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4. AS COMPETÊNCIAS SEGUNDO LE BOTERFF

4.1 Recursos usados na construção das Competências

4.1.2 Recursos Objetivados (ou recursos do meio)

Na construção das suas competências, “o profissional mobiliza recursos não apenas incorporados à sua pessoa, mobiliza também recursos objetivados, isto é, exteriores a ele mesmo, recursos de apoio” (LE BOTERF, 2003, P. 127). Dentre eles, podemos citar os equipamentos, as máquinas, os meios de trabalho, as informações e as redes relacionais. Os recursos do meio intervêm em termos de competências. Fazendo parte de uma das características do profissional: “saber mobilizar e combinar, de modo pertinente um conjunto de recursos para administrar uma situação profissional complexa” (Id., P. 133).

Segundo Le Boterf (2008), para atuar com competência, um profissional deve mobilizar muitos recursos pessoais, mas também uma rede de recursos que são externos a ele. Pois este pode ser menos competente sozinho, contando apenas com seus recursos pessoais. O profissional deve conhecer e ser capaz de pesquisar uma variedade de recursos em bancos de dados ou através de pessoas que possuam recursos pertencentes a sua profissão, ou mesmo buscando informações em outras profissões ou serviços.

Para ser competente, um profissional precisa saber, diz este autor. E desse modo garantir a coerência e a sinergia de competências pessoais (próprias, de seus colegas,...) e artefatos (software, bases de dados, documentários de mídia, manuais de operação, manuais de procedimentos...), pois a competência profissional também depende da competência dos outros, e da capacidade de cooperar com os outros. Afirma Le Boterf (2008) que “o corte numa rede de recursos de um profissional equivale a retirar-lhe a capacidade para ser proficiente em uma situação particular” (LE BOTERF, 2008, p. 134). Isso resulta, segundo ele, em uma evolução do conceito de autonomia:

ser independente não significa apenas ir sozinho com seus próprios recursos, em autarquia, poderíamos dizer . Ser autônomo é conhecer a si mesmo para apelar a uma combinatória recursos dentro de sua própria pessoa, bem como de fontes externas (colegas, especialistas, bancos de dados...)(LE BOTERF, 2008, P. 135).

A autonomia profissional, para Le Boterf (2008), não é de nenhuma maneira a realização de uma ação por si só: é também a abertura de gestão. Assegurar a competência de um profissional do amanhã, segundo ele, não só facilita o desenvolvimento e implementação de suas habilidades pessoais, mas também pode disponibilizar redes apropriadas de recursos diversificados, atualizados e de alta confiabilidade. Facilitando também o acesso e o desenvolvimento da capacidade de usá-los.

Estes recursos podem ser mencionados como sendo em especial os das práticas de gestão do conhecimento. Eles são o conhecimento e know-how capitalizados e compartilhados. Havendo esforço para selecionar e processar informações para ser útil e utilizável. Portanto, formalizar, capitalizar e disponibilizar as "melhores práticas" e as lições experiênciadas torna-se uma preocupação comum.

Para que os funcionários atuem com competência em situações de trabalho, Le Boterf (2008) sugere não só desenvolver os seus recursos pessoais, mas também que estes profissionais passem a disponibilizar e atualizar os recursos de suporte (bancos de dados, guias técnicos, rede de contatos...) para que eles possam visualizar com quem estabelecer regime de cooperação.

Se o desejo é mobilizar a equipe diariamente, deve-se compreendê-los e respeitá-los como pessoas que têm a sua própria personalidade. Estando atento às suas preocupações, respeitando a sua privacidade e reconhecendo as suas especificidades.

quando você precisa preparar sua equipe para a gestão de uma situação profissional, pergunte-se se está de posse dos vários recursos mencionados acima, e se algum deve ser desenvolvido. Não se limite a uma soma de conhecimentos, competências e habilidades para a vida. Pergunte a si mesmo perguntas em termos de necessidades de recursos para entender, para funcionar, para cooperar, para aprender, para decidir o que fazer... (LE BOTERF, 2008, p. 61).

Le Boterf (2008) aponta a importância de um formador potencializar as formações através de mais mapas mentais. Explicitando aos alunos como eles organizam o conhecimento que adquirem e o raciocínio para resolver um problema. Esta para Le Boterf (2008) é uma boa maneira de examinar, à medida que o conhecimento é disseminado e reconstruído sob forma de conhecimento pessoal.

Para facilitar a expressão e organização mobilizada, e recursos para agir com competência em uma determinada situação combinada, pode ser vantajoso, diz Le Boterf (2008), realizar a fabricação de cartões ou "mapas de recursos” inspirados em "mapas conceituais", “mapa semântico”, “mapa do conhecimento” ou “mapa cognitivo”. Estes mapas, seja lá qual for à denominação dada, afirma Le Boterf (2008), tomam a forma de uma árvore dos vários conceitos e / ou recursos (conhecimento, know- how, métodos...) que o aprendente mobilizou na sua prática ou processo de formação.

Portanto, segundo este autor não é uma representação ideal, mas uma representação pessoal da organização dos recursos mobilizados pelo aprendente. Esta combinação dos recursos mobilizados não significa simplesmente empilhar ou adicionar saberes. Esta ferramenta (a qual denominaremos de “mapa mental”), segundo Le Boterf (2008), pode ser de grande valor educativo na medida em que oportunizam ao professor o acesso à extensão da base de recursos dos alunos.

Estes veem os recursos em um contexto específico e retêm ou se desviam considerando certos fatores ou variáveis. Com um cartão desta natureza, seria mesmo possível pedir aos alunos para incluir razões que contribuíram para que os recursos mobilizados e combinados não fossem efetivamente mobilizados. (LE BOTERF, 2008, p. 63).

No caso de um professor ou mediador de aprendizagem, Le Boterf (2008) sugere não se esquecer de trabalhar com os alunos considerando o seu raciocínio: como eles tratam esse tipo de problema? Quais são os argumentos que são relevantes para eles, por meio do qual eles conseguem resolver o problema? Que falácias evitar? Como uma maneira de entrar no domínio cognitivo, sem se perder em complexidade.