2.4 Avaliações subjetivas das redes
2.4.6 Rede de Saneamento Drenagem Pluvial Urbana
Quanto a drenagem urbana, Tucci et al (2003) consideram um sistema que tem função de coletar, escoar e dispor as águas das chuvas das cidades. As estruturas que coletam as águas das chuvas em bocas e tubulações seriam a microdrenagem e a macrodrenagem, tubulação de grande diâmetro e galerias de águas pluviais, canais e rios são os troncos receptores da água da chuva. Microdrenagem urbana é definida pelo sistema de condutos pluviais no loteamento ou na rede primária urbana
O processo de urbanização impermeabiliza o solo dificultando a infiltração e acelerando o escoamento superficial e a possibilidade de inundações. A drenagem urbana é então entendida como medidas para minimizar os efeitos e prejuízos causados por inundações (CHERNICARO; COSTA, 1995).
Para Champs (2009) a partir dos anos 80, a Engenharia de Drenagem Urbana tem adotado significativas mudanças. A integração dos serviços de drenagem com os demais componentes do Sanemento Básico são exigências da boa prática da gestão das águas urbanas. Há a adoção da inclusão de águas pluviais na paisagem urbana, manutenção dos cursos de água em seus leitos naturais, não adoção de canalização de escoamento rápido, reconhecimento da necessidade do saneamento da bacia Hidrográfica do sistema de drenagem. Para o autor, o sistema viário urbano é parte integrante da infraestrutura da microdrenagem. A microdrenagem reúne as atividades de captação do escoamento de superfície por meio de uma infraestrutura em toda a malha viária de uma cidade: suas sarjetas, caixas de captação e rede subterrânea.
A prática do planejamento para os serviços de drenagem urbana no Brasil é nulo ou quase. A drenagem tem sido deixada de lado no saneamento. Nem no extinto Plano Nacional de Saneamento (Planasa) nem na Lei 11.445/2007, a drenagem foi tratada como carece e merece, pois existem relações diretas da drenagem com o abastecimento de água quando reservada e tratada para este fim, com a coleta de resíduos sólidos, já que a deficiência neste
ultimo agrava os problemas de inundação e assoreamento, e com o esgotamento sanitário, quando se reconhece que existem conexões sistêmicas de um sistema com outro. Há ainda a inexistência de normas técnicas no acervo da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas para a formulação da gestão da drenagem urbana. Por tudo isso mercê uma abordagem de gestão e planejamento mais aprofundada. (CHAMPS, 2009).
Champs (2009), ainda aponta que uma política nacional de drenagem urbana deve fomentar uma atualização tecnológica permanente e destaca, dentro outras atualizações, a necessidade de desenvolver critérios de avaliação (indicadores) da eficiência ou não das estruturas de drenagem.
O Plano Diretor de Drenagem Pluvial Urbana de Porto Alegre prevê a utilização de cenários de planejamento e alternativas de controle para projeto. Estes cenários de projeto, representam as condições na qual a bacia estaria sujeita a diferentes cenários de desenvolvimento, sendo o cenário Atual : Condições de urbanização atual, envolve a ocupação urbana no ano de elaboração do Plano obtida de acordo com estimativas demográficas e imagens de satélite; O cenário PDDUA: Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental: O plano de desenvolvimento urbano em vigor na cidade estabelece diferentes condicionantes de ocupação urbana para a cidade; O cenário atual + PDDUA: Este cenário envolve a ocupação atual para as partes da bacia onde o Plano foi superado na sua previsão, enquanto que para as áreas em que o Plano não foi superado, foi considerado o valor de densificação previsto no mesmo, sendo excludente em relação ao segundo. O cenário de ocupação máxima: Este cenário envolve a ocupação máxima de acordo com o que vem sendo observado em diferentes partes da cidade que se encontram neste estágio. Este cenário representa a situação que ocorrerá se o disciplinamento do uso do solo não for obedecido. É utilizado como parâmetro comparativo.
O PDDUA de Porto Alegre considera que a locação da rede coletora de águas pluviais: (i) no passeio, a 1/3 da guia (meio-fio) e (ii) a menos utilizada, sob o eixo da via pública. Ambas devem possibilitar a ligação das canalizações de escoamento das bocas-de-lobo. Para as bocas-de-lobo a locação deve considerar as que serão locadas em ambos os lados da rua, quando a saturação da sarjeta assim o exigir ou quando forem ultrapassadas as suas capacidades de engolimento; serão locadas nos pontos baixos da quadra; a locação deve ainda ser determinada através do cálculo da capacidade hidráulica da sarjeta, considerando-se uma altura do meio-fio de 0,15 m e uma largura da lâmina d’água variável (estipulada caso a caso); A melhor solução para a instalação de bocas-de-lobo é que esta esteja em pontos pouco a montante de cada faixa de cruzamento usada pelos pedestres, junto às esquinas. Não é conveniente a sua localização junto ao vértice de ângulo de interseção das sarjetas de duas
2000 · Q
ǻx = [Equação 2]
60·C·I·LR
Onde: Q: vazão máxima (m3/s); C: coeficiente de escoamento;
I: intensidade da precipitação (mm/h); LR : Largura da Rua;
ǻx : Distância entre duas bocas-de-lobo.
Conforme os estudos de Fiori (2006) para o Fator Crítico Abrangência e Qualidade da Infraestrutura para drenagem pluvial, podem-se destacar alguns indicadores pertinentes que são taxa de urbanização, abrangência das enchentes e grau de permeabilização do solo, na fase Pressão, numero de áreas alagáveis, percentual de inundações localizadas provocadas pela urbanização, abrangência de rede de coleta de águas pluviais, na fase Estado e legislação de uso e ocupação de solo urbano, recursos destinados a ampliação e melhoria da rede de drenagem urbana (macro e micro), na fase Resposta.