Parte IV – Regulando o Capital no Século XXI
Capítulo 14 Repensando o Imposto de Renda Progressivo
O imposto progressivo e o imposto sobre herança foram as principais inovações do século XX para diminuir a desigualdade social. No atual século, estas duas instituições estão ameaçadas. Piketty irá analisar em mais detalhes estes dois tipos de impostos numa perspectiva progressiva de cobrança e o papel fundamental desta forma de tributação para se alcançar uma sociedade mais igual e redistribuída.
180 A Questão da Tributação Progressiva
Tributação não é uma questão técnica. É sim, uma questão política, filosófica e cultural. Talvez, a questão mais importante de qualquer questão política. Sem tributação, ações coletivas seriam impossíveis e as sociedades não conseguiriam visualizar um destino comum.
Em todas revoluções políticas da história encontramos uma revolução fiscal correspondente. O antigo regime francês foi varrido do mapa após as assembleias revolucionárias abolirem os privilégios fiscais da aristocracia. A expressão “No taxation without representation” presente na independência dos EUA também ilustra esta afirmação.
Distinguimos três tipos de tributação: tributação de renda, de capital e de consumo. A tributação de consumo é chamada de tributação indireta pois não incide diretamente na renda ou no capital. Ela é paga indiretamente no momento da venda/compra de um bem.
Para além destas retóricas de definições, o importante é classificar os diversos tipos de impostos em progressivo, proporcional ou regressivo. Se progressivo, quanto mais se ganha ou quanto mais se tem ou quanto mais se consome, mais impostos se paga. Se progressivo, as taxas são proporcionais ao ganho e se for regressivo, quanto mais rico menos se paga. Aliás, foi o famoso “pool tax” onde Margareth Thatcher defendia o imposto regressivo, que a tirou do cargo de primeira ministra em 1990.
A maioria das tributações governamentais podem ser classificadas como proporcionais e, politicamente, não é fácil de se implantar sistemas tributários que fogem à esta regra. Os tributos progressivos foram um dos principais responsáveis em evitar que o capital
Jandui Tupinambás 114 chegasse ao patamar da Belle Époque e, ao mesmo tempo, os tributos progressivos, são os principais motivos que explicam as grandes fortunas atuais.
A guerra dos tributos entre países na era do capital sem fronteiras está fazendo com que muitos países passem a isentar o grande capital como uma forma de fixar o capital no país. Com isto, existe uma tendência forte da evolução da tributação regressiva tornando a perspectiva futura ainda mais sombria em relação às desigualdades.
A existência de um estado social ainda significativo e protetor exigirá que as tributações não evoluem para regressivas e voltem, no mínimo para um sistema progressivo. Fica ainda mais incerto o futuro do estado social quando olhamos para o sistema de tributação dos patrimônios. As heranças sofrem ainda mais com a síndrome da “curva em forma de sino” onde a taxação cai à medida que os ativos herdados valem mais.
181 O Imposto Progressivo no Século XX: Um Efêmero Produto do Caos
O imposto progressivo no século XX foi uma realidade devido ao choque das duas grandes guerras mundiais como mostra a figura 14.1 a seguir. A alíquota de imposto para os mais ricos na França, por exemplo, era de apenas 2% em 1914. Logo após o fim da primeira guerra a alíquota já chegava aos patamares modernos de 50% chegando a 72% em 1924. Vinte anos após o final da segunda guerra mundial as alíquotas da tributação de grandes fortunas voltam a se estabilizarem em torno de 40-50%.
182 Tributação Progressiva na Terceira República
Terceira República Francesa: iniciou-se em 1870 durante a guerra Franco-Prussiana e terminou em 1940 com a invasão da Alemanha.
Durante a terceira república a França, apesar de afirmar os ideais da revolução, além de retroceder com o sufrágio universal masculino em 1871 relutou em implantar tributação progressiva sobre salários ou capital. Somente após o final da segunda guerra mundial que as alíquotas reagiram progressivamente. O mais interessante era perceber que durante a terceira república, a elite econômica usava o argumento de que a França era um país igualitário e, portanto, não precisava de política de tributação progressiva.
