Capítulo I: Metodologia de Trabalho de Projeto
Anexo 13 Reflexão Final do contexto de creche
Referentes de reflexão:
- Como me sinto, no final do estágio; - “Altos e baixos”: crianças todas diferentes;
- Como me senti ao longo destas semanas, na Instituição Centro Infantil Moinho de Vento; - O que proporcionei às crianças, com o planeamento de propostas;
- Desafios à minha personalidade.
Com esta reflexão, sendo a final da Prática Pedagógica, em contexto de creche, pretendo, ao longo deste documento, responder à seguinte questão:
Como me sinto no final deste estágio, deste (longo) semestre?
Sinto-me, sobretudo, cansada. Mas, muito feliz. Neste semestre, tive a oportunidade de conhecer pessoas que nunca irei esquecer, pois fizeram parte do meu primeiro “grande” estágio, que não foi de apenas uma dia por semana, foi de três dias por semana, desde setembro a janeiro. Foram-se criando ligações, desenvolveram-se afetos e criou-se um carinho muito especial, pela instituição em si e, principalmente, pelo grupo da sala “Colmeias” (entendendo grupo como composto pelas crianças e adultos).
Saio daqui com a sensação de que passamos por diferentes “altos e baixos”, que as restantes colegas do mestrado não passaram. Refiro-me às adaptações, a questões relacionadas com segurança social, crianças de diferentes famílias (monoparentais, gravidez na adolescência, famílias romenas, ucranianas, famílias com um elevado número de agregado familiar). Cada criança, deste grupo, tem uma história de vida, que a faz ter diferentes reações, perante diferentes propostas/experiências, que lhes foram proporcionadas, o que me levou, ao longo deste semestre, a refletir sobre vários e determinados assuntos, o que não aconteceria se estivesse numa outra instituição.
Assim, se me perguntarem: Valeu a pena ires estagiar para tão longe? Eu respondo que sim, que não me arrependo e que aprendi bastante, não só como futura educadora, mas também como pessoa, adulta e cidadã.
É de notar que, as saudades já apertam, mas como a educadora Edite diz: Vocês vão conhecer outras crianças, que
também vos vão deixar muito contentes, até se esquecerão destes. Será verdade? Apesar de ser costume dizer-se “nunca
digas nunca”, eu acho que nunca esquecerei estas crianças, este grupo fabuloso, porque, apesar de já ter estagiado noutros locais, o estágio não foi tão intenso, não se criaram laços assim tão fortes, não conhecemos as crianças assim tanto como conhecemos estas, não as vimos doentes, não tivemos oportunidade de falar com os pais, tios, avós. Este sim foi um estágio. Tal como vai ser em contexto de jardim-de-infância, crianças que irão comigo, no coração e que irão deixar saudade, para sempre.
Além das crianças, não posso deixar de referir todas as pessoas que trabalham nesta instituição, desde a educadora Edite, a auxiliar Mª do Carmo, até às cozinheiras, que sempre se preocuparam connosco, ajudaram-nos sempre que precisámos, deram uma palavra de apoio e incentivo e mostraram-se sempre preocupadas connosco. Não querendo com isto, dar a entender que estou a tentar dar “graxa”, mas a verdade tem de ser dita e, como já disse oralmente, foi muito bom termos escolhido ir para a Batalha, no dia em que mais nenhum grupo se ofereceu para tal. Fizemos, enquanto grupo, uma excelente escolha!
Ao longo destas semanas, tentei agir como uma estagiária, que anda a aprender com professores orientadores e educadores cooperantes, o que envolve que haja uma observação de ambas as partes, que não serve, essencialmente, como uma avaliação, mas como um recurso de aprendizagem (Martins, 2011).
Assim, tive o cuidado de proporcionar, às crianças, tanto um ambiente seguro, como oportunidades de interação com adultos e com as restantes crianças, promovendo momentos de brincadeira, que auxiliam o desenvolvimento de diferentes capacidades, tanto cognitivas, como motoras e afetivas, através do lúdico (Prodócimo & Navarro, 2008). Tentei, ainda, que as crianças pudessem confiar em mim, uma vez que este é um dos aspetos fundamentais para que as crianças cresçam e se desenvolvam de forma harmoniosa, proporcionando-lhes experiências adequadas ao seu ritmo de desenvolvimento e faixa etária (Portugal, 2000).
