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reguladas e adequadas a cada tipo de material genético

No documento Colheita possível. (páginas 30-33)

A

falta de mão de obra no campo tem preocupado os produtores de café co-nilon. Ela afeta a safra, eleva os cus-tos de produção e torna o produto menos competitivo no mercado na-cional e internana-cional. Há melhores condições de trabalho e salários nos centros urbanos e isso se torna ainda mais crítico durante o período de colheita, quando a demanda por trabalhadores aumenta.

Como consequência, muitos produtores não conseguem colher na condição recomendada, com no mínimo 80% de maturação dos frutos, e precisam se antecipar para

garantir uma colheita completa, sem prejuízos maiores. Mas com uma grande quantidade de grãos ainda verde é inevitável a perda de quali-dade e rendimento.

Para driblar esse cenário, os produtores de café conilon bus-cam alternativas para uma safra mais produtiva e uma delas é a mecanização. Nas colheitas de café arábica – culturas parecidas –, por exemplo, a colheita mecanizada tem sido realizada de forma eficiente e economicamente viável e, apesar das divergências entre as plantas e o manejo, é possível usar esses mesmos maquinários nas lavouras

de conilon.

O café conilon tem particularida-des como múltiplos caules, variando de três a cinco ramos ortotrópicos, plantas menos eretas, plantio de clo-nes em linha, polinização cruzada, sistema radicular mais superficial, ausência de queda de frutos após a maturação fisiológica, lavouras cul-tivadas em áreas mais quentes e com altitude inferior a 500 metros. Todas essas características morfológicas, somadas ao atual manejo adotado, dificultam o uso de sistemas mecani-zados, frequentemente aplicados na colheita do café arábica. No entan-to, as soluções e as oportunidades

Fotos Case IH

Maio 2018 • www.revistacultivar.com.br

31 vieram de estudos de adaptação do

manejo e da viabilidade técnica e econômica.

Na produção agrícola, a colheita é uma etapa que se destaca pelo elevado investimento envolvido e os retornos financeiros obtidos por meio da comercialização das cul-turas. Atualmente, é uma das mais importantes etapas da safra, e ano a ano depende da tecnologia para ter competividade. Os principais benefícios da colheita mecanizada são produtos de melhor qualidade, redução nas perdas durante a co-lheita e possibilidade de aumento nos lucros.

Em lavouras de café arábica, es-tima-se uma redução no custo total da colheita mecanizada de até 60%

em relação à colheita manual. Esses níveis de redução de custos só foram possíveis por causa das adaptações feitas nas máquinas e lavouras nos últimos anos para aumentar a efici-ência e minimizar as perdas.

Atentos à necessidade de gerar resultados positivos também nas sa-fras de café conilon, foram iniciados os primeiros ensaios de campo com uma colhedora automotriz Case IH em lavouras comerciais em plantio tradicional e plantio preparado para colheita mecanizada, entre 2013 e 2016, no norte do estado do Espírito Santo. O objetivo foi avaliar índices técnicos da colheita mecanizada em diferentes condições de manejo.

Os primeiros testes foram feitos em lavouras de plantio tradicional, com três a quatro hastes (ramos or-totrópicos) por planta e espaçamen-to 3-3,5 x 1m (Tabela 1). A máquina apresentou eficiência de derriça e de colheita variando de 85% a 93% e 70% a 78%, respectivamen-te – níveis levemenrespectivamen-te inferiores aos alcançados na colheita de café ará-bica. Já a perda de chão variou de 10% a 21%, pelo fato de a lavoura apresentar plantas multicaules (com três a cinco hastes) e arqueadas, di-minuindo a vedação do sistema de recebimento, criando espaços para a queda de frutos no chão. Em geral, o cafeeiro conilon não apresenta queda natural dos frutos maduros no chão, como ocorre no arábica, o que favorece a eficiência de derriça e de colheita e, consequentemente, minimiza as perdas na lavoura.

Em algumas situações, o recolhi-mento do volume de frutos do chão é considerado viável para o cafeeiro arábica, em função do volume e do

custo operacional. Estudos indicam que a eficiência dos sistemas de recolhimento pode variar de 50%

a 85% para o café arábica, depen-dendo da sistematização do terreno.

Assim, em virtude da produtividade do café conilon ser superior à do arábica, o uso de recolhedoras de chão pode ser uma alternativa para aumentar a eficiência do sistema mecanizado.

Esses resultados em lavouras tradicionais foram promissores, embora inferiores aos normalmente obtidos em lavouras de café arábica.

