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Re-união de defeitos osteocondrais com parafusos de

1. INTRODUÇÃO

1.5. Diagnóstico

1.6.2. Tratamento cirúrgico

1.6.2.4. Re-união de defeitos osteocondrais com parafusos de

Esta técnica está indicada na presença de defeitos osteocondrais que não estão sob tensão (Nixon et al., 2004), superiores a 2 cm de comprimento ao exame radiográfico, pouco mineralizados, com a superfície de lesão suave e não nodular ou fibrilhada e ligados à cartilagem articular envolvente em pelo menos 50 % da sua extensão. E o prognóstico tende a diminuir com o aumento do tamanho da lesão (Fortier & Nixon, 2005).

No respeitante ao prognóstico da OC em geral, é aceite que a mais frequente complicação é a doença articular degenerativa. A tendência para evolução neste sentido está, em boa parte, relacionada com o tipo de articulação lesionada e o grau de lesão na superfície articular. Quando este é grave, é provável o culminar em doença articular degenerativa crónica (van Weeren, 2006c).

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2. OBJETIVOS

O presente trabalho tem como objetivos:

- Estudo retrospetivo da avaliação radiográfica da OC(D) numa população de cavalos de um hospital de medicina e cirurgia de equinos português;

- Obter dados epidemiológicos da população e do estado da espécie equina em Portugal quanto à OC(D), nomeadamente no que refere à prevalência, distribuição por articulação, locais de predileção, tipo e lateralidade das lesões, bem como ao género e idade dos animais afetados.

29 3. MATERIAIS E MÉTODOS

3.1. População

A população deste estudo é constituída por 64 animais, avaliados em exame de compra ou suspeitos de apresentarem lesões, submetidos a avaliação radiográfica no Hospital Veterinário Medicina e Cirurgia de Equinos em Santo Estevão, na região do Ribatejo, em Portugal, até 2015 inclusive, animais e cujos dados radiográficos estavam disponíveis.

Foram admitidos para o estudo os cavalos sujeitos a exame radiográfico de, no mínimo, 6 articulações (2 MCF, 2 MTF e 2 TC) e 8 projeções:

- Lateromedial (LM) para as articulações MCF e MTF;

- LM e Dorso45ºlateral-plantaromedial oblíqua (D45ºL-PlMObl) para a articulação TC. Sempre que possível e justificável, foi, também, avaliada a articulação FP, utilizando a projeção lateromedial.

As lesões foram consideradas positivas para a OC(D) apenas quando presentes em locais de predileção.

Foi adotado o sistema espanhol de classificação para a PRE (Novales et al., 2008), no qual todas as lesões são classificadas de grau 0 a 3: grau 0 (negativo), referente a contorno ósseo redondo; grau 1 (leve) corresponde a lesões suaves de aplanamento; grau 2 (moderado) para lesões irregulares ou edentação e grau 3 (grave) identificando lesões no osso subcondral e com presença de fragmentos.

As imagens foram recolhidas com recurso a um raio-x digital “Fujifilm cr Prima”.

3.2. Dados da amostra

Para cada animal com diagnóstico positivo de OC(D) foram recolhidos os seguintes dados:

- Articulação(ões) afetada(s); - Local(ais) de predileção da lesão; - Género;

- Idade;

- Grau de lesão;

30 3.3. Análise estatística

Foram calculadas as médias aritméticas e os desvios padrão da idade para a população afetada e para cada articulação.

31 4. RESULTADOS

O presente trabalho inclui o registo radiográfico de 64 equinos, dos quais 12 (18,75%) foram positivos a OC(D), tal como evidenciado na Tabela 1.

Tabela 1 - Prevalência de OC(D) na população

Doença Positivos Negativos

OC(D) 12/64 (18,75%) 52/64 (81,25%)

Foi considerado positivo para OC(D) qualquer animal com pelo menos uma lesão, sendo positivos para a OC os animais com pelo menos uma lesão grau 1 ou 2 e positivos para OCD os animais com pelo menos uma lesão grau 3.

Da totalidade dos animais, 7 deles (10,94%) apresentaram lesões de OC e 5 (7,81%) apresentaram lesões de OCD (Tabela 2).