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183 Tributação Confiscatória da Alta Renda: Uma Invenção Americana
EUA e Inglaterra nos períodos entre guerras lançaram mão de tributações progressivas mais que os demais países da Europa – principalmente os EUA. A alta taxação das grandes fortunas não tinha nenhum objetivo de buscar novas receitas. O objetivo era tentar desmotivar as grandes fortunas para não criar conflitos sociais e manter tentar manter os princípios do ideal americano de igualdade.
Logo após a primeira guerra muitos americanos começaram a se preocupar com o caminho de extrema desigualdade que os EUA estavam se dirigindo. Os americanos reagiram à esta escolha pela desigualdade logo após a primeira guerra. Em 1919 os americanos com alta renda já eram taxados em 70% de tributos federais. E, em 1933, Roosevelt também taxa os imobilizados acima de 70%.
A onda da super tributação chega na Inglaterra. Em 1942 a alíquota sobre a renda subiu para 80% e em 1944 alcançava o valor astronômico de 94% se estabilizando em 90% até o início da década de 60. A média da tributação das grandes fortunas nos EUA entre 1932-1980 alcançou nada mais nada menos que 81% da renda.
184 A Explosão dos Salários dos SuperGerentes: O Papel da Tributação
A partir da década de 70 os EUA e a Grã-Bretanha diminuíram suas alíquotas de impostos sobre os mais ricos diferentemente da Alemanha e França. Este comportamento conservador dos dois países está diretamente relacionado com o sentimento de ameaça
Jandui Tupinambás 116 devido à reação econômica de outros países. Esta recuperação econômica do Japão, China e outros países criou um ambiente propício para a implantação de políticas conservadores e concentradoras de renda nas gestões de Ronald Reagan e Margareth Thatcher.
Com a queda das alíquotas sobre os mais ricos, os salários dos grandes gestores começaram a subir. Até a década de 80 não era de interesse deles forçar um salário mais alto, pois grande parte iria diretamente para o governo. Com o leão mais manso sobre os salários astronômicos, estes gestores conseguiram convencer as partes interessadas das grandes organizações (conselheiros, acionistas, etc.) de que a produtividade marginal de seus trabalhos seria diretamente proporcional aos salários reivindicados. Assim, nascia o fenômeno dos salários astronômicos dos executivos americanos. Já foi mostrando em sessões anteriores que este alto salário não é algo meritocrático. Sabemos que o PIB per capita dos países desenvolvidos não aumentou em nada com o advento desses super-salários. Piketty, Emmanuel Saex e Stefanie Stantcheva fizeram pesquisas que foram além de comparações internacionais para mostrar que a grande ascensão dos salários dos supergestores é simplesmente uma questão de alíquotas bondosas. A única forma de resolver esta questão seria o retorno das alíquotas mais pesadas como ocorriam antes da década de 80.
185 Repensando a Questão da Taxa Marginal Superior
Tais pesquisas mostraram que uma alíquota nas rendas dos 1% mais ricos não só é possível como também seria a única saída para conter a ascensão dos altos salários. De acordo com as estimativas desta pesquisa, 80% seria a alíquota ótima para resolver de vez esta questão. Na verdade, a receita não iria melhorar uma vez que os salários desses milionários iriam migrar para faixas menores. Por isto, faixas menores também deveriam sofrer aumentos de taxas na ordem de 60% - estamos falando em salários de U$200.000,00 trazendo impactos positivos para as receitas dos estados.
Mas Piketty não é nada otimista em relação à implementação desta visão da alíquota progressiva. Pelo contrário: aqueles que deveriam mudar as leis que são representantes legitimados pelo sufrágio universal estão no topo da cadeia dos rendimentos. Tal ideia foi implantada no século passado graças aos choques tanto econômicos quanto psicológicos das duas grandes guerras. A tendência, segundo Piketty, é de um século XXI mais parecido com a Belle Époque do que com os tempos dourados dos anos 60 onde o capital deu uma arrefecida mitigando um pouco as desigualdades.
