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5 VIVER SEM FRONTEIRAS

5.4 RELAÇÃO E QUALIDADE

A informação se tornou global, constantemente adaptando-se às necessidades da vida contemporânea. O objeto está introduzindo-se em um universo imaginário, com o efeito de preencher a coletividade universal, expandindo a mensagem que busca diversas formas de se integrar a um grupo.

A publicidade engendra modelos de desejo atribuindo ao universo de receptores uma descrição de mundo adaptadas às expectativas do espectador. Na técnica do processo criativo, o produtor estabelece uma ligação com todos os elementos que despertam a percepção dos sentidos e a intensificação da emoção. Neste sentido, o signo é a própria imagem mental do objeto, é aquilo que representa; o referente/objeto pode ser único ou não, real, fictício ou até mesmo ser criado pelo próprio signo.

A partir disso, pode-se pensar que o fim último de uma sociedade de consumo é a funcionalização do próprio consumidor, a monopolização psicológica de todas as necessidades, - uma unanimidade do consumo que corresponde enfim harmoniosamente à concentração e ao dirigismo absoluto da produção (Baudrillard, 193, p. 193)

102 Estrategicamente, a Tim apresenta os elementos que desempenham a função de gerar novos signos na linguagem do aparelho celular. Pois hoje este sistema ultramoderno de comunicação apagou as fronteiras do tempo e do espaço criando um novo cenário de participação interativa entre indivíduos. Quando a câmera focaliza as mãos, inicia-se uma viagem ao tempo, algo parecido com o sonho, uma sensação de que as mãos possuem os poderes para alcançar distâncias e espaços consideráveis. Essa relação é estabelecida entre o objeto e o representamen. O fato encontra-se na relação entre estes 2 elementos e o signo se torna real e existente.

Nos quadros do filme pode-se perceber o estilo e o comportamento de todo o conjunto da montagem que compõe as cenas, reforçando a personalidade de uma geração totalmente envolvida com as utilidades do aparelho celular. São identidades que se espelham nesta tendência a fim de efetivar a aparente ilusão de um caminho de poder e status social. As imagens proporcionam o registro da lembrança na memória e na história. O celular é configurado como uma extensão das mãos, que acaba se tornando tão vital quanto a própria existência. Estrategicamente, o produtor utilizou a técnica da imagem fotográfica em movimentos lentos com a finalidade de realçar o instante. A fotografia está na mediação com os fenômenos da existência, presença e ausência. Tem um valor moral com a verdade. A imagem vê melhor que a visão natural. A idéia da imagem fotográfica mantém um índice enquanto houver um filme impressionado pela luz, com a intenção de permitir uma devolução literal do real através da objetividade. Cada foto corresponde a um ato e a um acontecimento, mas o “todo” significa uma coisa só: a liberdade. Também representa um momento de vida, um significado naquele instante. Tal comunicação se torna possível com uma seqüência de fotos cuja natureza é de objetividade, que decorre do automatismo da produção de algo na máquina com um caráter indicial que permite a distância entre a representação e o objeto. É a substituição do homem pela máquina.

103 O movimento em que as coisas se atualizam são espaços determinados pela história e cultura. Apesar de existir qualidades puras do objeto, o que é importante é a materialidade do representamen para dizer que o objeto existiu e deixou uma marca (as ondas). A orientação da ação depende da maneira sob o qual o espectador estabelece esta relação a fim de obter a diretriz do próprio comportamento.

A necessidade do objeto já existe e faz parte do hábito de cada um, mas a marca a qual o consumidor se identifica é aquela que representa para ele uma necessidade social e emocional. Para atingir esses resultados, a Tim oferece as disposições em um espaço que determina o nível da crença e a escolha da marca. A “Onda”, neste caso, significa transmissão, em uma indicação de que existe freqüência de comunicação. Seu propósito é representar a identidade deste espaço simbólico de poder, unificando as necessidades com interatividade, velocidade, informação. Neste estágio, a semiose já é um processo de transformação na idéia ou no conceito do produto. O pensamento e o raciocínio precisam da mediação sígnica para se desenvolver e interagir com os produtos culturais produzidos pela sociedade na qual o individuo está inserido.

Nesta seqüência de pensamentos, o sentimento é a qualidade material de um signo que produz a emoção. Isso acontece quando a atenção é atraída para as coisas inconcebíveis e complexas através de uma inferência hipotética intelectual. “O indescritível normalmente excita emoções, este predicado simples é substituído por uma produção na mente” (Peirce, 1977, 274).

A imagem recorta o filme em tempo e espaço diferentes; recorta também, o fio narrativo quando são apresentados momentos distanciados da vida de cada um. Esses momentos são flashes de memória. Uma memória fragmentada pela situação, que insinua todo o tempo o que significam os valores vivenciados. Portanto, a imagem somente se completa quando se revela na consciência do espectador.

104 O serviço de cobertura GSM da Tim celular está em todos os lugares: na música, na moda, nas ruas. As concorrentes como a Claro, a Vivo também, e, muitas vezes, uma vantagem adicional garante a aquisição da marca. A única forma de garantir a fidelidade é preservar sempre um outro espaço de ação afetiva, social e emocional com a marca, repleta de sentido e significação. Trata-se de uma estratégia de mercado. Por um lado, o espectador é surpreendido inesperadamente, por outro, a concorrência tenta acrescentar um outro signo para o mesmo objeto, neste caso, ser substituído por outras experiências. O consumidor é constantemente assediado. dissertação.