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V. RPS, art. 238 a 246.

Freqüentemente nos deparamos no Edital do concurso com a estranha previsão dos “consectários legais”. Ora, o que seria isso? São as “conseqüências legais”, isto é, os valores de juros e multa cobrados em razão do recolhimento em atraso. Atualmente, não há correção monetária, que deixou de ser cobrada desde janeiro de 2005. A correção monetária visa, somente, a manutenção do valor frente à inflação, mantendo o poder de compra.

Pois bem, vamos aos juros!

Uma empresa ou segurado que deixam de recolher as contribuições devidas no prazo, além do descumprimento da lei, obtém uma vantagem financeira, pois ficam com um dinheiro que já deveria ter sido repassado ao Poder Público.

Isto é, tais pessoas têm uma vantagem financeira “às custas” do sistema previdenciário. Por isso, quando finalmente fazem o recolhimento, devem efetuá-lo com um valor maior, por causa da disponibilidade financeira maior que tiveram.

A idéia é similar ao indivíduo que vai pedir um dinheiro emprestado no Banco. Ora, como a pessoa remunera o Banco pelo empréstimo? Por meio de pagamento de juros, que são o mecanismo de remuneração de capital (você também,

quando deixa seu dinheiro aplicado em um Banco, ganha juros). Alguns doutrinadores insistem em fazer distinções entre juros moratórios, compensatórios ou ainda remuneratórios, mas, para nosso estudo, podemos ignorar esta distinção.

Basta você saber que os juros de mora são cobrados das empresas ou segurados em atraso, independente do motivo.

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Agora, vejam bem, como disse antes, as empresas ou segurados que recolhem em atraso também descumprem a lei e, por isso, sofrem uma sanção.

Como se sabe, toda vez que há um descumprimento de algum preceito legal, há, como conseqüência, uma sanção, uma punição imposta ao infrator. No caso de recolhimento em atraso, a sanção punitiva é de natureza pecuniária, isto é, uma multa.

Então vejam, a empresa ou segurado que recolhe em atraso, além de pagar juros de mora, pela vantagem financeira “às custas” da previdência social, também deve arcar com a multa de mora, por causa do descumprimento da lei, que determinava o recolhimento da contribuição em determinado tempo.

A expressão “de mora” resulta do fato do recolhimento do atraso das contribuições, em razão da “demora” do mesmo.

De acordo com a legislação, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pela Receita Previdenciária, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor devido, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.

Perceba que há previsão de cobrança de acréscimos legais em razão de pagamento de valores em atraso “incluídos ou não em notificação fiscal de lançamento”, ou seja, objeto ou não de lançamento de ofício. A idéia é que mesmo um

recolhimento espontâneo dará azo à cobrança de juros e multa. Como diz a lei, ambos têm caráter “irrelevável”, ou seja, deverão ser pagos em qualquer hipótese.

Naturalmente, tal interpretação deve ser flexibilizada em algumas hipóteses, em especial na situação de “consulta fiscal”, quando feita antes do vencimento do tributo, a qual suspende a cobrança de eventuais acréscimos legais.

Falaremos mais sobre isso quando tratarmos de multa. Entendidas estas premissas teóricas, podemos então verificar como são calculados os juros de mora e a multa de mora. Começaremos pelos juros.

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1.1 – Juros de Mora

Como vimos no item anterior, as contribuições sociais ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995.

A taxa SELIC tem percentual variável, mês a mês, mas nunca poderá ser inferior a 1% para cobrança de contribuições em atraso.

A incidência da SELIC somente se dá nos meses intermediários, sendo que o percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento.

Por exemplo: imaginem a contribuição da competência 01/2005. Qual é o prazo de recolhimento? Dia 02 de fevereiro.

Vamos imaginar, em primeiro lugar, que a citada empresa somente fez o recolhimento da competência janeiro em 20 de fevereiro.

