c Trib un al singu lar: art 16 CPP, que pode ser quanto aos tribunais de competência específica:
A) RELATIVAMENTE AO TRIBUNAL 0 0 JÚR
O tribunal do júri será com petente nos seguintes dois casos:
a. 1.* Grup o: nos crimes previstos no art. 13/1 CPP (critério qualitativo ), quando requerida a sua interven ção; tais crimes corresponde m:
i. Ao s crimes contra a identidade Cultural e integridade Pessoa! - arts. 23 6 a 246 CP
ii . Aos crimes contra a Segurança do Estado - arts. 308 a 346 CP
iii. Aos crimes previstas na Lei 31/3004: Violações do Direito
Internacional Humanitário
* Conflito: nesta área há coincidência entre o ar t. 13/1 (atribuição de competência ao Tribunal de Juri) e o art. 14/1 (atribuição de competência ao T.Colectivo)
o Tratando-se ambos de critérios qualitativos, deverá ser dada
p r i o r i d a d e a o T. Júri, em função da sua natureza e estrutura:
legitimidade própria e directa na CRP; constituição mediante
requerimento (o que significa que caso não exista requerimento
as suas caus as têm de estar atribuíd as a outros tribu nais) e o fc — facto de a próp ria ordem sistemática do CPP não ser aleatória
Assim, caso não seja requerido T.Juri, sérâ competente o
T.Coiectivo ex vi art. 14/1 K - * = C = 8 = ■ = .1 , 1 —
b. 2 .a Grupo : crimes com pena máxima, abs tracta me nte aplicável, sup erior a mr~ 8 anos de prisão (art. 13/2 - critério qua ntitativo), quando tenha sido j r ; requerida a sua intervenção
■Pena máxima, abstractamente aplicável, exigida pelo art. 13/2, pode decorrer da imputação ao arguido de vários crimes, ainda que cada crime isoladam ente considerado não o per mita (art. 15)
" Conflitos: í —
o 13/2 vs, 14 /2/b): prevalece o T.Juri, quando tenha sido requerido.
o 13/2 vs. 14/2/a): prevalece tamb ém o TJ u ri; o critério ( qualitativo não prevalece face ao art. 13/2, dada a natureza do T.Júri (assim se constantando que a prevalência de critérios K
qualitativos não é absoluta I) g n
=> Reserv a de competência legal do art. 14/2/a) vale apen as
peran te o T. Singular e não face ao T. Júri K iZ
■ Exclusão da competência do TJuri para os crimes de terrorismo e
criminalidade altamente organizada: proibição fundada na protecção W “~ do próprio tribunal e dos jurados «não togados» que ficariam sujeitos a
uma eventual pressão (evitável)
■ Exclusão de competência do TJuri dos crimes cometidos por titulare.
de cargos políticos (art. 40 da Lei 34/87) m .
m z
í " }
Notas:
Intervenção do Trib. Júri não é automática! É sempre necessário(
requerimento, quer nos casos do art. 13/1 quer no caso do art. 13/2, por gfr- pa rte d o MP, do ass isten te ou do arguido
Regime do Júri: DL 387-A/87 (Trib. Júri comp osto pelos 3 juizes que f lU constituem o Trib. Colectivo - que haveria de ser com petente se não tivesse sido requerida a sua intervenção, sendo estes designados vulgarmente por «jurados togados») e por 4 jurados efectivos e 4 suplentes (sendo estes os «jurados não togados»)
o O júri intervé m quer nas questões da culpabilidade, q uer na determinação da sanção a aplicar
m
* r B) RELATIVAMENTE AO TRIBUNAL COLECTIVO
O tribuna l colectivo (ou seja, a vara criminal ou a vara de competência mista ou , na JJ g sua falta, o Tribunal de Comarca de competência genérica que julgará erT>-«. Colectivo) será competente nos seguintes três casos :
a. 1.5 Grup o: crimes previstos no art. 14/1 (crité rio qua litativo , peto que é irrelevante a moldura da pena), quando não tenha sido requerida a intervenção do Trib. Júri nos termos do art. 13/1; tais crimes correspondem:
/. Aos crime s co nt ra a iden tid ad e Cultural e in te gr id ad e Pes so al - arts. 23 6 a 246 CP
ii. Aos crimes contra a Segurança do Estado - arts. 308 a 346 CP
ili. Aos crimes previstos na Lei 31/3004: Violações do Direito Internacional Humanitário
b. 2.9 Grupo : crimes previstos no art. 14/2/a) (critério qualitativo)
/ íj Crimes dolosos quando for elemen to do tipo a morte de uma pessoa
(tais requisitos são c umu lativos!)
