O referencial teórico construído neste estudo perpassa por três conceitos centrais, a saber: i) identidade no nível organizacional; ii) audiência e atores da cadeia de reversa; e iii) categorização.
A partir do referencial teórico considerado neste estudo, nota-se que há lacunas nos conceitos apresentados. Nos estudos sobre identidade, observa-se uma predominância das abordagens objetivista e construtivista. Na primeira, a identidade é constituída com base em categorias a priori (Quadro um da Figura 7). Já na segunda, ela advém de uma construção, assumindo uma dinâmica (Quadro dois da Figura 7). A identidade trabalhada em ambas as abordagens, é resultado tanto de uma construção subjetiva como da internalização de padrões institucionalizados (Quadro três da Figura 7). O resultado desses estudos representa a identidade em um dado momento no tempo.
Os primeiros estudos sobre a identidade na perspectiva de processos consideram somente os membros organizacionais no processo de escolha de elementos institucionalizados e a promulgação da identidade, é um estudo que visa descrever o processo de constituição da identidade realizado no âmbito organizacional, em outras palavras, como se dá esse processo (Quadro quatro da Figura 7).
O quadro cinco da Figura 7 ilustra a contribuição desta pesquisa para os estudos da
identidade no nível organizacional. Ela é vista como um processo de construção ao longo do
tempo que envolve tanto membros organizacionais como agentes externos. O processo de construção apresenta uma dinâmica, representada pelas atribuições fomentadas, quer sejam por membros organizacionais, quer sejam por agentes externos no processo de definição dos elementos de ordem formal e simbólica que a compõem. A perspectiva processual possibilita fotografar a identidade em cada evento componente do processo de construção, evidenciando a evolução da identidade ao longo do tempo.
A Figura 7 foi construída em uma perspectiva evolutiva dos estudos realizados sobre a identidade organizacional. O pesquisador utilizou os estudos considerados nesta pesquisa para traçar essa evolução.
Figura 7– Evolução das abordagens de identidade organizacional
Fonte: Elabora pela autora
Do ponto de vista da audiência, pouco se tem discutido. O conceito audiência é tratado em estudos concernentes ao estabelecimento de mercados. Observou-se, então, que esse conceito está relacionado ao papel que a audiência detém na constituição de atributos que configuram uma estrutura categórica, e, consequentemente, a identidade das organizações parceiras a uma respectiva categoria.
Os estudos sobre o conceito audiência estão focados em membros organizacionais ou em agentes externos da audiência de forma isolada, e em um dado momento no tempo. O mesmo acontece nos estudos sobre os programas de coleta seletiva de resíduos sólidos. Por outro lado, adotar uma abordagem de processos na construção coletiva da identidade possibilita identificar os membros organizacionais e os agentes externos ao longo dos eventos.
Quanto ao conceito categorização, percebe-se pouca discussão da categorização nas teorias organizacionais, isso decorre do fato de que o modo como vemos e compreendemos o mundo está ancorado nos princípios da teoria clássica da categorização. Entretanto, as rápidas transformações com que a sociedade moderna vem se deparando fazem necessário discutir cientificamente as possibilidades de novas formas de ver e compreender o mundo real. Novas perspectivas emergiram na tentativa de evidenciar que os conceitos se alteram em resposta ao dinamismo marcante da nossa modernidade. Dessa forma, assim como os conceitos, as identidades também se alteram, sendo promulgadas em cada evento do processo de construção. Em vista disso, o Quadro 20, a seguir, informa as lacunas e as contribuições teóricas, advindas da pesquisa empírica deste estudo.
