UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ
BRUNA ROBERTA MENDONÇA
Monografia
PANORAMA DO SETOR MOVELEIRO DE
SANTA CATARINA
ITAJAÍ
2008
Monografia
PANORAMA DO SETOR MOVELEIRO DE
SANTA CATARINA
Monografia desenvolvida para o Estágio Supervisionado do Curso de Comércio Exterior do Centro de Ciências Sociais Aplicadas - Gestão da Universidade do Vale do Itajaí. Orientador: MSc. Luiz Carlos Coelho
ITAJAÍ
2008
Agradeço à conclusão desta monografia as pessoas mais importantes da minha vida, meus pais Antônio Carlos Mendonça e Josiane Regina Simão Mendonça por terem me proporcionado este bem tão valioso que é estudar e poder concluir um curso de nível superior. A vocês, eu dedico todos estes anos e objetivos conquistados até hoje na minha vida.
“A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para frente." (Soren Kierkegaard)
EQUIPE TÉCNICA
a) Nome da estagiária Bruna Roberta Mendonça
b) Área de estágio Economia Catarinense
c) Orientador de conteúdo Prof. MSc. Luiz Carlos Coelho
d) Responsável pelo Estágio Profª. Natalí Nascimento
O setor de móveis de madeira desempenha importante papel na economia catarinense, haja vista que esse setor é responsável por mais da metade das exportações de móveis de madeira do Brasil, e é considerado um dos mais competitivos do país. O principal pólo do estado está localizado nos municípios de São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campo Alegre e mais recentemente, em Chapecó e região. Pretendeu-se com este trabalho apresentar as principais empresas do setor moveleiro de Santa Catarina, a representatividade para a balança comercial do estado, os principais destinos dos móveis de madeiras, bem como os fatores de competitividade da indústria moveleira catarinense. Quanto à metodologia, utilizou-se o método qualitativo, através de meio bibliográfico e quanto ao tipo de pesquisa caracterizou-se como do tipo descritiva, buscando dados em livros, artigos, revistas e sites especializados que foram apresentadas através de textos explicativos, tabelas, gráficos e figuras. Concluiu-se com o estudo que, as indústrias de móveis de madeira catarinenses possuem grande capacidade de competitividade frente aos outros estados do país. Isso é resultado das boas condições climáticas e solo favorável para o cultivo de pínus e eucalipto que é a matéria-prima para os móveis de madeira. Além disso, o setor dispõe também de mão-de-obra cada vez mais qualificada em função dos investimentos públicos e privados e das atualizações tecnológicas realizadas. Máquinas de tecnologia avançada para a produção dos móveis, e a maneira de comercialização dos produtos através dos clusters, que aumenta o poder de barganha e diminui os custos, completam a gama de fatores competitivos do setor de móveis de madeira do Estado de Santa Catarina. Porém, para que a participação deste setor continue aumentando no mercado externo, o estado catarinense deve continuar investindo em alguns fatores que ainda impedem um maior crescimento e deve enfrentar também algumas dificuldades como, a desvalorização do dólar, maiores investimentos em design próprio e a diminuição da informalidade existente no setor que dificulta a introdução de normas técnicas. Além disso, deve-se elevar a capacidade exportadora dos empresários, apostando em novos produtos, canais de distribuição, mercados e consumidores, buscando diferenciais para enfrentar a concorrência.
LISTAS DE ILUSTRAÇÕES
Quadro 1 – Pólos Moveleiros – Características da Formação Industrial... 28
Gráfico 1 – Distribuição das Empresas Nacionais por Porte... 29
Figura 1 – Concentração de Fabricantes de Móveis de Madeira no Brasil... 30
Gráfico 2 – Destino das Exportações Brasileiras... 32
Quadro 2 – Principais Empresas da Região e o seu Segmento... 37 Gráfico 3 – Exportação Catarinense de Móveis de Madeira – Principais Países 43
Tabela 1 – Balança Comercial de Santa Catarina... 23 Tabela 2 – Dados Gerais da Indústria Moveleira Mundial... 26 Tabela 3 – Empresas e Empregados do Setor Moveleiro do Brasil e
Catarinense... 31 Tabela 4 – Principais Estados Brasileiros Exportadores de Móveis de Madeira. 31 Tabela 5 – Principais Empresas Catarinenses Exportadoras... 38 Tabela 6 – Principais 50 Produtos Exportados por Santa Catarina... 39 Tabela 7 – Principais Produtos Catarinenses Exportados... 42
LISTA DE SIGLAS
ABIMÓVEL – Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário. ACISBS – Associação Comercial e Industrial de São Bento do Sul. APEX – Agência de Promoção de Exportações e Investimentos. BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. CETEMO – Centro Tecnológico do Mobiliário.
CIN – Centro Internacional de Negócios. CNC – Controle Numérico Computadorizado.
DIEESE – Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos. EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
FETEP – Fundação de Ensino, Tecnologia e Pesquisa de São Bento do Sul. FIESC – Sistema Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina. FSC – Forest Stewardship Council.
IDH – Índice de Desenvolvimento Humano.
INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial. MDIC – Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior.
MDF – Médium-density fiberboard. MERCOSUL – Mercado Comum do Sul.
SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. SECEX – Secretaria de Comércio Exterior.
SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. SINDIMADEIRA – Sindicato da Madeira de Lages. UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina. UNIPLAC – Universidade do Planalto Catarinense.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ...10
1.1 Objetivo geral ...11
1.2 Objetivos específicos...11
1.3 Justificativa ...11
1.4 Abordagem geral do problema ...12
1.5 Questões específicas ...12
1.6 Pressupostos...13
2 METODOLOGIA ...15
2.1 Tipo de pesquisa ...15
2.2 Área de abrangência ...16
2.3 Coleta e tratamento dos dados...16
2.4 Apresentação e análise dos dados...16
3 EXPANSÃO DO COMÉRCIO MUNDIAL ...17
3.1 Comércio internacional...17
3.2 Globalização...18
3.3 Blocos econômicos...21
3.4 Santa Catarina...22
4 INDÚSTRIA DE MÓVEIS DE MADEIRA...24
4.1 Indústria de móveis de madeira no mundo...24
4.2 Indústria de móveis de madeira no Brasil...28
5 INDÚSTRIA CATARINENSE DE MÓVEIS DE MADEIRA ...34
5.1 Pólo moveleiro de Santa Catarina ...34
5.2 Principais empresas catarinenses de móveis de madeira...36
5.3 Representatividade do setor moveleiro para a economia catarinense ...40
5.3.1 Principais destinos dos móveis de madeira de Santa Catarina ...43
5.4 Fatores de competitividade...44
5.5 Entraves à produção de móveis de madeira em Santa Catarina...47
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...51
REFERÊNCIAS...53
1 INTRODUÇÃO
Com a abertura comercial na década de 90, o Brasil sentiu a necessidade de iniciar um processo de reestruturação para poder acompanhar as mudanças que passaram a ocorrer nos cenários político e econômico mundial. Pode-se citar como uma das principais mudanças, a qualidade dos produtos das empresas nacionais. Com a abertura comercial, o país teve acesso a produtos de qualidades melhores dos então chamados países desenvolvidos, e, com isso forçou as empresas nacionais a aprimorarem os seus produtos, pois só assim poderiam continuar atuando no mercado externo.
Em virtude da concorrência externa e de um mercado consumidor cada vez mais exigente, a indústria moveleira tem aperfeiçoado seus métodos de produção com o objetivo de imprimir maior dinamismo à fabricação de móveis e garantir competitividade no mercado internacional. Grande parte do mundo tem demonstrado interesse em preservar o meio ambiente, promover a qualidade de vida e para que isso aconteça sentiu-se a necessidade de exigência dos certificados, para assegurar aos consumidores que o produto adquirido está dentro das normas estabelecidas por agências ambientais. E ter essa visão de manejo florestal sustentável cria vínculos com as principais empresas consumidoras de móveis de madeira do mundo.
