21RELATÓRIO E CONTAS CONSOLIDADAS 2012 // PORTUGAL TELECOM
30 RELATÓRIO E CONTAS CONSOLIDADAS 2012 // PORTUGAL TELECOM
2012 foi um ano de grandes mudanças na política económica interna, com o entendimento de que a desaceleração económica observada em 2012 deve ser atribuída a obstáculos à ampliação da capacidade produtiva do país. A procura interna foi robusta mas não conseguiu ser acompanhada pela oferta agregada. Estas alterações de política poderão vir a ter consequências positivas no futuro.
2.3. África
As economias africanas, que tinham recuperado rapidamente após a desaceleração causada pela recessão global, foram prejudicadas no ano passado pelas insurreições em alguns países árabes. Com a recuperação das economias do norte de África e a melhoria sustentada em outras regiões, o crescimento no continente deverá ter acelerado para 4,5% em 2012. A África Subsariana deve continuar a registar um forte crescimento no curto prazo, com perspetivas regionais distintas, que refletem diferentes exposições das economias a choques externos. Os riscos externos permanecem elevados. A forte recuperação do investimento estrangeiro, com a exceção dos países do norte de África, estimulou os fluxos externos. O apetite das economias emergentes da Ásia e América Latina pelos recursos naturais provocou um forte aumento dos preços das commodities internacionais, que sustentaram o investimento relacionado com recursos naturais em África. Os preços deverão manter-se em níveis favoráveis para os exportadores africanos, não obstante os riscos negativos, tais como o aumento da inflação e as oscilações das cotações das commodities.
2.3.1. angola
Em 2012, a economia angolana continuou a evoluir a um ritmo considerável, estimando-se que tenha crescido 6,8% em 2012, impulsionada principalmente pelo crescimento do setor petrolífero (com Angola a consolidar a sua posição como o segundo maior produtor de petróleo em África), pelo início do projeto de gás natural liquefeito (GNL) no valor de nove mil milhões de dólares e também por um desempenho cada vez melhor dos setores não-petrolíferos. A política monetária adotada pelas autoridades angolanas foi apoiada por um ritmo de crescimento favorável dos
2009 2010 2011 2012 SELIC (%) - IPCA (%) Fonte: Bloomberg IPCA (%) SELIC (%) 16 14 12 10 8 6 4
01
ENquadramENto
MACROECONÓMICO
preços, levando o Banco Nacional de Angola (BNA) a cortar a taxa de juro para 10,3%. As pressões inflacion deverão cair para 9,0% em 2012.
Com a conclusão do Stand-By Arrangement, com o objetivo de aumentar a disciplina fiscal e monetária, reformar o sistema cambial, melhorar a gestão financeira pública, criar um sistema bancário sólido e aumentar a transparência fiscal, o FMI continuou a acompanhar a economia angolana e confirmou o bom desempenho e progresso da mesma. O balanço do FMI foi positivo, mostrando a recuperação das reservas externas líquidas para níveis equilibrados, a redução da inflação, a estabilização das taxas de juro e a obtenção de um cenário de estabilidade cambial. Em paralelo, o FMI destacou os progressos significativos em termos de transparência das contas públicas.
As autoridades angolanas apresentaram o novo Fundo Soberano de Angola (FDSEA), com um capital inicial de cinco mil milhões de dólares, que servirá, principalmente, para investir em infraestruturas para promover a indústria hoteleira, água, agricultura e abastecimento elétrico e de comunicações, a fim de criar condições para atrair investimento estrangeiro.
O Kwanza manteve uma tendência de depreciação ligeira face ao Dólar inferior a 2%, com a taxa de câmbio a situar-se em uSD 1: AOA 95,82 no final de 2012. De acordo com a alteração da Lei Cambial, os bancos nacionais serão obrigados a deter um mínimo de 80% do seu capital em kwanzas até o final de 2012. Angola pretende criar o seu primeiro mercado de obrigações em 2013, que será supervisionado pela Comissão para o Mercado de Capitais de Angola, preparando o caminho para um mercado acionista nos próximos dois anos.
2008 2009 2010 2011 2012
ANGOLA // CRESCIMENTO DO PIB (%)
Fonte: World Economic Outlook, FMI 13,8% 2,4% 6,8% 3,4% 3,9% 5,5% 2013E
01
ENQUADRAMENTO
MACROECONÓMICO
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RELATÓRIO E CONTAS CONSOLIDADAS 2012 // PORTUGAL TELECOM2.3.2. namíbia
A economia da Namíbia deverá crescer 4,0%2 em 2012, impulsionada por uma forte recuperação do setor primário, nomeadamente dos minerais. O setor industrial também deverá registar um forte crescimento devido ao aumento da produção de bebidas. A taxa de inflação aumentou para cerca de 6%, impulsionada pelos preços dos alimentos e combustível, refletindo o impacto do elevado preço do petróleo e a desvalorização significativa do Rand sul-africano causada pelo défice da conta corrente e fortes tensões laborais na África do Sul.
