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CAPÍTULO 2 – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.4 RECURSOS DO ENSINO E DA APRENDIZAGEM

2.4.6 Recursos Multimídia

A tecnologia está cada vez mais presente em quase todas as áreas de conhecimento da humanidade, facilitando nossas vidas e atividades, tornando possível a realização de tarefas quase impossíveis ou dispendiosas de se realizar sem seu uso. A tecnologia está presente e auxilia a medicina possibilitando a realização de diagnósticos cada vez mais precisos, proporcionando tratamentos mais eficazes de diversas doenças, permite a inclusão social de pessoas portadoras de deficiência e influencia até mesmo em áreas onde aparentemente a tecnologia não é essencial como na gastronomia e culinária, pois com o advento de novos aparelhos e utensílios como, por exemplo, o forno de micro-ondas e a fritadeira elétrica sem óleo surgiram também novas receitas e formas de preparar alimentos.

Isso tudo sem mencionar as áreas em que a tecnologia é essencialmente a protagonista como nas telecomunicações, tecnologia da informação, automação e automobilística, mas apesar de toda essa influencia tecnológica em diversas áreas de conhecimento da nossa sociedade é notório e também assustador que o setor de educação é um dos que menos se beneficiam dessa poderosa ferramenta.

Vejamos por exemplo o ambiente doméstico de nossos alunos, para compará-lo ao seu ambiente de aprendizagem. Começando pelo televisor que já está presente massivamente nas residências desde os anos 80, mas agora ele ganhou novas funções, mudou de papel, em muitos lares, ou pelo menos para muitos de nossos alunos ela não é utilizada prioritariamente para assistir a programação propriamente dita das emissoras, mas sim para a utilização de jogos de vídeo game cada vez mais sofisticados e realistas, além da evolução natural da TV que hoje também possui acesso direto à internet.

Em seguida temos o computador e o Notebook que garantiram presença nas residências a partir do ano 2000 e com eles vieram também o acesso à internet que possibilita o uso de redes sociais, notícias em tempo real, filmes, series e outras formas de cultura, informação e entretenimento.

E, por fim, e mais impactante temos os telefones celulares, objetos que hoje em dia a grande maioria das pessoas possuem ou pelo menos tem acesso à eles, aparelho que mudou a forma das pessoas agirem e interagirem e com eles temos intrinsecamente o acesso a internet, a comunicação, a informação e ao entretenimento assim como o computador, só que com a facilidade e praticidade de ser portátil e de fácil acesso.

Então concluímos que como consequência do avanço tecnológico da humanidade as residências contemporâneas também se beneficiaram dessas novidades e consequentemente a casa de nossos alunos hoje é muito mais tecnologizada do que as casas eram há alguns anos. Esse fato por si só não é nenhuma novidade, nem causa de espanto ou admiração por nossa parte, pois o nosso conhecimento de história nos permite saber que essas mudanças e esses avanços sempre estiveram presentes na história da humanidade.

Enfim, essas mudanças não causam espanto para nós, ao contrário, é algo até “natural”, nem tão pouco isso é um problema para o processo de ensino e aprendizagem, que é o tema desse trabalho. O problema reside no fato de as nossas salas de aula contemporâneas do século XXI serem mais arcaicas do que as residências dos nossos alunos, ou pior ainda, em sua maioria, disporem dos mesmos recursos tecnológicos das salas de aula do século XIX. Diante desse cenário, vamos comparar e analisar as implicações e impactos dessa discrepância tecnológica entre lar e escola.

Então vejamos, o aluno sai de sua residência onde tem livre acesso a toda essa variedade de recursos tecnológicos e vai para a escola onde, em geral, lhe é privado por pelo menos cinco horas e meia do seu dia de todos esses atrativos e para agravar ainda mais a situação a escola permanece com um modelo arcaico de ensino onde a grande e única ferramenta de ensino na grande totalidade das vezes é o quadro e que também não raramente não é nem uma lousa branca e sim ainda o velho quadro negro de giz e que para agravar ainda mais em muitas vezes só se tem poucas opções de cores de giz e caneta para se utilizar, o que limita a representação visual e diminui a assimilação.