Tabela 2 - Prevalência de OC e OCD na população total e valor absoluto e percentual de animais com OC e OCD na população afetada

Doença Prevalência na população total Casos de OC e OCD na população afetada OC 7/64 (10,94%) 7/12 (58,33%) OCD 5/64 (7,81%) 5/12 (41,67%)

Apenas foi registado o género dos animais com lesões de OC(D), sendo todos machos (100%).

O registo de idade na população afetada apenas foi realizado em 9 dos 12 animais com lesões de OC(D), pelo que todas as referência a idade/médias de idade têm como base apenas este universo (Tabela 3).

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Tabela 3 - Registo das idades dos animais com lesões de OC(D) na população afetada e por articulação e respetivas médias de idades

DP - Desvio padrão

A média de idade dos animais afetados pela doença foi 5,06±2,3 anos. Os animais afetados na articulação MCF apresentaram idades compreendidas entre 2-9,25 anos (média de idades de 5,46±2,8 anos). Os animais afetados na articulação TC apresentaram idades compreendidas entre 3,92-4,42 anos (média de idades de 4,17±0,35 anos). Na articulação FP foi registada a idade de um dos casos, com 4,42 anos.

Quanto à distribuição dos 12 casos com lesões de OC(D) pelas respetivas articulações, verificaram-se os seguintes resultados: 8 animais apresentaram lesões na articulação MCF, 2 na articulação TC e 2 na articulação FP. Não foi verificada nenhuma lesão na articulação MTF.

Na tabela 4 são apresentadas as prevalências de OC(D) por articulação na população total e a distribuição, por articulação, nos animais afetados.

Casos Idade (anos) Articulação Média±DP (anos)

1 8,33 MCF 5,46±2,8 2 4,33 MCF 3 3,66 MCF 4 5,17 MCF 5 2,00 MCF 6 9,25 MCF 7 3,92 TC 4,17±0,35 8 4,42 TC 9 4,42 FP 4,42 Média de 5,06±2,3 Idades

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Tabela 4 - Prevalência de OC(D), por articulação, na população total e distribuição, por articulação, nos animais afetados

Articulação Prevalência por

articulação na população total

Distribuição, por articulação, nos animais

afetados

Metacarpofalângica 8/64 (12,5%) 8/12 (66,67%)

Metatarsofalângica 0 0

Tarsocrural 2/64 (3,13%) 2/12 (16,67%)

Femuropatelar 2/64 (3,13%) 2/12 (16,67%)

Na articulação MCF, ocorreram um total de 10 lesões de OC(D), em 8 animais positivos, uma vez que dois deles apresentaram lesões bilaterais. Assim, verificou-se uma bilateralidade de 40%, em 4 das 10 lesões nesta articulação. Nas lesões bilaterais foi verificada simetria quanto ao local de predileção e gravidade da lesão. Não se verificou mais que uma lesão em qualquer das articulações afetadas e nenhum animal apresentou lesões em mais que um tipo de articulação.

Na articulação TC, verificou-se um total de 2 lesões, em animais diferentes. Assim, não se verificou bilateralidade em qualquer das lesões identificadas. Nestes 2 animais, não se verificaram lesões noutro tipo de articulação.

Na articulação FP, dos 2 animais que apresentaram lesões de OC(D), apenas um deles apresentou mais que uma lesão por articulação, em locais de predileção distintos. Neste caso concreto, o mesmo animal apresentou 2 lesões: uma na tróclea medial do fémur e outra na tróclea lateral do fémur. Assim, foram registadas 3 lesões na articulação FP, em 2 animais. Nesta articulação não se verificou envolvimento de outro tipo de tipo de articulação em simultâneo.

Na tabela 5 é apresentada a distribuição das lesões pelas articulações em estudo. Tabela 5 - Distribuição das lesões pelas articulações

Articulações Distribuição das lesões pelas

articulações

MCF 10/15 (66,67%)

TC 2/15 (13,33%)

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Na Tabela 6 está apresentada a distribuição das lesões pelos locais de predileção de cada articulação e a distribuição percentual em que cada uma ocorre dentro da articulação. O local de predileção na articulação MCF foi a zona dorsal da crista sagital do McIII e na articulação TC o local de predileção foi a tróclea lateral do tálus. Na articulação FP verificou-se uma distribuição uniforme das lesões nas trócleas medial e lateral do fémur e na patela.

