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Registro dos temas debatidos

1.6. Diagnóstico Participativo

1.6.2. Registro dos temas debatidos

Diagnóstico Participativo – IMDH – Brasília, 17 de setembro de 2019

GRUPO MULHERES

Tema Boas Práticas/Aspectos Positivos Lacunas/entraves/

Dificuldades

Todas as mulheres no grupo tinham documentos ou de solicitação de refúgio, ou de residência temporária.

Resolução que possibilita a isenção das taxas de registro migratório para pessoas em situação de hipossuficiência econômica.

Resolução que possibilita que as crianças venezuelanas solicitem residência temporária apresentando apenas a Certidão de Nascimento, mesmo sem terem documento com foto. Antes disso, muitas famílias adotavam uma situação “mista”, em que os pais pediam residência e as crianças pediam refúgio, apenas para não ficarem indocumentadas no Brasil.

Emissão de CRNM provisória também para solicitantes de refúgio, que antes dispunham apenas do Protocolo de Solicitação de Refúgio como documento de regularização migratória.

Mesmo para os venezuelanos que solicitam residência temporária, a via do refúgio permanece aberta a qualquer tempo, caso entendam que necessitam de proteção internacional. de refúgio e solicitar a residência temporária, em razão da demora para a decisão do CONARE e também das dificuldades de acesso a serviços portando o Protocolo de Refúgio.

Mesmo que solicitantes de refúgio tenham direito a ter a CRNM provisória, as

participantes relataram que a emissão do documento é bastante demorada, muitas vezes excedendo o prazo inicial de 90 dias, dado pela Polícia Federal.

Ampliar a divulgação da plataforma de informação desenvolvida pelo ACNUR:

https://help.unhcr.org/brazil/

Para os venezuelanos, ampliar a divulgação de materiais informativos que expliquem os diferentes requisitos e as implicações de se solicitar refúgio ou residência.

Setor de Proteção do IMDH realizar rodas de conversa regulares com grupos de refugiados e imigrantes para esclarecer dúvidas sobre os processos de concessão de refúgio e residência temporária, direitos e deveres no Brasil, etc.

Refugiados e imigrantes, cientes de seus direitos, se sentirão mais seguros para reivindicá-los quando algo lhes for indevidamente negado (a exemplo dos casos de falta de reconhecimento do Protocolo). Podem, igualmente, reportar ao IMDH e outros órgãos competentes ocorrências desta natureza.

IMDH e ACNUR intensificar as ações de

É importante poder contar com o apoio e orientações de organizações, como o IMDH.

As participantes relataram ter tomado conhecimento de diversos direitos e serviços por meio do atendimento presencial e dos materiais informativos distribuídos pelo IMDH e conseguiram acessá-los efetivamente, como:

abertura de conta bancária, acesso ao SUS, CRAS e bilhete único.

Solicitantes de refúgio, refugiados e imigrantes podem obter a CTPS no Brasil e têm os mesmos direitos que os trabalhadores brasileiros.

Houve diversos relatos de dificuldade de acesso a serviços e direitos por falta de

reconhecimento do Protocolo de Refúgio ou do Protocolo de Emissão da CRNM, em situações como: abertura de conta em banco, oficial, mesmo com a apresentação da CTPS.

A despeito da normativa do Banco Central (Carta-Circular nº 3.816, de 7 de abril de 2017), ainda há bancos que se negam a abrir contas para pessoas que apresentam o protocolo como documento de identificação.

sensibilização de atores diversos sobre os direitos de solicitantes de refúgio e residência

temporária, bem como sobre a validade do Protocolo como documento de regularização e identificação no Brasil.

IMDH e ACNUR intensificar as ações de incidência junto ao CONARE, em busca de decisões mais céleres para os processos de refúgio.

EDUCAÇÃO Acesso ao Ensino Superior Algumas universidades públicas possuem programas

especiais de acesso para refugiados e imigrantes com visto humanitário.

Considerando a situação de crise humanitária na Venezuela, seria importante realizar ações de incidência no sentido de incluir venezuelanos em programas de ingresso facilitado à universidade, semelhante ao que já existe para refugiados.

Revalidação de Diplomas e Títulos

Parceria entre o IMDH e a Compassiva para orientar e apoiar nos processos de revalidação de diplomas e títulos.

As pessoas que têm curso superior no país de origem enfrentam grandes dificuldades para conseguir revalidar diplomas e títulos no Brasil.