Abordagem Objetivista Categorias existentes; A identidade se refere a um dado momento no tempo. Abordagem Construtivista Construída mediante a percepção; Dinâmica; A identidade se refere a um dado momento no tempo. Abordagens Objetivista e Construtivista Construída mediante a percepção e a internalização de padrões Abordagem Processos Internos Processo de constituição da identidade no âmbito organizacional; Centraliza-se nos membros organizacionais Abordagem Processos de Categorização Construção da identidade mediante a audiência (membros organizacionais e agentes externos); Evidencia a evolução da identidade. 1 2 3 4 5 Albert e Whetten (1985) Kroezen e Heugens (2012) Dutton e Dukerich (1991) Oliveira (2011)
Quadro 20 – Síntese das lacunas e contribuições teóricas
Tema Lacuna Contribuição
Identidade Organizacional
Tanto a perspectiva objetivista, como a perspectiva construtivista realizam seus estudos em um dado momento do tempo; em outras palavras, o resultado dos estudos refere-se à identidade em um respectivo momento;
Os poucos estudos realizados na
abordagem de processos estão
centrados no processo de constituição da identidade, sendo este realizado pelos membros organizacionais.
A identidade na abordagem de processos possibilita identificar a identidade ao longo do tempo, apresentando uma evolução dela;
A identidade na abordagem de processos considera membros organizacionais e agentes externos da audiência no processo de construção da identidade organizacional.
Audiência\ Atores da Logística reversa
Ausência de uma teoria que trabalha
especificamente com o conceito
audiência;
Estudos centrados em membros
organizacionais ou agentes externos da audiência de forma isolada;
Estudos centrados em atores
específicos, tais como: sociedade, cooperativas, intermediários, indústria de reciclagem e órgãos públicos;
Ausência de estudos sobre a construção coletiva da identidade de cooperativas de coleta seletiva de resíduos sólidos.
Proporcionar o desenvolvimento do conceito audiência, por meio do processo de sua identificação e das atribuições realizadas pelos membros organizacionais e agentes externos da audiência no processo de construção da identidade organizacional;
Considerar os vários membros
organizacionais e agentes externos da audiência no processo de construção da identidade organizacional;
Identificar os atores de cooperativas de coleta seletiva em potencial e suas atribuições no processo de construção da identidade organizacional.
Delinear o processo de construção da identidade de cooperativas de coleta seletiva de resíduos, ao longo do tempo.
Categorização
Ausência de estudos sobre a identidade
organizacional que realize a
categorização ao longo dos eventos do processo de construção da identidade.
Viabilizar a adequação dos estudos da
identidade organizacional em uma
perspectiva processual. A identidade se alterando ao longo dos eventos do processo de construção da identidade.
Fonte: Elaborada pela autora
Com base nas lacunas teóricas identificadas, é possível apresentar três proposições neste estudo, discutidas a seguir.
Primeira proposição: O processo de construção coletiva da identidade requer a
participação de membros organizacionais e agentes externos da audiência, apresentando diferentes configurações ao longo dos eventos. Essa proposição foi delineada a partir das respectivas lacunas teóricas a seguir:
Considerar a identidade de um mercado com base em categorias foi um salto para as teorias organizacionais, mais especificamente para a ecologia organizacional. Há uma tentativa de reavivar a teoria ecológica, considerando o tema legitimação. Em vista disso, o conceito audiência dá os seus primeiros passos, evidenciando o papel dela no processo de especificação dos atributos que compõem a estrutura categórica. Entretanto, esse conceito é ainda incipiente nas teorias organizacionais e configura a primeira lacuna identificada neste estudo, que é uma ausência de uma teoria que trabalha especificamente com o conceito audiência.
De modo geral, os estudos realizados pelos ecólogos organizacionais apresentam uma perspectiva estática, ou seja, uma fotografia em um dado momento do tempo. O que se vê são estudos centralizados, ora em membros organizacionais, ora em agentes externos, nesta fase inicial. Na verdade, observou-se pouca discussão concernente a membros organizacionais nos estudos sobre estabelecimento de mercados, na qual grande parte foca nos agentes externos, a saber: críticos, especialistas, analistas e teóricos (CARROLL; SWAMINATHAN, 2000; NEGRO, HANNAN; RAO, 2010, 2011), consumidores (HSU; HANNAN, 2005; HANNAN, 2008; ROBERTS; SIMONS; SWAMINATHAN, 2010; GOLDBERG; VASHEVKO, 2013; AHMADJAN; EDNAN, 2013), organizações líderes (RAO; MONIN; DURAND, 2003; LOUNSBURY; RAO, 2004), agências regulatórias e autoridades políticas (ZHAO, 2005; HSU; HANNAN, 2005; NEGRO; KOÇAK; HSU, 2010, 2011; AHMADJAN; EDNAN, 2013).