A pequena representatividade dos móveis de madeira na pauta de exportações do país (0,7% do total exportado em 2006) é um desafio a ser superado e demonstra que o setor ainda tem um longo caminho a trilhar. Superar entraves como a informalidade, a falta de mão-de-obra especializada e a pouca tradição em desenvolver design próprio, é fundamental para impulsionar o crescimento e o desenvolvimento da indústria de móveis, especialmente entre as micro, pequenas e médias empresas, que compõem a base do setor.
Em Santa Catarina não é diferente, muito embora a indústria moveleira do Estado se caracterize por sua grande eficiência, dinamismo, inovação tecnológica e principalmente, padrões internacionais de qualidade. Nesse aspecto, cabe destacar a importância de São Bento do Sul e região, pois além de ser referência nacional no setor, gera desenvolvimento ao Planalto Norte catarinense.
Dessa maneira, este trabalho monográfico pretendeu apresentar um panorama do setor moveleiro de Santa Catarina, destacando sua importância para a economia do estado, apontando os fatores competitivos, as principais empresas exportadoras catarinenses, além de apresentar os principais destinos dos móveis de madeira de Santa Catarina.
1.1 Objetivo geral
Esta pesquisa tem como objetivo geral apresentar um panorama do setor de móveis de madeira catarinense.
1.2 Objetivos específicos
• Demonstrar a representatividade do setor de móveis de madeira na balança comercial do estado de Santa Catarina
• Identificar as principais empresas exportadoras do setor moveleiro
• Conhecer os destinos dos móveis de madeira de Santa Catarina
• Apontar quais os fatores que levam o estado a ser competitivo no setor de móveis de madeira
1.3 Justificativa
O Estado de Santa Catarina é o terceiro maior produtor de móveis de madeira do país, mas é o maior exportador dentre os estados brasileiros, sendo responsável por uma parcela significativa das exportações do setor. Contabilizando as indústrias,
que estão concentradas no Vale do Rio Negro, mais as cidades vizinhas, pode-se dizer que a região é uma das grandes potências do setor moveleiro.
Para a acadêmica, este trabalho consiste na possibilidade de obter maior conhecimento do setor moveleiro de Santa Catarina, principalmente os fatores que indicam sua competitividade, assim como seus destinos e as principais empresas exportadoras do ramo moveleiro.
Para os outros acadêmicos, servirá como mais uma fonte de estudo sobre o tema, para posteriores pesquisas.
No que se refere à Universidade, pretendem-se que seja mais um incremento bibliográfico na área de Economia Catarinense, com dados atualizados.
1.4 Abordagem geral do problema
No Brasil, a indústria de móveis avançou muito durante a década de 90. Alguns segmentos realizaram investimentos na aquisição de máquinas e equipamentos importados, que trouxeram como conseqüências diretas, o aumento da escala de produção e a padronização do produto em nível internacional, possibilitando uma elevação significativa das exportações de móveis.
Santa Catarina desempenha papel fundamental nesse contexto, visto que a indústria moveleira catarinense figura entre as mais competitivas do país. Responsável por mais da metade das exportações brasileiras do setor, o Estado consolidou-se como um dos principais pólos moveleiros nacionais concentrando sua produção no Planalto Norte e mais recentemente, no Oeste catarinense.
Dessa forma, o presente trabalho procura apresentar de forma objetiva as características do setor moveleiro de Santa Catarina.
1.5 Questões específicas
1. Qual a importância do setor de móveis de madeira para a economia Catarinense?
2. Quais as principais empresas catarinenses exportadoras no ramo moveleiro?
3. Quais os principais países de destino das exportações de móveis de madeira do estado de Santa Catarina?
4. Quais os fatores de competitividade do setor moveleiro catarinense?
1.6 Pressupostos
1. O setor de móveis de madeira em Santa Catarina tem importância em função de sua participação do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, capacidade exportadora e pelos empregos que gera. O estado representa em torno de 50% das exportações nacionais do setor, além de ser o terceiro maior produtor de móveis do país, possuindo mais de 400 fábricas e empregando mais de 10 mil pessoas. Seus principais produtos de exportação são móveis para cozinha, quarto e escritório.
2. A grande maioria das empresas produtoras de móveis de madeira destina sua mercadoria para o mercado internacional, principalmente as micros e pequenas empresas, que operam geralmente com vendas sob encomendas. Entre as principais empresas exportadoras Catarinense pode-se destacar a Artefama, Rudnick, Weihermann, Zipperer, Serraltense, Neumann e Leopoldo.
3. Em função de sua competitividade, o estado possui grandes parceiros comerciais. Sendo seus principais destinos os países: Estados Unidos da América (EUA), França, Reino Unido, Espanha, Alemanha. Apesar de o design ser um fator vulnerável, o que levam esses países a comprarem é a qualidade juntamente com o valor acessível do produto, e o tipo de madeira utilizada, o pínus, ou seja, matéria-prima abundante, barata e renovável.
4. A indústria moveleira catarinense é bastante competitiva, em razão da disponibilidade de matérias-primas e mão-de-obra e da experiência acumulada em função da colonização. Alto padrão tecnológico e o aprimoramento do design fazem com que Santa Catarina torne-se competitiva no ramo moveleiro. No entanto, ainda
há muito a corrigir, principalmente porque boa parte das empresas brasileiras possui um porte acanhado, são tímidas para investir e arriscar; enquanto outras simplesmente executam ou copiam idéias importadas.
2 METODOLOGIA
Neste capítulo apresenta-se a metodologia que foi utilizada neste trabalho como o método, os meios e os fins bem como o levantamento de dados e a apresentação destes.
2.1 Tipo de pesquisa
No que diz respeito ao método de abordagem foi utilizado neste trabalho o método de natureza qualitativa. Optou-se por esta técnica, pois é a mais apropriada para demonstrar as informações.
A abordagem qualitativa nos leva, entretanto, a um serie de leituras sobre o assunto da pesquisa, para efeito da apresentação de resenhas, ou seja, descrever pormenorizar ou relatar minuciosamente o que os diferentes autores ou especialistas escrevem sobre o assunto e, a partir daí, estabelecer uma serie de correlações para, ao final, darmos nosso ponto de vista conclusivo. (OLIVEIRA, 1997 p.117)
Já de acordo com os meios propostos, foi utilizada a pesquisa bibliográfica, a qual abrange fontes secundárias. De acordo com Lakatos e Marconi (2002, p.71), “a finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que já foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto, inclusive conferencias seguidas de debates que tenham sido transcritos por alguma forma, quer publicadas quer gravadas.”.
Os fins para coordenar a pesquisa foram do tipo descritivo a qual segundo Oliveira (1997, p 114), “[...] permite ao pesquisador a obtenção de uma melhor compreensão do comportamento de diversos fatores e elementos que influenciam determinado fenômeno.”
A pesquisa do presente estudo, portanto, é descritiva por tentar descrever o panorama do setor moveleiro de Santa Catarina.
2.2 Área de abrangência
Esta pesquisa se situa na área de Comércio Exterior, mais especificamente na área de Economia Catarinense, destacando o setor de móveis de madeira.
2.3 Coleta e tratamento dos dados
Para o levantamento de dados foram utilizados livros, revistas, artigos e sites especializados em móveis de madeiras.
2.4 Apresentação e análise dos dados
A apresentação se deu através de textos explicativos, tabelas, gráficos e figuras para uma melhor visualização e compreensão do tema.
3 EXPANSÃO DO COMÉRCIO MUNDIAL
Neste capítulo são apresentados os temas comércio internacional, globalização, blocos econômicos e aspectos sobre Santa Catarina, os quais serviram de fundamentação teórica para este trabalho monográfico.
3.1 Comércio internacional
Comércio é um ato praticado desde a antiguidade, o qual os habitantes faziam por meio de trocas, que eram conhecidas como escambo, e foi a única atividade econômica por algum tempo.
Com o desenvolvimento da sociedade e do próprio comércio percebeu-se a necessidade de se criar as moedas - que seriam os instrumentos para extinguir o escambo, o qual era realizado através do peso e não do ‘valor’.
A globalização deu ao comércio força e espaço para o seu crescimento. Com isso, tornou-se possível a transação de mercadorias e serviços entre países, sendo representadas pelas exportações e importações.