Vale destacar que as lavouras não fo-ram preparadas para as colhedoras, com presença de irregularidades no terreno, plantas com crescimento desuniforme e tombadas, e, em alguns casos, não foi apresentada uniformidade de maturação de fru-tos na linha. Nesses ensaios, a con-figuração das máquinas, o número de passadas da máquina na linha, a velocidade da colheita, a frequência de agitação, o grau de maturação dos frutos e a arquitetura das plantas alteraram o processo de derriça e de colheita, carecendo de ajustes espe-cíficos a cada condição de lavoura.

Em um segundo momento, foram realizadas avaliações em lavouras adequadas à colheita mecanizada (conforme Tabela 2), visando me-lhorar os índices técnicos. Clones selecionados com características de interesse para a colheita

meca-Os principais benefícios da colheita mecanizada são produtos de melhor qualidade, redução nas perdas durante a colheita e possibilidade de aumento nos lucros

Lavoura preparada para a colheita mecanizada com alta produtividade

Os resultados indicaram uma viabilidade técnica para o uso das colhedoras automotrizes em lavou-ras de café conilon, com potencial de aplicação em áreas comerciais.

Contudo, são necessárias alterações no manejo das plantas, como a pro-posta na Tabela 2, em relação à con-dução tradicional, para uma maior eficiência de colheita e redução das perdas de frutos no solo. Da mesma forma, estudos futuros também são necessários para melhorar os índi-ces técnicos, além de acompanhar possíveis sazonalidades na produ-tividade das plantas, garantindo a longevidade das lavouras e a sus-tentabilidade da produção.

nizada foram plantados em linhas alternadas com espaçamento de 3,2-3,5 x 0,5m e duas hastes por plantas.

Nos testes realizados em lavoura preparada verificou-se a eficiência de derriça e de colheita variando de 85% a 97% e de 75% a 87%, res-pectivamente, com média superior aos testes realizados em lavouras tradicionais (Tabela 1). As perdas de chão em lavouras preparadas foram de 10% a 14%, ou seja, redu-ziram em relação aos testes ante-riormente realizados em lavouras tradicionais. Os resultados foram positivos e similares aos atingidos na colheita de café arábica, o que indica a viabilidade do uso dessas colhedoras também para a colheita de café conilon.

Atualmente, os níveis de perdas no cafeeiro arábica são de 6% a 8% devido às melhorias que fo-ram implementadas no sistema de recolhimento da colhedora Case IH ano/modelo 2018. Estima-se obter o mesmo para o conilon em lavouras sistematizadas para a colheita mecanizada. Mesmo com a redução das perdas para o chão, o recolhimento do solo pode ser viável para o cafeeiro conilon, que carece de mais estudos operacio-nais e econômicos.

Os estudos de colheita meca-nizada do café conilon apontam a eficiência da operação similar à operação realizada no café arábica, desde que as colhedoras estejam com as frequências de trabalho e velocidades operacionais corre-tamente reguladas e adequadas a cada tipo de material genético. Por isso, é essencial para o sucesso das operações mecanizadas ajustar es-sas regulagens, assim como definir tecnicamente as características da lavoura e formas de condução do cafeeiro conilon.

.M Case IH

Velocidade de Colheita 1,0 – 1,6 km h-1 1,0 – 1,6 km h-1

Tabela 1 - Resultados de testes com a colhedora Case IH em lavouras tradicionais e preparadas no norte do Espírito Santo

Lavoura Tradicional Lavoura Preparada

Derriça 85 – 93%

85 – 97%

Colheita 70 – 78%

75 – 87%

Perda de Chão 15 – 21%

10 – 14%

Eficiência

Fonte: Adaptado de Souza et al (2017).

Objetivo - Manter hastes eretas

- Facilitar a entrada das plantas na unidade de derriça - Padronizar a altura das plantas e a maturação dos frutos

- Manter um stand adequado de hastes produtivas - Reduzir as perdas de chão

- Alinhamento do plantio, padronizar a altura das plantas e a posição dos frutos - Manutenção da arquitetura das plantas com hastes alinhadas no sentido do plantio Tabela 2 - Características e ações de manejo para o preparo de lavouras para a colheita mecanizada

Característica / Ação

-Escolha de clones com menor tombamento lateral - Alinhamento das mudas no plantio

- Plantio de apenas um clone por linha, alternando clones entre as linhas - Redução do espaçamento na linha de plantio de 1,0 para 0,5-0,7m - Corte apical (lavouras novas) ou recepa (lavoura em renovação) a 60cm - Condução de duas brotações (ramos ortotrópicos) por planta e alinhadas

- Desbrota periódica

Fonte: Adaptado de Souza et al (2017).

Gustavo Soares de Souza e José Antônio Lani,

Incaper

Maurício Blanco Infantini, CNH Industrial

Colheita de café conilon com a colhedora Case IH em lavoura preparada para a colheita mecanizada

Vitrine de tendências

Superando expectativas dos organizadores, a 25ª

No documento Colheita possível. (páginas 30-33)

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