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CAPÍTULO 2 – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.7 REPRESENTAÇÃO DE DADOS ESPACIAIS COMO FERRAMENTA PARA O

O crescente número de estratégias de qualidade para o diferencial turístico no ramo do mercado mundial e das particularidades dos lugares requer um planeja- mento que possa assegurar modelos sustentáveis no campo das atividades turísti- cas, elucidando a importância da utilização da cartografia na representação dos da- dos espaciais.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2006) a Cartografia “é um conjunto de estudos e operações científicas, técnicas e artísticas que [...] visa à elaboração de mapas, cartas e outras formas de representação gráfi- ca [...] bem como sua utilização.”

Para Loch (2006, p. 37), “o objetivo da cartografia, inicialmente, consiste na representação da superfície terrestre ou parte dela, de forma gráfica e bidimensional, que recebe o nome genérico de ‘mapa’ ou ‘carta’.” Completa, ainda que “[...] algu- mas definições incluem os aspectos da ‘confecção’ e ‘uso’ de mapas, cartas e outros produtos tais como, maquetes, visualizações 3-D da superfície e etc.”

Conforme Robinson et al (1995) para definir a Cartografia o pesquisador de- ve atentar-se a várias questões como a comunicação, as características dos mapas

e os benefícios de perceber a cartografia como um meio de comunicação entre o mapa e o seu usuário.

Os produtos cartográficos como ferramentas imprescindíveis no fornecimen- to de informações estão sendo evidenciados neste início de século, especialmente no contexto físico-territorial e de cenários visando ao planejamento das localidades em estudo.

Entretanto, a falta do conhecimento do uso desses produtos, ainda, é uma realidade no Brasil, representada pela falta de uma cultura cartográfica.

Ao longo da história da humanidade, destacam-se acontecimentos aponta- dos por Martinelli (2007), que marcam o desenvolvimento da Cartografia:

a) Século XV a XVII: Renascimento (surgimento das relações capitalistas; de- senvolvimento da navegação surgindo à necessidade de mapas e de instru- mento de orientação, a bússola, invenção da imprensa, grandes descobri- mentos com a expansão do mercantilismo);

b) Século XVIII: Instituição de academias científicas - o início da Cartografia Moderna;

c) Século XVIII e início do XIX: divisão do trabalho científico - o surgimento da Cartográfica Temática;

d) Final do século XIX: avanço do Imperialismo - inventário cartográfico; grande impulso aos mapeamentos.

Atualmente, os produtos cartográficos já estão inseridos no contexto digital. Para o turismo, em nível de avaliação territorial, a utilização desse instrumento pro- porciona ao planejamento a credibilidade das informações obtidas e a “possibilidade de se realizar um cruzamento de uma gama de informações complexas, através de um sistema de Informações Geográficas, proporcionando análises ambientais preci- sas e a visualização de cenários futuros.” (DUQUE; MENDES, 2006, p. 75). A apli- cabilidade da Cartografia tem um papel fundamental no diagnóstico e prognóstico da área de estudo.

Na reflexão sobre o mapeamento como ferramenta de análise visual, Loch (2006, p. 114), ressalta a importância da comunicação cartográfica sob a visão do leitor, reforçando que “a visualização, a leitura ou a interpretação do mapa por parte do usuário acontecerá sem que ele possa modificar o conteúdo, a simbologia ou a disposição dos elementos que formam o mapa.”

Considerando o mapa um produto cartográfico, vale descrever duas defini- ções relevantes no contexto profissional, conforme o quadro 12.

Quadro 12 – Conceituação de “mapa”. Fonte: Loch (2006); Robinson et al(1995)

Neste parâmetro, diante da diversidade de mapas elaborados no campo ci- entífico, a representação dos dados espaciais deve assegurar a confiabilidade para a sua utilização.

Para Loch (2006), o mundo real é representado seguindo dois caminhos di- versos: a cartografia de base (mapas cadastrais) e a cartografia especializada (ma- pas temáticos).

A base cartográfica “diz respeito à cartografia topográfica que preparará um pano de fundo de referência adequado a acomodar o tema.” (MARTINELLI, 2007, p. 28).

O mapa temático compreende “todo processo de criação e utilização de qualquer produto cartográfico [...] analisando o espaço como sendo expressão de uma realidade física e social.” (BADO; SANTIL, 2002, p. 60). Desta forma, é impor- tante destacar que diante da visualização da realidade, os temas são diferenciados não apresentando, assim, convenções fixas.

A figura 10 ilustra alguns exemplos de simbolização na representação carto- gráfica, considerando a realidade e os níveis de medida dos fenômenos geográficos.

Âmbito Nacional Âmbito Internacional

“representação gráfica de determinado espaço geográfico, concebidos para transmitir a visão subjetiva ou de pou- cos para muitos.” (Loch, 2006).