A diferença de clima e solo são alguns dos fatores que colaboram com a necessidade de importar, pois alguns recursos naturais são mais restritos quanto à localidade. (RATTI, 1994).
A importação também pode resultar em produtos de mais alta tecnologia ao país importador. Com isso os países começam a pensar que seria mais prático e lucrativo comprar do que produzir.
Apesar de ter proporcionado uma grande mudança na história da economia “os países não dispõem de todas as mercadorias necessárias a sua sobrevivência.” (MAIA, 2003, p. 26). Ou seja, nenhum país é auto-suficiente o bastante a ponto de não comercializar com outro. Essa interdependência aumenta mais em países menos desenvolvidos, os quais recebem investimentos externos.
As causas conjunturais são aquelas que o efeito é temporário e afeta eventualmente, já as causas estruturais são permanentes. (MAIA, 2003).
O que viabilizou ainda mais o incremento do comércio internacional foi o grande desenvolvimento dos meios de transportes e de comunicação. Outros acontecimentos políticos também influenciaram a economia como, por exemplo, as Guerras Napoleônicas e a Primeira Grande Guerra. O único país a sair com vantagens sobre tais conflitos foi a Inglaterra, que obteve um grande crescimento sobre as outras nações.
Em 1994, quando o Brasil intensificou seu processo de abertura comercial, o país exportava principalmente commodities. Após algumas décadas o Brasil conseguiu diversificar a sua pauta exportadora e, atualmente suas exportações se dividem em: indústria (aviões, automóveis, tratores e máquinas em geral),
commodities (não só produtos agrícolas, mas produtos químicos também) e
produtos com alto grau de inovação. (BRASIL, 2008).
A participação brasileira no comércio internacional evoluiu, de acordo com o Brasil/Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), de 0,8% em 2002 para 1,14% no ano de 2006. A perspectiva é de aumentar ainda mais nos próximos dois anos. Para isso é necessário aumentar o número de empresas exportadoras, agregar valor aos produtos e diversificar os mercados para que dessa maneira não fiquem tão vulneráveis as crises que acontecem em outros países.
3.2 Globalização
O conceito de globalização surgiu em meados da década de 1980, o qual veio substituir conceitos como internacionalização e transnacionalização, porém ao voltar no tempo pode-se observar que é uma prática muito antiga.
De acordo com Dias e Rodrigues (2004, p. 179): “outra utilização freqüente da palavra é como sinônimo de liberação comercial, compreendendo maior abertura das economias nacionais.”.
Globalização ou mundialização é a interdependência de todos os povos e países do planeta, também denominado "aldeia global". Possui como principal característica o avanço tecnológico, que possibilita transmitir as informações de todo o mundo para todo o mundo.
[...] há também inúmeras boas novas trazidas pela globalização da nova economia da informação em rede [...], chegam a educação a distancia e os cursos universitários para pessoas confinadas em seus lares, para prisioneiros e funcionários semi- especializados que procuram novas carreiras.(HENDERSON,2003, p. 55)
As notícias do mundo são divulgadas pelos jornais, rádio TV, internet e outros meios de comunicação. Com toda essa tecnologia a serviço da humanidade, da à impressão que o planeta terra ficou menor. Pode-se também observar que os bens de consumo, a moda, a medicina, enfim a vida do ser humano sofre influência direta dessa tal globalização.
Muitos historiadores afirmam que este processo teve início nos séculos XV e XVI com as Grandes Navegações e Descobertas Marítimas. Neste contexto histórico, o homem europeu entrou em contato com povos de outros continentes, estabelecendo relações comerciais e culturais. Porém, a globalização efetivou-se no final do século XX, logo após a queda do socialismo no leste europeu e na União Soviética. O neoliberalismo, que ganhou força na década de 1970, impulsionou o processo de globalização econômica.
Com os mercados internos saturados, muitas empresas multinacionais buscaram conquistar novos mercados consumidores, principalmente dos países recém saídos do socialismo. A concorrência fez com que as empresas utilizassem cada vez mais recursos tecnológicos para baratear os preços e também para estabelecerem contatos comerciais e financeiros de forma rápida e eficiente. Neste contexto, entra a utilização da internet, das redes de computadores, dos meios de comunicação via satélite, dentre outros.
Outra característica importante da globalização é a busca pelo barateamento do processo produtivo pelas indústrias. Muitas delas produzem suas mercadorias em vários países com o objetivo de reduzir os custos. Opta-se por países onde a mão-de-obra, a matéria-prima e a energia são mais baratas. Um tênis, por exemplo, pode
ser projetado nos EUA, produzido na China, utilizando matéria-prima do Brasil, e sendo comercializado em diversos países do mundo.
O processo de multinacionalização das empresas, portanto se verificava freqüentemente pela busca de investimentos diretos em regiões mundiais onde as vantagens de uma mão-de-obra mais barata, embora não consideravelmente qualificada, atraíam empresas para nações menos desenvolvidas. (DOWBOR et al,1998, p.66)
Para facilitar as relações econômicas, as instituições financeiras (bancos, casas de câmbio, financeiras) criaram um sistema rápido e eficiente para favorecer a transferência de capital. Investimentos, pagamentos e transferências bancárias podem ser feitas em questões de segundos através da internet ou de telefone celular.
A globalização da economia trouxe ainda padrões de competitividades que são enfrentados pelas indústrias brasileiras, obrigando-as a ter uma flexibilidade de adaptação de seus processos de produção. Baixar custos, melhorar a qualidade e buscar diferenciais dos produtos são questões que podem garantir a sobrevivência das empresas nacionais.
O Brasil tem tentado de todas as formas se reestruturar para não ficar para trás quando o assunto é globalização e tenta seguir as tendências do mercado mundial. Ao mesmo tempo em que amplia suas negociações nos blocos econômicos e acordos, abre sua economia para receber as multinacionais que se instalam no país, bem como incentiva empresas brasileiras a se internacionalizarem.
Além disso, as mudanças estruturais e políticas afetaram o país em função da globalização. É imprescindível que as empresas criem estratégias para poder chegar ao consumidor internacional.
A globalização da economia trouxe consigo padrões de competitividade que atualmente são enfrentados pelas indústrias brasileiras obrigando-as a uma flexibilidade de adaptação de seus processos de produção, de forma a baixar custos, melhorar a qualidade e buscar diferenciais que possam a vir garantir a sobrevivência das empresas. O setor moveleiro catarinense também está dentro deste contexto.
A globalização oferece grandes oportunidades de integração, mas cabe as empresas criar condições para aproveitá-las. Qualquer organização que objetive permanecer atuante no mercado, ampliando sua área de atuação e rentabilidade,
precisa ter consciência de que esta tarefa depende das competências que possui e do padrão de concorrência existente no mercado onde atua.
3.3 Blocos econômicos
A nova ordem mundial tem como principais características o fim da Guerra Fria, o incremento da guerra comercial entre as empresas e países e a formação de blocos econômicos regionais.
Blocos econômicos são associações de países que estabelecem relações econômicas privilegiadas entre si. Normalmente, essas associações estão localizadas em uma mesma região geográfica.
Com a economia mundial globalizada cada vez mais, a tendência comercial é a formação dos blocos econômicos. Estes são criados com a finalidade de facilitar o comércio entre os países membros, adotando algum tipo de benefício, como por exemplo, redução ou isenção de impostos ou de tarifas alfandegárias e buscando soluções para problemas comerciais em comum.
Segundo Carvalho e Silva (2004, p.228)
Na atualidade, há mais de 30 grupos regionais, envolvendo cerca de 120 países, e a tendência parece ser de aumento da interdependência, como resposta à formação de outros blocos. Cada país se vê compelindo a participar dos acordos para não ficar em desvantagem em relação aos que estão se articulando em blocos e se fortalecendo diante da concorrência nas negociações internacionais.
Apesar de que o interesse econômico seja o principal motivo para a integração dos países, este só pode ser realizado por empresas com a interveniência estatal.
Os blocos possuem vários tipos de integração econômica, como zona de livre comércio, união aduaneira, mercado comum, união econômica e integração econômica total.
