Repensar a Educação foi estabelecido em 2012 para reformar os sistemas de educação em toda a UE de modo a dar resposta à crescente necessidade de níveis mais elevados de competências e para reduzir o desemprego. A iniciativa foca-se em três áreas que precisam de ser repensadas: qualidade, acessibilidade e financiamento. A reforma deve ser desenhada para aumentar os níveis básicos de competências, promover a realização de experiências práticas, fomentar competências de empreendedorismo e, melhorar as competências linguísticas.
Com a evolução dos mercados de trabalho e com a procura de novas competências, os sistemas de educação precisam de ser adaptados para que possam lidar com a crescente procura que se antecipa para a próxima década. Apesar do alargado investimento nos diferentes países, os sistemas educacionais em muitos países da UE ainda não são capazes de dar resposta aos desafios que foram surgindo e, os países da UE estão ainda muito longe de alcançar o objetivo de que os estudantes sejam fluentes em duas línguas estrangeiras.
Cada país europeu é responsável pelo seu sistema de educação e formação. A política europeia visa apoiar as medidas nacionais e ajudar a dar resposta aos desafios comuns, tais como, o envelhecimento da sociedade, a falta de mão-de-obra qualificada, os desenvolvimentos tecnológicos e a competição global. A cooperação nesta área terá lugar no enquadramento estratégico para a educação e formação para 2020 (Educação e Formação 2020).
EF 2020 fornece um fórum para a troca de boas práticas e de aprendizagem mútua, o que permite a recolha e disseminação de informação sobre medidas eficientes e, permite a partilha de conselhos e apoia a reforma das políticas. O objetivo de aumentar o número de jovens com qualificação de nível superior tem-se traduzido em iniciativas em grande escala para alargar a participação dos grupos sub-representados. A maioria dos países está a optar por fornecer apoio direcionado para grupos desfavorecidos, melhorando o seu acesso ao ensino superior e reformando os seus sistemas de apoio aos estudantes.
Literacia, numeracia, matemática básica e ciência são das fundações base para fomentar a aprendizagem (Monitor de Educação e Formação 2012) e, são uma porta de entrada para o emprego e inclusão social. Não obstante, estas competências estão a ser redefinidas pela revolução industrial que está em curso, uma vez que novas formas de ler e de escrever estão a ser desenvolvidas, a diversidade das fontes de informação está a mudar a sua própria natureza.
As reformas têm introduzido testes padronizados a nível nacional, estabeleceram uma infraestrutura de literacia, centros de matemática e de ciências, criaram redes de professores e o desenvolvimento profissional contínuo e, escalaram as ações para melhorar a literacia digital e media. No entanto, o fraco desempenho mantém-se e é neste momento urgente endereçar o baixo aproveitamento. Os Estados Membros precisam de introduzir novas e sistemáticas reformas para fortalecer a despistagem precoce e a intervenção nas dificuldades de aprendizagem e, assim substituir a reprovação com o apoio da aprendizagem. Estes esforços nas escolas de ensino obrigatório devem ser precedidos por uma educação na infância de elevada qualidade e acessível a todos. Estas medidas devem ser complementadas com literacia familiar e programas de numeracia, bem como, programas que promovam o desenvolvimento das competências básicas nos adultos, em particular através da aprendizagem no local de trabalho (Repensar a Educação, 2012).
Aprender línguas é importante para os empregos e também requer atenção especial. Num mundo de intercâmbios internacionais, a capacidade de falar diferentes línguas é um fator de competitividade.
As línguas são cada vez mais importantes para incrementar os níveis de empregabilidade e de mobilidade dos jovens e, fracas competências linguísticas são um grande obstáculo à livre circulação
de trabalhadores. Os negócios também requerem competências linguísticas para terem sucesso num mercado global.
A Comissão Europeua vai continuar a atuar e a promver a discussão de modo a garantir que até 2020 os sistemas de educação introduzem novos métodos de ensino e de aprendizagem que lhes permitam preparar os seus alunos com as competências necessárias para terem sucesso no mercado de trabalho.
3.1 Implicações da UE Industrial para a Indústria 4.0
As economias da UE estão a ser transformadas pela emergência de “novos modelos de produção”
impulsionados pela onda das mudanças tecnológicas: a difusão generalizada da tecnologia digital, novos modelos de negócio, novas formas de procura e acesso e, uma agenda para a inovação sustentável. As tecnologias avançadas estão neste momento a alimentar a quarta revolução industrial, com o potencial de transformar as indústrias da UE e criando um grande crescimento da economia Europeia. Ao invés de criar novas indústrias, a grande oportunidade digital para a Europa reside na transformação das indústrias e empresas existentes.
