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RELATIVAMENTE AO TRIBUNAL SINGULAR 

c Trib un al singu lar: art 16 CPP, que pode ser quanto aos tribunais de competência específica:

C) RELATIVAMENTE AO TRIBUNAL SINGULAR 

O Tribunal singular (ou seja, o Juízo de Competência Especializada Criminal - que, se houve r, será o tribunal c ompetente para todos os processos atribuídos ao T. Singular - ou o juízo de pequena instância criminal - competen te para os processos especiais - ou o Juízo Criminal - competente para a forma de processo comum - ou, na falta destes, o tribunaI  de comarca de competência genérica que julgará em singular) será competente nos seguintes quatro casos:

a. l. s G rupo: crimes previstos no art. 16/2/a) (critério qua litativo): integra os crimes contra a Auto ridade Pública - p.e.p. nos arts. 34 7 a 358 CP

■ fíatio: suposta simplicidade de prova

■ Concurso entre dois crimes do catálogo do art. 16/2/a): v. p.

b. 2 .9 Grupo : crimes previstos no art. 16/2/b) (critério quantitativo): integra todos os crimes punidos com  pena  de prisão, abstractamente aplicável, igual ou inferiores a 5 anos, desde que não estejam integrados em nenhum critério qualitativo (leia-se: arts. 13/1; 14/1/; 14/2/a) e 16/2/a)).

* Integra a pa rte dos casos de criminalidade altam ente organizada (cfr. art. l/ m )), nom eadamente nos casos cuja pena máxima não seja superior a 5 anos de prisão (e.g.: associação criminosa p.p. no art. 2 99/1 CP, cuja pena é de 1 a 5 anos)

o Recorde-se que por imperativo constitucional (art. 207 /1 CRP) estes crimes não podem ser julgados pelo T. Júri.

* Aplica-se o art . 15 aos casos do art. 16/ 2/b : sempre que se tra tar de dois crimes, em concurso de infracções, quando a soma das respectivas penas máximas não for superior a 5 anos de prisão

o Quando for superior, será competen te o T. Colectivo (art. 14/2/b) e art. 15)

c. 3.s Grupo : requerimento do MP nos termos do art. 16/3 (critério esp ecial de determ inação concreta da competên cia - mais próximo dos critérios qualitativos)

* O legislador criou aqui um mecanismo através do qual a competência se determina de acordo com a previsão da pena que possa vir a ser aplicada {medida da ce na concreta )12

o A medida da pena em causa pode ser aferida mesm o em concurso de infracções, nos termos do art. 16/3.

■ Desta forma, o T. Singular será competente  nos casos em que o seria o T. Colectivo (e apen as nos casõs do art. se o MP tiver requerido, mediante um juízo de prognose e de acordo com critérios de estrita objectividade, o julgamen to com intervenção do T. Singular, dado considerar que não será aplicado naqueles casos concretos, penas superiores a 5 anos de prisão.

o Sempre que a pena abstra cta mínima for supe rior a 5 anos de prisão, o MP nunca poderá submeter o processo a  julgam ento do T. Singular por via do art. 16/3, sob pena de

óbvia violação do princípio da legalidade das penas.

o Objectivo deste mecanismo:  descongestionamento dos T. Colectivos.

o e.g.: crime ..de_furjp ^qualificado (art. 204/2/a) CP, punido com pena de prisão de 2 a 8 anos).

■ Posição do Juiz de instrução:

o Interpretação conforme à CRP não exige acordo de todos os sujeitos.

o A independê ncia dos tribu nais, a estrutura acusa tória e a legalidade das penas, parece impor que o requerimento do MP é uma proposta, pelo que o  ju iz po de recusa r   (se discordar), remetendo o processo para oT. Colectivo, quer tal suceda antes ou depois da audiência de julgamento (embora antes da sentença)