Foram, como já referi, vários os “altos e baixos”, pelos quais passei, desde a adaptação do A. (21 meses), do T. (17 meses) e da C2. (22 meses), envolvendo as separações das suas figuras parentais, o que se verifica “(…) particularmente inquietante em algumas crianças e que se associa a alguma insegurança na forma de lidar com essa situação por parte dos futuros educadores” e foi sobre isto que refleti na maioria das reflexões, uma vez que sentia uma necessidade enorme em saber mais sobre o assunto em questão (Portugal, 2000, p.86-87).
É de notar que, para mim, era difícil planear propostas que fossem ao encontro dos interesses das crianças, uma vez que sempre fui habituada a realizar da forma contrária, ou seja, ir procurar propostas e só depois ver o que as mesmas desenvolvem e realizá-las com as crianças. No entanto, no final deste estágio, observo as crianças, tento perceber o que as mesmas necessitam e o que as mesmas gostam, deixando que estas se desenvolvam através da descoberta, podendo,
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desta forma, manipular e explorar outros objetos, colocando a criança no centro da minha intervenção, seguindo, um pouco, os fundamentos do modelo High Scope (Henriques, 2013; Moreira & Teixeira, 2008/2009).
Tal como a educadora Edite nos costumava dizer: Meninas, experimentem à vontade, façam coisas diferentes, coisas
com as quais não se sintam tão à vontade, porque não sabemos o que nos irá calhar, numa próxima vez e aqui estão à vontade para experimentar.
E assim foi, desafiei-me a mim própria, e, por exemplo, tentei explorar livros, com as crianças, uma vez que estas ações eram as que mais me custavam, uma vez que envolviam uma clara exposição da minha parte, não apenas às crianças, mas, também, aos adultos. Assim, tentei agir, com o passar do tempo, de uma forma mais natural e espontânea, não só quando contava uma história, mas também quando interagia com as crianças, em grande grupo, dançando, com elas e para elas. Esta última ação, nesta última semana, era algo que surgia de forma espontânea, sem dificuldade alguma. Sinto que, apesar de ter intervindo uma semana a mais, não foi o suficiente para explorar o máximo de propostas com as crianças, para que fosse possível observar mais evoluções. Refiro este aspeto, uma vez que, nem todas as crianças têm a mesmo à vontade, com as mesmas propostas, e seria interessante observar as progressões, tal como tenho vindo a observar no M.C. (15 meses).
Decido terminar com uma citação de Otte e Kovács (s.d., p.3), que referem que “tudo o que acontece ao nosso redor, desde a nossa primeira infância, fica registrado em nosso inconsciente. Isto significa que tudo aquilo que vemos, ouvimos e sentimos influi no nosso desenvolvimento e amadurecimento.” Basta saber se, ficarei, na verdade, para sempre, na memória das crianças, por bons e agradáveis motivos.
Referências bibliográficas:
Henriques, H. I. (2013). Organização e dinamização da biblioteca no jardim de infância. Portalegre: Instituto Politécnico de Portalegre- Escola Superior de Educação de Portalegre.
Moreira, I. A., & Teixeira, S. M. (2008/2009). Currículo e Avaliação em Creche. Porto: Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti.
Otte, M. W., & Kovács, A. (s.d.). A magia de contar histórias. Rio do Sul: Instituto Catarinense de Pós-Graduação. Parente, C. (s.d.). Observar e escutar na creche para aprender sobre a criança. Porto: CNIS - Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade.
Portugal, G. (2000). Educação de bebés em creche - Perspectivas de formação teóricas e práticas. Revista do GEDEI Infância e Educação - Investigação e Práticas, N.º1 , pp. 85-106.
Prodócimo, E., & Navarro, M. S. (10 de novembro de 2008). Reflexões sobre o brincar: uma visita a um parque público em São Paulo. Revista Iberoamericana de Educación, V.7 N.º47 , pp. 1-10.