IMDH apoiar nos processos de pedido de isenção de taxas para reconhecimento dos certificados.

Educação Básica e Técnica Uma das participantes compartilhou como conseguiu realizar um curso profissionalizante no SENAC (Taguatinga), que contribuiu para sua vivência educacional e para ter um diploma reconhecido no

As participantes que não tinham emprego tinham interesse em fazer cursos

profissionalizantes para aumentar suas chances no mercado de trabalho, porém muitas

Foi compartilhado no grupo as oportunidades de cursos técnicos ofertados pelo Instituto Federal, Sistema S e outros.

Brasil. A partir de sua experiência, incentivou as outras mulheres do grupo a buscarem uma oportunidade em instituições que oferecem cursos profissionalizantes.

Outra participante relatou estar cursando o EJA, com o intuito de aprender mais rapidamente o português.

Todas as mulheres que têm filhos em idade escolar relataram que eles estão frequentando o ensino público.

desconheciam sobre cursos gratuitos. Cresce o interesse de trocar informações entre as participantes e o IMDH pode ajudar na difusão dessas oportunidades de acesso ao ensino para o público atendido. Uma pesquisa aprofundada

Todas as participantes tinham sido informadas sobre o direito de acesso ao Sistema Único de Saúde e

orientadas a solicitar o Cartão SUS.

Ao utilizar os serviços do SUS, nenhuma das participantes sentiu-se discriminada por não ser brasileira.

Algumas participantes, que necessitaram de medicamentos que não estavam disponíveis na rede SUS, tiveram seus medicamentos comprados pelo IMDH, por meio do Convênio firmado com o ACNUR.

Uma participante citou que soube de seu direito de acessar os serviços do SUS durante seu atendimento no IMDH e conseguiu fazê-lo quando teve necessidade.

Houve relatos positivos de acesso a atendimento médico público de qualidade em outras cidades brasileiras (como Boa Vista e Manaus).

No sistema público de saúde, as principais dificuldades apresentadas são o acesso a documentação para fazer o cartão do SUS por parte de alguns funcionários, inclusive para conseguir apresentar comprovante de residência.

Sobre as dificuldades de acesso a serviço médico especializado algumas participantes especificaram o local do ocorrido: Centro de Saúde nº 5 em Taguatinga, Hospital Regional de Taguatinga e Hospital de Base.

Uma participante mencionou as dificuldades de acesso a medicamento para epilepsia, e também de atendimento por um neuropediatra

IMDH e ACNUR podem contribuir para a

sensibilização dos profissionais da área de saúde já atuantes e em formação, inclusive através da aproximação com instituições de ensino de saúde coletiva.

As participantes compartilharam entre si experiências em que conseguiram acesso a atendimento médico de qualidade.

As participantes concordaram o quão importante é o compartilhamento de informações de clínicas populares, campanhas e ações de hospitais universitários e de postos de saúde.

Considerando essa necessidade, seria importante o IMDH realizar as pesquisas pertinentes e criar um efetivo meio de comunicação para divulgação dessas informações.

para o filho diagnosticado com autismo.

Entre nacionais da Venezuela, pode-se notar que, com frequência, questões de saúde figuram entre as principais razões da migração.

Assim, muitos já chegam ao Brasil necessitando de serviços médicos especializados.

TRABALHO E GERAÇÃO DE RENDA Emprego formal O apoio dado pelo IMDH para a elaboração de currículos

e encaminhamento para vagas de trabalho é de grande importância.

Agilidade para obtenção da CTPS.

As mulheres relataram grande dificuldade de se recolocar no mercado de trabalho no Brasil na mesma área em que atuavam no seu país de origem. Das 9 mulheres presentes, apenas 2 relataram ter a CTPS assinada, ambas como trabalhadoras domésticas, apesar de terem curso superior no país de origem.

Houve relatos de situações de exploração laboral, ao que uma participante colocou: “às vezes as pessoas pensam que porque você está passando por necessidades precisa aguentar tudo”.

Os espaços de trocas de experiências entre as imigrantes e refugiadas são importantes para que inspirem umas às outras e compartilhem chances e possibilidades de emprego e outras formas de geração de renda.

Algumas participantes destacaram a importância de terem flexibilidade e estarem dispostas a aprender novos ofícios.

Possibilidade de regularização através do registro como Microempreendedor Individual (MEI).

Projetos de incentivo à geração de renda para mulheres imigrantes e refugiadas oferecidos pelo IMDH. Algumas participantes compartilharam como foi importante este apoio para iniciarem ou fortalecerem seus negócios.