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Capítulo 15 – Um Imposto Global Sobre o Capital
Para regular o capitalismo patrimonial no século XXI não bastará rever o modelo fiscal e social do século XX e adaptá-lo aos dias atuais. Fundamental que duas ações sejam tomadas: tributação progressiva e volta de um estado social forte. Mesmo que a democracia se sobreponha ao poder do mercado financeiro, ela terá que se reinventar. Uma questão central deverá ser atacada: o controle financeiro internacional com total transparência. Piketty analisará mais detalhadamente a questão da tributação progressiva e posteriormente fará algumas reflexões acerca do controle internacional do capital.
186 Um Imposto Global Sobre o Capital: Uma Utopia Útil
Uma tributação global sobre o capital é uma ideia utópica. A implantação desta ideia é realmente de difícil execução. Uma forma de torná-la exequível seria implementar por região começando na Europa, por exemplo. Não podemos esquecer que a tributação progressiva que ocorreu entre as duas grandes guerras também era algo impensável e totalmente utópica no final do século XIX e início do século XX.
A proposta de Piketty é tributar globalmente o alto capital de forma progressiva e todos os tipos de capital incluindo os ativos. Para se ter uma estrutura fiscal de tributação mundial com o mínimo de distorções possíveis será necessário tirar lições dos diversos tipos de tributação que falharam ou que são casos de sucesso. Os países de língua inglesa possuem sistemas distintos dos sistemas da França que por sua vez são diferentes dos interessantes sistemas de tributação da China, etc.
187 Transparência Democrática e Financeira
A proposta de criar uma tributação global não tem como objetivo aumentar as receitas do estado nem substituir as demais formas de arrecadação já existentes. O propósito principal seria a regulamentação do mercado financeiro. O objetivo primeiro seria interromper o aumento incontido da desigualdade de riquezas e segundo, impor uma regulação efetiva no sistema bancário para evitar as crises cíclicas. Para alcançar tais objetivos o sistema global de tributação precisa promover transparência financeira democrática.
A transparência é fundamental pois se a tributação é global como saberíamos que a arrecadação sobre grandes riquezas está gerando os valores corretos caso os países não ofereçam relatórios e dados confiáveis?
Com a transparência tal tributação forçaria os governos a ajustar os acordos internacionais relacionados aos compartilhamentos de dados entre bancos. O princípio
Jandui Tupinambás 118 é simples: as autoridades de cada país responsáveis em recolher esses impostos receberiam toda informação necessária para efetuar os cálculos das bases do imposto de cada cidadão. E considerando que a taxas seria relativamente pequena (0.1%), os milionários optariam em pagar evitando problemas fiscais com as autoridades tanto nacionais quanto internacionais.
188 Uma Solução Simples: Transmissão Automática de Informações Bancárias
O primeiro passo para se implantar a tributação global será estender a nível internacional todas as transações bancárias para que cada país tenha o controle dos ativos dos contribuintes.
A missão não é simples, mas já foram dados os passos iniciais para alcançar este objetivo. O Foreign Account Tax Compliance Act (FATCA) dos EUA já prevê que todos os bancos mundiais informem as transações e ativos dos contribuintes americanos. A União Europeia também possui algum tipo de controle não tão rígido quanto o FATCA, mas já é um início. De qualquer forma, os controles atuais são insuficientes. Seria necessário implantar penalidades não só aos bancos como também aos países que se recusarem a prestar contas.
189 Qual o Propósito de um Imposto Sobre o Capital?
Com a tributação progressiva, o estado se contentaria com 0.1% sobre o capital ou uma alíquota mais substancial seria necessária? A questão deve, na verdade, ser colocada de outra forma: qual é, afinal, o objetivo da tributação progressiva do capital? Primeiramente, é importante destacar que existem duas justificativas para se aplicar tabela progressiva: contributiva e incentivada.