A formação de um bloco não precisa necessariamente iniciar na primeira etapa dos tipos de integração. De acordo com Carvalho e Silva (2004, p. 228): “O
Mercosul, [..], tem a pretensão de tornar-se um mercado comum, o que é expresso na própria denominação [...]”
A América do Sul logo tratou de iniciar sua integração. Criado em 1991, o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) é composto de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, nações sul-americanas que adotam políticas de integração econômica e aduaneira. A origem do Mercosul está nos acordos comerciais entre Brasil e Argentina elaborados em meados dos anos 80. No início da década de 90, o ingresso do Paraguai e do Uruguai torna a proposta de integração mais abrangente. Em 1995, é instalada uma zona de livre comércio.
A União Européia foi o primeiro bloco constituído e serve de exemplo para os outros. Seu objetivo em 1957 era reerguer os países atingidos em termos sociais, políticos e principalmente, econômicos, após a II Guerra Mundial.
Os acordos de integração fazem com que os países integrantes adquiram maior capacidade de competir no comércio internacional.
3.4 Santa Catarina
Santa Catarina é um estado brasileiro localizado na região sul, a capital do estado é Florianópolis. Sua população é de aproximadamente seis milhões de habitantes. A área total é de 95,4 mil km², correspondendo a 1,13% do território brasileiro e a 16,57% da área da região sul. (SANTA CATARINA, 2002). Está situada no centro geográfico de maior desempenho econômico do país e em posição estratégica no Mercosul. O clima predominante é o mesotérmico, temperaturas variam de 13 a 25 graus centígrados, e possui chuvas distribuídas durante o ano todo.
A população de Santa Catarina tem sua origem a partir de várias nacionalidades, estima-se que essa tenha sofrido a influência de pelo menos 50 etnias distintas, embora as que predominam são respectivamente descendentes de portugueses, alemães, italianos, além de eslavos e poloneses. A população de Santa Catarina é formada por 88,1% de pessoas brancas, os pardos representam 9%, negros 2,7% e índios 0,2%. (SANTA CATARINA, 2002).
Diferentemente dos outros estados brasileiros, em Santa Catarina é possível distinguir as quatro estações, constituídas por verões quentes e invernos rigorosos, nos pontos mais elevados pode ocorrer precipitação de neves.
Além de possuir um alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), outros indicadores como a educação, expectativa de vida e distribuição de renda está acima da média brasileira. Isso faz com que o estado atraia investimentos, tanto de outros estados, quanto do exterior.
A economia de Santa Catarina é diversificada, no território são desenvolvidas atividades econômicas no ramo da indústria, extrativismo (animal, vegetal e mineral), agricultura, pecuária, pesca e turismo. Santa Catarina é hoje o quinto estado mais rico do país. (SANTA CATARINA, 2002).
De acordo com Goularti (2007, p.343): “a diversificação geralmente começa com micros e pequenas empresas que se consolidam e tornam-se empresas expressivas [...]”.
Santa Catarina é um estado de grande potencial econômico em função da sua variedade de segmentos, sua representatividade é de quase 7% do total das exportações brasileiras. (BRASIL, 2008).
Conforme tabela 1, pode-se verificar que Santa Catarina é um estado superavitário, vocacionado para o comércio exterior e sua pauta de produtos exportados é bastante diversificada, destacando-se carne de aves, carne suína, motocompressores, fumo, têxteis, azulejos e móveis de madeira.
Tabela 1 – Balança Comercial de Santa Catarina - (2000 a 2007)
Ano / Mês Exportação Importação Saldo
Valor (A) Valor (B) (A) – (B)
2000 2.712.493 957.170 1.755.323 2001 3.031.172 860.394 2.170.778 2002 3.160.456 931.395 2.229.061 2003 3.701.854 993.810 2.708.044 2004 4.862.608 1.508.950 3.353.658 2005 5.594.239 2.188.540 3.405.699 2006 5.982.112 3.468.768 2.513.344 2007 7.381.839 5.000.452 2.381.387 Fonte: BRASIL (2008).
Ainda de acordo com a tabela 1, pode-se observar que no período de 2000 a 2007 as exportações cresceram 172%, já as importações evoluíram de maneira que aumentaram 430% no mesmo período relatado.
4 INDÚSTRIA DE MÓVEIS DE MADEIRA
Neste capítulo apresentam-se as características da indústria de móveis de madeira, demonstrando a importância econômica deste setor, tanto mundialmente quanto nacionalmente.
4.1 Indústria de móveis de madeira no mundo
A indústria mundial de móveis é uma indústria tradicional, constituída predominantemente por pequenas empresas, que, até os anos 50, visavam atender quase exclusivamente ao mercado interno dos seus respectivos países. A partir dos anos 50, a indústria dinamarquesa de móveis passou a se voltar para o mercado externo, sendo a pioneira neste comércio. Entretanto, o comércio internacional de móveis somente se ampliou de forma significativa a partir dos anos 70, sob a liderança da Itália, que tem apresentado desde então uma participação importante em nível mundial.
Ao longo da década de 90, a cadeia produtiva de madeira e móveis sofreu grandes transformações em todo o mundo com conseqüentes ganhos de produtividade, a partir da introdução de equipamentos automatizados e da utilização de novas técnicas de gestão. As mudanças incluem o uso crescente de novas fontes de matérias-primas, já que por questões ambientais, as madeiras nobres encontram-se restritas. Pode-encontram-se destacar o medium-density fiberboard (MDF) que de acordo com Gorini (2000, p.74): “[…] tem consistência e algumas características parecidas com as da madeira maciça, e a maioria de seus parâmetros físicos é superior aos da madeira aglomerada”, como uma das novas matérias-primas.
A indústria de móveis caracteriza-se pela reunião de diversos processos de produção, envolvendo diferentes matérias-primas e uma grande diversidade de produtos finais.
As empresas, em geral, são especializadas em um ou dois tipos de móveis, como, por exemplo, de cozinha e banheiro, estofados, torneados, escritórios, entre outros.
De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL), embora tenha crescido a participação de matérias-primas como o aço, o vidro e o couro, entre outros, os móveis de madeira são a maioria e se dividem em dois tipos:
• Retilíneos, lisos, com desenho simples de linhas retas, feitos de placas ou painéis de madeira reconstituída, aglomerados, de compensados e MDF, e;
• Maciços, torneados, que reúnem detalhes, misturando formas retas e curvilíneas, feitos principalmente de madeira maciça.
A indústria caracteriza-se pela predominância de pequenas e médias empresas que atuam em um mercado muito segmentado. O setor é intensivo em mão-de-obra e geralmente apresenta baixo valor agregado.
A demanda por móveis - muito segmentada - varia positivamente com o nível de renda da população e o comportamento de alguns setores da economia, particularmente a construção civil. A elevada elasticidade-renda da demanda torna o setor muito sensível às variações conjunturais da economia, sendo um dos primeiros a sofrer os efeitos de uma recessão. O gasto com móveis em geral situa-se na faixa de 1% a 2% da renda disponível das famílias (depois dos impostos). Outros fatores que influenciam a demanda por móveis são as mudanças no estilo de vida da população, os aspectos culturais, o ciclo de reposição, o investimento em marketing (em geral muito baixo nessa indústria), entre outros. (GORINI, 1998, p. 2)
Alguns fatores que influenciam a demanda por móveis são as mudanças no estilo de vida da população, aspectos culturais, a alta mobilidade, o investimento em marketing entre outros.
A indústria de móveis vem evoluindo bastante, principalmente através da introdução de novos equipamentos e o emprego de novas técnicas de gestão. Além dos avanços tecnológicos, observa-se o aumento da horizontalização da produção, com a presença de muitos produtores especializados na produção de componentes. A horizontalização também vem contribuindo para a flexibilização da produção, a redução dos custos industriais e o aumento da eficiência da cadeia produtiva.