Para mulheres que chegam ao Brasil grávidas é muito difícil conseguir um trabalho formal antes do nascimento da criança e nos meses seguintes. Formas autônomas de geração de aperfeiçoar habilidades que já têm para gerar renda no Brasil (ex.: gastronomia, costura, trabalho em institutos de beleza).

MOBILIZAÇÃO COMUNITÁRIA

Mobilização comunitária e redes de apoio

As trocas entre pessoas recém-chegadas e aquelas que já estão em Brasília há mais tempo são bastante enriquecedoras.

Todas as mulheres demonstraram interesse em participar de mais encontros pois veem uma

oportunidade de conhecer outras pessoas que estão em situação semelhante à sua.

O encontro proporcionou esclarecimentos de processos relacionados à situação de migração em que estão vivendo.

Após o fim do debate, as participantes trocaram contatos entre si, no intuito de dar seguimento a iniciativas desta natureza.

As participantes têm poucos espaços em que se sentem ouvidas e acolhidas em situações emocionais e econômicas.

Fortalecimento das redes de imigrantes e refugiadas em Brasília.

IMDH, ACNUR e os próprios migrantes e refugiados podem apoiar iniciativas e

articulações comunitárias que visem melhorar os processos de diálogos e interação entre

comunidades de diversos países.

Diagnóstico Participativo – IMDH – Brasília, 17 de setembro de 2019 GRUPO HOMENS

Tema Boas Práticas/Aspectos Positivos Lacunas/entraves/

É possível buscar informações sobre a obtenção de documentações diversas e trâmites necessários em diferentes fontes (internet, rede local de conterrâneos e outros migrantes, por meio do apoio de brasileiros e de instituições da sociedade civil, como o IMDH).

O IMDH é um local reconhecido como fonte segura de orientações sobre documentação, as quais podem ser acessadas por meio da equipe e dos materiais e cartilhas de divulgação.

A obtenção do RNM é bem mais rápida no Brasil do que em outros países (um participante expressou vivência prévia, na Espanha, que permitiu a comparação).

Com relação à abertura de contas bancárias, há uma normativa do Banco Central (Carta-Circular nº 3.816, de 7 de abril de 2017) que inclui o “Protocolo de Pedido de Refúgio” e o “Protocolo de solicitação da CIE” na lista de documentos de identificação válidos para a abertura de conta por cliente estrangeiro.

Todos expressaram insatisfação com a demora em receber a CRNM. Eles próprios sabiam que o protocolo (RNM) era um documento válido, porém constatam que há uma dificuldade de compreensão de empresas diversas, públicas e privadas, sobre essa validade. Esse

desconhecimento inviabiliza o acesso a outros documentos e serviços, como abrir uma conta bancária.

Desnivelamento de conhecimento entre distintos órgãos públicos e privados sobre o RNM ser um documento válido.

Ainda hoje há bancos que se negam a abrir contas para pessoas que apresentam o protocolo como documento de identificação (o Santander foi um dos bancos mencionados).

A impossibilidade de abrir conta inviabiliza o envio de remessas para a família no país de origem.

Houve certo desconhecimento entre os participantes sobre o que era exatamente o RNM e sobre o processo de transição de CIE para CRNM.

Houve dúvidas e incertezas sobre como se dá o processo de solicitação de residência por prazo indeterminado e quais os documentos

necessários para este processo.

Melhorar e ampliar os canais de informação (tanto entre migrantes e refugiados, quanto entre instituições prestadoras de serviços) sobre o RNM como documento válido e a transição do CIE para o CRNM.

Criar canais mais efetivos de informação aos bancos sobre a validade do protocolo para se abrir uma conta corrente.

Solicitantes de refúgio, refugiados e imigrantes que encontrarem dificuldades para abertura de contas e acesso a outros serviços, devem reportar ao IMDH e outros órgãos competentes.

Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS)

A maioria dos participantes obteve um agendamento rápido para a obtenção da CTPS.

Um dos participantes apresentou experiência de dificuldade em obter sua CTPS (o trâmite levou 2 meses), o que o impossibilitou de ter acesso a uma vaga de trabalho.

Foram relatadas diversas experiências de trabalho sem a documentação devida.

Buscar canais mais efetivos de comunicação qualificada junto a órgãos prestadores de serviço para que não exijam documentação

desnecessária.

TRABALHO E GERAÇÃO DE RENDA