O setor de móveis de madeira de Santa Catarina tem grande importância na participação do PIB estadual. Conforme já citado anteriormente, o estado
catarinense é o terceiro maior produtor de móveis do país, mas o maior exportador, sendo responsável por quase 50% das exportações brasileiras do setor, só a cidade de São Bento do Sul, responde por 40% dessas exportações.
O estado consolidou-se como um dos principais pólos moveleiros nacionais concentrando sua produção no Planalto Norte (principalmente São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campo Alegre) e mais recentemente, no Oeste catarinense (Chapecó e região).
O principal produto é o móvel torneado de madeira maciça, principalmente pínus. A maior parte da produção (80%) é de móveis residenciais.
Em termos de comércio exterior, Santa Catarina (com predominância do pólo de São Bento do Sul) e Rio Grande do Sul (principalmente na região de Bento Gonçalves) detêm juntos, 71% do total das exportações nacionais. Especializados em móveis residenciais, esses dois estados intensificaram suas vendas externas desde a década de 1980. (ROSA, et al, 2000, p. 84) Apesar de todos os estados brasileiros produtores de móveis possuírem grandes pólos, cada um se caracteriza por um determinado tipo de produção.
O principal produto do Rio Grande do Sul são os móveis residenciais, podendo ser artesanais, já o pólo de Santa Catarina se destaca pelos móveis também residenciais, mas aqueles feitos sob encomenda. O estado de São Paulo se especializou nos móveis de escritórios e móveis retilíneos, voltados mais para o mercado interno.
De acordo com a Abimóvel (2006), o estado de Santa Catarina exportou mais de US$ 433 milhões só no ano de 2005, ocupando o primeiro lugar dos estados brasileiros exportadores de móveis de madeira, chegando a produzir cinco vezes mais que o estado de São Paulo. Santa Catarina deteve em 2005, 43,75% do total de móveis de madeira exportado pelo Brasil. Isso representa praticamente o mesmo percentual exportado pelos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo, que juntos exportaram 45,40% no mesmo período.
Já na tabela 7 percebe-se que, no período de 2002 a 2008 o setor moveleiro de Santa Catarina vem perdendo forças, e diminuindo as suas exportações. Dentre os produtos apresentados na tabela 7, no ano de 2008 o setor ficou atrás de todos os outros produtos.
De 2002 a 2005, os móveis de madeira ocuparam o 2º lugar em termos de percentuais. A partir de 2006 passou a perder expressividade e já em 2008 (jan/ago)
ficou em último lugar dentre os cinco principais produtos exportados por Santa Catarina.
Tabela 7 – Principais Produtos Catarinenses Exportados – 2002 a 2008 Produto 2002 (%) 2003 (%) 2004 (%) 2005 (%) 2006 (%) 2007 (%) 2008* (%) Frango 16,09 15,13 16,05 16,06 14,14 19,32 21,67 Carne Suína 3,99 3,51 6,51 5,42 3,45 3,48 3,87 Móveis de madeira 8,68 8,66 8,43 7,43 5,76 4,62 3,58 Motocompressores 8,51 6,81 5,87 5,53 5,81 5,36 5,17 Fumo 2,65 2,28 2,65 3,75 7,60 7,04 8,53 Outros 60,08 63,61 60,49 61,81 63,23 60,18 57,18 Fonte: MDIC/Secex(2008) * Jan/Ago
Essa perda da representatividade dos móveis de madeira na pauta de exportações catarinenses deve-se a vários fatores, e dentre os principais pode-se destacar a China que vem avançando na sua produção e exportação de móveis, ameaçando os principais produtores e exportadores mundiais, como a Itália, a Alemanha e também o Brasil. Além disso, a desvalorização do dólar perante o real nos últimos anos ajudou a afetar ainda mais as empresas do setor moveleiro, encarecendo os produtos no exterior e, assim perdendo a sua competitividade.
Mais caro no exterior, o produto catarinense não é páreo para o baixo custo daqueles fabricados na China, o que derrubou as exportações e compromete a sobrevivência de indústrias quase centenárias. É o caso da empresa Zipperer, a mais antiga fábrica de móveis da região, estabelecida na cidade de São Bento do Sul, fechou as portas a três semanas de completar 85 anos. A Zipperer não resistiu às perdas causadas pela desvalorização do dólar, que derrubou os rendimentos da empresa, uma vez que cerca de 90% da produção é destinada para ao mercado externo.
Outro fator que contribui para reduzir o ritmo das exportações de móveis de madeira é a falta de repasse de créditos de incentivo à exportação por parte dos governos federal e estadual.
Para melhorar sua posição na pauta do estado, as empresas do ramo moveleiro pretendem se unir e juntas, irão criar uma central de comercialização para negociar preços de venda de seus produtos com os seus compradores. Dessa
forma, trabalharão no sistema integrado para poder alcançar melhores resultados nas exportações dos móveis de madeira.
5.3.1 Principais destinos dos móveis de madeira de Santa Catarina
As exportações catarinenses de móveis de madeira são pouco diversificadas, restringindo-se basicamente às exportações de móveis residenciais de pínus, produzidos no pólo de São Bento do Sul, que responderam por 43,75% das exportações brasileiras de móveis em 2005, de acordo com a Abimóvel (2006).
As exportações dos móveis catarinenses têm destinos concentrados: EUA, França, Reino Unido, que responderam por 70% das vendas de móveis catarinense ao exterior nos anos de 2000 a 2006.
Pode-se observar na gráfico 3 que, Santa Catarina exporta cerca de 41% da sua produção moveleira para os E.U.A, o maior importador mundial. A maior parte dos móveis catarinenses comprada pelos E.U.A é o de móveis para quartos de dormir.
Já o segundo lugar dos destinos dos móveis de Santa Catarina cabe a França, responsável por 20% das exportações catarinenses de móveis com grande procura por móveis para cozinha.
Gráfico 3 - Exportação Catarinense de Móveis de Madeira – Principais países – 2000 a 2006 Fonte: BRASIL/Secex (2008)
O Reino Unido é o 3º maior comprador de móveis de madeira catarinense e se destaca pelas importações de outros móveis de madeira sendo responsável por 9% do total de móveis exportados pelo estado de Santa Catarina.
Apesar da grande capacidade produtora, os países da Europa são grandes consumidores dos móveis de madeira do estado. A participação considerável da Europa vem crescendo, atingindo os 30% das exportações dos móveis de madeira de Santa Catarina, quase atingindo os E.U.A. Isso está ocorrendo em função de que cada vez mais os padrões dos móveis de madeira fabricados no estado se assemelharem com os consumidos na Europa.
Na América Latina, em função da proximidade geográfica e posição competitiva da indústria brasileira, há boas perspectivas de vendas, mas ainda se exporta muito pouco. A Argentina oferece as maiores possibilidades de expansão das exportações brasileiras, em função do seu atraso tecnológico e por ainda sofrer as conseqüências da crise do ano de 2001.