■ Exemplo de articulação entre art. 16/3 e art. 13/2

o e.g.: crime se sequestro (art. 158/2/a) CP) - M P requer  julgamento pelo Tribu nal Singular (art. 16/3); Arg uido 11 Quem considera este mecanismo constitucional invoca os princípios do juiz natural ou legal, da reserva de lei, da Independência dos tribunais e da estrutura acusatória.

requer intervenção do Júri (art. 1 3/2); Assistente opõe-se a tudo, pretendendo que o arguido seja julgado pelo T. Colectivo (art. 14/2/b)

O art. 16/3 prevalece sobre o art. 13/2/b)

^ Conteúdo da ressalva do art. 13/2 apenas abrange o art. 16/2/a), pelo que seria competente para julgar este processo o T. Júri.

d. 4.- Grupo: nos crimes que não couberem na competência dos tribunais de outra espécie - art. 16/1 (crité rio de competência resid ual)

• Face à delimitação dos critérios quantitativos pre vistos nos arts. 14/2/b) e 16/2/b), a competência  residual do T. Singular èstá «reduzida» apenas a os crimes puníveis apenas com pena de m ulta.

 2.2 .3 . A competência por conexã o.

Organizando-se um processo autónomo por cada crime (e, quando existam pluralidade de agentes, um processo por cadá um), bem se compreende que por vezes há processos em que há toda a conveniência na apreciação coniunta devido à estreita ligação entre os respectivos objectos processuais (conexão).

Requisitos para a conexão

a) Pluralidade de processos Ireal ou hipotéticali3 bj Pluralidade de tribunais com peten tes

c) Verificação de uma situação típica de conexão - objectiva ou subjectiva (arts. 24 e 251. resoeitand o-se o s limites à conex ão (a rt. 261

d) Tramitação concom itante —art. 24/2u

Situaçõ es típicas de conexão

Os casos que obrigam à conexão de processos estão descritos nos arts. 24 e 25: podemos organizá-los em três grupos, a saber:

a) Conexão de natureza objectiva (em que o agente comete vários crimes relacionados entre si); e.g.: 24/1/a), que prevê situações de concurso ideal efectivo de crimes praticados pelo mesmo agente

n A con exão não pressupõe necessariamente a existência de processos pend entes, pois pode verificar- se logo originariamente, antes da instauração de qualquer processo e, a ocorrer assim, determinará desde iogo a organização ab initio de um sá processo (art. 29).

u   Considera-se não haver tramitação concomitante, por exemplo quando num processo só falta a leitura do acó rdão e no outro vai começar o julgamen to - deixou de haver utilidade da conexão ; mais: ela poderia reta rdar Injustificadamente a leitura da primeira sentença.

b) Conexão de natureza sub jectiva (em que é a relação entre os agentes relativamente a um crime que determina a conexão de vários processos); e.g.: art. 2 4/1/c) ou d)

c) Conexão de natu reza mista (em que a lei atende aos agentes e a conexão entre os crim es); e.g .: art. 24/1/a) e 25.

Efeitos da conexão a) Apensação: art. 29

b) Prorrogação da competência (ainda que cesse a cone xão ): art . 31/b)

Regime

a) Apensa ção de Processo s: quando, da determ inação da competência para cada processo, o tribunal competente seja o mesmo (material, funcional e territorialmente), e se estiverem preenchidos os demais requisitos de conexão, haverá lugar apenas à apensação dos processos,  não sendo necessário determinar o tribunal competente nos termos dos arts. 27 e 28, bastando a apensação do art. 29

Ou seja, nestes casos, haverá conexão e a consequente apensação, mas não a determinação da competência por conexão

b) Determ inação do tribunal competente para todo o processo enfí virtude da conexão: quando, da determinação da competência para cada processo, se inferir que há diversidade de tribunais competentes, haverá que proceder à determinação do tribunal competente para todo o processo em virtude da conexão, nos termos dos arts. 27 e 28.

■=!> Admitindo-se o preenchim ento dos requis itos da conexã o, será competente o tribunal de espécie mais elevada.

=* Sendo de igual esp écie, é necessário re cor rer ao art. 28.

