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2 REVISÃO DE CONCEITOS À LUZ DA TEORIA DA CO NTABILIDADE

3.2 REGULAMENTAÇÃO DA PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR

De acordo com cadernos ABAMEC (2003, p. 41), previdência pode ser definida, “etimologicamente, [...] como ‘visão antecipada’. Seus sinônimos são precaução, cautela, previsão. Como instituição, integra o conjunto de direitos, definidos constitucionalmente como seguridade social.”

Na Constituição da República Federativa do Brasil (CF), promulgada em 1988, em seu art. 194, o legislador destaca que “a seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social.”

Desse modo, assegurados os direitos estabelecidos na CF, a previdência pode ser pública ou privada. Quanto à previdência privada, a Constituição brasileira, em seu art. 202, estabelece que:

O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado e regulado por lei complementar.

Ainda a mesma Constituição, em seu art. 21, parágrafo VIII, determina que a fiscalização de operações de natureza financeira, como as de previdência privada, é de competência da União. Bem como, em seu art. 192, parágrafo II, salienta que o estabelecimento, a autorização e o funcionamento dos estabelecimentos de previdência privada serão regulados em lei complementar.

De tal maneira, a Lei Complementar no 109/01 é que dispõe sobre o regime geral de previdência complementar2 em entidades abertas ou fechadas, a qual substituiu a Lei no 6.435/77. De acordo com Reis (2002, p. 16):

A Emenda Constitucional no 20/98, ao redefinir a estrutura previdenciária brasileira, constitucionalizou, em relação ao regime de previdência privada, os princípios da ‘adesão facultativa’, ‘benefício contratado’, ‘constituição de reservas’ e ‘organização autônoma’. A Lei Complementar no 109/01 é a norma que regulamenta a Emenda no 20 e substitui a Lei no 6.435/77, que até então regia os fundos de pensão.

A Lei Complementar no 109/01, em seu art. 5°, enfatiza que:

A normatização, coordenação, supervisão, fiscalização e controle das atividades das entidades de previdência complementar serão 2 Reis (2002, p. 16) destaca que o termo “entidades de previdência complementar” foi adotado a partir da Lei Complementar no 109/01, sendo que a Constituição Federal opta por “entidades de previdência privada”.

realizados por órgão ou órgãos regulador e fiscalizador, conforme disposto em lei, observado o disposto no inciso VI do art. 84 da Constituição Federal.

Dessa maneira, conforme a Lei Complementar no 109/01, em seu art. 74, a regulamentação da previdência complementar mantém a estrutura disposta na Lei no 6.435/77, a saber:

a) Entidades fechadas de previdência complementar (EFPC) - funções do órgão regulador e do órgão fiscalizador são exercidas pelo Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS), intermediadas pelos seguintes órgãos:

- Conselho de Gestão da Previdência Complementar (CGPC) - órgão regulador;

- Secretaria da Previdência Complementar (SPC) - órgão fiscalizador.

Pereira, Miranda e Silva (1997, p. 12) destacam que

As entidades fechadas [...] estão amparadas pela Seguridade Social (título VIII - Da Ordem Social, Constituição Federal de 1988), sendo seu funcionamento restrito a empresas, ou grupo de empresas [...]. Recebem contribuições dos empregados e da empresa, ou somente desta última (denominada patrocinadora). Realizam investimentos com a finalidade de garantir o pagamento aos participantes de benefícios complementares aos da previdência social. As entidades fechadas não têm fins lucrativos e são proibidas de distribuir os lucros de suas aplicações. Formam reservas técnicas mediante um processo ininterrupto de capitalização e das contribuições mensais dos participantes e das empresas patrocinadoras, visando ao pagamento de benefícios a seus participantes, conforme contratos previamente assinados.

b) Entidades abertas de previdência complementar (EAPC) - funções do

órgão regulador e do órgão fiscalizador são exercidas pelo Ministério da Fazenda (MF), intermediadas pelos seguintes órgãos:

- Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) - órgão regulador;

- Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) - órgão fiscalizador.