Tabela 6 - Número de lesões nos locais de predileção das diferentes articulações e respetiva percentagem na articulação

Articulação Local de predileção Número de lesões Percentagem de

afetados no local de predileção por

articulação Metacarpofalângica

(MCF)

Zona dorsal da crista sagital do McIII

10 100

Tarsocrural (TC) Tróclea lateral do tálus

2 100

Femuropatelar (FP) Tróclea medial do fémur 1 33,33 Tróclea lateral do fémur 1 33,33 Patela 1 33,33

Das 10 lesões observadas na articulação MCF, 50% (n=5) verificaram -se só no lado esquerdo do animal, 10% (n=1) só no lado direito e 40% (n=2+2) eram bilaterais (Gráfico1).

Gráfico 1 - Distribuição da lateralidade das lesões na articulação MCF

[VALOR](n=5)

[VALOR](n=1)

[VALOR](n=2+2)

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Quanto às 2 lesões verificadas na articulação TC, 50% (n=1) foram no lado direito e 50% (n=1) no lado esquerdo (Gráfico 2).

Gráfico 2 - Distribuição da lateralidade das lesões na articulação TC

Todas as lesões na articulação FP (n=3) foram observadas no lado direito.

Sendo assim, no total das 15 lesões, 33,33% (n=5) ocorreram no lado direito, 40% (n=6) no lado esquerdo e 26,67% (n=2+2) foram bilaterais, conforme apresentado no Gráfico 3.

Gráfico 3 - Distribuição da lateralidade das lesões na população afetada

[VALOR](n=1) [VALOR](n=1) Direito Esquerdo Bilateral Esquerdo Direito [VALOR](n=2+2) [VALOR](n=6) [VALOR](n=5)

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Todas as lesões bilaterais ocorreram na articulação MCF e foram simétricas quanto ao local de predileção e ao grau de lesão.

Na tabela 7 é apresentada a distribuição das lesões, por grau, nas diferentes articulações estudadas.

Tabela 7 - Número de lesões nas diferentes articulações e respetivos graus de lesão

Articulação Grau 1 Grau 2 Grau 3 Nº total

Metacarpofalângica 2 6 2 10

Tarsocrural 1 0 1 2

Femoropatelar 0 0 3 3

Total 3 6 6 15

Nos Gráficos 4, 5 e 6 são apresentadas as distribuições percentuais e absolutas das lesões, por grau, nas articulações MCF e TC e na população afetada, respetivamente.

Gráfico 4 - Distribuição das lesões, por grau, na articulação MCF Grau 3 Grau 2 Grau 1 [VALOR](n=2) [VALOR](n=6) [VALOR](n=2)

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Gráfico 5 - Distribuição das lesões, por grau, na articulação TC

Na articulação FP todas as lesões foram de grau 3.

Gráfico 6 - Distribuição das lesões, por grau, na população afetada

Na tabela 8 é apresentada a análise à gravidade/tipologia da lesão segundo a sua lateralidade.

Tabela 8 - Distribuição percentual das lesões, por grau de lesão, em cada lado do animal

Lado Grau 1 Grau 2 Grau 3

Esquerdo (n=8) 12,5% (n=1) 50% (n=4) 37,5% (n=3) Direito (n=7) 28,57% (n=2) 28,57% (n=2) 42,86% (n=3)

Nota 1: As 4 lesões bilaterais foram distribuídas pelos lado direito e esquerdo, 2 em cada um dos

lados. Nota 2: A totalidade de lesões no lado esquerdo foram 6. Adicionando as 2 lesões, dos casos de bilateralidade, obtem-se um total de 8 lesões.

