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Reenvio a título prejudicial

No documento DTcomunitario (páginas 65-69)

PROCESSOS ESPECIAIS

81. Reenvio a título prejudicial

Este meio garante a unidade e uniformidade do direito comunitário e faz a ponte entre os tribunais comunitários e os tribunais nacionais, entre dois órgãos jurisdicionais: o Tribunal de Justiça e os tribunais nacionais.

O grande objectivo do reenvio a título prejudicial (art. 234º TCE), mas basta a existência de uma lei comunitária para ser uma lei única, para ser comum tem de ser interpretada da mesma forma em todos os Estados-membros, garantindo- se assim a unidade e uniformidade do direito comunitário competindo ao Tribunal de Justiça a função de determinar o sentido e alcance das regras comunitárias:

a) O art. 234º-a TCE – interpretação do direito comunitário originário;

b) O art. 234º-b TCE – interpretação e validade do direito comunitário derivado, a validade é verificar se uma regra cumpriu os requisitos de ordem formal e material.

O Tribunal de Justiça só é competente para aferir da interpretação do direito comunitário originário e derivado, mas só pode aferir da validade do direito comunitário derivado[37]. Os vícios para que um acto seja inválido são os referidos no art. 230º TCE os mesmos que fundamenta o recurso de anulação.

O Prof. Mota Campos refere que em caso de interpretação das regras dos tribunais de cujas decisões não haja recurso podem reenviar, porque aqui a

regra há recurso, mesmo que estejam a julgar um processo em que não caiba recurso, têm o direito de reenviar. Enquanto o Supremo Tribunal de Justiça ou Supremo Tribunal Administrativo, são obrigados a reenviar porque não há possibilidade de alterar a decisão pois não pode haver recurso.

Argumentos de Mota Campos:

 Um envio de interpretação de um tribunal inferior não põe em causa a uniformidade do direito comunitário;

 Se todos os tribunais que julgassem um processo do qual não coubesse recurso, se esse tribunal fosse obrigado a recorrer havia um avolumar de processos junto do Tribunal de Justiça (argumento burocrático);

 O art. 234º TCE fala em tribunal e não em processo, assim sendo, o que se tem em conta é a natureza do tribunal e não a natureza do processo logo há determinados processos dos quais não cabe recurso, então se o que se tem em conta é a natureza do tribunal, só os tribunais superiores é que são obrigados a reenviar, porque não pode haver recurso das suas decisões (argumento literal).

Para o Prof. Mota Campos se o que estiver em causa é uma questão de validade o cenário é outro, se da decisão de um tribunal de instância resultar a invalidade do acto, o Tribunal de Primeira Instância não tem competência para o fazer, compete sempre o reenvio para o Tribunal de Justiça.

A Profa. Sardinha não concorda: entende que não só os tribunais supremos são obrigados a reenviar como também são obrigados aqueles que estão a julgar em última instância um processo onde já não há possibilidade de recurso. Porque não concorda com o elemento literal, entende que o elemento burocrático é falacioso, que poderá ou não comprometer a uniformidade do direito comunitário e prejudicar terceiros.

Sempre que um tribunal está obrigado a reenviar e não reenvia, pode haver uma acção de incumprimento por parte do Estado.

Quem pode reenviar são os tribunais nacionais, a obrigação de reenvio é sempre da parte do juiz nacional e não dos particulares, os particulares podem é suscitar a dúvida no juiz nacional para que este reenvie.

O reenvio é da inteira responsabilidade do juiz nacional que opta por enviar ou não, escolhe o momento do reenvio e de como faz o reenvio. O juiz toma uma decisão de reenvio, escolhe o momento do reenvio, quando tem dúvidas ou quando tem de aplicar o direito aos factos, e como fazer o reenvio, não há um formalismo específico para o reenvio, existe uma grande liberdade. Estas três

coisas são da exclusiva responsabilidade do juiz nacional.

Há um despacho que suspende o processo no tribunal nacional para o reenvio para o Tribunal de Justiça.

Os particulares podem suscitar a aplicação do direito comunitário e o juiz nacional estando obrigado a reenviar pode-se furtar do reenvio em três situações:

 O juiz nacional entender que o caso que está a ser julgado não deve ser julgado perante o direito comunitário, o direito comunitário não tem cabimento naquele processo;

 A interpretação daquela regra ter sido feita num acórdão anterior do Tribunal de Justiça, não é obrigatório, mas é sempre possível reenviar;  Invocação da teoria do acto claro, para o juiz nacional se furtar à

obrigação de reenvio invocando esta teoria ele não pode ter quaisquer dúvidas sobre aquela regra em questão, é uma disposição clara e precisa que não levanta quaisquer dúvidas no seu ordenamento jurídico interno, nos outros ordenamentos jurídicos dos restantes Estados-membros e no ordenamento jurídico comunitário.

Particularidades quanto a este processo:

Tudo se resolve entre a fase escrita e o acórdão, a fase instrutória e a fase oral não fazem sentido, termina com um acórdão interpretativo ou que vai aferir quanto à validade das regras. Sendo um acórdão, o tribunal o que vai dizer é qual a interpretação daquela regra. O Tribunal de Justiça tem que dar uma resposta clara e precisa sobre a interpretação da regra, a sua função acaba aqui; mas não lhe cabe aplicar a solução ao caso concreto.

Quais os efeitos do acórdão interpretativo? (duas posições)

 Entende que esse acórdão vincula apenas o juiz que fez o reenvio;  Aquele acórdão tem o efeito “erga omnes” (para sempre).

Esta segunda posição tem que encontrar um meio-termo: não vincula apenas o juiz e não vincula para sempre.

O direito comunitário e dinâmico e o tribunal deve ter sempre a possibilidade de alterar a sua posição. Este efeito definitivo “erga omnes” iria cortar o diálogo entre o Tribunal de Justiça e o tribunal nacional.

O Tribunal de Justiça entende que qualquer interpretação que é feita vale para o tribunal autor do reenvio mas estende-se para além disso.

Uma posição do Tribunal de Justiça não vale para sempre. Se se tratar de um acórdão para aferir da validade das regras, o tribunal nunca declara que o acto é

válido, limita-se a dizer que o acto não tem o vício que foi invocado.

Se o tribunal entende que o acto é inválido essa decisão vincula o juiz que procedeu ao reenvio mas esta decisão acaba por ter efeitos “erga omnes” porque deixa de ter pertinência suscitar qualquer dúvida ao Tribunal de Justiça sobre aquela regra, o tribunal já se pronunciou que ela é inválida.

FONTES DE DIREITO COMUNITÁRIO

No documento DTcomunitario (páginas 65-69)

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