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Reacção de glicosilação de 47 utilizando 40 como dador de glicosilo

Após dois dias de reacção, a mistura reaccional foi separada por cromatografia em placa preparativa, usando como eluente AcOEt/CyH 1:2, tendo sido isolado 2,3,4,6-tetra-O- acetil-β-D-glucopiranósido de fenilo (2) com rendimento de 15,1%. O correspondente anómero α foi obtido com contaminações por parte do fenol, em 2,5% de rendimento (Tabela 2). As suas estruturas foram confirmadas através das técnicas espectroscópicas de 1H-RMN e 13

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1 os sinais necessários à validação da sua estrutura e estereoquímica.§ Observando o espectro de HMQC do composto 1 verificou-se a correlação de uma ressonância de um átomo de carbono a δ 93.9 com um dubleto a δ 5.74, de constante de acoplamento J1,2 = 3.75 Hz, no espectro de 1H-RMN. Estes sinais foram atribuídos a C-1 e H-1 do α-O-glicósido 1, pois são característicos deste tipo de compostos. No espectro de correlação equivalente do composto 2 comprovou-se a existência do correspondente anómero β através da correlação do sinal de um átomo de carbono a δ 98.9 com um dubleto a δ 5.09 com constante de acoplamento J1,2 = 7.73 Hz. Os sinais dos restantes protões foram identificados através de experiências de 1H-1H COSY e os seus desvios químicos correlacionados com os dos respectivos átomos de carbono através de experiências de HMQC. O facto das constantes de acoplamento J2,3, J3,4 e J4,5 serem iguais entre si e na ordem dos 9 - 10 Hz revela que os protões da unidade sacarídica dos compostos 1 e 2 se encontram em posição trans-diaxial, o que indica uma conformação em cadeira 4C1.

Comparando os espectros de ambas as estruturas é visível um maior desvio químico do protão H-5 no anómero α do que no anómero β, observando-se uma relação inversa no desvio químico do átomo de carbono a ele ligado. Analisando a zona compreendida entre os desvios químicos δ 8.00 e δ 6.60 do espectro de 1H-RMN do composto 1 verifica-se que a amostra se apresenta contaminada, o que tornou mais complicada a atribuição dos sinais da parte aromática de 1. Foi possível, no entanto, verificar que o tripleto duplo a δ 7.31 é relativo aos protões H-3’ e H-5’ por correlação HMBC com o sinal de C-1’, o único átomo de carbono quaternário da molécula. A análise do 1H-1H COSY permitiu confirmar que o multipleto a δ 7.09 integra os restantes protões aromáticos.

No espectro de 1H-RMN do composto 2 os sinais dos protões aromáticos 2’,6’ e 3’,5’ surgem em pares equivalentes, isto é, H-2’ e H-6’ apresentam-se como um dubleto e H-3’ e H- 5’ como um tripleto. O sinal de H-4’ surge isolado na forma de um tripleto. Os desvios químicos das ressonâncias dos átomos de carbono a eles ligados apresentam a seguinte ordem: C-2’, C-6’ < C-3’, C-5’ < C-4’. Providenciar

Por c.c.f. verificou-se a existência de uma mancha com Rf = 0,27 (AcOEt / CyH 1:1) a qual não foi isolada nesta primeira reacção, pois o objectivo centrava-se na obtenção de O- glicósidos. No entanto, com o desenvolvimento do trabalho experimental, foi possível concluir que esta mancha inclui a mistura anomérica de 2,3,4,6-tetra-O-acetil-D-glucopiranose (compostos 38 e 39), produtos resultantes de uma hidrólise, já descritos na literatura.64

§

Para conferir uma maior facilidade de leitura, os valores dos desvios químicos dos protões e átomos de carbono, assim como os das constantes de acoplamento, são apresentados com “.” em vez de “,” a separar as unidades das décimas.

