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A Receção e Críticas do Livro “The Elements of Drawing”

3. Os Elementos do Desenho (The Elements of Drawing) (1857)

3.4. A Receção e Críticas do Livro “The Elements of Drawing”

O público da época recebeu “The Elements of Drawing” com grande positivismo.

Segundo a introdução de E.T. Cook & Wedderburn145, durante trinta anos, Ruskin permitiu que o livro continuasse a ser produzido (1857–1861, 1892–1904). As razões para a sua popularidade não deixam dúvidas - continha um método original e tratou de um assunto técnico com rara simplicidade de argumentação; esclareceu os detalhes com várias referências aos primeiros princípios e foi escrito com um estilo agradável e elegante. As primeiras avaliações do livro vieram do “The Morning Post” a vinte e cinco de dezembro de 1857, com notas muito positivas acerca do método de ensino implementado no livro de Ruskin.146

Esse método, tanto adotado no livro em estudo como nas aulas de Ruskin no Working Men’s College, sempre foi incompreendido.147 O livro segue em grande parte o sistema conforme aprendido pelo autor no College, com certas modificações como a ausência de um mestre. A incompreensão do sistema aparece muito claramente numa crítica de William Bell Scott (1811 - 1890), ao qual Ruskin respondeu que o livro destina-se aos ensinamentos elementares do dedestina-senho e não substitui quaisquer outras sugestões.148

145 E.T. Cook & Wedderburn, introdução ao Volume XV, páginas 17 - 18

146 Idem - “If all class books were written in the same lucid and harmonious language, and with the same happy combination of the useful and agreeable, as may be found in this fascinating volume, the road to learning would be smoother and more picturesque, and there would be a far greater number of travellers than at present. It is not merely to their intellect and judgment that Mr. Ruskin addresses himself in attempting to convey information to his readers; he appeals also to their fancy and affections. He speaks to them in a gentle and endearing tone, as if he had an earnest desire to serve them; and he gives his advice in language at once so persuasive and so imaginative, that the student is charmed into wisdom.”

147 idem, páginas 19 - 20

148 idem, “A review of: “The Elements of Drawing”: Ruskin and William Bell Scott; To the editor of the Pall Mall Gazette”, páginas 491 – 492 - “The honestest man in writing a review is apt sometimes to give obscure statements of facts which ought to have been clearly stated to make the review entirely fair. Permit me to state in very few words those which I think the review in question does not clearly represent. My Elements of Drawing were out of print, and sometimes asked for; I wished to rewrite them, but had not time, and knew that my friend and pupil, Mr. Tyrwhitt, was better acquainted than I myself with some processes of water-colour sketching, and was perfectly acquainted with and heartily acceptant of the principles which I have taught to be essential in all art. I knew he could write, and I therefore asked him to write, a book of his own to take the place of the Elements, and authorized him to make arrangements with my former publisher for my wood-blocks, mostly drawn on the wood by myself. The book is his own, not mine, else it would have been published as mine, not his. I have not read it all, and do not answer for it all. But when I wrote the Elements I believed conscientiously that book of mine to be the best then attainable by the public on the subject of elementary drawing. I think Mr. Tyrwhitt‘s a better book, know it to be a more interesting one, and believe it to be, in like manner, the best now attainable by the British public on elementary practice of art.”

53 Scott foi mestre na Government School of Design em Newcastle, e depois foi um examinador nas escolas de arte de South Kensington. Ele era, portanto, intimamente ligado ao sistema de ensino, seguindo o sistema das escolas do governo. Este sistema era considerado fraco em alguns aspetos por Ruskin. Ele considerou que davam muito pouca atenção às formas dos objetos naturais e à delicadeza do manuseio dos materiais de desenho e, além disso, o fim que esse ensino propunha era errado. Isto confundia a arte aplicada à manufatura com a manufatura em si mesma, pois propunha que houvesse um ensinamento das artes semelhante ao ensinamento das matemáticas o que, posteriormente, os alunos de design tinham dificuldades a projetar de forma rápida os seus projetos.

Ruskin referiu brevemente esse assunto no prefácio do livro em estudo, anteriormente referido, e que o tema também esteve presente nas suas palestras públicas na altura.149

As aulas de Ruskin no Working Men’s College e o seu livro pertenceram a um protesto prático contra certas fases e ideias no ensino da altura. Mas não foram concebidos como um substituto completo para todos os outros métodos ou meios de ensino. Na universidade, Ruskin deu apenas aulas de paisagem, deixando as aulas de modelo para Rossetti. Ruskin não desejou nem tentou fazer artistas ou designers profissionais. As críticas de Scott caíram longe do alvo e mal interpretaram estes factos. Scott reclamou que os alunos que estudaram sob o sistema de Ruskin no instituto não obtiveram a mesma facilidade em projetar os seus projetos para os fabricantes que outros alunos noutros sistemas. A resposta foi que Ruskin nunca prometeu que os leitores tivessem qualquer proficiência. “Os meus esforços são direcionados, não para fazer de um carpinteiro um artista, mas para o tornar mais feliz como carpinteiro. ”150, disse o Ruskin sucintamente numa Comissão Real em 1857.