“uma representação gráfica do ambi- ente geográfico.” (Robinson et al, 1995).

Figura 10– Modos de implantação no mapeamento e os níveis de medidas das variáveis geográficas.

Fonte: Loch (2006)

Outra maneira de representar os dados espaciais é através de Cartogramas denominados como “os tipos especiais de mapas temáticos que preservam a forma, orientação e continuidade das unidades em questões como: municípios de um esta- do ou estados de um país.” (LOCH, 2006, p. 212).

A importância da Cartografia também se evidencia na escolha da escala compatível às necessidades de um sistema cadastral moderno. Conforme Zampieri et al (2000, p. 1), “o monitoramento global e integrado em nível de propriedades com o objetivo de implantar o cadastro técnico multifinalitário rural, deve ter suporte em mapas temáticos, em escala grande, de modo que se estabeleça um parâmetro con- fiável de correlação multitemporal.”

No campo de um sistema cadastral permanente e integrado para o espaço rural do Estado de Santa Catarina, Loch et al (2000) sugerem considerar as pesqui- sas da realidade do espaço geográfico mapas temáticos integrados para o planeja- mento e desenvolvimento rural. Na integração, os principais temas relacionados ao Cadastro Técnico Multifinalitário Rural destacaram-se o mapa de solo, planialtimétri- co, estrutura fundiária, declividade, uso e cobertura da terra, aptidão do solo.

No que diz respeito à escala a ser utilizada, o pesquisador deve avaliar a lo- calidade a ser representada, de forma a atender os seus objetivos. Para atender as necessidades da extensão rural do Estado de Santa Catarina, os autores citados no parágrafo anterior sugerem a escala 1: 5000, porém chamam a atenção para as re- giões do Planalto Serrano, com presença de reflorestamento, pastagens nativas ca- sos em que poderão ser elaborados mapas com escala de 1: 10000.

Resumidamente, os mapas de escalas grandes (1: 5000; 1: 10000) apresen- tam com mais precisão as dimensões das parcelas, caracterizando o espaço pes- quisado e um cadastro mais completo.

Para o reconhecimento do território, de interesse técnico e científico, o sen- soriamento remoto constitui uma ferramenta precisa para o planejamento e para a gestão pública. Para Ramos; Ramos; Loch (2004, p. 1), a aplicação de tecnologias como o sensoriamento remoto “pode contribuir para a construção de propostas de desenvolvimento baseadas na adequada ocupação do território [...] e orientando planejamentos futuros.” Constata-se que “com o surgimento dos sistemas computa- cionais e o desenvolvimento de ‘softwares’ voltados para o processamento dos da- dos geográficos” inova a Cartografia na disponibilização do produto final (represen- tação gráfica do espaço).

No dinamismo dessa questão, o Sistema de Informação Geográfica (SIG), adequado para análise espacial de dados geográficos se potencializa diante da sua aplicabilidade por “cruzar informações de diferentes temas [...] levando-se em conta a proximidade e a conexão de um dado com o outro.” (DUQUE; MENDES, 2006, p.66).

Na prática, a evolução tecnológica participa do processo de gestão territorial com instrumentos de representação do espaço. Deste modo, como ferramenta para estudos peculiares das localidades, a Cartografia cadastral desenvolve produtos que podem ser aplicados como referência de estratégias para políticas públicas.

Para Loch; Erba (2007), “é no cadastro que as parcelas nascem para a vida jurídica, onde se conservam, se transformam e se extinguem. Esses acontecimentos requerem uma constatação objetiva no terreno: a mensuração e um instrumento que represente: a planta de mensuração.”

Nota-se então, que através da mensuração, documentação da representa- ção espacial, o proprietário pode traçar metas de uso que possam servir de proce- dimentos decisórios quanto ao direito e à função social da propriedade.

As metodologias utilizadas de representação do espaço geográfico devem ser planejadas e com padrões definidos pela normatização cartográfica. Os diferen- tes fins de pesquisa exigem conhecimento e aplicabilidade de técnicas para obten- ção de resultados de claro entendimento do usuário.

Para o turismo, a cartografia digital possibilita um sistema de informações imprescindível ao gestor. Para tanto, Duque; Mendes (2006, p. 90) descrevem sobre o geoprocessamento, afirmando que essa ferramenta possui “inúmeras utilidades para serem instrumentos auxiliares no planejamento turístico, pois trabalham com a coleta, tratamento, análise e representação de dados, o que proporciona um grande número de informações de qualidade e precisão, que serão úteis ao planejador, em seu trabalho, e ao turista.”