Visão derrogativa ou conexão como critério autónomo de competência

a) Caso de adopte uma k v í s õ o derrogativa», isso significa que o art. 27

«escolheria» um dos tribunais potencialmente competentes, quer material, quer territorialmente competente.

■ Ou seja, o art. 27 funcionaria como regra geral de resolução de conflitos

b) Caso se defenda a conexão como «critério autónomo de competência», o art. 27 apenas afere a competência material, e o art. 28 a competência material

• É  esta a posição adoptada por João Caires.

Conexão nos casos do art. 1 6/2/a) e 14/2/b)

Admite-se a conexão, sendo competente o T. Colectivo, por ser este o T. de espécie mais elevada e mais garantístico em termos de apreciação plural de prova.

* Em alternativa, teria de fundamentar-se que o art. 16 /2/a) constitui um limite negativo implícito à conexão,  posição que não se adopta.

Separação de processos

Quando a conexão deixe de representar os seus desideratos (e constitua um entrave ao invés duma vantagem) ou quando haja requerimento para intervenção do T. Júri, o sistema tem, como válvula de escape, a possibilidade de pôr termo à conexão.

Neste caso, seoaram-se os respectivos processos   (art. 30) e faz-se cessar a respectiva prorrogação de competência (art. 31).

2.2.4. A dedaração de incompetência.

A preterição das regras de competência constitui uma nulidade insanável (art.

119/e)) J

■í1 Nos termos do art. 32/1, conduz à remessa para o tribunal com petente, é \ de conhecimento oficioso, em qualquer fa se do processo  (até ao trânsito em

 julgado da decisão final), send o ap roveita do s todos os actos pr aticad os perante o tribunal incompetente que o tribunal competente decida aproveitar de acordo com o máximo aproveitamento dos actos

Princípio do máximo aproveitamento dos actos

O critério legal para que o tribunal competente aproveite os actos anteriores é fundado num juízo de prognose: se o tribunal comp etente houvesse de prat icar os actos se o processo tivesse corrido perante si, valida os mesmos

■ No caso inverso, anula os actos anteriorm ente praticados e ordena a repetição dos actos necessários.

Regime:

■ O próprio tribunal incompetente mantêm competência para ( praticar os actos urgentes (art. 33/2 ), por exem plo, med idas de '( conservação da prova ou que afectem ou possam lesar de modo

dificilmente reparável o estatuto processual dos sujeitos processuais.

o A ideia do má ximo aprov eitame nto útil é assegu rada, nos termos do art. 33/4, com uma especialidade: os medidas de coacção decretadas pelo tribunal incompetente mantém-se válidas, porém carecem de validação   (ou não) por parte do tribunal comp etente no mais breve prazo » No caso de  prete ri ção das re gra s de co m petê ncia te rr itori al,  esta

só pode ser deduzida e declarada até ao início do debate instrutório ou até ao inicio da audiência de julgamento (art. 32/2) 2.2.5. Conflitos de competência.

São competentes para decidir os conflitos de competência os TR (art. 12/2/a) e 5/a)) ou o STJ (art. 11/2/a) e 11/6/a)).

38        t        i       n       n       n       n        f         í        f        t       n       n        j        t       n       n       n   „        f        i        f        l        f        f       n        f        i       n       n       n   „        f        i       r        i        T        i       n       n       n       n       n       n        i        i        f        i

2.3. Impedimentos e suspeições

A imparcialidade do juiz deve ser garantida a todo o custo. Para isso a lei prevê situações de:

a) Impe dime nto: o juiz é  impedido de julgar se tiver uma relação de parentesco ou outro tipo de proximidade com algum dos participantes processuais (arts. 39 e 40) '

“ Os impedimentos devem ser declarados oficiosamente (art. 41/ 1), embora a declaração possa também ser requerida pelo MP, pelo arguido, pelo assistente ou pela parte civil (art. 41/2)

b) Suspeição: sempre que houver «motivo sério e grave, adequado a gerar desconfiança sobre a sua [do juiz] imparcialidade» (art. 43/1), o juiz também pode ser recusado.

c) Escu sa: o juiz pode pedir escusa nos termos do art. 43/4. 3. O Ministério Público.

