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2 ASSÉDIO MORAL E ESTABILIDADE

2.8 Rede de acolhimento

O Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) do quadriênio 2018-2022, que é um instrumento de planejamento e gestão da instituição, prevê no eixo pessoas – servidores como um dos objetivos estratégicos “proporcionar qualidade de vida no trabalho, por meio de um ambiente estimulante, inclusivo, seguro e saudável, garantindo o bem-estar e favorecendo o comprometimento organizacional e o pertencimento institucional.” (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2018, p. 39).

Ressalte-se que o PDI é um dos instrumentos elaborados para atender as diretrizes do Sistema Nacional de Avaliação de Educação Superior (SINAES), o qual possui 10 dimensões, sendo a quinta dimensão as políticas de pessoal, as carreiras do corpo docente e do corpo técnico-administrativo, seu aperfeiçoamento, desenvolvimento profissional e suas condições de trabalho (BRASIL, 2004).

Com o fim de cumprir o objetivo proposto no PDI, a PROGEP elaborou uma cartilha intitulada Assédio Moral e Sexual no Trabalho Prevenção e Enfrentamento na UFC, na qual apresenta os setores da UFC que atuam na prevenção e no enfrentamento do assédio moral, a saber: DIAPS, CET, Ouvidoria-Geral, CDH e CPPAD. Esses setores recebem as denúncias, esclarecem as dúvidas dos servidores e os aconselham a como devem agir (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2019).

A DIAPS é uma divisão pertencente à Coordenadoria de Qualidade de Vida no Trabalho (COQVT), a qual faz parte da PROGEP (Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas). De acordo com a cartilha Assédio Moral e Sexual no Trabalho Prevenção e Enfrentamento na UFC, a DIAPS (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2019, p. 4):

atua em questões psicossociais em suas variadas expressões, implantando e desenvolvendo ações que oportunizem a melhoria da qualidade de vida dos(as) servidores(as) da UFC na perspectiva da vigilância e promoção da saúde, fundamentada na Política Nacional de Atenção à Saúde e Segurança do Trabalho do Servidor Público Federal (PASS).

A DIAPS atua em duas principais frentes de intervenção. Ela atua na prevenção, ao realizar ações voltadas para a educação em saúde, alinhadas a outros projetos desenvolvidos pela divisão. Além disso, age no enfrentamento do assédio moral, ao fazer a escuta qualificada da vítima, orientando-a e encaminhado-a a outros setores da instituição, podendo inclusive,

solicitar ajuda de instituições externas à UFC (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2019).

A COQVT comanda um projeto intitulado Mediação das Relações Interpessoais nos Contextos de Trabalho, cujo público-alvo são os servidores docentes e técnico-administrativos da UFC. O mencionado projeto almeja à (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2022f):

promoção da saúde dos servidores da Universidade Federal do Ceará, a partir de uma proposta dialógica para a mediação de conflitos presentes nos contextos de trabalho, atendendo a demandas oriundas de diversos setores da Instituição. Dadas as particularidades de cada setor, procura-se adaptar o formato do projeto às demandas trazidas. Com o objetivo de conduzir a mediação do conflito utilizam-se diversas ferramentas como: entrevistas em separado com cada um dos trabalhadores ou grupo envolvidos; visitas ao ambiente de trabalho; entrevistas com as chefias (quando estas não estão implicadas diretamente na querela); e, por fim, reuniões com todos os sujeitos ligados ao conflito, ocasiões nas quais se procura mediar o diálogo e, quando possível, facilitar a construção de novos acordos de convivência. Alguns resultados esperados são: a possibilidade do trabalhador ressignificar o conflito e transformá-lo em um momento de tomada de decisões, aproveitando aspectos positivos para melhorar as relações sócio-profissionais. Pretende-se também suscitar reflexões aos mediadores que atuam na área de saúde do trabalhador, contribuindo para sua formação profissional, bem como servir como um espaço de aprendizagem e formação aos estudantes de psicologia que participam do projeto.

Desta forma, o referido projeto é uma das ações institucionais voltadas à prevenção do assédio moral, tendo em vista que possibilita a discussão do conflito e uma resolução amigável para evitar que essas discordâncias evoluam para o assédio moral.

A Comissão de Ética recebe as denúncias independentemente da apresentação de provas testemunhais ou documentais. Se a falta ética for confirmada, a comissão deverá tomar as providências dispostas no Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, bem como no Código de Ética da UFC, a saber (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2019, p.12):

a) encaminhamento de sugestão de exoneração de cargo ou de função de confiança à autoridade hierarquicamente superior ou de devolução do servidor ao órgão de origem, conforme o caso; b) recomendação ao dirigente máximo da UFC de abertura de procedimento administrativo disciplinar, se a gravidade da conduta assim o exigir.