Portanto, a comunicação com o turista, utilizando a Cartografia como instru- mento de informações, necessita de que o planejamento turístico seja dotado de preceitos confiáveis de produtos que representam o potencial da fonte de dados.

CAPÍTULO 3

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CARACTERIZAÇÃO HISTÓRICA E GEOGRÁFICA

DO MUNICÍPIO DE CAMBORIÚ-SC

3.1 A CARACTERIZAÇÃO HISTÓRICA DO MUNICÍPIO

A história do município de Camboriú-SC é contextualizada através dos colo- nizadores vindos não somente da Ilha dos Açores (Portugal), mas também oriundos de localidades vizinhas.

Este retrato da história é marcado pela descoberta de terra fértil e pela opor- tunidade vislumbrada de implantação de empreendimentos agrícolas (CORRÊA, 1985).

A ordem cronológica apresentada na figura 11 exemplifica e caracteriza a identidade cultural adquirida pelo município.

Figura 11 – Evolução histórica do município de Camboriú-SC.

1758 O povoamento de Camboriú teve início com a chegada dos colonizadores Baltazar Pinto Corrêa e Antonio Rosa, ficando conhecido como Bom Sucesso.

1836 Tomás Francisco Garcia veio com a família e escravos, dando início ao desenvolvimen-

to de áreas de cultivo.

1840 Sob a Lei nº 129 de 26 de março, foi autorizada a construção da 1ª capela – Santo Amaro.

1849 A povoação de Camboriú é elevada a Freguesia, devido à autonomia política adquirida. 1884 A Freguesia já apresentava um desenvolvimento agrícola favorável e condição político- administrativa independente, o que possibilitou o desmembramento do município de Itajaí.

1885 Em 15 de janeiro, foi instalado o município de Camboriú.

1894 O então prefeito Beijamin Vieira solicitou ao Governador Hercílio Luz verba para a construção de uma estrada ligando o município de Camboriú a Itajaí, bem como a res- tauração do caminho do Morro do Boi e o conserto do varadouro do Rio Camboriú.

1929 Foi iniciada instalação da rede telefônica, na gestão do então prefeito Cesário Pereira.

1936 Foi aberto o edital de concorrência pública para a instalação de energia elétrica.

1964 Foi apresentado, em 25 de fevereiro, um projeto de resolução, com urgência, para a criação do município de Balneário Camboriú. E, em 8 de abril do mesmo ano, sob a Lei nº. 960, foi criado o município de Balneário Camboriú.

A emancipação do município de Balneário Camboriú acarretou mudanças significativas para as comunidades envolvidas. Balneário Camboriú assumiu um po- sicionamento diferenciado, atribuído à proximidade do litoral.

Já o município de Camboriú-SC passa a ser caracterizado pelo ar bucólico, intrínseco do interior. Cidade conservadora, resguarda o estilo arquitetônico, traço marcante da cultura de seus colonizadores (CORRÊA, 1985).

Camboriú-SC inicia uma nova versão de sua história. O desmembramento dos municípios trouxe dificuldades para a cidade, desfalcando o município de impor- tantes arrecadações (REBELO, 1997). No entanto, buscou na agricultura, na pecuá- ria, na indústria extrativa e artesanal a possibilidade de se erguer economicamente. Além disso, vê na atividade turística uma oportunidade de diversificar a renda das propriedades rurais.

É importante ressaltar alguns pontos relevantes após 1964 (figura 12).

Figura 12 – Evolução histórica de Camboriú-SC: uma visão contemporânea 1970 Inauguração da BR101.

1992 No dia 20 de setembro, foi inaugurada a nova Prefeitura de Camboriú, obra em granito, possuindo dois (2) pisos e jardins. Uma construção inovadora.

1993 Lançado o projeto de Turismo Ecológico-Rural, na gestão do prefeito Ainor Francisco Lotério.

1996

Camboriú ganha um sistema moderno de telefonia, composto por uma cen- tral digital com 2100 telefones. Também foi entregue, no dia 21 de setembro, a Praça Flávio Vieira totalmente reestruturada.

1999

Foi realizado o inventário das terras da Bacia Hidrográfica do Rio Camboriú, criado pela empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina – EPAGRI e Centro Integrado de Informações de Recursos Ambien- tais – CIRAM.

2006

Foi iniciado um Plano Estratégico de Marketing Turístico Integrado – PEMTI, que engloba onze (11) municípios da região da AMFRI (Costa Verde e Mar). Entre eles, está Camboriú.

2007 O município de Camboriú elabora o seu plano diretor.

Este processo de identificação histórica é a base fundamental para o reco- nhecimento territorial de Camboriú-SC, alinhando entre o passado e o presente, pon- tos que possam configurar o alicerce do desenvolvimento político-administrativo e econômico, potencializando a atividade turística.