O MP é o órgão de Estado encarregado de exercer a acção penal (art. 21 9/1 CRP).

3 . 1 . Estatuto do MP

No desempenh o dessa função, o MP apresenta as seguintes ca racterísticas:

a) Enquanto órgão de Estado, é um órgão jud iciário, na medida em que colabora com o Tribunal na administração da justiça

b) Constitui uma magistratura autónoma (art. 219/2 CRP), no sentido de que goza de autonomia funcional,  guiando-se por critérios de legalidade e estrita objectividade, a que se junta uma autonomia orgânica, dada  pela exclusiva competência do PGR para nomeação, transferência e desenvolvimento na carre ira dos representantes do MP (art. 219/5 CRP) c) É integrado • por magistrados respon sáveis que são, no entanto,

subordinados hierarquicamente (art. 219/4 CRP), na medida em que têm de observa r directivas, ordens e instruções, mas devem recusá-las se forem ilegais e podem recusá-las com fundamento em grave violação da consciência jurídica

■ O superior hierárquico pode avocar o processo ou redistribuí-lo a outro subordinado.

3.2. O MP como parte acusadora?

O MP, no quadro da estrutura acusatória do  processo penal, é essencial ao contrad itório, mas não é «parte» no processo, já que não tem um interesse directo .. em dem anda r, mas prossegue apenas o interesse da justiça.

“ Quando  muito, o MP é  parte em sentido form al,  enquanto titular do direito processual de acção, mas não parte em sentido material, enquanto titular de um interesse jurídico próprio.

* Se quisermos, o MP é como qu e uma «parte imparcial»15.

3.3. Atr ibuições do IVIP no processo

Ao MP compete exercer  a acção penal (art. 48)

15 Expressão de Manuel Cavaleiro  de Ferreira.

Mais concretam ente, as atribuições do MP vêm no art. 53/2.

WP 

J P E = « = 3.3.1 . Restrições ao exercício da acção penal pelo MP

A promoção da acção penal pelo MP depende da natureza processual dos

crimes |j°*

a) Nos crimes pú blicos; o MP exerce a acção penal com total autono mia,

ainda que os ofendidos, ou os seus repre senta ntes, possam tom ar a B ™ posição de assistente s para influenciar o curso d o processo (art. 48)  g= . b) Nos crime s semi-públicos: a promoção do procedimento criminal pelo

MP depende de queixa ou de participação do ofendida (art. 49/1), seguindo no resto o regime do procedimento nos crimes públicos, a menos que haja desistência de queixa, seguida de homologação pela

entidade competente, o que fará cessar a intervenção do MP no y processo {art. 51)

c) Nos crim es particu lares: o procedimento crimina l também depende de queixa ou de participação do ofendido, além de que depende ainda da constituição de assistente e da dedução de a cusação particular por parte deste (art. 50/1)

■Quanto ao concurso de crimes públicos, semi-públicos ou

 partic ula re s, rege o art. 52. * “

•Quan to a crimes cometidos por titulares de certos cargos j g políticos, há também restrições ao exercício da acção penal pelo

MP (arts . 130 e 157 CRP). K

c 3,4. A intervenção dos Orgãos de Polícia Criminal

Ao M P, enquanto d etento r da acção penal, cabe a direcçã o do inquérito, assistido pelos OPC, enquanto auxiliares das autoridades judiciárias (arts. 53/2/b) e 263/1)

■ Os OPC actual sob directo orientação do MP e na sua dependência funcional (arts. 56 e 263/2)