Para dar resposta aos desafios, a maior parte dos governadores da UE tornaram a Indústria 4.0 numa prioridade, tendo adotado políticas para aumentar a produtividade e competitividade e, para melhorar as competências tecnológicas da sua força de trabalho. Contudo, as autoridades nacionais estão cientes das políticas dos seus pares, havendo falta de cooperação sistemática e da troca de boas práticas.
As políticas da Indústria 4.0 são parte de um enquadramento ou estratégia abrangentes, refletindo o estado de prioridade que este fenómeno tem na Europa. Em particular, estes amplos enquadramentos ou estratégias expõem a visão global e abordagem das políticas de pesquisa, inovação e de industrialização. As políticas da Indústria 4.0 dos Estados Membros demonstram grandes sobreposições nos objetivos e alvos que seguem. A maioria das políticas tem como objetivo reforçar a competitividade industrial do respetivo país, a sua modernização e, assegurar o crescimento sustentável do setor produtivo. Frequentemente, os objetivos económicos são combinados com os objetivos sociais e ambientais.
Relativamente às barreiras às políticas da indústria 4.0 existem alguns aspectos que devem ser tidos em consideração. As lacunas ao nível da pesquisa e do envolvimento das PMEs têm desafiado a implementação de algumas iniciativas. Tal como qualquer projeto em grande escala, o financiamento
inicial público é crucial para acelarar a implementação das políticas da Indústria 4.0 e para criar as capacidades necessárias para as operações eficazes do programa (Monitor da Transformação Digital, 2017).
Devido ao enorme potencial das políticas da Indústria 4.0, é essencial que a Europa alavanque o seu conhecimento combinado para explorar na plenitude os benefícios das tecnologias avançadas.
Enquanto o financiamento da UE em áreas da Indústria 4.0 é disponibilizado através de vários programas de pesquisa, assume-se como fundamental que seja acompanhado por uma coordenação, ao nível da UE, das políticas nacionais permitindo a partilha de conhecimentos e de boas práticas.
O Monitor da Transformação Digital (2017) sugere que existe a necessidade de coordenação ao nível da UE, um primeiro passo nesta direção seria a criação de um fórum para grantir a identificação de políticas importantes, e a sua recolha e disseminação entre Estados Membros e indústrias. Um segundo passo, poderia ser a criação de um inventário online da literatura existente sobre a Indústria 4.0 e sobre as políticas de transformação. Isto poderia ajudar a garantir que os beneficiários alvo conhecem o conjunto de medidas e de instrumentos de financiamento disponíveis na Europa, além das iniciativas nacionais.
3.3 Implicações dos Sistemas de Educação da UE na Indústria 4.0
A importância da qualificação e do desenvolvimento de competências para a introdução da Indústria 4.0 é, de acordo com um estudo desenvolvido por Fraunhofer IAO, avaliada como consistentemente alta. As qualidades avaliadas como mais necessárias são a vontade de investir na aprendizagem contínua (86%), maior pensamento crítico e ação (77%) e, um nível mais elevado de competências tecnológicas (76%) (Schlund et al., 2014: pp. 6-7). Até ao momento, as discussões sobre a qualificação e a Indústria 4.0 envolveram sempre declarações generalistas deste género, focando-se por um lado nas competências transversais e sociais e, por outro lado, em competências tecnológicas não específicas.
Um mercado de trabalho inovador e dinâmico requer que os trabalhadores qualificados tenham uma abordagem calma e confiante em relação à complexidade. O modo como o sistema de educação e formação pode preparar as pessoas para esta realidade tem estado no centro de alguns debates acesos, centrados no conceito de academia (Nida-Rümelin, 2014). As universidades devem elaborar mais programas para apoiar as empresas a integrarem novos métodos didáticos na formação inicial dos seus colaboradores, de modo a desenvolver o seu espirito crítico e a capacidade de cooperarem interdisciplinarmente desde o início. As universidades devem criar oportunidades reais de
transferência entre o percurso vocacional e académico para a formação inicial e contínua, com o objetivo de criar o estatuto de formação vocacional inicial em comparação com o grau de licenciado.
As universidades devem estar abertas ao diálogo com atores sociais do Mercado de trabalho e com as empresas sem perderem a sua natureza académica especial e o seu alargado mandato educacional ou, simplesmente devem transformar-se num instrumento do interesse dos mercados. Este perigo é reduzido se agências acreditadas ou conselhos universitários, que já estão abertos a atores não académicos, consultarem os interesses dos parceiros sociais numa base equitativa.