24 Tabela 1 Dados dos espectros de 1H-RMN e 13C-RMN dos compostos 1 e 2 fulcrais para a sua identificação (Anexos I e II) Composto 1 < Anexo I > CDCl3 H-1 H-2 H-3 H-5 δδδδ /ppm 5.74 5.05 5.71 4.14 Multiplicidade d dd t ddd Me, Ac H-2’, H-4’, H-6’ H-3’, H-5’ δδδδ /ppm 2.07, 2.06, 2.05, 2.05 7.11 – 7.07 7.31 Multiplicidade s m td J /Hz J1,2 = 3.75, J2,3 = J3,4 = J4,5 = 10.34 C-1 C-2 C-3 C-5 δδδδ /ppm 94.2 70.5 70.1 68.0 Composto 2 < Anexo II > CDCl3 H-1 H-2, H-3 H-5 Me, Ac δδδδ /ppm 5.09 5.34 – 5.24 3.87 2.08, 2.07, 2.05, 2.04 Multiplicidade d m ddd s H-2’, H-6’ H-3’, H-5’ H-4’ δδδδ /ppm 6.99 7.30 7.08 Multiplicidade d t t J /Hz J1,2 = 7.73, J3,4 = J4,5 = 9.77 C-1 C-2 C-3 C-5 δδδδ /ppm 99.1 72.0 72.8 71.2

Fazendo subir a temperatura de reacção para os 85 oC, alterando o solvente de diclorometano para dicloroetano, também seco, ocorreu um aumento do rendimento dos compostos 1 e 2 para 4,3% e 23,4%, respectivamente (Tabela 2). Não obstante, formaram-se maioritariamente os produtos de hidrólise 38 e 39 numa proporção α/β de 1,0:3,9, com um rendimento de 69%.

Com o objectivo de aumentar o rendimento de glicosilação e diminuir a taxa de hidrólise foi adoptado o procedimento descrito por Aich e Loganathan,14 no qual o solvente orgânico foi substituído por um excesso de fenol fundido, com algumas modificações. De forma a criar um meio líquido aumentou-se para 8,0 equivalentes a razão de fenol relativamente ao açúcar de partida.

Fazendo reagir o fenol (47), cujo ponto de fusão é 40 oC, com 40 durante 16 h a uma temperatura de 60 oC foram apenas isolados os O-glicósidos 1 e 2 em 7,0% e 32,7% de rendimento, respectivamente (Tabela 2). No entanto, através das c.c.f. realizadas verificou-se de novo a ocorrência de produtos de hidrólise. De notar que a ausência de solvente contribui para uma melhoria significativa dos resultados finais, provavelmente devido a uma maior facilidade de acesso dos reagentes aos centros ácidos do zeólito.

25 Tabela 2 Rendimentos dos produtos 1 e 2 nas diferentes reacções de glicosilação de 47 com 40

Açúcar Fenol Produtos da reacção

Rendimento /% T = 40 oC tr = 48 h T = 85 oC tr = 12 d T = 60 oC tr = 16 h 40 47 1 2,5 4,3 7,0 2 15,1 23,4 32,7 2.1.1.2GLICOSILAÇÃO DO CATECOL

Utilizando estas condições na ausência de solvente fez-se reagir o catecol (pf = 105 o

C) com o açúcar de partida 40, tendo-se verificado por c.c.f. que este era consumido prontamente, e que havia formação imediata de produtos, embora as manchas no cromatograma tivessem um aspecto ténue, sugerindo a presença dos compostos em pequena quantidade. A reacção foi levada a cabo durante 5 h a 130 oC tendo-se isolado, através de cromatografia em coluna de sílica gel usando o eluente AcOEt/CyH 1:3, os O-glicósidos 3 e 4 como mistura anomérica em proporção α/β de 1,0:2,0, com um rendimento total de 30,6% Foram também obtidos os O-glicósidos 21 e 22, os quais possuem a posição 2 do anel piranosídico desacetilada, numa proporção α/β de 1,8:1,0, em 27,9% de rendimento (Esquema

6, Tabela 4). A sua elucidação estrutural foi também conseguida por RMN (Tabela 3, Anexos III e IV).