Reis (2002, p. 17) salienta que as entidades abertas de previdência complementar possuem fins lucrativos e se organizam sob a forma de sociedade anônima. O referido autor (2002, p. 29) enfatiza ainda que

A nova legislação trouxe um elenco extraordinário de competências reservadas ao aparato de regulação e fiscalização, o que aumenta significativamente a responsabilidade oficial no tocante aos fundos de pensão. Assim, o órgão de fiscalização deve contar com uma estrutura logística compatível com a complexidade do regime de previdência complementar e, relativamente às atribuições de regulação, é fundamental que haja nas instâncias de deliberação a presença de todos os atores vinculados a esse regime,

contemplando os participantes, inclusive os assistidos,

patrocinadores, instituidores, dirigentes das entidades e autoridades governamentais.

Contudo o quadro 2, a seguir, destaca a legislação básica vigente na

previdência complementar, enfatizando leis, deliberação da CVM, medidas

provisórias, decretos, resoluções da CGPC, SRF, BACEN e SPC, bem como, instruções normativas da SRF e SPC.

LEIS

Lei n° 10.637, de 30/12/2002

Dispõe sobre a não-cumulatividade na cobrança da contribuição para os programas de integração social (PIS) e de formação do patrimônio do servidor público (PASEP), nos casos que especifica; sobre o pagamento e o parcelamento de débitos tributários federais, a compensação de créditos fiscais, a declaração de inaptidão de inscrição de pessoas jurídicas, a legislação aduaneira, e dá outras providências.

Lei n° 10.426, de 24/04/2002

Altera a legislação tributária federal e dá outras providências.

Lei n° 10.431, de

continua

Lei Complementar

no. 108, de

29/05/2001

Dispõe sobre a relação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, suas autarquias, fundações, sociedades de economia mista e outras entidades públicas e suas respectivas entidades fechadas de previdência complementar, e dá outras providências.

Lei Complementar

no. 109, de

29/05/2001

Dispõe sobre o regime de previdência com plem entar e dá outras providências.

DELIBERAÇÃO

Deliberação CVM no 371, de 13/12/2000

Dispõe sobre a contabilização de benefícios a empregados.

MEDIDAS PROVISÓRIAS

Medida Provisória n° 75, de 24/10/2002

Altera a Legislação Tributária Federal, e dá outras providências. Destaque para o art. 12 da MP, que trata das EFPC.

Medida Provisória n° 66, de 29/08/2002

Dispõe sobre a não-cumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do S ervidor Público (PASEP), nos casos que especifica; sobre os procedimentos para desconsideração de atos ou negócios jurídicos, para fins tributários; sobre o pagamento e o parcelamento de débitos tributários federais, a compensação de créditos fiscais, a declaração de inaptidão de inscrição de pessoas jurídicas, a legislação aduaneira, e dá outras providências.

DECRETOS

Decreto n° 4524, de 17/12/2002

Regulamenta a contribuição para o PIS/PASEP e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral.

Decreto n° 4.206, de 23/04/2002

Dispõe sobre o regime de previdência com plem entar no âmbito das entidades fechadas.

RESOLUÇÕES

Resolução CGPC n° 1, de 24/01/2003

Altera a Resolução MPAS/CGPC n° 5, de 30/01/2002, que dispõe sobre as normas gerais que regulam os procedimentos contábeis das EFPC.

Resolução n° 3.055, de 19/12/2002

Dispõe sobre a aplicação de recursos das entidades fechadas de previdência com plem entar em cédulas de crédito bancário.

Resolução n° 13, de 02/10/2002

Dispõe sobre o instituto do benefício proporcional diferido em plano de benefícios operado por entidade fechada de previdência complementar.

Resolução n° 12, de 17/09/2002

Regulamenta a constituição e funcionamento das entidades fechadas de previdência com plem entar e planos de benefícios, constituídos por Instituidor. Resolução n° 11, de

21/08/2002

Estabelece parâmetros técnico-atuariais para estruturação de plano de benefícios de entidades fechadas de previdência complementar.

continua

Resolução BACEN

n° 3.002, de

25/07/2002

Dispõe sobre a aplicação de recursos das entidades fechadas de previdência complementar.

Resolução

MPAS/CGPC no 10, de 05/07/2002

Altera a Resolução MPAS/CGPC no 5, de 30/01/2002 que dispõe sobre as normas gerais que regulam os procedimentos contábeis das entidades fechadas de previdência com plem entar e dá outras providências.

Retificação da

Resolução

SPC/CGPC n° 09, de 27/06/2002

Dispõe sobre a portabilidade em planos de benefícios de entidades fechadas instituídas por patrocinadores.

