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II. Diagnóstico

4. Funcionamento organizacional

4.3. Relações com entidades externas

As relações dos museus com entidades externas assumem atualmente uma importância fulcral, quer para a realização de atividades (de programação direcionadas a visitantes, ou relacionadas com as suas funções menos visíveis), quer para a obtenção de fundos, quer ainda para cooperações que coadjuvem as exigências da gestão (por exemplo, novos modos de comunicação e divulgação).

Exposição Exercício, Grupo IF (1978) (Fonte: APPH. – Associação Portuguesa de

Photographia,

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sublinhamos, nesse período, por um lado a sua diversidade e, por outro, a crescente solicitação externa de que de foi sendo alvo – tal como apresentámos no enquadramento à atividade do MNSR. Depois de um primeiro momento, de resto necessariamente longo, de abertura por parte do Museu, sobressaem condições para uma estratégia mais seletiva e, digamos, "especializada" dessas colaborações, definindo, em particular, o que se consolidou e importa consolidar (ou ainda construir) como estruturante; e o que pode manter-se e atualizar-se no âmbito de ações mais pontuais. Assim, nesta secção, destacamos algumas experiências que o Museu encetou e que poderão servir de embrião a modelos de governo que possam contribuir para superar alguns dos estrangulamentos já assinalados. Estes modelos, também porque são ainda inovadores, incorrem na necessidade de serem acompanhados (incluindo em termos de uma automonitorização), por forma a responderem aos objetivos próprios, sem colocarem em risco, quer o enquadramento legal, quer a missão, as funções e as competências próprias do Museu.

É, portanto, inegável, no período do nosso estudo, o esforço de cooperação interinstitucional do Museu, atualizando ou iniciando relações com instituições da cidade e da região. Da Universidade e da Faculdade de Belas-Artes, parceiros "naturais" pela história do Museu, a associações culturais como o Cineclube do Porto (um "vizinho" cujas relações com o Museu remontam ao seu fundador, Henrique Alves Costa), a instituições como a Obra Diocesana de Promoção Social (outro "vizinho", com quem o Museu tem trabalhado estreitamente) ou a Anilupa – Associação de Ludotecas do Porto, a grupos de produção e criação artística (refira-se o Teatro Plástico, o Ballet-Teatro, a Casa da Animação e várias escolas artísticas); ou a museus locais e, nalguns casos, regionais – são, como referimos, muitos os exemplos do trabalho de construção de uma rede de "parceiros e amigos".

Não ignorando as dificuldades destes esforços, registemos que os benefícios têm sido muitos, quer para as atividades, a visibilidade e o reconhecimento do Museu, quer para

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profícuas no que respeita à relação com os públicos – levando ao MNSR grupos que nunca lá tinham entrado, em especial por condições de (in)acessibilidade sociocultural, geracional, ou, mais simplesmente, relativa à segmentação dos mundos artísticos. Este é um caminho que requer meios para estabilizar e, em particular, para permitir que o Museu converta para os seus interesses estratégicos essas relações – em certo sentido, deixando de ser sobretudo "anfitrião".

Em termos gerais, apresenta-se especialmente potenciador o papel dos Amigos dos Museus, tornando-os autênticos parceiros da vida dos museus, naquilo em que podem contribuir para a sua agilização e eficiência. A DGPC, à semelhança dos órgãos de tutela equivalentes nos restantes países europeus, consigna a sua existência e o fomento da sua participação na vida dos museus (e monumentos), fazendo notar que:

"Para criar e sedimentar uma relação sadia entre museus e grupos de amigos, afigura-se que a sua existência assente em três pilares fundamentais:

o fronteira clara e bem definida entre "museu" e "grupo de amigos", seja no plano das pessoas, seja no plano dos meios logísticos e financeiros;

o hierarquia de interesses e objetivos, tendo sempre presente a prioridade absoluta a conferir ao superior interesse do museu, definido no seu plano estratégico de atuação;

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com as atividades normais do museu, quer na promoção de atividades próprias"43

No caso do MNSR, o Círculo Dr. José Figueiredo – Amigos do MNSR, foi sendo progressivamente convocado a participar na vida do Museu e explicita a sua missão de "[assegurar] ao Diretor do Museu a colaboração que lhe é solicitada"44 − tem sido o interlocutor prático para a concretização de múltiplas ações do Museu, desde a programação à intervenção-manutenção no edifício.