Quanto à tecnologia, esta já está bastante acessível inclusive a pequenos e médios produtores, permitindo assim uma constante atualização tecnológica nas empresas. O processo produtivo geralmente não é um processo contínuo, fazendo
com que a modernização muitas vezes ocorra em determinadas etapas da produção, ou seja, em uma mesma indústria é possível encontrar algumas seções com processos modernos e outras com processos obsoletos.
Devido às restrições ambientais começaram a surgir no final da década de 80 no mercado mundial, outros tipos de matérias primas, como por exemplo, o pínus, o eucalipto e até mesmo seringueiras. De acordo com Gorini (1998, p.4): “a própria norma ISO-14000 deverá inibir o mercado de móveis confeccionados com madeira de lei e estimular o uso de madeira de reflorestamento, que parece ser uma tendência a ganhar força no mercado mundial […]”.
A certificação florestal torna-se importante fator de competitividade, não apenas para o ingresso em mercados mais exigentes, mas para manter-se nos nichos já ocupados.
A variedade de matérias-primas colocadas a disposição dos fabricantes, trouxe a tendência de misturar os diferentes tipos de materiais na fabricação dos móveis e com isso transformar os produtos mais baratos, mas com a mesma qualidade.
Os países desenvolvidos lideram o comércio internacional de móveis, e seus mercados internos, têm grande representatividade, pois os móveis estão entre os bens de consumo em massa. Entre os países em desenvolvimento, os países da América Latina têm apresentado destaque na importação de móveis, porém com um percentual ainda pequeno.
Tabela 2 – Dada Gerais da Indústria Moveleira Mundial (60 maiores produtores) - (Jan/Dez 2005) – em US$ Milhões
Fonte: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - Setorial n.25 (2007). Países Produção % Exportação % Importação %
França 9.185 3,4 2.364 3,0 5.881 7,0 Alemanha 18.890 7,1 6.557 8,2 8.236 9,8 Itália 23.692 8,9 10.159 12,7 1.675 2,0 Reino Unido 10.154 3,8 1.273 1,6 6.664 7,9 Estados Unidos 57.371 21,5 2.893 3,6 23.765 28,3 Canadá 11.723 4,4 4.417 5,5 3.478 4,1 México 3.097 1,2 1.269 1,6 528 0,6 China 37.965 14,2 13.451 16,8 479 0,6 Malásia 2.262 0,8 1.979 2,5 330 0,4 Indonésia 2.357 0,9 1.835 2,3 56 0,1 Japão 12.356 4,6 506 0,6 3.660 4,4 Polônia 7.078 2,6 5.277 6,6 812 1,0 Brasil 6.314 2,4 994 1,2 154 0,2 Outros 64.846 24,3 27.094 33,8 28.194 33,6 Total 267.290 100 80.068 100 83.912 100
Pode-se observar na tabela 2, que somente quatro países concentram mais de 50% da produção mundial de móveis: EUA, maior produtor, representa 21,5%, seguido da China com 14,2%, Itália com 8,9% e Alemanha com 7,1% do total produzido em 2005.
Quanto às exportações, destacam-se China, Itália e Alemanha que, juntas foram responsáveis por aproximadamente 37% do valor total das exportações mundiais de móveis em 2005. Segundo Rosa (2000, p 84), o aumento das exportações deve-se “aos investimentos recentes em novas plantas concebidas para fabricar grandes volumes de móveis destinados à exportação [...]”
Ainda conforme a tabela 2, os EUA revelam também grande dependência das importações de móveis de madeira, sobressaindo como maior importador mundial, absorvendo 28% do total comercializado.
Apesar de ter perdido a liderança em produção e exportação, a Itália é um país que merece destaque, pois exibe um grau pequeno de dependência em relação ao comércio internacional de móveis, sendo competitiva em todos os segmentos desse mercado. Seu grande sucesso deve-se ao design e à qualidade de seus móveis, além do preço.
No período 1995/2000 houve expansão significativa nas importações por parte dos Estados Unidos e pequenos aumentos em vários países europeus, além do Canadá e do Japão. A Itália permanece no seu posto de maior exportador, participando com 20% do total exportado no mundo, sendo que o valor de suas vendas externas tem permanecido praticamente constante. Por outro lado, as exportações do Canadá e de cinco países emergentes – China, Polônia, Malásia, Indonésia e México – aumentaram substancialmente. (VALENÇA et al, 2002, p.85)
Notou-se também na tabela 2, que o mercado mundial de móveis tem sido invadido por países em desenvolvimento, destacando a China que vêm intensificando suas exportações para os países desenvolvidos.
O Brasil ocupa ainda pequena parcela do comércio internacional de móveis se comparado aos países-líderes, de apenas 1,2%, mas está se ajustando as exigências do mercado aos poucos, para manter os antigos mercados e ao mesmo tempo ampliar suas vendas.
4.2 Indústria de móveis de madeira no Brasil
No início do século XX, a cidade de São Paulo e seus municípios limítrofes – Santo André, São Caetano e São Bernardo – assistiram ao surgimento de pequenas marcenarias de artesãos italianos, gerado pelo grande aumento do fluxo migratório. Surgia então a indústria moveleira brasileira, com a maior parte de sua produção voltada para o mercado popular em formação.
Com a abertura comercial, as empresas moveleiras, alcançaram melhorias de desempenho significativas a partir da aquisição de máquinas e na modernização da infra-estrutura produtiva. Com isso as empresas melhoraram a qualidade e os preços dos produtos, refletindo assim nas exportações.
Pólos Origem Consolidação
Grande São Paulo (SP) Marcenarias familiares (imigração
italiana). Década de cinqüenta Noroeste Paulista (SP)
(Votuporanga e Mirassol)
Iniciativa dos empresários locais. Década de oitenta
Ubá (MG) Empresas atraídas pela instalação de
Móvel Itatiaia na década de 60. Década de oitenta Arapongas (PR) Iniciativa de empresários locais, com
apoio governamental (em particular do município).
Década de oitenta
São Bento do Sul (SC) Instalação nos anos 60/início dos 70, com
apoio governamental. Década de setenta Bento Gonçalves (RS) Manufaturas de móveis de madeira e
metal originados da fabricação de instrumentos musicais e telas metálicas.
Década de sessenta Quadro 1 – Brasil – Pólos moveleiros – Características da Formação Industrial
Fonte: Abimóvel - Design (2006).
Pode-se citar como pólos pioneiros, aqueles localizados nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Já os demais pólos moveleiros, foram implantados mais recentemente, no ciclo de substituição de importações pós guerra, a partir de iniciativas privadas, conjugadas com auxílio e estímulos de
financiamentos do governo, sobretudo aquelas datadas do fim da década de 60 até o início de 80, segundo Gorini (1998).
A indústria brasileira de móveis é formada principalmente por micro, pequenas e médias empresas, quase sempre familiares, tradicionais e, na grande maioria, de capital inteiramente nacional. As empresas fabricantes de móveis estão assim distribuídas em relação ao seu tamanho:
Gráfico 1 - Distribuição das Empresas Nacionais por Porte. Fonte: Portal do exportador (2006).
Distribuídos por todas as regiões do país e com uma maior concentração no centro-sul do Brasil, o setor possui um imenso potencial a ser explorado, tanto em termos de geração de divisas, com o aumento nos volumes exportados, quanto em termos de distribuição de renda, com a criação de novos empregos.
De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (2006, p.6), o setor é formado por mais de 16 mil fabricantes e tem apresentando crescimento considerável nos últimos anos, mas ainda contrasta com o padrão internacional, principalmente no que diz respeito ao pouco acesso à tecnologia de ponta e à grande verticalização da produção nacional (no Brasil ainda é comum que as empresas moveleiras assumam todas as etapas de produção desde a secagem e pré-processamento da madeira até a fabricação do móvel).
A indústria brasileira de móveis está localizada, principalmente, no Sul e Sudeste do país.
A indústria nacional de móveis concentra-se, principalmente, nas Regiões Sul e Sudeste, sendo que 77% dos estabelecimentos estão localizados nos principais pólos produtores do país, ou seja, nos estados de São Paulo (23%), Rio Grande do Sul (15%), Santa Catarina (13%), Paraná (13%) e Minas Gerais (13%). (ROSA et al, 2000, p.84).
