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APÊNDICE I Extratos da planilha utilizada para simulações do Modelo de Inferência

2 REVISÃO DE LITERATURA

2.4 Representação do conhecimento sobre incertezas

Para iniciar as discussões e a motivação pela busca de ferramentas direcionadas à solução no âmbito da representação do conhecimento em cenários com incertezas, é oportuna uma análise em torno da temática das ontologias e a averiguação do seu status de pesquisa diante desta problemática.

A proposta desde trabalho é centrada na elaboração de um modelo que dará suporte ao processo de inferência em Redes Fuzzy-Bayesianas. Estas estruturas são derivadas das Redes Bayesianas Clássicas, como formas de representação de conhecimento baseado em informações explicitadas por variáveis e relações probabilísticas.

Ao considerar que estas variáveis probabilísticas, constituintes da estrutura qualitativa de uma Rede Bayesiana, são entidades que especificam conceitos e relações que retratam uma realidade em um domínio, então, é plausível argumentar sobre o fato de que estas estruturas são formas reduzidas de se explicitar uma ontologia existente em nível mais elevado, associado à interpretação do contexto em relevância por parte do modelador.

Sendo assim, é factível considerarmos o estudo das ontologias como pressuposto teórico básico para guiar o desenvolvimento desta pesquisa no que tange à contribuição para o campo das idéias voltadas a construção de estruturas de representação de conhecimento sobre incertezas.

Se uma ontologia descreve as coisas do mundo real sob a forma de especificação de conceitos e relações, é propenso discutir-se sobre o objeto ou entidade que está sendo conceituado na estruturação de uma ontologia em termos de sua caracterização, quantitativa ou qualitativa e, a partir de então analisar se tal conceito em questão é de natureza completa ou não.

O que pretende-se com esta argumentação é elucidar o fato de que as ontologias podem lidar com conceitos e relações sobre domínios que sugerem a existência de variáveis discretas, completas, e também aquelas que denotam subjetividade, vagueza, incompletude ou continuidade. Para exemplificar, suponhamos um processo de classificação envolvendo conceitos de caráter discreto e completo como mostrado na figura 11:

Figura 11 – Exemplo de classificação de natureza completa e discreta Fonte: (do autor)

Já no próximo exemplo mostrado pela figura 12 observamos uma classificação envolvendo termos de natureza incompleta e imprecisa, caracterizados pela sua existência em um intervalo de subjetividade e de notação quantitativa contínua.

Figura 12 – Exemplo de classificação de natureza subjetiva Fonte: (do autor)

É notável neste caso, que há uma imprecisão intrínseca aos limites dos termos (conceitos) da estrutura de classificação. Também, nota-se uma sobreposição conceitual nestes limites, ou seja, é plausível considerar as intersecções da figura 13:

Meio de Transporte Global

Terrestre Aéreo Marítimo

Temperatura aferida

Figura 13 – Sobreposição conceitual pela imprecisão Fonte: (do autor)

Esta preocupação em torno do fator imprecisão inerente ao processo de modelagem de ontologias sobre conhecimento incerto é percebido pela elaboração de trabalhos que propuseram uma abordagem difusa a construção deste tipo de conhecimento.

Borges et al. (2010) realizaram uma revisão sistemática para conhecer o status de pesquisa sobre as Ontologias Fuzzy e verificaram nos trabalhos de Lee, Jian e Huang (2005), Bandini, Calegari e Radaelli (2006), Calegari e Ciucci (2006 e 2008), Calegari e Sanchez (2008) e Zhai et al. (2009) acentuado estudo sobre as ontologias fuzzy. Estes autores compartilham da seguinte definição sobre uma ontologia fuzzy “é uma ontologia estendida com valores fuzzy que são atribuídos a entidades e relações da ontologia”.

Naturalmente, a imprecisão é um tipo de incerteza manifestada em conceituações especificadas por ontologias e neste caso, têm-se observado o emprego da Lógica Fuzzy como conjunto de técnicas e ferramentas de apoio ao tratamento deste tipo de conhecimento incompleto. Contudo, não é o único tipo de incerteza encontrado quando da especificação de variáveis obtidas a partir de um domínio que se deseje modelar.