Grau 3 Grau 1 [VALOR](n=1) [VALOR](n=1) Grau 3 Grau 2 Grau 1 [VALOR](n=6) [VALOR](n=6) [VALOR](n=3)

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Nota 3: A totalidade de lesões no lado direito foram 5. Adicionando as 2 lesões, dos casos de

40 5. DISCUSSÃO

Este estudo retrospetivo foi realizado com base nos dados radiográficos de um hospital veterinário em território nacional, no Ribatejo. Embora não tenham sido registadas as raças dos animais, a casuística da clínica era essencialmente constituída por animais PSL e cruzados, pelo que a comparação com resultados de estudos na raça PSL será a mais realista. No entanto, dada a disponibilidade reduzida de estudos, nesta raça, que abranjam todas as articulações incluídas no presente trabalho, a comparação possível, nalguns casos, será apenas parcial.

A população deste estudo, constituída por 64 equinos, apresentou uma prevalência de OC(D) de 18,75% e, especificamente, a prevalência de OC foi de 10,94% e a de OCD foi de 7,81%.

Em termos de ordem de grandeza, embora estes valores gerais aparentem estar em linha com os disponíveis noutros estudos referentes à raça PSL - nomeadamente os de Bernardes (2008), Bergamaschi e coautores (2009), Baccarin e coautores (2012) - não é possível uma comparação direta com os valores por eles obtidos, porquanto não foi avaliado o mesmo conjunto de articulações. No entanto, poder-se-ão inferir algumas ilações. Bernardes (2008) avaliou uma população de 50 garanhões, não incluindo a articulação FP no seu estudo. Ainda assim, obteve uma prevalência de 16%. No presente estudo, excluindo a prevalência referente às lesões identificadas na articulação FP (3,13%), obter-se-ia um valor de prevalência de 15,62%, muito próximo do obtido por Bernardes (2008). Bergamaschi (2009) e Baccarin e coautores (2012) estudaram populações de, respetivamente, 37 e 38 cavalos PSL. Avaliaram apenas as articulações TC e FP e ambos concluíram um valor de prevalência de 16,2%, bastante superior ao obtido no presente estudo para as mesmas articulações (6,26%). Já Rasquilha (2015), avaliando uma população com 150 animais PSL de ambos os géneros, apenas para a articulação TC, determinou uma prevalência de 4,7%, próxima do valor de 3,13% encontrado no presente estudo para essa articulação.

Ainda para esta raça, surgem, também, estudos - que incluiram todas as articulações também abrangidas pelo presente trabalho - com valores diversos dos atrás referidos, nomeadamente os de Silva (2010), com 31,6% e de Teixeira (2009), com 74,3%.

Especialmente no estudo de Teixeira (2009), os valores de prevalência encontrados são manifestamente superiores aos do presente trabalho. Analisando as populações envolvidas em cada um dos estudos, conclui-se que esta divergência poderá estar relacinada com o facto de, no estudo de Teixeira, a amostra – com apenas 36 animais -

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incluír apenas garanhões e todos de raça pura PSL. Já no presente estudo foi utilizado uma população mais abrangente, envolvendo animais PSL e cruzados.

Embora bastante inferiores aos de Teixeira (2009), também os valores de prevalência encontrados por Silva (2010) foram superiores aos identificados neste trabalho. Desta vez, as diferenças encontradas poderão assentar na dimensão da amostra (95 vs 64 animais) e no facto de esta incluir, novamente, apenas animais de raça pura PSL.

De uma forma geral, nas outras raças, encontra-se uma grande amplitude de valores de prevalência de OC(D), que podem variar entre 13-74,3% segundo van Weeren (2006c) e 5-20% segundo Novales (2007). Analisando as mesmas 4 articulações abrangidas no presente estudo, Christmann (2004) obteve uma prevalência OC de 30% num universo de 40 cavalos hanoverianos. Já van Grevenhof e coautores (2009b) concluíram uma prevalência de 69,5% em 81 cavalos Dutch Warmblood e Vos (2008) determinou uma prevalência de OC(D) de 40,5% numa população de 1.231 cavalos da mesma raça.