Em São Paulo, são dois aglomerados de empresas que formam pólos de fabricação de móveis (Mirassol e Votuporanga), dois em Minas Gerais (Ubá e Bom Despacho), dois no Rio Grande do Sul (Bento Gonçalves e Lagoa Vermelha), dois em Santa Catarina (São Bento do Sul e Chapecó), um no Paraná (Arapongas) e um no Espírito Santo (Linhares + Colatina), conforme a figura 1.
Figura 1 – Concentração de Fabricantes de Móveis no Brasil. Fonte: Abimóvel (2006).
Nos últimos anos, a indústria brasileira de móveis aprimorou sua capacidade de produção e melhorou significativamente a qualidade de seus produtos e está investindo atualmente, em modernização da tecnologia e na adaptação do design, visando atender aos consumidores externos. Por outro lado, há ainda uma grande informalidade no setor, o que gera ineficiência em toda a cadeia industrial.
Segundo a Abimóvel, nos dez principais pólos moveleiros do Brasil, atuam mais de 1.700 empresas, que empregam mais de 50 mil pessoas. Mas para uma
melhor visualização do panorama a tabela 3 apresenta os números do país e do estado em relação as empresas e empregados.
Tabela 3 - Empresas e Empregados do Setor Moveleiro Brasileiro e Catarinense Brasil Santa Catarina
Empresas 16.104 2.020
Empregados 206.352 32.273
Fonte: Abimóvel (2006).
As exportações do Brasil no setor de móveis de madeira vêm crescendo a cada ano. Isso se deve ao esforço contínuo da iniciativa privada e também ao apoio governamental e de entidades de apoio, como por exemplo, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), as Federações de Indústrias e os Sindicatos.
De acordo coma tabela 4, nota-se que as exportações brasileiras são basicamente de dois estados: Santa Catarina, que participa com mais de 40% e Rio Grande do Sul, com 27%. Porém, ainda pode-se destacar os estados do Paraná e São Paulo, que juntos somam mais de 16% do total das exportações.
Tabelas 4 – Principais Estados Brasileiros Exportadores – Dez/2005
Países US$ %
Santa Catarina 433.339 43,75
Rio Grande do Sul 270.442 27,31
Paraná 91.732 9,26 São Paulo 87.427 8,83 Bahia 68.257 6,89 Minas Gerais 11.190 1,13 Espírito Santo 6.426 0,65 Ceará 4.430 0,45 Maranhão 3.988 0,40 Pará 3.308 0,33 Goiás 2.988 0,30 Rio de Janeiro 2.528 0,26
Mato Grosso do Sul 1.442 0,15
Pernambuco 1.045 0,11
Outros 1.882 0,19
Total 990.424 100,00
Fonte: Abimóvel (2006).
O padrão tecnológico da indústria brasileira de móveis é reconhecidamente muito heterogêneo, variando de pólo para pólo, e também de acordo com o porte das empresas. Nos casos das empresas líderes de Bento Gonçalves, São Bento do
Sul e Grande São Paulo, verifica-se que estas apresentam níveis de atualização tecnológica similares aos internacionais. As empresas líderes dos diversos pólos moveleiros encontram-se, em geral, em fase avançada de atualização tecnológica e de modernização administrativa. Por outro lado, as empresas menores, em todos os pólos, apresentam processos de produção intensivos em mão-de-obra, combinados com uma surpreendente capacidade de introduzir mudanças nos modelos produzidos (com rápida capacidade de absorção, por meio da cópia, dos novos modelos das empresas maiores), decorrente da grande flexibilidade e aptidão produtiva que caracteriza essas empresas.
A indústria moveleira nacional é bastante competitiva, em razão da disponibilidade de matérias-primas e mão-de-obra e da experiência acumulada nos pólos existentes nas regiões Sul e Sudeste. No entanto, ainda há muito a corrigir, principalmente porque boa parte das empresas brasileiras possui um porte acanhado e são tímidas para investir e arriscar; enquanto outras simplesmente executam ou copiam idéias importadas.
As exportações brasileiras são pouco diversificadas, restringindo-se basicamente às exportações de móveis residenciais de madeira de pínus (60% do total exportado), produzidos nos pólos de São Bento do Sul e Bento Gonçalves, que respondem por 3/4 exportações brasileiras de móveis. Estas exportações têm destino concentrado em seis países: EUA, França, Reino Unido, Espanha e Argentina, que respondem por 63% das vendas de móveis brasileiros ao exterior, conforme podem ser visualizados no gráfico 2.
USA 33% FRANÇA 9% ARGENTINA 8% ESPANHA 4% OUTROS 37% REINO UNIDO 9%
Gráfico 2 – Destinos das Exportações Brasileiras. Fonte: Abimóvel (2006).
Em 2006, os móveis de madeira representaram apenas 0,7% do total das exportações brasileiras. Com o intuito de estimular as exportações do setor, a Abimóvel e a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX) mantêm em parceria o Brazilian Furniture, programa que estimula a participação das empresas em feiras e divulga a imagem do produto brasileiro no exterior.
No exterior, o produtor brasileiro de móveis mesmo com a iniciativa governamental, enfrenta dificuldades de logística de distribuição, falta de depósitos em mercados estratégicos, baixa participação em feiras internacionais, reduzida escala para exportação e ausência de cultura exportadora.
5 INDÚSTRIA CATARINENSE DE MÓVEIS DE MADEIRA
Neste capítulo é apresentada a indústria de móveis de madeira de Santa Catarina, apontando sua representatividade na balança comercial do estado, seus fatores de competitividade, as principais empresas exportadoras e os destinos dos móveis de madeira catarinense.
5.1 Pólo moveleiro de Santa Catarina
No século XIX, o estado passou por uma alteração com a chegada dos imigrantes alemães e de outros países da Europa. Estes vieram em busca de uma vida nova, começaram cortando árvores para instalar suas colônias e utilizavam as madeiras derrubadas para fabricar os utensílios rudimentares. Com suas habilidades, mais tarde foram implantados os parques moveleiros.
O pólo surgiu na década de 50, a partir da atividade de imigrantes alemães que inicialmente focaram a produção em móveis de estilo colonial de alto padrão. O pólo moveleiro de Santa Catarina está concentrado no Vale do Rio Negro, nos municípios de São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campo Alegre.
No início da colônia de São Bento, a economia mundial passava por um período de depressão e o Brasil encontrava-se no período da abolição e surgimento da pequena produção mercantil. No contexto local, a bagagem de conhecimentos técnicos, habilidades e hábitos dos colonos emigrantes foram colocados em prática, e com a proximidade da matéria-prima (madeira), surgiram várias fábricas e posteriormente indústrias.
Até 1922 existiam apenas marcenarias em São Bento, as quais não eram consideradas indústrias. Em 1925, a Indústria Weihermann iniciou suas atividades. No Brasil, a partir da revolução de 30 ocorreu um grande impulso na industrialização brasileira, fato esse que acelerou o processo de substituição de importações e fez nascer em 1938 o grupo Rudnick também na cidade de São Bento do Sul.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial instalaram-se várias empresas, quase todas as indústrias diretamente ligadas ao ramo mobiliário, pois houve uma estabilidade relativa do setor. Inicia-se uma nova fase de substituição de importados, surgindo novos estabelecimentos industriais. A Indústria Artefama S.A, iniciou suas atividades em 1945. Em 1948 surgiu a fábrica de móveis Leopoldo S.A. Inicialmente, a produção das empresas moveleiras estava voltada para móveis coloniais de alto padrão. Já a partir de 1964, o crescimento do setor consolidou a região como maior pólo moveleiro do estado e um dos mais importantes do país.
Os anos 70 caracterizaram-se por um período de expansão do mercado interno, modernização tecnológica e reestruturação das empresas. Acompanhando o processo de desenvolvimento do país, identificado como o grande momento do ‘milagre brasileiro’¹, de 1968 a 1973, o município assistiu a uma explosão de novos empreendimentos, consolidando-se, a partir daí, como um dos principais pólos da indústria moveleira nacional. Nesta época, destacou-se na produção de móveis escolares e cadeiras de cinema.