O Governo lançou uma importante iniciativa fiscal de três anos, em 2011/12, para aliviar limitações ao nível de infraestruturas e aumentar a criação de emprego. O programa temporário do governo
2006
2005 2007 2008 2009 2010 2011 2012
EUR / AOA - USD / AOA
Fonte: Bloomberg
EUR / AOA USD / AOA 140 130 120 110 100 90 80 70 60 2008 2009 2010 2011 2012 3,4% -0,4% 6,6% 4,9% 4,0% 4,1%
NAMÍBIA // CRESCIMENTO DO PIB (%)
Fonte: World Economic Outlook, FMI
2013E
01
ENquadramENto
MACROECONÓMICO
direcionado ao emprego e crescimento económico levou a um aumento no investimento em desenvolvimento no ano passado, o que vai exigir enfoque no plano fiscal do governo de médio prazo para obter um superávit fiscal em 2014/2015.
O FMI referiu que a perspetiva económica parece promissora, apesar de enfrentar potenciais riscos, tais como um clima externo frágil que apresenta riscos para a procura e preços das commodities e pressões crescentes sobre os preços de serviços não transacionáveis. uma maior deterioração das economias da Zona Euro poderá ter efeitos negativos significativos na economia da Namíbia através das ligações comerciais, já que grande parte das exportações do país são destinadas à Europa. No entanto, os bancos comerciais, na sua maioria filiais de bancos sul-Africanos, estão bem capitalizados e com lucros, tendo pouca exposição direta à crise financeira na Europa.
2.3.3. cabo Verde
Em 2012, o crescimento de Cabo Verde abrandou devido à frágil situação económica na Zona Euro e à fraca procura interna. As entradas de turistas e emigrantes estão a sustentar o desempenho económico de Cabo Verde apesar da redução significativa do investimento direto estrangeiro. De modo geral, a coordenação da política macroeconómica foi reforçada com a política fiscal, ajustada no decorrer de 2012 para apoiar a política monetária mais restritiva do Banco de Cabo Verde (BCV) desde final de 2011. O crescimento do PIB deverá ter abrandado para cerca de 4,3% em 2012 (face a 5,0% em 2011), refletindo o ambiente externo negativo, devido à situação económica e financeira adversa e ainda por resolver da Europa, não obstante o impacto positivo da procura interna suportada por um maior investimento público. A inflação permaneceu controlada, caindo para 2,3% em 2012 (final do período, diminuindo face aos 3,6% registados em 2011).
As condições monetárias tornaram-se mais rígidas após o 2S11, quando o BCV adotou uma política monetária mais restritiva, nomeadamente com: (1) o aumento das necessidades de reservas; (2) o reinício das operações de open market para absorver o Escudo cabeverdiano, e (3) o aumento da intervenção nas taxas de juro. A taxa de câmbio do Escudo caboverdiano está indexada ao Euro.
2008 2009 2010 2011 2012
CABO VERDE // CRESCIMENTO DO PIB (%)
Fonte: World Economic Outlook, FMI 6,2% 3,7% 4,3% 5,2% 5,0% 4,4% 2013E
01
ENQUADRAMENTO
MACROECONÓMICO
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RELATÓRIO E CONTAS CONSOLIDADAS 2012 // PORTUGAL TELECOM2.3.4. São tomé e Príncipe
A economia de São Tomé e Príncipe está a recuperar gradualmente depois de uma forte desaceleração em 2009, que refletiu uma queda do investimento direto estrangeiro como resultado da crise financeira global. O crescimento do PIB para 2012 é estimado em cerca de 4,5%, com os projetos financiados no exterior a ajudar o desenvolvimento das atividades de construção, comércio, turismo e agricultura. Esta dinâmica de crescimento deverá aumentar à medida que continuem as perfurações exploratórias de petróleo. As autoridades públicas estimam que a produção de petróleo irá começar em 2015. A taxa de câmbio está indexada ao Euro desde janeiro de 2010.
2008 2009 2010 2011 2012
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE // CRESCIMENTO DO PIB (%)
Fonte: World Economic Outlook, FMI 9,1%
4,0% 4,5% 4,5%
4,9% 5,5%
01
ENquadramENto
MACROECONÓMICO
2.4. outras geografias
2.4.1. timor-leste
Em 2012, estima-se que o crescimento tenha permanecido forte em cerca de 10%, suportado pela despesa pública. A inflação em Díli manteve-se elevada, tendo diminuído ligeiramente para 12,0% em 2012, devido aos elevados preços dos produtos alimentares, à desvalorização do Dólar e à forte procura devido ao aumento da despesa pública.
O governo lançou o “Plano de Desenvolvimento Estratégico “, com o objetivo de transformar Timor-Leste num país com rendimentos acima da média em 2030, aumentando o investimento público para melhorar as infraestruturas do país. Esses compromissos, juntamente com a meta de atingir um crescimento económico elevado, alinham Timor-Leste com o objetivo da Ásia e Pacífico de obter crescimento económico. Dada a dinâmica procura pelo petróleo e aumento dos preços, a perspetiva para o crescimento económico e redução da pobreza é promissora.
2008 2009 2010 2011 2012
TIMOR-LESTE // CRESCIMENTO DO PIB (%)
Fonte: World Economic Outlook, FMI 14,6%
12,8%
10,0%
9,5% 10,0% 10,0%