Vale a pena dizer que, apesar das diferenças socioeconômicas da nossa sociedade, a vivência no ensino me mostrou que mesmo em escolas públicas de periferias e comunidades, há um número significativo de alunos que possui celulares, o que por si só já garante o acesso à internet, redes sociais, informação entretenimento, etc, como mencionado antes.

Uma comparação que gostamos de tecer sobre essa discrepância entre a tecnologia do lar e a tecnologia da escola é: Como se nós vivêssemos no século XIX e o aluno já tivesse luz elétrica em sua casa, mas a escola ainda fosse iluminada por lamparinas de óleo de baleia.

O Professor e filosofo contemporâneo Mario Sergio Cortella diz (Citação Verbal)

3que: “Modernizar o ensino não é tecnologiza-lo”. Estamos de acordo parcialmente com essa

afirmação, sabemos que o que ele está querendo dizer com essa afirmativa é que modernizar o

ensino não é somente distribuir um tablet para cada aluno, ou fazer que todas as aulas sejam na frente de um computador, modernizar o ensino vai, além disso, significa buscar novas formas e metodologias de transmitir o conhecimento, tornar o aluno mais participativo e proativo no seu processo de aprendizado, criar métodos alternativos de ensino que aumentem a eficiência do ensino.

É exatamente nesse ponto que fica evidente o objetivo primordial desse trabalho que é o de conciliar a maior quantidade possível de recursos e teorias do ensino e da aprendizagem para a formulação e elaboração das aulas, pois de um lado nós temos diversos teóricos da educação propondo novas teorias e metodologias educacionais, mas ao mesmo tempo nós não podemos negligenciar a transformação tecnológica e a sua impactação na cabeça dos jovens, então por isso devemos aliar essas novas teorias com o novo cenário tecnológico contemporâneo a fim de tornar o processo de ensino o mais atrativo e produtivo possível.

Como exemplos de possíveis aplicações e utilizações reais das tecnologias da informação e comunicação (TIC’s) podemos citar: a utilização de imagens em projetores para representar objetos microscópicos reais como células, moléculas, pois até pouco tempo atrás essas transmissões eram feitas apenas por desenhos ou esquemas ilustrativos em livros ou dependendo do talento do docente até mesmo no quadro, mas essas representações não eram fiéis a realidade, pois eram apenas desenhos.

Outro exemplo é a utilização de filmes sobre um determinado conceito para ser debatido nas aulas de sociologia ou redação, ou sobre um determinado evento a ser discutido nas aulas de história, um documentário a ser utilizado nas aulas das disciplinas de ciências.

Podemos utilizar animações e GIF’s para representar um determinado fenômeno ondulatório e até mesmo realizar simulações em programas, aplicativos ou sites específicos que recriam fenômenos físicos. Ou seja, podemos perceber que hoje em dia há várias formas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TICs) a serem utilizadas e cada uma delas possui um leque de opções e variedades para ser utilizadas de acordo com o objeto a ser tratado.

Essa importância de se tecnologizar o ensino é tratada na BNCC quando ela diz: “selecionar, produzir, aplicar e avaliar recursos didáticos e tecnológicos para apoiar o processo de ensinar e aprender”. Vejamos a seguir algumas citações da BNCC que afirmam a importância do emprego da tecnologia em sala de aula.

Utilizar tecnologias digitais de comunicação e informação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas do cotidiano (incluindo as escolares) ao se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos e resolver problemas. (BRASIL, BNCC 2017, P 18).

As experiências das crianças em seu contexto familiar, social e cultural, suas memórias, seu pertencimento a um grupo e sua interação com as mais diversas tecnologias de informação e comunicação são fontes que estimulam sua curiosidade e a formulação de perguntas.