Os principais fatores para a o surgimento da indústria de móveis em São Bento do Sul foram:
• A presença de um comércio intenso de madeira e de erva-mate.
• Matéria-prima abundante.
• A acumulação de renda proveniente da exploração destes dois produtos.
• Energia elétrica.
• A habilidade do imigrante europeu como artesão marceneiro, trazendo conhecimento técnico de uma Europa em plena Revolução Industrial. Segundo Gorini (1998), o pólo moveleiro de São Bento do Sul conta com elevada participação de médias e grandes empresas. Responde por 40% das exportações brasileiras, e estas se restringem basicamente aos móveis residenciais de madeira de pínus (80% do total exportado), isto é, móveis baseados em matéria-prima abundante, barata e renovável. Estas empresas destinam cerca de 80% da produção para o mercado externo, em particular para o europeu, com destaque para Alemanha, Holanda e Inglaterra. Na quase totalidade dos casos, as empresas brasileiras são subcontratadas para executar a produção dos móveis, cujos projetos ________________
(designs) são determinados pelos importadores.
Apesar de não trabalharem com design próprio, a maioria das empresas exportadoras apresenta um elevado padrão tecnológico, em particular no que se refere à estrutura produtiva. Este fato é revelado pela extraordinária capacidade de absorver e adaptar os projetos encomendados, e manufaturá-los com eficiência escala produtiva adequada e custos competitivos.
Atualmente, há na região do Vale do Rio Negro mais as cidades vizinhas, de acordo com a Abimóvel (2006) cerca de 400 empresas que geram em torno de 10 mil empregos.
Além de São Bento do Sul, pode-se destacar o pólo moveleiro do Oeste catarinense, que está transformando a região em referência estadual na produção de móveis.
Este pólo é composto por 383 indústrias, em sua maioria de micro e pequeno porte, as quais empregam mais 20 mil pessoas direta e indiretamente, de acordo com a Revista Portuária (2008). A região representa entre 20% e 30% das exportações do Estado e conta com uma produção bastante diversificada, prevalecendo o segmento de móveis para dormitórios.
Em função da importância econômica deste pólo, criou-se uma escola técnica que busca melhorar a mão-de-obra, a Escola Técnica Moveleira, que foi criada em setembro de 2005 na cidade de Chapecó.
O pólo moveleiro do oeste vem se destacando desde 2003 em relação aos setores econômicos do estado catarinense sendo o primeiro em número de empresas, terceiro em geração de empregos e o quarto em movimentação econômica.
5.2 Principais empresas catarinenses de móveis de madeira
Das empresas que produzem os móveis de madeira do estado de Santa Catarina, grande parcela delas procuram focar no mercado internacional.
As empresas que tem intenções de entrar no mercado global estão suscetíveis a alguns riscos. Com essa inserção no comércio internacional, as
empresas devem estar preparadas para enfrentar novos desafios, como por exemplo, a adequação da produção, custos logísticos, e até mesmo certificações, que são exigências do país importador.
Visto isso, para as empresas do setor que pretendem investir no mercado externo, pode-se listar algumas vantagens tais como: expansão da empresa e dos negócios, a diversificação dos canais de comercialização, o aumento de mercado e o aprimoramento da qualidade. Com isso, elas deixam de depender apenas do mercado interno e passam a ter uma imagem mais positiva do seu produto, associando-o a uma melhor qualidade, o que leva a empresa a adquirir mais potencial para enfrentar a concorrência doméstica.
Segundo Goularti (2007), as empresas de médio e grande porte exportam praticamente toda sua produção, a única entre as maiores que destina parte de sua produção para o mercado interno é a Rudnick.
Entre as principais empresas da região, destacam-se Rudnick, Artefama, Neumann, Leopoldo, Zipperer, Weiherman, Serraltense e Três Irmãos. No quadro 2 pode-se observar as empresas com seus respectivos segmentos.
Empresa Segmento
Indústrias Artefama S.A Dormitórios, salas e copa
Móveis Rudnick S.A Dormitório, banheiro, sala, cozinha, área de serviço
Móveis Weihermann Dormitório, sala, copa Móveis Neumann Residenciais de madeira Móveis Leopoldo Residenciais de madeira
Quadro 2 - Principais Empresas da Região e o seu Segmento Fonte: Abimóvel (2006).
De acordo com Goularti (2007), as empresas de médio e grande porte exportam basicamente toda a produção: a Artefama exporta 100% da sua produção e a Zipperer 70%.
A empresa que abriu os caminhos para o mercado externo foi a Zipperer, da cidade de São Bento do Sul exportando inicialmente quadros de borboletas para o Japão. Mais tarde foi a vez da Condor exportar pincéis, escovas e vassouras para os EUA, Canadá, Trinidad Tobago, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Chile, Alemanha, Holanda, Inglaterra, Nigéria e Japão.
Observa-se na tabela 5 que entre as principais empresas exportadoras do estado em 2007, destacam-se Artefama e Celulose Irani do setor moveleiro, respectivamente em 25º e 27º posição. Juntas, somam o percentual de quase 1% das exportações totais de Santa Catarina.
Tabela 5 - Principais Empresas Exportadoras – (Jan/Dez 2007)
Descrição US$ FBO %
Total das principais empresas 5.297.603.429 71,77 Multibras S/A eletrodomésticos 613.425.426 8,31
Weg exportadora S/A 552.348.625 7,48
Seara alimentos S/A 522.800.644 7,08
Perdigão S/A 457.700.329 6,20
Sadia S.A 432.120.907 5,85
Universal leaf tabacos ltda 289.700.294 3,92
Tupy fundições ltda 282.285.636 3,82
Agrenco do Brasil S.A 280.731.614 3,80
Souza Cruz S/A 221.622.217 3,00
Cooperativa central oeste catarinense ltda 184.058.153 2,49 Diplomata S/A industrial e comercial 152.434.409 2,06
Klabin S.A 134.009.462 1,82
Busscar ônibus S.A 105.933.923 1,44
Agroavicola veneto ltda 72.808.835 0,99
Frigorífico riosulense S.A 62.506.152 0,85
Bunge alimentos S/A 60.736.308 0,82
South service trading S.A 59.241.198 0,80
Eliane S/A - revestimentos cerâmicos 55.522.837 0,75
Coteminas S.A 55.057.255 0,75
Schulz S/A 45.561.759 0,62
Portobello S.A 44.055.730 0,60
Vega do sul S.A 42.254.896 0,57
Incasa S/A 40.728.291 0,55
Zen S.A indústria metalurgica 39.911.510 0,54
Indústrias artefama S.A 37.515.867 0,51
Frame madeiras especiais ltda 35.312.891 0,48 Celulose Irani sociedade anonima 33.282.753 0,45 Compensados e laminados lavrasul S/A 33.131.589 0,45
Macedo koerich SA 31.729.766 0,43
Cecrisa revestimentos ceramicos 30.950.083 0,42
Adm do Brasil ltda 30.560.857 0,41
Battistella indústria e comercio limitada 30.223.329 0,41 Vossko do Brasil alimentos congelados ltda. 29.710.425 0,40
Masisa madeiras ltda. 29.189.976 0,40
Mannesmann rexroth automacao ltda 28.735.224 0,39 Curtume viposa sa indústria e comercio 28.627.779 0,39
Karsten S.A. 28.146.280 0,38
Bondio alimentos S/A 27.832.989 0,38
Dohler S.A 27.803.555 0,38
Fabio Perini sa 27.293.656 0,37
Demais empresas 2.084.236.048 28,23
A empresa Artefama, no ano de 2007 exportou mais de US$ 37 milhões, representando 0,45% do total exportado pelo estado catarinense. Está localizada no município de São Bento do Sul, e seus principais produtos são: camas, armários para quartos, estantes, mesas, cadeiras, armários para copa e cozinha, bancos e mesas para jardins, fabricados em madeira de pínus e eucalipto. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) a Artefama conta com 1.097 funcionários. Sua produção em 2004 foi de 53.500 m³ com um faturamento de R$ 98,1 milhões. É uma das maiores fabricantes e exportadoras de móveis em madeira maciça do Brasil. Destaca-se pelo diferencial em diversos tipos de acabamento (pintura aplicada) e moderno parque fabril.
