3. O palco de todos os desafios
3.2. Regras, leis e normas de atuação
Na legislação portuguesa, o MEEFEBS encontra-se delimitado pelos Decretos-lei nº 43/2007 de 22 de fevereiro (Ministério da Educação, 2007) e nº 74/2006 de 24 de março (Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior, 2006) que definem os requisitos necessários para a obtenção da habilitação profissional para a docência. Segundo o artigo 20º (Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior, 2006), o ciclo de estudos incorpora um curso de especialização, que contempla diversas unidades curriculares, uma dissertação de natureza científica, um trabalho de projeto ou um estágio de natureza profissional, com o respetivo relatório final. No artigo 14º (Ministério da Educação, 2007) revelam-se as componentes de formação necessárias ao desempenho profissional, nomeadamente a formação educacional geral, didáticas específicas, iniciação à prática profissional, formação cultural, social e ética, formação em metodologias de investigação educacional e formação na área da docência. Destas 6 componentes, a iniciação à prática profissional
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traduz-se no EP e, segundo o decreto-lei supracitado, deve integrar uma prática de ensino supervisionada na sala de aula e na escola, observações contínuas e sistemáticas, colaboração em situações educacionais e instrucionais, planificações, avaliações e outras experiências de ensino intrínsecas à função docente em turmas dos diferentes ciclos de ensino, podendo, caso necessário, realizar-se em mais do que um estabelecimento de ensino. O EP, perspetiva, ainda, o desenvolvimento profissional dos formandos, o seu desempenho como futuros docentes e a promoção “de uma postura crítica e reflexiva em relação aos desafios, processos e desempenhos do quotidiano profissional”(Ministério da Educação, 2007, p. 1324).
A nível institucional, “o EP é uma unidade curricular do segundo ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da FADEUP e decorre nos terceiro e quarto semestres do ciclo de estudos” (Matos, 2012b, p. 2). Além dos documentos legais acima referidas, o MEEFEBS e, inerentemente, o EP regem-se igualmente pelo Regulamento Geral dos segundos ciclos da Universidade do Porto, Regulamento Geral dos segundos ciclos da FADEUP e Regulamento do Curso de Mestrado em Ensino da Educação Física.
Do ponto de vista funcional, a primeira fase de todo este processo passa pela escolha criteriosa das instituições de ensino onde o EE pretende realizar a sua prática profissional, organizando-as por ordem de preferência. Consoante o número de vagas, definidos nos protocolos entre as escolas cooperantes e a FADEUP, e de acordo com os critérios definidos no regulamento do EP, são determinados os núcleos de estágio (NE). Nesta fase, o EE está apto para ingressar no EP, que funciona através de um regime de prática de ensino supervisionada (PES), com elaboração e defesa do respetivo RE. No decorrer da PES o EE será orientado por um docente da FADEUP, denominado PO, e por um PC da respetiva escola.
Uma vez que o EP “visa a integração no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, através da prática de ensino supervisionada em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que promovam nos futuros docentes um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos
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desafios e exigências da profissão” (Matos, 2012b, p. 2), pressupõem-se que a sua intervenção seja conduzida de acordo com as seguintes áreas de desempenho descritas nas normas orientadoras do EP da FADEUP (Matos, 2012a, p. 2).
Área 1 – Organização e gestão do ensino e da aprendizagem; Área 2 – Participação na escola e relações com a comunidade; Área 3 – Desenvolvimento profissional;
Segundo este documento, a área 1 – organização e gestão do ensino e da aprendizagem – envolve 4 fases: a conceção, o planeamento, a realização e a avaliação do ensino, apresentando, como principal objetivo, a criação um plano de intervenção pedagógico válido, objetivo e estruturado, que integre o conhecimento da disciplina de EF e regule eficazmente o processo de ensino- estudo-aprendizagem dos alunos. A área 2 – participação na escola e relações com a comunidade – engloba todas as atividades não letivas da função docente e pretende integrar o EE no seio da comunidade local e escolar, de modo a que este alcance um conhecimento mais detalhado das condições locais e regionais, da relação educativa e da ligação entre a escola e o meio envolvente. Por fim, a área 3 – desenvolvimento profissional – contempla todas as experiências, vivências e episódios do trajeto profissional do EE, determinantes na construção da sua competência profissional, “numa lógica de procura permanente do saber, através da reflexão, investigação e ação”. (Batista & Queirós, 2013, p. 39).
Após descrever objetivamente a estrutura formal do EP, importa destacar como se processa a avaliação. De acordo com Batista & Queirós (2013), suportadas no Despacho n.º 7622/20116 de 24 de maio de 2011, a classificação final do EE resulta da média aritmética das classificações obtidas no RE e na PES. Do ponto de vista qualitativo, esta classificação deverá privilegiar “as competências pedagógicas, didáticas e científicas, associadas a um desempenho profissional crítico e reflexivo, apoiado numa ética profissional em que se destaca a disponibilidade para o trabalho em equipa, o sentido de responsabilidade, a assiduidade, a pontualidade, a apresentação e conduta pessoal adequadas na Escola” (Matos, 2012b, p. 7).
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Em suma, todas as orientações legais, institucionais e funcionais confirmam que a principal finalidade do EP assenta numa formação eclética, situacional e holística do EE, a nível académico e profissional. Como refere Batista & Queirós (2013, p. 43) “esta participação na formação de professores de Educação Física na FADEUP ultrapassa a periferia, já que é uma experiência real de ensino com todos os elementos presentes, na medida em que o estudante estagiário assume o papel de professor em quase toda a sua plenitude, faltando apenas o vínculo contratual.” O futuro profissional nunca será um sujeito passivo ao longo de todo o seu processo de formação, assumindo o leme da sua aprendizagem e definindo todos os destinos, caminhos e direções que pretende tomar no mar atribulado de desafios e mistérios que é a docência.