Balanço constante das fls. 846 dos Documentos de Pré-Qualificação.