No presente estudo, a articulação mais atingida pela doença foi a MCF, que se apresentou afetada em 66,67% dos animais com lesões de OC(D). As articulações TC e FP, revelaram-se igualmente afetadas, representando, cada uma delas, 16,67% dos animais com lesões de OC(D). Por último, não foi identificada nenhuma lesão na articulação MTF. Esta preponderância das lesões na articulação MCF confirma-se noutros estudos realizados em cavalos PSL, tendo sido, também, verificada por Teixeira (2009) e Silva (2010). O equilíbrio biomecânico do cavalo, com a proximidade do centro de gravidade aos membros anteriores é uma possível justificação para a maior prevalência da articulação MCF. Relativamente às outras raças, são variados os estudos com uma maior prevalência, ora na articulação MCF (Wittwer et al., 2006), ora na articulação TC (Vos, 2008), quando comparadas com as restantes articulações. Por sua vez, van Grevenhof e coautores (2009b), em estudo de cavalos holandeses, concluíram ser na articulação FP onde se verifica a maior prevalência de OC(D). Em contrariedade com o verificado neste trabalho, alguns estudos apontam uma prevalência da doença na articulação MTF superior à aqui encontrada, quer na raça PSL (Bernardes, 2008; Teixeira, 2009), quer noutras raças (van Grevenhof et al., 2009b; Wittwer et al., 2006). Nalguns outros estudos, esta articulação aparece mais afetada que a articulação MCF (Vos, 2008).

As diferenças nas populações dos estudos disponíveis, nomeadamente na sua dimensão, raça, articulações e locais de predileção avaliados , bem como as variadas metodologias de trabalho podem justificar a ampla gama de valores de prevalência. A predisposição genética das diversas raças, bem como a exposição a maneios reprodutivo e alimentar e a regimes de exercicio e de estabulação distintos poderão ser fatores contributivos para a disparidade por vezes verificada.

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Neste estudo, a média de idades dos animais afetados (dos 9 cuja idade foi recolhida) foi de 5,06 anos. Estes valores estão em sintonia com outros estudos na raça PSL, com diferenças ténues. Na dissertação de mestrado de Rasquilha (2015), foi registada a média de idades de 6,54 anos. Silva (2010) relatou a média de 5,9 anos e, no estudo de Bernardes (2008), 62,5% dos animais tinham idades inferiores a 10 anos. No presente trabalho, a média de idade dos animais com lesão na articulação MCF foi 5,46 anos, em concordância com Wittwer e coautores (2006), que referem que os animais com lesões nesta articulação têm 1 ou mais anos de idade. Na articulação TC, foi encontrada uma média de idades de 4,17 anos, à semelhança do valor médio de 4,2 verificado por Joglar (2011) para esta articulação e é um valor enquadrado no intervalo de idades de 1-14 anos encontrado por McIlwraith e coautores (1991). Na articulação FP, a média de idades encontrada foi de 4,42 anos, em linha com o valore de 5,4 anos encontrado por Joglar (2011). Dado que foi registada a idade de apenas 9 animais e que 6 destes correspondem a casos afetados na articulação MCF, justifica-se a proximidade dos valores das médias de idades geral dos animais com OC(D) e dos afetados nesta articulação. Mais, o reduzido número de registo de idades impede uma comparação exata e realista com outros estudos de maior amostragem. Sobre esta matéria, Vos (2008) defende qua a idade não tem influência significativa na prevalência da OC(D).

Em suma, é difícil e errónea a tentativa de determinar a epidemiologia versus idade dos animais afetados nas diferentes articulações. Aparentemente, as médias de idade apontadas na generalidade dos estudos refletem, essencialmente, as médias de idades das diferentes populações aquando dos exames de diagnóstico nos quais as lesões foram detetadas. Assim, não é determinada a idade em que estas se formaram, uma vez que os exames de diagnóstico acontecem, normalmente, em idades posteriores ao “ponto de não retorno”, não identificando lesões precoces. Adicionalmente, a heterogeneidade das populações envolvidas, no que se refere à sua dimensão e idade, poderá contribuir para a dispersão de resultados.

Quanto ao género dos animais afetados pela doença, neste estudo, 100% eram machos. Tal está em concordância com os resultados apresentados por Rasquilha (2015) e Silva (2010), que verificaram a preponderância da doença em cavalos PSL do género masculino (respetivamente 86% e 93%).

