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Capítulo IV – Os professores: caracterização do corpo docente

Corpo Docente

4.6. Análise dos dados relativos ao corpo docente

4.6.4. Relacionamento socioprofissional entre agentes educativos

No que concerne às relações entre os professores e a Direcção da Cooperativa, de um modo geral os docentes referiram ter sido, quase sempre, um relacionamento distante, embora cordial. No entanto, com algumas Direcções chegou a haver situações constrangedoras, o que originou ambientes quase hostis, conforme as palavras de alguns, que passamos a transcrever:

O relacionamento da Direcção da Cooperativa com os professores era o de entidade empregadora para com funcionários superiores qualificados, isto é, verificava-se, por vezes, alguma pressão e controlo da parte de quem menos sabia de pedagogia.

107 Caracterizava-se, grosso modo, por um certo distanciamento, talvez por a Cooperativa ser constituída por pessoas que não eram trabalhadores da escola. No quadro deste relacionamento, que no meu entender se traduzia, por vezes, por relações sombrias e pouco transparentes, destacavam-se as rescisões de contratos decididas “no topo” e sem diálogo entre as partes. Nesta conformidade, o ambiente era pouco prometedor (o que aconteceu nalguns anos foi os professores e funcionários receberem cartas de demissão, quase no final do ano lectivo, sem justa causa e sem qualquer informação prévia.)

No meu caso, nunca senti a presença da Direcção da Cooperativa, mas sim a da Direcção Pedagógica.

O relacionamento da Direcção da Cooperativa com os professores foi muito variado, de dois em dois anos havia mudança, o que gerava muita instabilidade. Quando nos estávamos a habituar aos métodos de uma Direcção e o clima era mais amistoso, esta cessava funções e … começava outra, à qual tínhamos de nos adaptar. Nem sempre foi um processo fácil.

No que diz respeito às relações entre os professores e a Direcção Pedagógica, de um modo geral os docentes entrevistados deram muito boas referências. Tal facto é compreensível, uma vez que a maior parte dos Directores Pedagógicos da EPM eram já professores da Escola antes de passarem a exercer o cargo, para o qual foram eleitos por votação do Corpo Docente. Alguns dos professores referiram como era o relacionamento através das seguintes palavras:

Era um bom relacionamento. Tivemos excelentes Directores Pedagógicos! Entre a Direcção Pedagógica e os professores, de 1995 a 1998, considero que foi uma relação de cordialidade, especialmente nos anos 96/97 e 97/98 que foi de disponibilidade e colaboração.

O relacionamento com a Direcção Pedagógica revelou-se salutar, dado que a planificação e realização de diferentes actividades era feita em estreita colaboração, havendo sempre troca de ideias e auscultação de opiniões.

Sempre me apoiaram e acompanharam (o professor referia-se às diferentes Direcções Pedagógicas) no meu trabalho como professor e sempre atenderam às minhas solicitações. Sempre me trataram como colega e sem atitudes de superioridade.

O relacionamento era salutar, onde predominava o respeito mútuo, a partilha de preocupações e de experiências, sempre com a finalidade de alcançar os objectivos comuns de acordo com o Projecto Educativo da Escola.

Relativamente às relações entre professores, os entrevistados foram unânimes ao referir um clima de cordialidade, simpatia, entreajuda e, nalguns casos, de amizade.

As relações entre docentes eram, no geral, cordiais, de entreajuda e de partilha. Era notório a existência de grupos, não direi opostos, mas

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discordantes em certas situações; o relacionamento não ia além do da escola. As relações entre os professores eram bastante abertas e de grande solidariedade. A testemunhar este facto contam-se os convívios que na época tinham lugar e os sentimentos de repulsa a actos relativos a despedimentos ou rescisões de contratos pouco claros ou que careciam de diálogo entre as partes interessadas. Aqui era notória a união dos professores.

Era um relacionamento impecável, rodeado de muita solidariedade e amizade, embora nunca interferissem no trabalho profissional uns dos outros. As relações entre os professores eram pautadas pelo respeito, partilha, amizade e solidariedade, em suma era um convívio saudável e enriquecedor.

Analogamente, o relacionamento entre discentes e docentes é visto, à distância de dez anos, como tendo sido amistoso e harmonioso.

O relacionamento entre alunos e professores era mesmo muito bom, de grande disponibilidade e cumplicidade.

As relações professores alunos pode afirmar-se que, de uma forma geral, eram harmoniosas.

Os alunos sempre respeitaram os professores e vice-versa, apesar de, numa escola, sempre existir um ou outro elemento menos sociável e disciplinado. Professores e alunos conviviam inúmeras vezes, principalmente no desporto, teatro e música.

Dadas as características da Escola, visto ser uma escola integrada já na altura e albergar os filhos da Comunidade Portuguesa em Moçambique, as relações eram familiares, de muita proximidade, de muito respeito; os alunos acatavam as nossas orientações e conselhos.

O relacionamento entre os professores e os encarregados de educação era também cordial, embora tivessem ocorrido algumas situações esporádicas menos agradáveis, como referem alguns docentes:

As relações entre encarregados de educação e professores eram cordiais. Verificava-se que os pais estavam muito presentes na escola.

De um modo geral as relações eram salutares. Contudo, verificava-se alguma tendência de certos pais transportarem a influência que tinham em relação à direcção da cooperativa para condicionar o trabalho dos professores, para verem o trabalho do professor do lado negativo, inocentando os seus filhos de actos de que eram responsáveis. Esta situação entendo que fazia perigar o processo educativo na medida em que limitava a autoridade do professor perante os alunos.

Esta relação caracterizou-se por um aproximar a escola do meio familiar e social em que a criança e o adolescente vivem, onde os pais e encarregados

109 de educação tiveram um papel decisivo no desenvolvimento dos alunos. O objectivo era o acompanhamento regular das actividades dos seus educandos, ajudando-os a desenvolver hábitos de trabalho e na assiduidade, pontualidade e cumprimento atempado das suas obrigações escolares. Os pais e encarregados de educação contactavam frequentemente os directores de turma para trocar opiniões sobre o processo de aprendizagem.

Estabeleciam-se, regra geral, boas relações, mas às vezes iam longe de mais, por exemplo quando tentavam imiscuir-se na área pedagógica. Mas também tentavam resolver os problemas de certas limitações que tínhamos, sobretudo em relação ao material didáctico. Nessa altura colaboravam connosco.

As relações eram cordiais, era perceptível o respeito que nutriam pelos professores e entendiam as estratégias, bem como, as actividades por nós implementadas, como uma mais-valia para o sucesso escolar dos seus filhos.