As relações entre o MP e os OPC g ,

a) As polícias não podem, por iniciativa própria, ab rir inqué rito relativam ente a

nenhuma notícia de crime que tenham adquirido Jg

b) O Código não tolera sequer a realização de «inquéritos policiais» preliminares que envolvam a realização de diligências de investigação; pelo

con trário, a lei man da que a notícia do crim e adquirida pelos OPC, po r jg- conhecimento próprio ou mediante denúncia, seja transmitida ao MP no

mais curto prazo, que não pode exceder 10 dias (arts . 241, 242/1, 243/3, 245 £ e 248/1)

* Note-se que os OPC devem transmitir ao MP todas as notícias de crime,

mesmo as man ifestamente infundadas, assim como as denúncias p anónimas, pois não têm competência para decidir quais devem, ou

não, dar lugar à abertura do inquérito (arts. 246/5, 6 e 7 e art. 248/2) o Na sequ ência , o MP procede rá ao registo da denúnc ia (art.

247/2) - abrangendo os autos de notícia, pois valem com o denúncia - e fará a abertura do inqu érito (art. 262/2).

£ e e £ (= C 40

c) A delegação genérica de competência na PJ, ou noutro OPC, para a realização de diligências de investigação relativamente a certos tipos de crime (art. 270/4) não pode, de maneira nenhuma, ser confundida com autorização para a realização de «inquéritos policiais» preliminares, à margem da comunicação da notícia do crime ao MP.

d) As polícias têm competência própria para tomar medidas cau telare s e de polícia, ditadas pela urgência e pelas necessidades de conservação da prova (art. 248 e ss.)

"Mas são actos fora do processo, que depois têm de ser validados por autoridade judiciária (art. 174/ 6, por exemplo)

e) As polícias têm, essencialmente, a chamada competência de coa dju vaçã o, que depende da direcção funciona l da autoridade judiciária co mp etente.

"Ao MP caberá, portanto, um poder de orientar a investigação e às polícias caberá coadjuvar o MP nesta missão, mas tal não significa que o MP faça a investigação material, já que a experiência e o saber criminalísticos, bem como os instrumentos técnico-científicos adequados pertencem aos OPC.

"A direcção funcional do inquérito pelo MP implica, isso sim, poderes de directiva e de controlo relativamente aos OPC, o que é distinto do poder de dar ordens, já que as directivas deixam a decisão sobre a forma e os meios de execução de quem as recebe

o Mais concretam ente, o MP tem poder para pedir informa ção sobre as diligências de investigação e exigir outras, definir a estratégia e dar orientações de investigação e, inclusive, avocar ou redistribuir o processo, mas nunca podendo decidir qual o OPC que lhe deve dar assistência, pois tal é definido por lei.

4. O Arguido.

Arguido: é a  pe ssoa qu e é fo rm alm en te constituída como su jeito pro cessual e relativamente a quem corre processo como eventual responsável pelo crime que con stitvi objecto do processo

# Suspeito: nos termos do art. l/e), suspeito  é «toda a pessoa relativamente à qual exista indício de que cometeu ou se prepara para cometer uym crime, ou que nele participou ou se prepara para participar».

* O suspeito não é um sujeito processual, pois não beneficia de um estatuto processual específico; mesmo assim, o suspeito, enquanto tal, goza de certos direitos, a saber:

■ Seja qual fo r  a origem   da suspeita, não  pode, em  caso algum, ser obrigado a fornecer provas ou a prestar declarações auto- incriminatórias.

o Em processo pen al, o direito ò nSo auto-lncriminaçõo (nemo tenetur se ipsum accu sare), incluindo o direito ao silêncio, é uma

decorrência essencial das garantias de defesa; logo, deve estender-se ao próprio sujeito,

o E obrigatória a constituição de arguido logo que «durante qualquer inquirição feita a pessoa que não é arguido, surgir fundada suspeita de crime por ela cometido» (art. 59/1), o que implica o direito ao silêncio

o Por outro lado, a «própria pessoa sobre quem recair a suspeita de ter cometido um crime tem direito a ser constituída, a seu pedido, como arguido sempre que estiverem a ser efectuadas diligências, destinadas a comprovar a imputação, que pessoalmente a afectem (art. 59/2)

i Lesado: aquele que sofre danos com o crime.