O estímulo ao pensamento criativo, lógico e crítico, por meio da construção e do fortalecimento da capacidade de fazer perguntas e de avaliar respostas, de argumentar, de interagir com diversas produções culturais, de fazer uso de tecnologias de informação e comunicação, possibilita aos alunos ampliar sua compreensão de si mesmos, do mundo natural e social, das relações dos seres humanos entre si e com a natureza. (BNCC 2017, P 54).

Há que se considerar, ainda, que a cultura digital tem Promovido mudanças sociais significativas nas sociedades contemporâneas. Em decorrência do avanço e da multiplicação das tecnologias de informação e comunicação e do crescente acesso a elas pela maior disponibilidade de computadores, telefones celulares, tablets e afins, os estudantes estão dinamicamente inseridos nessa cultura, não somente como consumidores. Os jovens têm se engajado cada vez mais como protagonistas da cultura digital, envolvendo-se diretamente em novas formas de interação multimidiática e multimodal e de atuação social em rede, que se realizam de modo cada vez mais ágil. Por sua vez, essa cultura também apresenta forte apelo emocional e induz ao imediatismo de respostas e à efemeridade das informações, privilegiando análises superficiais e o uso de imagens e formas de expressão mais sintéticas, diferentes dos modos de dizer e argumentar característicos da vida escolar.

Todo esse quadro impõe à escola desafios ao cumprimento do seu papel em relação à formação das novas gerações. É importante que a instituição escolar preserve seu compromisso de estimular a reflexão e a análise aprofundada e contribua para o desenvolvimento, no estudante, de uma atitude crítica em relação ao conteúdo e à multiplicidade de ofertas midiáticas e digitais. Contudo, também é imprescindível que a escola compreenda e incorpore mais as novas linguagens e seus modos de funcionamento, desvendando possibilidades de comunicação (e também de manipulação), e que eduque para usos mais democráticos das tecnologias e para uma participação mais consciente na cultura digital. Ao aproveitar o potencial de comunicação do universo digital, a escola pode instituir novos modos de promover a aprendizagem, a interação e o compartilhamento de significados entre professores e estudantes (BNCC 2017, P 57)

Analisar, criticamente, as relações entre mídia, sociedade e cultura, e os efeitos das novas tecnologias na cognição e na organização social. (BRASIL, BNCC 2017, P 137).

Compreender as relações entre as linguagens da Arte e suas práticas integradas, inclusive aquelas possibilitadas pelo uso das novas tecnologias de informação e comunicação, pelo cinema e pelo audiovisual, nas condições particulares de produção, na prática de cada linguagem e nas suas articulações. (BRASIL, BNCC 2017, P 156). Explorar diferentes tecnologias e recursos digitais (multimeios, animações, jogos eletrônicos, gravações em áudio e vídeo, fotografia, softwares etc.) nos processos de criação artística. (BRASIL, BNCC 2017, P 161).

Utilizar processos e ferramentas matemáticas, inclusive tecnologias digitais disponíveis, para modelar e resolver problemas cotidianos, sociais e de outras áreas de conhecimento, validando estratégias e resultados. (BRASIL, BNCC 2017, P 223).

Merece destaque o uso de tecnologias – como calculadoras, para avaliar e comparar resultados, e planilhas eletrônicas, que ajudam na construção de gráficos e nos cálculos das medidas de tendência central. A consulta a páginas de institutos de pesquisa – como a do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – pode oferecer contextos potencialmente ricos não apenas para aprender conceitos e

procedimentos estatísticos, mas também para utilizá-los com o intuito de compreender a realidade. (BRASIL, BNCC 2017, P 230).

2.4.6.1 Conclusão

Logo, tendo em vista o que aqui foi apresentado podemos concluir que a utilização de recursos tecnológicos na educação não é meramente um atrativo lúdico ou um diferencial comercial utilizado para atrair alunos. A tecnologização do ensino é uma necessidade real do mundo contemporâneo para equiparar o ambiente de ensino com a realidade do mundo onde o aluno está imerso e assim facilitar a comunicação entre educando e educador e consequentemente favorecer o processo de ensino e aprendizagem.