Ora, o recolhimento foi feito em atraso, já que deveria ter sido efetuado em 02/02, mas ainda dentro do mês de vencimento (fevereiro). Logo, a empresa pagará somente 1% a título de juros. A multa veremos depois.

Se, na mesma hipótese inicial, o recolhimento for feito em 15 de março, estará mais em atraso ainda!

Desta vez, os juros serão de 1% pelo mês de vencimento (fevereiro) + 1% pelo mês de pagamento (março). Como não há mês intermediário entre fevereiro e março, somente pagará a empresa 2% de juros.

Vejam que, dentro do mês, pouco importa o dia. Os juros mudam a medida que “vira” o mês. Por isso, uma vez em atraso, o melhor mesmo é deixar o recolhimento para o final do mês!

Por fim, imaginemos agora que a empresa somente fez o recolhimento da competência janeiro de 2005 em 25 de maio de 2005.

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Agora, terá de recolher 1% (fevereiro – mês de vencimento) + 1% (maio – mês de pagamento) + taxa SELIC dos meses de março e abril, que são os intermediários. Vamos assumir, para efeitos do exemplo, que a SELIC de março foi de 1,3% e de abril 1,7%.

Logo, o total de juros será de 5%. Vejam que os percentuais são simplesmente somados, não havendo a incidência de juros sobre juros, que é conhecida como anatocismo. A cobrança de tributo em atraso somente opera com “juros simples”.

Se o devedor fosse um segurado, como um contribuinte individual, a regra seria exatamente a mesma.

1.2 – Multa de Mora

Agora, após entendermos como se calcula os juros, vamos à multa de mora!

Esta, como vimos, é uma punição pelo recolhimento em atraso. Há quem entenda que essa multa não tem natureza punitiva, sendo cobrada automaticamente pelo recolhimento em atraso, diferente das multas fixadas em razão de infrações identificadas pela fiscalização, em especial descumprimento de obrigações acessórias.

Todavia, o STF, em antigo precedente (RE 79625), já fixou entendimento que “multa é multa”, ou seja, toda multa tem natureza punitiva.

Por isso é extremamente questionável a cobrança de multa em razão de recolhimento espontâneo em atraso, em razão do pretenso caráter “irrelevável” dos consectários legais, em especial por causa do art. 138 do CTN.

Todavia, para efeitos de nossa prova, siga a legislação, isto é, qualquer recolhimento, ainda que espontâneo, dá azo à cobrança de multa de mora.

Para não dar “muito na vista”, a lei prevê esta hipótese como recolhimento de valores “não incluídos em notificação fiscal”, ou seja, valores pagos espontaneamente...

Além deste ponto, você vai perceber, abaixo, que os percentuais de multa são muitos! Variando desde 8% até 100%!

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Nunca vi isso ser exigido em prova, mas aconselho que você tenha em mente, pelo menos, os primeiros percentuais, que são os mais comuns.

Vamos lá:

Sobre as contribuições sociais em atraso, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos:

I - para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento - NFLD:

a)oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação;

b) quatorze por cento, no mês seguinte;

c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação;

II - para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento - NFLD:

a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação;

b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação;

c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS;

d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;

III - para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa:

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a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento;

b) setenta por cento, se houve parcelamento;

c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento

d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento.

Ou seja, à medida que a “coisa vai piorando” para o sujeito passivo, à medida que vai se aproximando da execução fiscal, as multas vão aumentando!

Como ainda veremos, a notificação fiscal de lançamento de débito é uma espécie de lançamento de ofício.

Vamos novamente ao nosso exemplo: imaginemos a empresa que recolheu espontaneamente a competência janeiro de 2005 somente em 19 de fevereiro de 2005.

Vejam que o recolhimento foi feito dentro do mês de vencimento, mas fora do dia correto (dia 02). Assim, já sabemos que o percentual de juros será somente de 1%, agora somado à multa de 8% (ver item I das multas), teremos o total de acréscimos de 9% (os percentuais de juros e multa são simplesmente somados). Da mesma, forma, se o recolhimento fosse feito em qualquer outro dia do mês de vencimento, os acréscimos ainda seriam de 9%.

