Ensaio de Cisalhamento
C: Resíduo de cimento.
Figura 5: Superfície metálica com característica típica de fratura na interface da união metal com cerômero (MEV 500 x).
C: Resíduo de cimento.
Figura 6: Superfície metálica com aspecto característico do módulo de fratura da união metal x cerâmica (MEV 35x).
C: Resíduo de cimento.
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C C
DISCUSSÃO
DISCUSSÃO
Atualmente, dentre os materiais utilizados para cimentação no mercado odontológico, os cimentos resinosos são os mais pesquisados devido às inúmeras vantagens oferecidas em relação aos demais agentes de cimentação. As propriedades físicas e a possibilidade de escolha do sistema de presa do cimento resinoso são suas principais vantagens. O sistema de polimerização dual alcança grau de conversão polimérica maior que o sistema químico (CAUGHMAN, CHAN e RUEGGRBERG, 2001), sendo a fotoativação necessária para maximizar a resistência e a rigidez (ATTAR, TAM e McCOMB, 2003), melhorando as propriedades mecânicas (EL-MOWAFY, HUBO, EL-BRADRAWY, 1999 e HOFMANN et al, 2001), a biocompatibilidade, a estabilidade de cor (STANBURY, 2000). Já em casos onde a ativação luminosa não tem como ser realizada, devido principalmente à opacidade dos materiais restauradores, o sistema químico tem sua principal indicação (DIAZ – ARNOLD, 1999; PRAKKI e CARVALHO, 2001). De acordo com os resultados obtidos no presente trabalho, podemos observar ausência de diferença estatisticamente significante entre o comportamento final do sistema de ativação química.
Os resultados desta pesquisa mostram que em termos absolutos a resistência ao cisalhamento ocorreu em média com valores superiores para o cimento dual
quando interposto entre metais (15,080 KgF). O segundo maior valor de resistência ao cisalhamento ocorreu também com o cimento dual na união metal x cerômero, estes valores concordam com os achados de Caughman, Chan e Rueggrberg (2001).
Quando os valores foram submetidos à análise de variância e contrastes, observou-se não haver diferenças significantes entre os grupos e dentro dos grupos estudados. Aplicada múltiplas comparações pelo método de Student-Newman-Keuls a 95% de confiabilidade, observou-se não haver diferenças significantes entre as uniões testadas nesta pesquisa. Esses resultados não significantes entre os sistemas de ativação química ou dual estão concordes com os valores encontrados na pesquisa de Fonseca, Santos e Adabo (2005).
Nos estudos de Darr e Jacobsen (1995) que estudaram a eficiência da cura química de cimentos resinosos duais polimerizados e em condições onde a luz foi excluída observando-se somente a reação química, o cimento dual apresentou maior resistência quando a luz foi adicionada ao processo de ativação. O mesmo estudo mostrou que, em alguns cimentos, a polimerização química demonstrou maior eficiência, prevalecendo onde não há luz presente. Nos testes do presente trabalho, os processos de cimentação propostos envolvia somente a hipótese da polimerização química, mesmo no sistema dual, pois não houve a presença da luz haja vista que em condições clínicas aonde não é possível a ação da incidência luminosa, avaliaríamos qual dos dois sistemas seria mais efetivo. Desta forma podemos observar através da Tabela 4 e Tabela 5 que há uma tendência para os valores médios se aproximarem, indicando que para estes tipos de combinação de materiais não importa qual sistema possa ser empregado. Chama-nos a atenção da Tabela 4 os valores médios baixos da união metal x metal com cimento
quimicamente ativado, correspondendo a aproximadamente 50% dos valores das demais combinações, valores concordantes com o trabalho de Darr e Jacobsen (1995).
A resistência de união entre liga de Níquel-Cromo e cimentos resinosos em função de diferentes tipos de tratamento de superfície utilizando armazenamentos em imersão de cloreto de sódio a 0.9% e ciclagem térmica foi estudada por França, Muench e Cardoso (1998). Os autores observaram que, dentre os tratamentos de superfície da pesquisa (superfície lisa, tratamento eletrolítico, micro-jateamento e silicoater), o micro-jateamento não sofreu influência do tempo de imersão. Resultados concordes com os de Barkmeyer e Cooley (1992) apud França, Muench e Cardoso (1998) sobre a influência do tempo de imersão. Portanto, no presente estudo, a opção por não utilizar armazenamento em imersão nos corpos-de-prova foi realizada no intuito de anular uma variável, dinamizando o andamento da pesquisa.