Scott reclamou, novamente, que o sistema de Ruskin não incluía nenhum desenho da antiguidade; que “pegar numa caneta de aparo” não era educação suficiente em desenho e que a adesão aos exercícios de Ruskin nunca fizeram um artista e que nunca poderiam fazer um. Ruskin nunca disse ou supôs que sim: “Na verdade, ele sempre encorajou os jovens que pretendessem estudar arte como profissão para entrar nas Academias, como Turner e os Pré-Rafaelitas fizeram.”151 O seu objetivo não era instruir artistas profissionais, era mostrar como o livro em estudo pode ser considerado um factor na educação geral. O que ele alegou para o seu sistema foi calculado para ensinar o refinamento da perceção, para treinar o olho na observação de perto da natureza bela e a delicadeza dos gestos na sua manipulação e assim fazer os seus alunos entenderem o que significa o trabalho magistral e para o reconhecer quando o virem. O próprio Ruskin, como um dos seus alunos retratou, nem sempre atribuiu suprema importância para os métodos particulares que ele primeiramente sugeriu. Na sua profissão, a sua personalidade e genialidade foram da maior importância do que o seu método e isso é visível tanto no livro de Ruskin como no seu ensino oral.152

149 idem, introdução ao Volume XV, página 20

150 E.T. Cook & Wedderburn, Vol. XIII. página 553

151 Collingwood, W. G. - “The Life and Work of John Ruskin” (1900), página 154

152 E.T. Cook & Wedderburn, introdução ao Volume XV - John Ruskin: by a Former Pupil‖

(Westminster Gazette, January 23, 1900), páginas 21 e 22 - “―We were not most strongly impressed (writes the pupil in question) by his influence when he was obviously teaching us; and

54 Foi com ceticismo que E.T. Cook & Wedderburn olharam para as palavras do artigo que diziam que Ruskin tinha concluído que os exercícios do livro estavam todos errados. Ou se Ruskin assim o disse, ele falou com tons exagerados, de autodepreciação, que às vezes marcavam as suas conversas. Mas ao dizer que The Elements of Drawing

“não estavam completos”, ele disse o que nunca teria negado. A forma com que deitou o seu trabalho e o método adotado no seu ensino foram, em grande medida, condicionados pelas circunstâncias e pela época. O professor desejava, de forma prática, protestar contra certas tendências no ensino de desenho. Ele encorajou a proximidade de observação ao invés de uma mera facilidade de gestos ou de habilidades na mão. E para corrigir a atenção prestada em objetos naturais, fê-lo com rigor nas linhas e na observação em vez de moldes ou “linhas absurdas”.

A última edição na forma original foi em 1861 e não foi mais reimpresso até 1892.

Até a essa data, a atenção de Ruskin foi desviada de questões artísticas e foi amplamente absorvida pelos problemas económicos e sociais. O livro era ainda muitas vezes solicitado, mas o autor, como era frequente, tinha ficado insatisfeito com alguma medida do seu trabalho, em particular, ele tinha passado a atribuir muito mais importância ao delineamento como base da arte/disciplina do que lhe foi permitido no seu ensino no Working Men’s College ou no The Elements of Drawing.153 Quando Ruskin regressou ao universo das artes, o seu desejo era reescrever The Elements, mas não conseguiu encontrar tempo. Portanto, ele permitiu ao seu amigo Sr. John Tyrwhitt para usar as xilogravuras e incorporar como no livro da sua preferência “Our Sketching Club”. Foi nesta revisão (1875) que William Bell Scott fez a sua maior crítica, como acima descrito. Na altura, Ruskin começou a trabalhar na reformulação do livro em estudo parcialmente com a sua experiência como professor em Oxford, e em parte como um ramo do esquema de ensino geral que ele trabalhava para uma comunidade ideal, que ia ser estabelecida pelo St.

George’s Guild. Não chegou a acabar o livro que acompanhava o livro em estudo, The Laws of Fésole, que incluía cartas e experiências na Escola de Desenho que o autor fundou.

certainly we were least so when he was most theoretic. Indeed, he did not always remain constant to his own methods of teaching, nor to his own theories. Some years ago an amateur student by chance came across The Elements of Drawing, and set to work assiduously making little squares of hatched pen-and-ink lines, reducing them as far as possible to the evenness in tone of a square of grey cloth which Mr. Ruskin wished them to resemble. The student also copied outlines and traced the originals and fitted the two together, which is the second exercise ordained in that book. These exercises were shown to Mr. Ruskin, who was so delighted with them that he wished to teach the student himself. The student painted shells and other objects of still-life for Mr.

Ruskin, and Mr. Ruskin painted shells, etc., for the student, saying that not only could he not draw anything that was moving, but likewise nothing that had the power of moving—as it fussed and worried him too much to feel that at any moment it might begin to move. Alluding to these drawing lessons a few years later, he said to his pupil, <<They were all wrong. They were only one side of the matter. The Elements of Drawing are not complete, and therefore they are misguiding and wrong>>”

153 Ruskin, John “Fors Clavigera”, Letter 59, Vol. XXVII - XXIX

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4. Desenho de Modelo e Aplicação das Leis de Composição

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