Esta experiência, como outras que se destinem a contextos de cooperação estreita, implicando partilha de decisões concretas em processos como a programação ou a obtenção de fundos para atividades contém, naturalmente, os riscos inerentes ao equilíbrio dos espaços de ação respetivos (do Museu e do Círculo), e o contexto económico-financeiro dos museus pode incorrer em dependências não desejáveis. Porém, é por isso mesmo, de acordo com o que observámos e analisámos no MNSR, que estamos em condições de defender que uma maior dotação de autonomia às direções dos museus poderá definir claramente (isto é, ao mesmo tempo, alargar e conter) os âmbitos da colaboração recíproca, e, em particular, prevenir interferências nos domínios da competência própria dos museus, nomeadamente em termos da sua programação, e, por decorrência, da sua gestão estratégica. Por outras palavras, ensaiar contratos de colaboração que não fiquem cativos de elementos conjunturais (como, desde logo, as personalidades e as relações personalizadas dos respetivos responsáveis), garantindo a não interferência nos domínios que não lhe cabem. No caso de serviços do Museu, como a loja, que assinalámos como paradigmático do funcionamento e da imagem do MNSR, será muito importante considerar as condições da sua exploração com o Grupo de Amigos. O Círculo pode contribuir ainda para mobilizar apoios financeiros importantes, que constituem uma necessidade premente.

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Cf. sítio da DGPC (www.patrimoniocultural.pt).

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Cf. a apresentação do Círculo Dr. José Figueiredo no sítio do MNSR

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que respeita à agilização do funcionamento e da obtenção de recursos, não são os únicos interlocutores possíveis. Potenciar a ligação do Museu à sua envolvente, refletir em conjunto, trocar informação relevante, constitui, no nosso entender, uma linha a explorar, muito frutuosa para evitar soluções drásticas de recurso. Uma possível experiência poderia passar pela constituição de um grupo, não tanto de consulta, mas de discussão regular, alargada a personalidades, individuais e coletivas, que também têm interesse na qualificação do Museu, da cidade e da região. Seria possível, por esta via, não apenas minimizar o fechamento ainda muito presente na cultura organizacional dos museus, mas também, pensando em conjunto, encontrar soluções novas e adequadas aos problemas.

Um outro domínio em que, manifestamente, as exigências de iniciativa e resposta ultrapassam as possibilidades efetivas do Museu consiste nas atividades de comunicação, em sentido lato: informação, divulgação e relação específica com públicos diversos (e, aqui, devemos incluir os colecionadores de arte); mas também preparação e atualização de materiais que possam ser rapidamente mobilizados − para a procura de mecenas ou patrocinadores, para as políticas de conservação e aquisição, para a investigação e publicação.

Em termos de comunicação, o MNSR conta com uma pessoa tecnicamente qualificada (mas cuja função formal é de assistente técnico) e as suas condições de trabalho são permanentemente afetadas, quer pela obsolescência tecnológica dos computadores e dos servidores, quer pelas restrições de acesso (centralizadas e também com pouco pessoal) – quer ainda pelo volume de trabalho, atendendo à envergadura de atividades do Museu. Ao longo do último ano, o MNSR iniciou um ensaio, que podemos dizer como (ainda) uma espécie de voluntariado, com um grupo de profissionais que há vários anos

Cartão de Boas Festas do MNSR e do Círculo Dr. José de

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que o Museu implementou para efeitos da sua programação. Com competências em comunicação, produção e design, esse grupo tem colaborado com o MNSR, e, desejavelmente, a relação pode ser muito profícua, nomeadamente para o diálogo do Museu com as enormes solicitações atuais, tecnológicas e profissionais – mas também num possível alívio da pressão interna num domínio que requer um trabalho focalizado. A decisão de efetivar a criação de um blogue e de uma página no facebook45 são alguns resultados visíveis deste diálogo, que incluiu também o voluntariado do MNSR. Mas a relação poderá ser muito mais profunda e reciprocamente frutuosa. Constituirá, necessariamente, um desafio em termos de cooperação entre mundos diferentes, que devemos acompanhar – por exemplo, no que respeita aos efeitos, desejáveis, em temos de planeamento de produção (no caso das exposições em particular); e de uma aprendizagem, ainda muito por fazer, de como os profissionais (externos aos museus) devem atender às diferentes culturas dos seus "clientes". É, finalmente, também um interessante exemplo de como, na sociedade próxima e mais jovem, se encontra motivação e interesse na colaboração com o Museu, sinal claro do reconhecimento que lhe é votado.

Haveria vários outros exemplos que poderíamos ainda apresentar – no serviço educativo, por exemplo, tem havido parcerias com interessante potencial, algumas das quais já referimos; o mesmo se pode assinalar, embora ainda noutra fase, relativamente à colaboração dos voluntários. Porém, estes afiguram-se os mais profundos, e de maior alcance potencial a médio prazo, eles próprios ensaios para outros, com interlocutores menos próximos e (eventualmente) menos interessados nos Museus.

Vale a pena repetir, a finalizar, que verificámos a notável capacidade de integração de elementos externos, por parte do Museu, o que é raro neste tipo de instituições rígidas pela experiência adquirida – permitindo esperar a passagem de uma fase de adaptação das solicitações aos interesses do Museu para uma outra, em que o Museu protagonize

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podem mesmo estruturar-se protocolos específicos de colaboração, quer em termos de voluntariado, quer de projetos profissionais, artísticos e de investigação. Insistimos, no entanto, que esta estruturação só poderá ser bem sucedida se convocar uma mais efetiva participação interna.

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