Por outro lado, a literatura da identidade no nível organizacional traz indícios de membros organizacionais (DUTTON; DUKERICH, 1991; BODEN, 1994), quais sejam: i) gerentes (ALVESSON, 1990; SCOTT; LANE, 2000); e ii) funcionários (HATCH; SCHULTZ, 2002); e em estudos na perspectiva processual que destacam os fundadores e gestores, representados como autoridades dos insights (KROEZEN; HEUGENS, 2012); em conformidade com o exposto, a segunda lacuna identificada foi: estudos centrados em membros organizacionais ou agentes externos da audiência de forma isolada.
A terceira lacuna é fundamentada em estudos da cadeia reversa, os quais estão centrados em atores sociais específicos, tais como: i) governo (PEREIRA; TEXEIRA, 2011; BRAGA; MEIRELLES, 2013); ii) sociedade (BRINGHENTI; GUNTER, 2011; BRAGA; MEIRELLES, 2013); iii) cooperativas (OLIVEIRA; VENTURA, 2012; BRAGA; MEIRELLES, 2013); e ii) indústria de reciclagem (IBGE, 2010).Ao mesmo tempo, estudos da identidade na perspectiva processual consideram os membros organizacionais no processo de definição de elementos de ordem formal e simbólica que compõem a identidade (KROEZEN; HEUGENS, 2012). Advoga-se aqui que a legitimação de uma organização advém de uma
construção a qual exige coparticipação tanto de membros organizacionais como de agentes externos da audiência no processo de definição de elementos componentes da identidade, configurando a quarta lacuna, que são os poucos estudos realizados na abordagem de processos os quais consideram somente os membros organizacionais no processo de constituição da identidade.
Adotar uma abordagem de processos possibilita tanto identificar os diversos membros organizacionais e agentes externos da audiência que interagem com a organização como a sua composição. Acredita que a composição da audiência irá variar de um evento para outro, ao longo do processo de construção coletiva da identidade. Sendo assim, a primeira proposição será alcançada por meio do primeiro objetivo específico, a saber: identificar os membros organizacionais e os agentes externos da audiência de cooperativas de coleta seletiva de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos, ao longo do processo de construção coletiva da identidade.
Para esse objetivo, o pesquisador definiu dois parâmetros. O primeiro é baseado em sua definição. Na literatura, a audiência é definida de modo geral, como um conjunto de membros organizacionais e agentes externos que possuem uma relação de qualquer natureza com a organização (ALVESSON, 1990; DUTTON; DUKERICH, 1991; BODEN, 1994; SCOTT; LANE, 2000; CARROLL; SWAMINATHAN, 2000; HATCH; SCHULTZ, 2002; POLOS; HANNAN; CARROLL, 2002; HSU; HANNAN, 2005; HANNAN, 2008; NEGRO; KOÇAK; HSU, 2010; ROBERTS; SIMONS; SWAMINATHAN, 2010; KROEZEN. HEUGENS, 2012; AHAMDJAN; EDNAN, 2013; GOLDBERG; VASHEVKO, 2013). Assim, os membros organizacionais são aqueles que estão dentro dos limites organizacionais e que participam da vida cotidiana da organização, e os agentes externos são aqueles que estão fora dos limites organizacionais e apresentam relações de qualquer natureza.
O segundo parâmetro, e que irá identificar os membros organizacionais e os agentes externos da audiência, é baseado nas atribuições que fomentam a inclusão, exclusão e alteração de elementos componentes da identidade organizacional (KROEZEN; HEUGENS, 2012).
Dentre as atribuições da audiência contempladas na teoria, destacam-se, a saber: i) definir os atributos (GOLDBERG; VASHEVKO, 2013); ii) inspecionar, avaliar e consumir os produtos e os serviços ofertados (KOÇAK; HANNAN; HSU, 2009); iii) controlar e dominar os recursos materiais e simbólicos (HANNAN; HSU, 2005); e iv) avaliar os comportamentos e as ações organizacionais (HSU; HANNAN, 2005; HANNAN, 2008; ROBERTS; SIMONS; SWAMINATHAN, 2010; GOLDBERG; VASHEVKO, 2013).