A ideia contributiva é simples: a taxação não pode ser feita somente sobre a renda, mas necessariamente sobre os rendimentos originados desta renda. Por exemplo, um bilionário que possui 10 bilhões de euros terá um rendimento de 500 milhões de euros/ano. Tal indivíduo, por mais bom gosto possa ter, não conseguirá gastar estes 500 milhões de euros. Este retorno do capital, portanto, precisa ser tributado de forma progressiva. Os sistemas atuais esquecem este tipo de tributação e assim, ao invés de fazerem o importante papel de distribuição de renda, os sistemas estão fortalecendo a lógica da desigualdade.
A outra justificativa para a implementação da tributação progressiva se baseia na ideia do incentivo. A ideia básica é a seguinte: taxar capital incentiva buscar o melhor investimento e, portanto, o melhor retorno do capital para compensar o imposto que será cobrado posteriormente. Por exemplo, uma alíquota de 1-2% sobre um capital onde
Jandui Tupinambás 119 o empreendedor consegue um retorno de 10% é um imposto pouco significativo. Assim, o capital nas mãos de empreendedores acomodados tende a ser transferido para empreendedores mais arrojados fazendo com que ele tenha uma participação mais ativa nos processos de produção.
Por outro lado, sabemos que o retorno do capital é uma grandeza volátil e que o próprio empreendedor, por mais competente que seja, não tem total domínio sobre ele. Por isso, a tributação deve ser feita não somente sobre o capital. São três os pilares na tributação progressiva que se complementam: tributação sobre herança, capital e renda.
190 Um Projeto para Tributação da Riqueza na Europa
Qual seria o plano de implantação para um sistema de implantação global e o que este sistema poderia nos trazer de ganhos? Primeiramente teríamos que tributar as grandes heranças uma única vez a cada geração. A tributação das grandes propriedades poderia gerar em torno de 0.5 a 1% de rendimento tributário considerando que o valor assumido do retorno do capital dessas propriedades gira em torno de 3 a 5%.
O próximo ponto é importante. O alto nível de riqueza privada que impera hoje na Europa trará uma receita considerável com a tributação progressiva. Aplicando a tabela abaixo, por exemplo, teríamos uma receita líquida de 2% do PIB europeu.
Riqueza em Euros Alíquota Progressiva
Até 1 milhão 0%
Até 5 milhões 1%
Acima de 5 milhões 2%
Tanto a FATCA quanto a União Europeia não têm a intenção de trabalhar com tributação progressiva. O objetivo deles não vai além de informar às autoridades sobre os ativos dos contribuintes para diligências internas relativas à sonegação.
191 Tributação de Capital Em Uma Perspectiva Histórica
Nos tempos da Grécia antiga Aristóteles destacava que juros significava tocos - criança em grego. Aristóteles afirmava que dinheiro não poderia fazer nascer mais dinheiro. Isto nos idos anteriores à Idade Média. A partir da Idade Média e até os dias atuais, obter mais riquezas a partir do capital sem exercer qualquer esforço nunca foi considerado
Jandui Tupinambás 120 algo imoral, antiético ou ilegal. O princípio geral dos juros desde então se tornou inquestionável.
A consequência em se aceitar os juros como algo normal e natural vez com que o capital se reproduzisse também naturalmente perpetuando as desigualdades e concentrando cada vez mais a riqueza.
A solução apresentada por Karl Marx para este problema foi colocada em prática na antiga União Soviética. O Capital foi apropriado pelo estado e o retorno privado caiu a 0%. Mas a questão de uma classe burocrática responsável em administrar todo o capital que um dia estava nas mãos dos indivíduos trouxe um custo que, no final, todos nós sabemos qual foi o resultado.
Tributar progressivamente o capital ao invés de torná-lo totalmente centralizado no estado é uma solução mais inteligente e eficaz. É a única resposta para a desigualdade r > g.
Piketty faz um resumo dos sistemas de tributações atuais mostrando suas falhas e a eficácia zero para tentar resolver o problema do acúmulo do capital.
Por fim, mostra que a tributação global progressiva do capital é uma ideia nova que precisa ser discutida democraticamente por todos os líderes e organizações mundiais para a sua implementação.