Uma outra observação que deve ser feita é sobre a dificuldade de padronização de todos os procedimentos metodológicos realizados nesta pesquisa, desde a fundição até a cimentação. A própria opção por não realizar o tratamento de superfície com ácido fluorídrico nos substratos cerâmicos foi justamente com o objetivo de padronizar o jateamento para todos os três tipos de substratos, diminuindo variáveis. Portanto, muitos aspectos escapam do controle do operador, favorecendo a ocorrência do alto valor dos desvios padrão, principalmente na união metal x metal cimentado com agente de polimerização dual. Essa variabilidade ocorre por razões da própria textura dos metais (Figura 3).
Segundo Peutzfeldt, 1995 a foto ativação influencia nas ligações duplas remanescentes do cimento. Quando os cimentos não são fotoativados, observou-se
uma diminuição da resistência ao desgaste quando comparada a do cimento fotoativado. Este autor conclui ainda, que a dureza e a resistência ao desgaste dos cimentos estão relacionadas diretamente ao conteúdo de carga, à quantidade de ligações duplas remanescentes e ao efeito da exposição luminosa sobre o cimento.
Os testes deste estudo foram realizados por força de cisalhamento por compressão que, segundo Anusavice (1998), é o teste que estuda a resistência à tensão necessária para causar fraturas ou separações com uma quantidade específica de deformação plástica nos testes por nós realizados. Esta deformação plástica não ocorreu quando os cimentos foram testados para a condição metal x metal. Observou-se então que houve falha adesiva entre os dois metais e principalmente quando os padrões eram cimentados com agente químico (Figura 3).
Da mesma forma, porém, algum resíduo aparente de cimento tanto químico quanto dual ocorreu nas fraturas das combinações metal x cerâmica e metal x cerômero, ou seja, fraturas adesivas em sua maior magnitude (Figuras 4, 5 e 6 ). Não foi observada nenhuma fratura coesiva dos cimentos, demonstrando, com isso, que os cimentos, tanto dual quanto químico, possuem resistência maior que a união adesiva entre as superfícies.
A polimerização dos cimentos resinosos duais sob substratos de natureza metálica seria clinicamente questionável, pois sendo o metal opaco, os foto- iniciadores não serão ativados no seu interior. Portanto o cimento dual possuiria, em sua composição, elementos com sua função reduzida ou anulada, podendo interferir no comportamento final do material. Mas, levando os resultados do experimento para aplicação clínica, nas condições testadas não há a interferência da incidência luminosa, podendo-se deduzir que tanto os cimentos resinosos duais sem a ação da luz quanto os cimentos químicos apresentam resultados bastante próximos entre si.
É evidente que os autores têm demonstrado que quando é possível a ação da ativação luminosa nos cimentos duais, esta ação resulta, quase sempre, em maiores valores de resistência ao cisalhamento, pois são ativados os dois sistemas de polimerização proporcionando maior conversão e conseqüentemente maior resistência e dureza do próprio cimento.
Os cimentos resinosos vêm demonstrando, através da literatura corrente, superioridades em alguns quesitos importantes sobre os outros cimentos odontológicos. Entretanto, a necessidade de novas pesquisas, principalmente estudos clínicos longitudinais, seria de grande importância para que possamos realmente consagrar a cimentação adesiva. Portanto, a consciência profissional ainda vigora para as indicações e limitações desses materiais.
CONCLUSÃO
Dentro das condições experimentais propostas, pode-se concluir o seguinte:
1 - Não existem diferenças estatisticamente significantes na resistência ao cisalhamento entre os cimentos de presa dual e química testados no presente trabalho.
2 - Não existem diferenças estatisticamente significantes na resistência ao cisalhamento entre as uniões das diferentes combinações feitas entre os materiais testados.
3 – Os módulos de fratura observados pela força de cisalhamento na superfície metálica foram adesivos e não coesivos.