Mais concretamente, um inquérito realizado em 2014 a líderes de empresas alemãs destacou algumas áreas que, nas suas opiniões, careciam de suporte por parte dos reguladores da Indústria 4.0. As maiores preocupações eram a educação e a formação de profissionais qualificados (32% dos inquiridos identificaram estas duas áreas como sendo as de maior importância), o apoio da padronização internacional (32%), a existência de leis competitivas sobre a proteção de dados (28%) e incentivos fiscais para as empresas que investem (27%). Um grupo mais reduzido de líderes globais colocou uma questão similar relativa ao top 3 de políticas para a Internet das Coisas, identificando como mais importante a disponibilização com regularidade de enquadramento legal (67%), educação e formação (55%), uma estratégia de Investigação de Desenvolvimento de longo prazo (48%) e, a definição de padrões comuns (47%).
3.4 Implicações de uma UE Industrial para a Indústria 4.0
Ao longo dos últimos anos a União Europeia deu resposta ao tópico da Indústria 4.0 usando o slogan
“Produção Avançada”. Um grupo de trabalho criado em 2013 apresentou um documento cuja principal preocupação era os desafios que resultam do reduzido peso da produção no PIB da União Europeia. Nesta publicação, a Comissão destacou que as tecnologias digitais como a computação na nuvem, o tratamento de grandes volumes de informação (big data),a nova internet industrial, as fábricas inteligentes, a robótica e a impressão em 3D são condições necessárias para aumentar a produtividade da indústria europeia.
No decorrer de outras atividades da parte do “DG Grow”, o objetivo estratégico definido foi aumentar a percentagem do PIB relativa à indústria, passando de 15 para 20%. A Comissão definiu 3 objetivos:
comercialização mais rápida das tecnologias avançadas de produção, redução das falhas na procura por tecnologias avançadas de produção e, promoção das competências para a produção avançada.
Cerca de 80% das exportações europeias são produtos industriais. A indústria europeia, que é responsável por cerca de 16% do PIB da UE, emprega aproximadamente 32 milhões de pessoas
distribuídas entre mais de 2 milhões de empresas, portanto, podemos considerar que a indústria é um dos motores da prosperidade e crescimento da Europa. A Comissão Europeia vê a Indústria 4.0 não apenas como uma forma para criar produtos de elevado valor acrescentado, mas também como uma forma de promover um setor produtivo sustentável em termos económicos e ambientais. As novas tecnologias vão ajudar a criar cadeias de valor sustentáveis economicamente e ambientalmente, mais concretamente criando empresas internacionalmente competitivas na Europa. A UE vê-se a si própria como uma localização industrial para o futuro, uma pioneira na digitalização e, uma localização atrativa para a indústria digitalizada. A UE está a realizar um amplo leque de medidas para apoiar e conectar as iniciativas nacionais que se focam na digitalização da indústria. Duas vezes por ano, os representantes das iniciativas dos Estados Membros (mais de 30 iniciativas nacionais e regionais) e os parceiros sociais juntam-se para uma sessão de mesa redonda de alto nível, que é organizada pela Comissão Europeia em Bruxelas, para trabalharem na cooperação europeia na Indústria 4.0.
À primeira vista, as estratégias nacionais para a digitalização e a Indústria 4.0 não são totalmente coerentes. A situação inicial de cada estado membro da UE e as necessidades específicas de cada local são diferentes, não obstante já terem sido desenvolvidas algumas iniciativas a nível nacional e regional, conforme se pode ver na figura abaixo.
FIGURA 5- VISÃO GERAL DAS INICIATIVAS EUROPEIAS SOBRE A DIGITALIZAÇÃO DA INDÚSTRIA
Em resumo, podemos concluir que o nível Europeu tem um papel importante na área da Indústria 4.0, não obstante as limitações ao nível da política da UE, devido ao facto de a promoção da Indústria 4.0 ser uma tarefa inter-organizacional, a participação das Direções Gerais e dos membros dos estados é necessária, o que torna a coordenação vertical e horizontal extremamente difícil. Desta forma, a coordenação internacional entre as diferentes entidades e organizações na UE é extremamente necessária para que seja possível definir boas práticas comuns e formar os trabalhadores de forma comum, tendo em consideração as forças de todos os agentes envolvidos e criando centros de colaboração.