Quanto aos elementos que constituem a identidade no nível organizacional são aqueles contemplados, a saber: i) na perspectiva objetivista nos estudos da identidade organizacional (ASHFORTH; MAEL, 1996; VAN TONDER; LESSING, 2003; DUBAR, 2006) e na perspectiva de processos nos estudos da identidade organizacional (KROEZEN; HEUGENS, 2012); e ii) nos estudos sobre estabelecimento de mercados, via categorização(SWAMINATHAN, 1995; BAUM; SINGH, 1996; CARROLL; SWAMINATHAN, 2000; SWAMINATHAN, 2000; CARROLL; WHEATON, 2009; KOVÁCS; HANNAN, 2010; BOGAERT; BOONE; CARROLL; 2010; KARL; KIM; PHILLIPS, 2010; NEGRO; HANNAN, RAO, 2010, 2011; ROBERTS; SIMONS, SWAMINATHAN, 2011).
O Quadro 21 informa os principais elementos, atributos e recursos de valor a priori que constituem a identidade no nível organizacional, servindo como um guia na análise e interpretação dos dados.
Quadro 21 – Elementos, atributos e recursos de valor a priori
Elementos (ou atributos)
Definição Autor (es)
Formal Modelo de negócios; Estratégias; Estrutura; Processos organizacionais;
Limites organizacionais; Atributos
físicos; Aparência física; Sistema produtivo; Público-alvo; Procedência de insumos; Qualificação profissional; Profissionalização profissional; Modos de prestação de serviços; Habilidades pessoais.
Teoria da identidade na perspectiva objetivista- autores: Van Tonder e Lessing
(2003).
Teoria da identidade na perspectiva de processos – autores: Kroezen e Heugens
(2012).
Estudos sobre estabelecimento de mercado, via categorização – autores:
Swaminathan (1995); Baum e Singh (1996); Carroll e Swaminathan (2002); Carroll e Wheaton (2009); Bogaert, Boone e Carroll (2010); Negro, Hannan, Rao (2010, 2011); Roberts, Simons e Swaminathan (2011); Karl, Kim e Phillips (2010); Kovács e Hannan (2010).
Simbólica Artefatos e práticas que representam a cultura; Missão; Valores; Filosofia de
gestão; Ideologia; Crenças;
Comportamento (ou cultura)
organizacional; Símbolos (logon e slogan); Qualidade dos insumos; Função social; Normas,
Teoria da identidade na perspectiva objetivista- autores: Ashforth e Mael
(1996); Van Tonder e Lessing (2003).
Teoria da identidade na perspectiva de processos – autores: Kroezen e Heugens
(2012).
Estudos sobre estabelecimento de mercado, via categorização – autores:
Swaminathan (1995).
Fonte: Elaborado pela autora
Segunda proposição: A identidade no nível organizacional não pode ser vista em um
e alteração de elementos de ordem formal e simbólica, definidos pela audiência ao longo do tempo. Essa proposição foi configurada mediante a respectiva lacuna teórica a seguir:
A identidade na perspectiva objetivista é configurada segundo atributos centrais que a organização detém (ALBERT; WHETTEN, 1985; ASHFORTH; MAEL, 1996; ABRAMOWISKI, 1987; WOODS JR; CALDAS, 2006), e tais elementos são concernentes às propriedades organizacionais. Na perspectiva construtivista, a identidade advém de uma construção social com base na percepção que os sujeitos têm sobre a organização (FERNANDES; MARQUES; CARRIERI, 2009; ASHFORTH; MAEL, 1989; HATCH; SCHULTZ, 2002). Esses estudos evidenciam a identidade em um dado momento do tempo. Em conformidade com essa breve elucidação, a quinta lacuna identificada foi: tanto a perspectiva objetivista como a perspectiva construtivista realizam seus estudos em um dado momento do tempo; em outras palavras, os resultados dos estudos referem-se à identidade em um respectivo momento.