Na tabela 6 pode-se visualizar os 50 produtos exportados por Santa Catarina e assim verificar a representatividade do setor de móveis de madeira.
Tabela 6 – Principais 50 Produtos exportados por Santa Catarina (Jan/Dez 2007)
Descrição US$ F.B.O %
Total dos principais produtos exportados 6.406.503.06 86,7 Pedacos e miudezas,comest.de galos/galinhas,c 969.019.972 13,1 3 Fumo n/manuf.total/parc.destal.fls.secas,etc. 449.958.216 6,10 Motocompressor hermetico,capacidade<4700 frig 395.957.489 5,36 Outros graos de soja,mesmo triturados .... 302.850.975 4,10 Outras carnes de suino,congeladas... 256.693.189 3,48 Preparacoes alimenticias e conservas,de galos 233.731.526 3,17 Carnes de galos/galinhas,n/cortadas em pedaco 223.266.402 3,02 Blocos de cilindros,cabecotes,etc.p/motores d 217.841.403 2,95 Motor eletr.corr.altern.trif.750w<p<=75kw,rot 198.767.314 2,69 Portas,respect.caixilhos,alizares e soleiras, 181.870.034 2,46 Outros ladrilhos,etc.de ceramica,vidrados,esm 166.849.975 2,26 Motor eletr.corr.altern.trif.75kw<pot<=7500kw 152.125.931 2,06 Outros moveis de madeira ... 140.097.873 1,90 Moveis de madeira p/quartos de dormir.... 130.063.402 1,76 Carnes de outs.animais,salgadas,secas,etc. 126.894.488 1,72 Papel/cartao "kraftliner",p/cobertura,crus,em 124.187.709 1,68 Roupas de toucador/cozinha,de tecidos atoalh. 121.584.010 1,65 Refrigeradores combin.c/congeladores,porta ex 107.847.942 1,46 Outs.mad.comp.folheada,espess.ñ sup.a 6mm 103.911.277 1,41 Carrocarias p/veic.automov.transp>=10pessoas 80.934.564 1,10 Madeira de coniferas,serrada/cortada em fls.e 78.651.005 1,07 Fumo n/manuf.total/parc.destal.fls.secas,tipo 69.708.368 0,94 Partes de apars.disposit.eletr.ignicao,etc.p/ 53.387.312 0,72 Outras partes e acess.p/tratores e veiculos a 52.014.064 0,70 Carcacas e meias-carcacas de suino,congeladas 44.397.831 0,60 Preparacoes alimenticias e conservas,de peru 42.048.350 0,57 Partes de outros motores/geradores/grupos ele 41.051.219 0,56 Milho em grao,exceto para semeadura 40.503.948 0,55 Oleo de soja,em bruto,mesmo degomado 39.380.216 0,53
Outras obras de madeira 38.698.392 0,52
Macas frescas 38.591.110 0,52
Sacos de papel ou cartao,cuja largura da base 37.916.348 0,51 Enchidos de carne,miudezas,sangue,suas prepar 37.871.669 0,51
Transformador de dieletrico liquido,pot>10000 36.426.742 0,49 Outs.freios e partes,p/tratores/veícs.auts. 36.010.791 0,49 Madeira de coniferas,perfilada 35.873.110 0,49 Lamin.ferro/aco,l>=6dm,galvan.outro proc.e<4. 33.172.918 0,45
Partes p/moveis,de madeira 31.562.021 0,43
Outras obras de marcenaria ou carpintaria,p/c 31.369.443 0,42 Veiculos automoveis p/transp>=10 pessoas,c/mo 28.752.651 0,39 Armacoes e cabos,de madeira,de ferramentas,es 28.736.764 0,39 Outros motores eletr.de corr.altern.monof.37 27.473.220 0,37 Camisetas "t-shirts",etc.de malha de algodao 27.302.679 0,37
Moveis de madeira p/cozinhas 24.659.372 0,33
Refrigeradores de compressao,de uso domestico 24.618.163 0,33
Outros sucos de maca 23.294.118 0,32
Transformador de dieletrico liquido,pot<=650k 22.639.189 0,31
Iodetos de potassio 22.082.033 0,30
Outs.papeis/cartoes kraft,crus,p<=150g/m2,em 20.605.860 0,28 Fitas de fibras sinteticas ou artificiais 20.203.945 0,27 Fonte:BRASIL/Secex. (2007)
A Celulose Irani situada em Rio Negrinho, além de produzir papéis e celuloses, fabrica linhas de dormitórios, salas e móveis auxiliares em madeira de pínus. No ano de 2007 foi responsável por mais de US$33 milhões em vendas de móveis de madeira para o mercado internacional e deteve 0,45% do total exportado pelo estado.
Santa Catarina é um estado que possui uma economia bastante diversificada. As características geográficas, climáticas e a mão-de-obra qualificada em função dos colonizadores, são fatores que auxiliam essa diversificação.
De acordo com a tabela 6, pode-se observar que os móveis de madeira, separadamente, não são tão significativos, mas, somados representam quase 4,5% dos principais produtos exportados pelo estado no ano de 2007, ficando atrás somente dos pedaços de frango, do fumo, motocompressores e grãos de soja.
Dos 50 primeiros produtos, quatro são do setor de móveis de madeira, sendo os móveis para cozinha, de dormir, partes para móveis e outros móveis de madeira que representam 4,25% do total exportado pelo estado catarinense.
5.3 Representatividade do setor moveleiro para a economia
catarinense
O setor de móveis de madeira de Santa Catarina tem grande importância na participação do PIB estadual. Conforme já citado anteriormente, o estado
catarinense é o terceiro maior produtor de móveis do país, mas o maior exportador, sendo responsável por quase 50% das exportações brasileiras do setor, só a cidade de São Bento do Sul, responde por 40% dessas exportações.
O estado consolidou-se como um dos principais pólos moveleiros nacionais concentrando sua produção no Planalto Norte (principalmente São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campo Alegre) e mais recentemente, no Oeste catarinense (Chapecó e região).
O principal produto é o móvel torneado de madeira maciça, principalmente pínus. A maior parte da produção (80%) é de móveis residenciais.
Em termos de comércio exterior, Santa Catarina (com predominância do pólo de São Bento do Sul) e Rio Grande do Sul (principalmente na região de Bento Gonçalves) detêm juntos, 71% do total das exportações nacionais. Especializados em móveis residenciais, esses dois estados intensificaram suas vendas externas desde a década de 1980. (ROSA, et al, 2000, p. 84) Apesar de todos os estados brasileiros produtores de móveis possuírem grandes pólos, cada um se caracteriza por um determinado tipo de produção.
O principal produto do Rio Grande do Sul são os móveis residenciais, podendo ser artesanais, já o pólo de Santa Catarina se destaca pelos móveis também residenciais, mas aqueles feitos sob encomenda. O estado de São Paulo se especializou nos móveis de escritórios e móveis retilíneos, voltados mais para o mercado interno.
De acordo com a Abimóvel (2006), o estado de Santa Catarina exportou mais de US$ 433 milhões só no ano de 2005, ocupando o primeiro lugar dos estados brasileiros exportadores de móveis de madeira, chegando a produzir cinco vezes mais que o estado de São Paulo. Santa Catarina deteve em 2005, 43,75% do total de móveis de madeira exportado pelo Brasil. Isso representa praticamente o mesmo percentual exportado pelos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo, que juntos exportaram 45,40% no mesmo período.
Já na tabela 7 percebe-se que, no período de 2002 a 2008 o setor moveleiro de Santa Catarina vem perdendo forças, e diminuindo as suas exportações. Dentre os produtos apresentados na tabela 7, no ano de 2008 o setor ficou atrás de todos os outros produtos.
De 2002 a 2005, os móveis de madeira ocuparam o 2º lugar em termos de percentuais. A partir de 2006 passou a perder expressividade e já em 2008 (jan/ago)