Mas, imaginemos agora, que o recolhimento foi feito somente no dia 23 de março de 2005. Vejam, teremos, de juros, 2% (1% mês de vencimento – fevereiro + 1% mês de pagamento – março) e de multa 14%, por ser o mês seguinte ao do vencimento (ver item I das multas).

Por fim, imaginemos um recolhimento de empresa, referente à competência de janeiro de 2005, que somente é feito em 25 de maio de 2005 (valor não incluído em NFLD).

Agora, como já vimos no item anterior, terá a empresa de recolher, a título de juros, 1% (fevereiro – mês de vencimento) + 1% (maio – mês de pagamento) + taxa SELIC dos meses de março e abril, que são os intermediários. Vamos

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assumir, novamente, para efeitos do exemplo, que a SELIC de março foi de 1,3% e de abril 1,7%.

Logo, o total de juros será de 5%. Agora temos de calcular a multa, que será de 20% (item I, “c” das multas – “a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação”).

Vejam que interessante: o percentual de multa “congela” em 20%, somente aumentando para a etapa seguinte se houve a NFLD!

Assim, se a empresa efetua o recolhimento anos depois, mas sem o mesmo estar incluído em notificação fiscal, ainda pagará, somente, 20% de multa.

É óbvio que os juros continuarão “crescendo”, de modo que o valor devido será bem aumentado com o tempo. Mas a multa, salvo notificação fiscal, não avança. Por isso aconselhei a vocês “decorarem”, pelo menos, o primeiro item de multas.

Ademais, é importante perceber a divisão em três etapas: na primeira etapa, a multa avança até 20% para recolhimentos espontâneos, depois, na segunda etapa, avança até 50% para recolhimentos de valores já incluídos em NFLD e, por fim, na terceira etapa, avança até 100% para recolhimento de valores já incluídos em dívida ativa (como veremos, a inscrição em dívida ativa é etapa necessária para a execução fiscal).

Como ainda veremos, a empresa ou segurado em débito podem parcelar suas dívidas, ou mesmo reparcelar se já haviam obtido o mesmo e deixaram de pagar.

Nestas hipóteses de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora. Por exemplo, um percentual de multa original de 20%, com o parcelamento, passa a ser de 24%. Um percentual original de 50% passa a ser de 60%, e assim por diante.

Todavia, nas hipóteses das contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91 (GFIP), que veremos a seguir, a multa de mora será reduzida em cinqüenta por cento.

A idéia é a seguinte: como ainda veremos, a GFIP é um instrumento de confissão de dívida frente à S e c r e t a r i a d e Receita Previdenciária. Assim, se a empresa deve, mas confessa sua dívida, conclui-se que está inadimplente, não sendo uma empresa sonegadora, que é aquela que não paga e ainda omite a informação.

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Assim, com o propósito de dar um tratamento favorecido a estas empresas meramente inadimplentes, a lei prevê a redução, pela metade, da multa de mora (os juros permanecem os mesmos). Assim, para a empresa que fez GFIP e faz recolhimento de valor não incluído em NFLD dentro do mês de vencimento, pagará 4% a título de multa, ao invés dos 8% (isso vale para todos os percentuais).

Agora, percebam o seguinte: a GFIP, como veremos, é uma obrigação acessória exclusiva de empresa. Isto é, empregadores domésticos, CI, facultativos, segurados especiais, não têm de fazer este documento. Assim, o que seria mais justo? Cobrar sempre a multa reduzida para eles. E é isso que prevê a lei - quando se tratar de empregador doméstico ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora será também reduzida em cinqüenta por cento.

A mesma regra se aplica a empresas que, excepcionalmente, sejam dispensadas de elaborar a GFIP.

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– Obrigações Acessórias