“ e.g.: crime de homicídio simples (art. 131 CP); excluído fica, como é óbvio, o homicídio negligente (art. 137 CP)
ii.' Crimes agravados pelo resultado quando for elemento do tipo a morte de uma pe ssoa
* e.g .: crime de ofensa à integridade física sim ples agravada pelo resultado (art. 143 e 147/1 CP)
Âm bito do 2.S Grupo
“ Todos os homicídios, incluindo os privilegiados (arts. 133, 134, 136: todos são dolosos e a morte duma pessoa é elemento do tipo)
” A forma tentad a de todos os crim es que integram o art . 14/2/a): a tentativa é sempre dolosa e necessariamente a morte é elemento do tipo
“ Crime de incitamento ou ajuda ao suicídio (art. 135 CP): ainda que este crime contenha condições objectivas de punibilidade (tentativa ou consumação do suicídio), deverá, ainda assim considerar-se que integra o art. 14/2/a), por analogia (admissível po rque in bo na m pa rtem ), uma vez que a fronteira entre a autoria mediata de homicídio e a ajuda ao suicídio nem sempre é muito nítida e apenas comprovável mediante prova em julgamento que, por garantia de defesa do arguido, deverá efectuar-se em sede de T.Colectivo.
o A mesma solução se impõe, por identida de de razão, para os crimes (dolosos) agravados pelo suicídio da vítima (art. 177/4 CP)
■ Crim e de pa rticip aç ão em rixa (art. 151 CP): a complexidade de prova neste casos também justifica o tratamento idêntico aos casos anteriores; em síntese, por analogia (In bonam pa rtem ), crê-se ser de integrar no art. 14/2/a) este crime
quando do mes mo tenh a resultado a morte de uma pessoa, o Crime de aborto (art. 140/2 e 3 CP): não cabe na
competência do T. Colectivo nos termos do art.
14/2/a), uma vez que pe ssoa não é vid a intra-uterina e não parece que as consequências ético-jurídicas tenham sido atendidas como critério de competência
» Acresce que não se deduz a comp lexidade de prova da sua eventual dificuldade; mais: a dificuldade de prova não é fundamento de atribuição de competência, mas antes a sua complexidade.
* Nestes term os, o crime de aborto será da competência do T. Singular, ex vi art. 16/2/b).
c. 3.° Grupo : crimes previstos no art. 14/2/b) (critério quan titativo ): crimes com pena máxima, abstractamente aplicável, superior a 5 anos de prisão (mesmo quando, nos termos do art. 15.a, no caso de concurso de infracções, seja inferior o limite máximo correspondente a cada crime).
* Englobam-se neste critério todo s os crimes com penas supe riores a 5 anos de prisão que não sejam integrados no art. 13/1,14/1, bem como no art. 14/2/a).
» Reserva de com pet ência d o T. Colectiv o per an te o T. J u r i : art.
14/2/b) engloba crimes, cujas penas sejam superiores a 5 anjos, de terrorismo e criminalidade altamente organizada, que, por imposição constitucional (art. 207 CRP), não podem ser julgados pelo T. Júri.
o No ta: po rém , se a pena abstracta me nte aplicável for igual ou inferior a 5 anos, será competente o T. Singular nos termos do art. 16/2/b) (e.g.: corrupção activa p.e.p. no art. 374 CP, p unível com pena de 6 meses a 5 anos de prisão)