Resolução n° 9, de 27/06/2002

Dispõe sobre o instituto da portabilidade em planos de benefícios de entidades fechadas de previdência com plem entar instituídos por patrocinadores.

Resolução n° 8, de 19/06/2002

Altera o art. 5° da Resolução MPAS/CGPC n° 04, de 30/01/2002.

Resolução CGPC n° 7, de 21/05/2002

Dispõe sobre a adequação das entidades fechadas de previdência com plem entar patrocinadas pelas pessoas jurídicas de Direito Público à Lei Com plem entar n° 108, de 29/05/2001.

Resolução n°. 2850, de 02/07/2001

Altera dispositivos da Resolução n° 2.829, de 2001 e do Regulamento a ela anexo, relativos às diretrizes pertinentes a aplicação dos recursos das entidades fechadas de previdência complementar.

Resolução n° 2.829, de 30/03/2001

Aprova regulamento estabelecendo as diretrizes pertinentes à aplicação dos recursos das entidades fechadas de previdência privada.

INSTRUÇÕES NORMATIVAS

Instrução Normativa

SRF n° 279, de

10/01/2003

Dispõe sobre o pagamento de débitos tributários federais pelas entidades referidas no art. 5° da MP n° 2.222, de 2002, de acordo com os arts. 15, 17 e 25 da Lei n° 10.637, de 2002

Instrução Normativa

SRF n° 278, de

10/01/2003

Dispõe sobre o pagamento, o depósito e a impugnação a ser apresentada de acordo com os arts. 15 e 25 da Lei n° 10.637, de 2002.

Instrução Normativa

SRF n° 268, de

23/12/02

Estabelece normas para emissão de comprovantes de rendimentos pagos ou creditados a pessoas físicas e jurídicas decorrentes de aplicações financeiras, aprova modelo de Informe de Rendimentos Financeiros de dá outras previdências.

Instrução Normativa

SPC n° 44, de

23/12/2002

Estabelece procedimentos e parâmetros para o preenchimento, envio e divulgação do Demonstrativo Analítico de Investimentos e Enquadramento das Aplicações -D A IE A , e dá outras providências.

conclusão

Instrução Normativa

SPC n° 43, de

17/12/2002

Prorroga o prazo de que trata o art. 2o da Instrução Normativa no 37, de 11/04/2002, para adaptação do regulamento do plano de benefícios ao disposto naquela norma, de 31/12/2002 para 31/07/2003 naquela Instrução Normativa.

Instrução Normativa n° 42, de 18/10/2002

Regulamenta os parágrafos 2 e 4 do art. 1° e parágrafos 1 e 3 do art. 2° da Resolução CMN n° 3.002, de 24/07/2002.

Instrução Normativa

SRF n° 215, de

07/10/2002

Dispõe sobre a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS incidentes sobre a receita das EFPC e dá outras providências.

Instrução Normativa

n° 204, de

25/09/2002

Dispõe sobre o pagamento de débitos tributários federais pelas entidades referidas no art. 5° da Medida Provisória n° 2.222, de 04/09/2002.

Instrução Normativa

SPC n° 41, de

08/08/2002

Estabelece procedimentos a serem adotados pelas entidades fechadas de previdência com plem entar no envio de informações sobre benefícios e população.

Instrução Normativa

SRF n° 170, de

04/07/2002

Dispõe sobre a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS incidentes sobre a receita das entidades fechadas de previdência com plem entar e dá outras providências.

Instrução Normativa n° 40, de 20/06/2002

Regulamenta os artigos 15 e 24 e o inciso III do artigo 61 da Resolução CMN n° 2.829, de 30/03/2001.

Instrução Normativa n° 39, de 30/04/2002

Regulamenta a Resolução do Conselho de Gestão da Previdência Com plem entar n° 1, de 19/12/2001.

Instrução Normativa

SPC n° 31,

22/01/2002

Estabelece procedimentos a serem adotados pelas entidades fechadas de previdência complementar, para contratação de auditoria independente, em decorrência da Lei Complementar n° 109, de 29 de maio de 2001 e Resolução CMN n° 2.829, de 30/03/2001.

QUADRO 2 - LEGISLAÇAO BASICA NA PREVIDENCIA COMPLEMENTAR FONTE: MPAS/SPC/ABRAPP.