4.1. A constituição de arguido.

O arguido é uma pessoa formalmente constituída como sujeito processual e contra quem corre um processo penal.

■ Têm capacidade jurídica passiva as pessoas físicas maiores de 16 anos (art. 19 CP) e as pessoas jurídicas, neste caso quanto aos crimes pelos quais possam ter de respo nder (art. 11 CP).

o Porém, a capacidade para ser arguido não se define exactame nte pela imputabilidade, inclusive absoluta (i.e., em razão da idade), poderá ser uma conclusão a adquirir no próprio processo penal.

A qualidade de arguido

a) O arguido assume essa qualidade com a acusação ou o requerimento, por parte do assistente, para abertura de instrução (art. 57/1)

■ Nestes casos, deixou de ser automática, ao contrário do que se passava na versão primitiva do CPP de 1987: o actual art. 57/3 impõe a comunicação dessa qualidade ao arguido (art. 58/2) e a explicação dos seus direitos e deveres processuais.

o A omissão ou violação desta form alidad e implica que as declarações prestadas pela pessoa visada não podem ser utilizadas como prova (art. 58/5)

b) Prevê-se ainda a constituição obrigatória do arguido nos casos dos arts. 58 e 59, ou seja antes da acusação ou do requerimento para abertura de instrução, designadamen te nos seguintes casos:

i. Correndo inquérito contra pessoa d eterm inada, esta prestar declarações perante qualquer autoridade judiciária ou órgão de polícia criminal (art. 58 /1/a))

ii. Seja aplicada uma medida de coacção (art. 58/ 1/b ) e art. 192) iii. Um suspeito seja detido (art. 58/1/ c))

iv. Um suspeito seja dado como agente de um crim e em auto de notícia (art. 58/1/d))

Validação da constituição de arguido

Com a reforma de 2007, passou a exigir-se que a constituição de arguido feita por OPC é comunicada ao MP no prazo de 10 dias em ordem ò sua validação   (art. 58/3, que assim se constitui como excepção ao art. 57/2)

* A não validaçã o da constituição de arguido pela autoridade judiciá ria não  pr eju dica as prov as an terio rm ente obtidas (58/6, que nesta m edida se constitui

como excepção ao 58/5). Falta de constituição de arguido

A falta de constituição do arguido, nos casos em que devesse já ter acontecido, é uma

s i m pl es ir r egul a r i dad e (art. 118/2), que pode ser reparada a todo o tempo  (art. 123/2),

ou seja, nunca é tarde de mais para constituir o suspeito como arguido! Algumas co nsequências da não constituição atempada de arguido:

* Ineficácia das eventuais declarações auto-incriminatórias (art. 58/5) * A utilização de meios enganosos (e.g.: interrogar o suspeito na

qualidade de testemunha) ou a ameaça com medida legalmente inadmissível (eg.: ameaça com processo-crime por falso testemunho), determina a nulidade da prova, nos termos do art. 126/1 e 2, incluindo as provas secundárias (e.g.: a arma do crime encontrada graças às declarações do suspeito), a menos que pudessem ser obtidas directamente, na falta da prova nula, através de comportamento lícito alternativo.

* Acre sce que, se o uso dos métodos de obtenção de prova s pode constituir crime (e.g.: ameaça ou coacção), estas poderão ser utilizadas com o fim exclusivo de proceder contra os agentes do mesmo (art. 126/4).

Direitos e d everes do arguido São direitos do arguido  (art. 61/1):

a) Direito de presenç a em todos os actos processuais que directam ente o afectem

b) Direito de audiência pelo juiz quando este deva toma r qualquer decisão c) Direito de inform ação sobre os factos que lhe são imputados

d) Direito ao silên cio, sem ser prejudicado por isso: o silêncio do arguido não pode ser interpretado como presunção de culpa (ele presume-se inocente - art. 32/2 CRP);

• Acresce que a lei não estabelece qualquer sanção para o arguido que, prestando declarações sobre os factos que lhe forem

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