São vários os estudos na literatura com conclusões divergentes acerca da influência do género na prevalência da doença. Por um lado, numerosos estudos (Mohammed, 1990 citado em Stock et al., 2006; Philipsson et al., 1993; Strömberg, 1979; Strömberg & Rejnö, 1978; Lindsell et al., 1983) indicam o sexo masculino como o mais suscetível à doença. Num trabalho de Jeffcott (1991), justificam-se estes resultados com o efeito hormonal, a maior

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taxa de crescimento e o maior tamanho corporal dos machos. No entanto, os valores que, em absoluto, parecem indicar uma preponderância da doença bem maior em machos que em fêmeas, não deverão ser tomados isoladamente. Deverão, antes, ser analisados tendo em conta a realidade dos mercados de comercialização, normalmente com maior preferência pela aquisição de machos e a tendência, nomeadamente em Portugal, de utilizar as fêmeas primordialmente na reprodução. Em consequência, será natural que em termos percentuais, o universo de machos sujeitos a exames em ato de com pra seja superior aos de fêmeas. Por outro lado, um estudo de Wittwer e colegas (2007) verificou uma maior prevalência da doença em fêmeas. Ocorrem, ainda, vários estudos que afirmam a irrelevância do sexo na incidência da doença (Grøndahl, 1991; van Weeren et al., 1999c; Stock et al., 2006; Novales, 2007; Vos, 2008).

Esta diversidade de conclusões pelos diversos autores poderá ter como origem a heterogeneidade das populações e da proporção de géneros. A preponderância de um género em relação ao outro poderá ter origem genética, fator etiológico complexo, de difícil quantificação e determinação.

No que respeita à lateralidade das lesões, existe, também, alguma controvérsia. Neste trabalho, verificou-se uma preponderância do lado esquerdo, onde se verificaram 40% das lesões identificadas. Apenas 33,33% das lesões se verificaram do lado direito. Apesar de o lado direito e esquerdo não serem afetados exatamente de forma igual, estes valores aproximam-se dos obtidos por Silva (2010), em estudo de cavalos PSL, que verificou que o lado esquerdo e o direito eram igualmente afetados. É possível que o reduzido universo de animais estudados e o facto do presente estudo incluir também, na amostra, cavalos cruzados, justifiquem estas diferenças.

No presente trabalho foi verificada bilateralidade em 26,67% das lesões. Este valor enquadra-se no intervalo de valores identificado por Watkins (1992), que aponta um caráter bilateral das lesões na ordem dos 20%-67%. Valores de 50% foram ainda encontrados por (Hoppe, 1984; Sandgren, 1988; Alvarado et al., 1989; Grøndhal, 1991; Jørgensen et al., 1997). O índice de bilateralidade encontrado no presente trabalho, situado no nível inferior dos valores de referência acima citados, poderá, novamente, ter origem na reduzida dimensão da amostra e, ainda, no facto de os estudos englobarem raças diferentes.

No que diz respeito a cada uma das articulações, na articulação MCF, neste trabalho foi encontrada bilateralidade em 40% das lesões, que afetaram 25% dos 8 animais afetados nesta articulação. Nos seus estudos, Bernardes (2008) e Teixeira (2009) encontraram valores similares, sendo que respetivamente 33,3% e 16,67% dos animais positivos apresentaram bilateralidade.

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Quanto à articulação TC, surge alguma controvérsia em relação à lateralidade das lesões. O lado direito e esquerdo parecem igualmente afetados e com tendência para unilateralidade das lesões (McIlwraith et al., 1991), tal como verificado no presente estudo. No entanto, alguns trabalhos apontam um elevado índice de bilateralidade das lesões nesta articulação: 41,3% (Strömberg & Rejnö, 1978), 45% (Grøndhal, 1991; Vos, 2008; Brink et al., 2010), 50% (Hoppe, 1984; Alvarado et al., 1989; Jørgensen et al., 1997). Na sua dissertação de Mestrado, Bernardes (2008) verificou que 66,7% das lesões tinham caráter bilateral. O número reduzido de animais afetados nesta articulação poderá justificar as diferenças encontradas.

Na articulação FP, parece predominar a apresentação bilateral (Rejnö & Strömberg,

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