Outra forma de incerteza amplamente elucidada em muitas demandas às ontologias, como já citado anteriormente, no caso das

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aplicações para a área de medicina, é a aleatoriedade. O conhecimento obtido por informações oriundas da causalidade sugere um tratamento probabilístico ao uso das ontologias.

A abordagem probabilística possui amplo acervo de contribuições científicas para a construção de ontologias sobre domínios de incerteza manifestada pela aleatoriedade.

Para um breve encaminhamento às discussões posteriores sobre a temática da abordagem probabilística em ontologias é oportuno destacar o trabalho de Yang e Calmet (2005) que descrevem sobre a ferramenta OntoBayes a qual integra Redes Bayesianas e Ontologias. Também, trabalhos como aqueles desenvolvidos por Ding (2005) e por Carvalho (2008 e 2011) descrevem suas contribuições sobre a inserção de notações probabilísticas na linguagem OWL e o surgimento da linguagem PR-OWL.

Outros trabalhos envolvem o estudo das incertezas representadas em ontologias e que não utilizam abordagens probabilísticas. A Teoria da Possibilidade também tem sido empregada para solucionar o problema da representação de incertezas. Uma das soluções mais referenciadas na literatura, conforme é encontrado em (Ross, 1995) é a Teoria da Evidência de Dempster-Shafer, que utiliza uma modelagem matemática para definir funções de crença que medem a intensidade ou força de uma evidência.

Em Nagy, Vargas-Vera e Motta (2006) foi relatada a utilização de funções de crença da Teoria de Dempster-Shafer para melhorar a exatidão do mapeamento de ontologias através da combinação das semelhanças que foram originalmente criadas por algoritmos de similaridade, sintática e semântica.

Em consonância com a forma de organização deste trabalho e pretendendo-se uma descrição mais detalhada sobre as ontologias probabilísticas e estocásticas não se estenderá esta temática nesta secção, pois será explorada com mais intensidade em secção posterior dada pelos resultados colhidos num estudo de revisão sistemática.

O termo – incerteza é amplamente referenciado neste trabalho justificando ser um adjetivo para uma categoria de conhecimento o qual é essencial na motivação da presente investigação. As afirmativas anteriores e ao longo das próximas discussões trazem uma descrição do fator incerteza associando-o às duas formas mais elucidadas pelo objetivo maior desta pesquisa: a incerteza oriunda da causalidade e representada por probabilidades e a incerteza dada pela existência de imprecisão.

É oportuno revisar de que modo o fator imprecisão pode ser categorizado pela teoria e para tal Andrade (2012) contribui apresentando esta categorização da seguinte forma:

• Indecidibilidade: uma forma de ambigüidade associada com nossa habilidade de discriminar entre diferentes estados de um evento;

• Exatidão: o grau no qual uma medida corresponde ao valor padrão de uma quantidade;

• Ambiguidade: uma relação muito estreita ao conceito de nebulosidade. O autor descreve que, em Lógica Fuzzy, ambigüidade aparece na hora em que uma variável pode “ser duas coisas” ao mesmo tempo;

• Vaguidade: ser vago é ser incerto, indefinido, confuso, misturado. Estes são conceitos intimamente ligados a nebulosidade e referem-se à falta de nitidez. Andrade (2012) afirma ainda que: “A Teoria da Possibilidade atua como métrica da vaguidade”.

Conforme já apresentado no início deste trabalho, o cenário da Classificação de Risco Metabólico em crianças e adolescentes provê variáveis de natureza probabilísticas para descrever e representar o conhecimento inerente ao domínio, contudo, identifica-se a imprecisão existente nos estados que constituem as variáveis de entrada ou evidências apresentadas à Rede Bayesiana.

Considerando os postulados de Zadeh (1965) e observando como Römer e Kandel (1995) interpreta o conceito de imprecisão e recorre a Lógica Fuzzy para representá-lo é notável que a imprecisão a ser considerada no desenvolvimento do modelo de inferência desta investigação parece estar mais associada à ambigüidade e vaguidade. Contudo, esta “mistura”, assim descrita por Andrade (2012) pode implicar numa complexa especificação de conceitos ou termos lingüísticos que definirão a forma de representação das variáveis que denotam imprecisão no domínio. Para tal situação diante da complexidade desta representação será recorrido ao argumento da Superposição de Estados.