192 Formas Alternativas de Regulação: Protecionismo e Controles de Capital
Não temos outra forma de controlar o capital a não ser com tributação progressiva. Outras formas estão sendo utilizadas, mas sem sucesso. As formas são o protecionismo e o controle de capital. O protecionismo como forma de proteger setores de econômicos de um país de problemas de mão de obra escrava e processos comerciais ilegais de outros países é perfeitamente justificável e uma ferramenta que deve ser usada. Mas o procedimento não muda em nada o controle do capital, apenas fortalece determinados setores sem ocorrer diminuição de desigualdades.
Outro procedimento é o controle do capital. Após a queda do muro de Berlim, os economistas do capital entraram em êxtase e suas corporações foram juntas. O FMI e a OCDE mandaram às favas os controles de capitais e propagaram a ideia de autocontrole da economia. Com isto, o capital nadou de braçada nos países do terceiro mundo aumentando ainda mais as desigualdades entre as nações.
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193 O Mistério da Regulação do Capital Chinês
Nem todos países caíram no canto da sereia do livre fluxo de capitais. A China é um bom exemplo. O controle de ações é rígido e o estrangeiro não pode ter controle majoritário sobre ações. Da mesma forma para a saída de capital que é totalmente controlada. Além disto, as tributações do capital na China são mais progressivas que nos países desenvolvidos e a receita originada são investidas em educação, saúde e infraestrutura. Sem dúvida, apesar de ser um sistema pouco, a tributação na China tem mais chances de se tornar um sistema progressivo como sugerimos do que os sistemas europeus.
194 A Redistribuição das Receitas do Petróleo
A distribuição mundial dos recursos mundiais principalmente o petróleo é um fator complicador da regulação internacional do capital. Se a terra fosse uma simples e única comunidade democrática, os recursos poderiam ser distribuídos de forma mais igual. Como o mundo não é este, a distribuição de recursos naturais é feita quase sempre na imposição de fronteiras artificiais e muitas vezes na força explícita da guerra. As regiões com poucos recursos sofrem com a pobreza e os países no oriente médio que possuem muitos recursos - quase sempre construídos sob fronteiras impostas pelos impérios - não utilizam a renda oriunda desses recursos para melhorar a educação, infraestrutura ou saúde.
Uma nova sistemática do controle de capital deverá encontrar meios de alcançar uma distribuição mais justa dos rendimentos do petróleo seja através de obrigações fiscais, impostos ou ajuda internacional com o objetivo de dar oportunidade aos povos carentes de todos países de usufruir da riqueza do planeta.
195 Redistribuição Pela Imigração
A imigração é um caso oposto ao problema dos recursos naturais. Mover capital é bem mais complexo e envolve mais conflitos de interesses do que a imigração. É bem mais simples permitir deslocamentos de mão de obra de uma região ou país com salário menor para uma região com salário mais alto. Aliás, esta foi a grande contribuição dos EUA para a história da distribuição de renda mundial. No início da colonização o país possuía 3 milhões de habitantes. Hoje são 300 milhões. A imigração força o capital a não se acumular tanto e torna suportável o ambiente de desigualdades. Os imigrantes nos EUA apesar de estarem em posição bem inferior do que a média da renda nacional, se sentem, de certa forma, confortáveis, pois, nos seus países de origem estariam ainda piores. Isto suaviza os conflitos de classe.
É claro que a imigração mitiga um pouco o problema da desigualdade, mas não resolve a questão. Parte da desigualdade em um país pobre é deslocada para um país mais rico.
Jandui Tupinambás 122 No entanto, a tendência de concentração de renda continuará caso não se contenha o capital a partir de tributação progressiva.
Caso não se tenha estados sociais fortes e globalmente não se construa um sistema de regulação do capital, a imigração continuará sendo um tema tratado com ódio e nacionalismo. A África passaria a ter vantagens em relação à imigração, por exemplo. Com tributações internacionais mais justa não teríamos o débito atual da África onde os