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O CRM trouxe para a aviação comercial uma grande oportunidade de melhorar a performance e capacidade das tripulações, de forma a trabalharem como um time, onde o objetivo central é conduzir o voo com a máxima eficiência e segurança.

Dessa maneira, pôde-se conhecer que o CRM desde seu surgimento, têm sido ou foi desenvolvido pelos vários principais operadores aéreos. Os três órgãos reguladores estudados, estabelecem que as empresas de linha aérea implementem o referido treinamento com ênfase em seus princípios e conceitos, visando melhorar o desempenho da tripulação e da segurança de voo.

Conforme verificado nos estudos, o treinamento passou a ser obrigatório para as tripulações que operem no transporte aéreo comercial, e vem enfatizando sua importância como ferramenta para a redução de acidentes causados pelo elemento humano na aviação.

Na regulamentação brasileira, aplicada pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), assim como é consenso entre as duas outras entidades reguladoras, três fases são estabelecidas para a implementação e melhoria continuada do CRM na organização.

A primeira fase diz respeito a exposição e treinamento dos conceitos iniciais. Nesta fase, busca-se apresentar e desenvolver em sala de aula tópicos relativos a comunicação, relações interpessoais, coordenação de equipe, distribuição da carga de trabalho, liderança, tomada de decisão e estudo de acidentes/incidentes por meio de relatórios ou filmes.

Os estudos são conduzidos por meio de debates, exercícios simulados, aulas expositivas e vídeos de comportamentos tanto adequados como inadequados de membros da tripulação.

No entanto, o Comando da Aeronáutica (2005, p. 16) afirma que “é importante reconhecer que a instrução em sala de aula, por si só, não mudará atitudes que os envolvidos com a atividade aérea desenvolveram ao longo do tempo […]”. Ainda conforme a agência, é oportuno aplicar o treinamento dos conceitos iniciais a todos os envolvidos com a atividade aérea na organização (pilotos, comissários, mecânicos, despachantes operacionais de voo, alta direção, entre outros).

A segunda fase, conforme verificado, diz respeito a prática do CRM propriamente dita. Esta pode ser realizada no dia a dia dos voos de linha, em simulador de voo, por meio do treinamento LOFT (indispensável e previsto na regulamentação dos três órgãos reguladores estudados), ou mesmo em sala de aula por meio de dinâmicas de grupo, dramatizações, simulações de papéis, entre outras. O foco é desenvolver estratégias para lidar com situações de rotina e de emergência, possibilitando a análise dos comportamentos evidenciados no treinamento.

A terceira fase trata sobre a reciclagem em CRM. Uma vez implementado e praticado é importante também se revisar os conceitos e mudanças ocorridas através das novas experiências vividas. O treinamento deve então, tornar-se parte inseparável da cultura da organização, devendo ser impreterivelmente realizado a cada dois anos.

O Comando da Aeronáutica (2005, p.17) afirma ser “impossível esperar que um programa de treinamento de um ou dois dias altere de imediato anos de hábitos pouco adequados”. Neste sentido, a fase de reciclagem visa reforçar os conceitos em CRM e FH, provendo uma operação mais segura e consciente da atividade aérea.

Já a Agência Europeia para Segurança da Aviação (EASA) compartilha requisitos muito semelhantes ao aplicado pela ANAC para o trato de assuntos relativos ao treinamento em CRM.

As diferenças basicamente ficam por conta da carga horária aplicada ao treinamento, que conforme constatado, a agência exige oito horas num período de três anos, podendo ser reduzido se a organização possuir um programa de gerenciamento de fatores humanos reconhecido pela agência reguladora.

Toda via, a EASA (2014, p. 72) concorda que “deve haver uma efetiva ligação entre os departamentos de treinamento de pilotos, comissários de voo e técnicos de manutenção […]”, de maneira a prover adequada transferência dos conhecimentos relevantes

entre as três áreas, e estes devem ser levados a máxima prioridade dentro do treinamento em CRM.

Conforme verificado nos documentos da FAA (2004) os treinamentos necessitam ser praticados e receberem adequado feedback das atitudes e comportamentos apresentados, além de esforços envidados no sentido de manter um contínuo reforço ao treinamento.

Algumas premissas observadas, são compartilhadas entre as agências estudadas, como:

a) Uma maior efetividade do CRM ocorre quando empregado dentro de programas de treinamento centrados no SOP do operador;

b) O foco deve ser no funcionamento da tripulação como um time, sem mirar em seus aspectos individuais;

c) Busca-se instruir os membros sobre comportamentos que possam melhorar a eficiência da tripulação;

d) Deve haver oportunidades para os membros das tripulações praticarem habilidades que os conduzirão a uma equipe campeã;

e) Durante os exercícios, os membros devem atuar nas reais posições que normalmente atuam nos voos;

f) A prática deve incluir um efetivo comportamento de equipe durante as operações de rotina.

A FAA (2004, p. 5) afirma que “Para ser efetivo, a prática dos conceitos de CRM, devem ser permanentemente integradas em todos os seus aspectos dentro do treinamento e operações de voo.”

Verifica-se que a prática regular é requerida e deve constituir parte integrante de todo treinamento. Seu feedback é mandatório e objetiva realizar pontuações e correções necessárias para um melhoramento contínuo do CRM na organização.

Neste sentido, as três entidades reguladoras reconhecem e exigem o treinamento LOFT como uma das ferramentas mais valiosas para a prática recorrente do CRM no treinamento das tripulações dos operadores aéreos comerciais. O feedback após voo LOFT é extremamente oportuno, podendo ser ainda mais eficiente quando gravado, para uma posterior utilização no debriefing com os tripulantes, permitindo a estes, a realização de uma autoavaliação de seu desempenho.

O treinamento LOFT além de importante ferramenta ao CRM, serve como termômetro na avaliação de desempenho dos comportamentos e atitudes apresentadas, por

meio da realização de um voo de linha simulado, envolvendo procedimentos não normais e de rotina. (CARVALHO et al.,2009).

Portanto, o ponto a ser destacado quanto a aplicação do CRM, fica por conta da não exigência pelos órgãos reguladores estudados, de uma realização conjunta no treinamento entre pilotos e comissários, uma vez que na rotina de operações o CRM entre todos os membros da tripulação é extremamente fundamental e essencial a segurança de voo. Logo, até a realização deste trabalho, não foi encontrada regulamentação mais recente que mostre uma mudança nestes requisitos aplicados, embora constatou-se que a FAA estuda implementar mudanças neste quesito.

3.3 MELHORIAS APÓS A IMPLEMENTAÇÃO DO CRM NA REDUÇÃO DE