Empregar uma abordagem de processos no estudo da identidade organizacional possibilita descrever a evolução da identidade ao longo dos eventos demarcadores do processo de construção da identidade. Portanto, tal proposição será alcançada por meio do segundo objetivo específico, a saber: descrição dos eventos que marcam o processo de construção coletiva da identidade de cooperativas de coleta seletiva de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos.
Este objetivo específico será tecido com base nos pressupostos da abordagem de processos (LANGLEY, 2007; VAN DE VEN, 2007). O processo de construção coletiva da identidade é formado por uma sequência de eventos ao longo do tempo. Os eventos são constituídos por incidentes. Os incidentes neste estudo são configurados mediante a inclusão, exclusão e alteração de elementos de ordem formal e simbólica que constituem a identidade. Assim, os eventos serão definidos mediante a estratégia indutiva com base nos incidentes que os representam (VAN DE VEN, 2007). O estudo de caso foi construído na forma de uma narrativa que possibilita descrever em ordem cronológica os eventos ao longo do processo de construção coletiva da identidade.
Terceira proposição: A análise da construção coletiva da identidade na perspectiva
processual possibilita identificar a identidade promulgada ao longo dos eventos, sendo esta categorizada com base em elementos de ordem simbólica e formal definidos pelos membros organizacionais e agentes externos da audiência. Essa proposição foi delineada segundo as respectivas lacunas teóricas a seguir.
A identidade promulgada na abordagem objetivista advém de um processo que consiste em correlacionar os atributos pertencentes a uma respectiva organização com categorias
existentes (ALBERT; WHETTEN, 1985; ASHFORTH; MAEL, 1989; KAUFMANN, 1994; CALDAS; WOODS JR., 1997; WOODS JR; CALDAS, 2006; DUBAR, 2006; FERNANDES; MARQUES; CARRIERI, 2009; MENEZES, 2009).
Embora já haja estudos na perspectiva processual sobre a identidade no nível organizacional, eles estão centrados em descrever um processo interno que resulta em uma respectiva identidade (KROEZEN. HEUGENS, 2012), e não se observou uma repetição desse processo ao longo do tempo em que corroboraria na construção da identidade organizacional. Dessas observações, emergiram as respectivas lacunas, a seguir: i) sexta lacuna: os poucos estudos realizados na abordagem de processos estão centrados no processo de constituição da identidade, realizado pelos membros organizacionais; e ii) sétima lacuna: ausência de estudos sobre a identidade organizacional que realize a categorização ao longo dos eventos do processo de construção da identidade.
Defender que a identidade está em um processo de construção, decorrente da inclusão, alteração e exclusão de elementos que a formam, implica que a identidade é mutável, sendo categorizada em cada evento do processo de construção. Em vista disso, a terceira proposição será alcançada no terceiro objetivo especifico deste estudo que é identificar a identidade no nível organizacional de cooperativas de coleta seletiva de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos promulgada, ao longo dos eventos. Este objetivo é tecido com base no segundo objetivo especifico que descreve os eventos demarcadores do processo de construção coletiva. Advoga-se aqui que a identidade é promulgada em cada evento, já que nele a organização irá ter diferentes composições de elementos de ordem simbólica e formal componentes da identidade da organização. A promulgação é o mesmo que a categorização, a qual segue os pressupostos de teorias contemporâneas, mais especificamente, o modelo cognitivo, o qual é o mais adequado para o método de análise de narrativas adotado neste estudo, e nele os conceitos emergem mediante a interação do sujeito com o mundo.
Assim, as três proposições aqui apresentadas fundamentam o modelo conceitual desta pesquisa que possibilita atender aos objetivos central e específicos do estudo. O modelo conceitual está baseado na integração dos três conceitos considerados, a saber: identidade no nível organizacional, audiência e categorização. Como se pode observar na Figura 8 a seguir, o modelo conceitual é composto por três etapas: i) etapa um, denominada por “disparadora”; ii) etapa
Figura 8 - Modelo conceitual: Construção coletiva da identidade
Fonte: Elaborado pela autora
Inicialmente esse processo é disparado mediante a inclusão, exclusão e alteração de elementos de ordem simbólica e formal, definidos pelos membros organizacionais e agentes externos da audiência e que circunscreve um evento. Com um evento formado, segue-se para a etapa dois “categorizadora”, e nesta, a identidade é categorizada com base nos elementos que configuram o evento, finalizando na etapa três “promulgada” a qual se refere à identidade promulgada.