Além de cumprir as determinações do Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal e do Código de Ética da UFC, a Comissão de Ética desenvolve as seguintes ações (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2019, p. 12):

Distribuição a todos(as) os(as) servidores(as), inclusive aos(às) novos(as) servidores(as) no ato de sua posse, do Código de Ética da UFC; divulgação, através de fôlder, da Comissão de Ética da UFC, disponibilizando contatos e procedimentos de denúncia; orientação para o encaminhamento de denúncias que fogem à

competência da comissão; Disponibilização na página principal da UFC de todas as informações referentes à Comissão de Ética, inclusive das ementas dos processos por ela apurados.

De acordo com a cartilha de Assédio Moral e Sexual no Trabalho Prevenção e Enfrentamento na UFC (2019), a denúncia deverá ser feita perante a Comissão de Ética e protocolada na sua sede. O encaminhamento da denúncia pode ser feito por via postal ou por meio eletrônico. Caso o denunciante não se identifique, a Comissão de Ética poderá instaurar um procedimento investigativo para apurar os fatos narrados na denúncia. “A denúncia deve conter os seguintes requisitos: descrição da conduta considerada antiética; indicação da autoria;

apresentação dos elementos de provas, testemunhas ou indicação de onde podem ser encontrados.” (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2019, p. 12).

A Ouvidoria-Geral1 acolhe a manifestação do denunciante e direciona para o setor demandado na denúncia, mediante processo no Sistema Eletrônico de Informação (SEI), e para a Comissão de Ética. Além de fazer os encaminhamentos necessários para o trâmite do processo, a Ouvidoria-Geral faz o acompanhamento dos processos com cautela e atenção, com o fim de encontrar a melhor solução para cada caso (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2019).

A Comissão de Direitos Humanos tem uma comissão temática para tratar UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2019, p. 13):

I – promover ações socioeducativas sobre o tema com a finalidade de prevenir práticas dessa natureza, incentivar denúncias sobre violações e debater a importância de relações interpessoais respeitosas e protetivas na instituição;

II – estimular práticas institucionais voltadas para o fortalecimento de uma cultura de enfrentamento de práticas assediadoras e abusivas;

III – acompanhar situações das denúncias que chegam à comissão, fortalecendo fluxos e canais institucionais para sua resolutividade.

A CPPAD desempenha suas funções de acordo com a CF e a Lei nº 8.112/90 (institui o Regime Jurídico Único dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais). A CPPAD recebe a manifestação do ofendido e encaminha para o setor demandado por meio do SEI, bem como compete a ela (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2019, p. 14):

Nesse sentido, e em conformidade com o artigo 143 da Lei nº 8.112/90, no que concerne à competência da CPPAD, as denúncias envolvendo assédio moral e sexual são analisadas à luz de possíveis violações a direitos (artigo 116) e deveres (artigo 117) ocorridas no âmbito da Universidade, a fim de serem apuradas mediante sindicância

1 O(a) aluno(a) que tiver interesse em denunciar assédio moral pode entrar em contato com a Ouvidora-Geral, a qual fará os devidos encaminhamentos do processo.

ou processo administrativo disciplinar, assegurando ao(à) acusado(a) ampla defesa e o contraditório e podendo resultar na aplicação de uma das penalidades dispostas no artigo 127 da citada lei.

Desta forma, o ofendido que sofrer assédio moral dentro da UFC pode denunciar o ocorrido à autoridade universitário onde o fato aconteceu, à Ouvidoria-Geral, à Comissão de Ética ou à Comissão Permanente de Processo Administrativo Disciplinar (CPPAD). Para que o fato seja investigado, é imprescindível a formalização da denúncia nos referidos setores e, se possível, apresentar documentos ou provas testemunhais com o fim de fundamentar a instauração de processo disciplinar ou ético.

Ademais, a mencionada cartilha elenca outros órgãos públicos e instituições onde o servidor pode buscar ajuda, quais sejam: Ministério Público, Defensoria Pública, Vara da Justiça do Trabalho, Sindicato da Categoria Profissional e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Comissão de Direitos Humanos (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2019).

Outra medida para a prevenção e o combate ao assédio moral, cuja inciativa é da PROGEP, foi a criação do grupo de estudos Prevenção e Combate ao Assédio Moral e Sexual no Trabalho. Além de contar com a participação de outros setores da UFC, o grupo é mediado pela COQVT por meio da DIAPS (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2022g).

O objetivo do grupo é analisar o Relatório Prevenção e Combate ao Assédio:

Práticas e Modelo para Implantação, publicado pela Tribunal de Contas da União (BRASIL, 2022), com o fim de auxiliar e promover o desenvolvimento de ações de prevenção e de enfrentamento ao assédio na UFC. Outrossim, há planos para fomentar outras ações envolvendo toda a comunidade acadêmica (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2022g).

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