4.5 Discussão, Conclusões e Recomendações
4.5.3 Recomendações e Propostas de Trabalho Futuro
Temos plena consciência de que o estudo realizado carece de aprofundamento no que aos critérios da determinação da amostra diz respeito, devido a questões burocráticas que reduziram sobremaneira o tempo disponível. De qualquer modo, os resultados da pesquisa permitem uma perceção razoável das virtudes e defeitos dos conteúdos e estratégias pedagógicas adotados em Angola e em Portugal.
Em relação a Angola, recomendamos:
a) Que os docentes de Educação Moral e Cívica encontrem estratégias adequadas para formar uma ideia básica e essencial sobre dignidade humana e direitos, de modo que os alunos possam interessar-se em investigar mais sobre os assuntos, procurando partilhar essas reflexões com familiares, amigos e outras pessoas da comunidade; b) Que os docentes promovam o conhecimento equilibrado entre direitos e deveres,
pois o estudo revela uma propensão dos alunos para a ideia de deveres e omitem ou ignoram a ideia de direitos;
c) Que as tarefas relativas ao exercício da democracia em sala de aula permitam uma referência aos valores da democracia constitucional e a outros aspetos democráticos necessários na família, base fundamental da sua socialização cultural;
144
d) Que a formação dos docentes seja uma preocupação do Ministério da educação, de modo a aumentar a qualidade dos mesmos;
e) Que o Ministério da Educação reconsidere a necessidade de atribuir mais de um tempo semanal à disciplina de Educação Moral e Cívica.
Quanto a Portugal, recomendamos:
a) Que a estratégia transdisciplinar na abordagem da Educação para a Cidadania permita situar os alunos nesta perspetiva. Porque os alunos têm a ideia de que já não abordam nada sobre esses conteúdos da formação pessoal e social. Por um lado, sendo que a Educação para a Cidadania já não consta do horário escolar, por outro, os docentes parece não sublinharem esses aspetos da transdisciplinaridade da matéria;
b) As várias mudanças havidas no Sistema Educativo português acerca da Educação para a Cidadania dificulta a rápida adaptação dos docentes às estratégias e modelo adotados. Daí que recomendamos que as escolas promovam sessões regulares de formação dos docentes em estratégias pedagógicas sobre a Educação para a cidadania;
c) Que entre vários valores necessários para a formação dos alunos, seriam fundamentais aqueles em que se estrutura a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (dignidade, liberdades, igualdade, solidariedade, cidadania e justiça), sendo que podem desdobrar-se em várias temáticas próprias da Educação para a Cidadania.
Para futuros trabalhos, levantaríamos algumas perguntas heurísticas gerais e dirigidas para os dois países. Assim, por que é que a Educação para a cidadania ou Educação Moral e Cívica, sendo essenciais para a formação pessoal e social dos alunos, têm poucos tempos letivos? Que competências pedagógicas devem possuir os docentes dessa disciplina ou abordagem não curricular? Em que ciclo ou ano de escolaridade se pode considerar a Educação Moral e Cívica ou Educação para a Cidadania determinante para a formação dos alunos? Qual é efetivamente o interesse dos governos de Angola e de Portugal na formação de cidadãos conscientes de participar na vida pública dos respetivos países? Os docentes dessas matérias têm merecido a devida atenção dos responsáveis das escolas?
145
Em função das limitações deste estudo, seria fundamental que aferissem o grau de aprendizagem dos alunos do 3.º ciclo do ensino básico em Portugal e do 1.º ciclo do ensino secundário em Angola, procurando diferenciar as competências adquiridas em cada ano ou classe, para maior compreensão das virtudes e defeitos dos respetivos Sistemas Educativos.
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