O Quadro 22 a seguir informa tanto a conceituação teórica de identidade no nível organizacional, audiência e categorização discutidos no capítulo três deste estudo como a conceituação operacional que guiará a análise de dados desta pesquisa.
Resultado Processo Contexto AUDIÊNCIA ORDEM FORMAL CATEGORIZAÇÃO ORDEM SIMBÓLICA IDENTIDADE PROMULGADA
IDENTIDADE ORGANIZACIONAL COMO OCORRE O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO COLETIVA?
1
2
Conceitos Teórico Operacional
Identidade
Objetivista: A identidade é definida a partir das
características essenciais e inalteradas ao longo do tempo.
Albert e Whetten (1985); Abramowiski (1987); Ashforth e Mael (1996); Caldas e Woods Jr (1997); Van Tonder (1999); Foreman (2001); Van Tonder e Lessing (2003); Woods Jr e Caldas (2006); Dubar (2006); Meneses (2009)
A identidade é definida como um processo de construção coletiva, sendo promulgada por meio da categorização de elementos de ordem formal e simbólica que a constituem.
Construtivista: A identidade é definida como
uma construção social.
Ashforth e Mael (1989); Alvesson (1990); Dutton e Dukerich (1991); Boden (1994); Albert (1998); Scott e Lane (2000); Hatch e Schultz (2002); Fernandes; Marques e Carrieri (2009)
Objetivista e Construtivista: A identidade é
definida como uma construção subjetiva com base em atributos objetivos.
Pratt e Rafaeli (1997); Oliveira (2011)
Processos: A identidade é um processo de
constituição realizados membros organizacionais no âmbito organizacional
Glynn e Watkiss (2012); Kroezen e Heugens (2012)
Audiência
Audiência é composta por membros
organizacionais e agentes externos que possuem uma relação de qualquer natureza com a organização.
Polos, Hannan e Carroll (2002); Hannan (2008) Negro, Koçak e Hsu (2010)
A audiência é composta por membros organizacionais e agentes externos que são responsáveis pela inclusão, exclusão e alteração de
elementos constituintes da
identidade no nível organizacional.
Categorização
Clássica: A categorização é mediante ao
agrupamento de coisas, objetos e ideias com base nas semelhanças.
Santos (2007); Lima (2010); Nascimento e Gudwin (2011); Coutinho, Mortiner, Matos e Martins (2013)
O processo de categorização é dinâmico e ocorre ao longo dos eventos que compõem o processo de construção da identidade.
Teoria dos Protótipos: A categorização se dá
mediante a correlação, tendo como base um núcleo ideal.
Santos (2007); Belin e Kay (1969); Osberson e Smith (1981); Eysenk e Keane (1990); Rosch (1999); Lima (2010); Nascimento e Gudwin (2011)
Modelos Cognitivos: A categorização se baseia
na relação do ser humano com o ambiente em que está inserido; sendo assim, as categorias mudam de um ambiente para outro; aqui, os conceitos são dependentes da compreensão individual.
Lakoff (1987); Lakoff e Johnson (1999); Lima (2010)
como uma atividade cognitiva e se refere a construções dos sentidos; busca compreender como o homem interage com o mundo e como negocia o conhecimento; aqui, a construção dos significados considera o uso da linguagem e aspectos relacionados a fatores socioculturais.
Trindade (1997); Jacob e Shaw (1998); Coutinho, Mortine, Matos e Martins (2013)
Abordagem Sociológica: A categorização é
definida como um processo coletivo, no qual as representações coletivas são denominadas por instituições sociais.
Mauss (2001)
Semelhanças de Familia: A categorização é
mediante a significação. A significação prioriza as características, em que a proposição é usada, passando a considerar tanto as situações especificas, como a comunicação e a expressão; a proposição é concebida de forma instável, podendo ser reformulada de acordo com os objetivos; a proposição, então, se refere a um fato, sendo configurada mediante o uso da linguagem; os conceitos são definidos a partir