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77Os resíduos depositados em aterro, sofrem ao longo do tempo um conjunto de transformações devidas

a fenómenos físicos, químicos e biológicos, que em resultado da presença de materiais biodegradáveis, originam efluentes líquidos (lixiviado) e biogás (Williams, 2005). A composição do lixiviado afluente á Estação de Tratamento de Águas Lixiviantes (ETAL) varia em função da idade do aterro e das fases de decomposição em que se encontra a massa de resíduos.

Os aterros para resíduos não perigosos têm de implementar sistemas de monitorização dos parâmetros susceptíveis de causar danos no ambiente, quer nas fases de exploração, quer no após encerramento, nomeadamente, dados meteorológicos; dados sobre emissões e controlo de águas, lixiviado e gases; protecção das águas subterrâneas e dados sobre a operação do aterro (quantidades, volumes, taxas de enchimento etc.).

Para controlar a migração do biogás, a infiltração das águas superficiais e evitar assentamentos do ater- ro é importante a concepção e implementação de sistemas de cobertura e de drenagem. Esgotada a ca- pacidade de deposição de resíduos e material de cobertura do aterro deve garantir-se as condições de protecção e monitorização ambiental do espaço e a adequada modelação do terreno. Em determina- das situações é possível requalificar o espaço para intervenções de carácter lúdico, cultural e recreativo.

3.4. Gestão de Fluxos esPeCIaIs de resÍduos.

As políticas de gestão de resíduos revelam a importância da minimização da produção de resíduos, na sua gestão sustentável e na aplicação da responsabilidade do produtor/detentor do resíduo. Estes aspectos levam a que a responsabilidade pela gestão dos resíduos seja partilhada por todos os interve- nientes no seu ciclo de produção-comércio-consumo-pós-consumo procurando assim responsabilizar o produtor, dos produtos que quando descartados se transformam em resíduo, com o objectivo de reduzir a quantidade e perigosidade dos resíduos e garantir a sua retoma, reutilização, valorização ou eliminação.

O Decreto-Lei n.º 178/2006, de 5 de Setembro, classifica os resíduos de acordo com a sua origem, em resíduos de produção ou de consumo, resíduos urbanos, resíduos industriais, resíduos agrícolas, resí- duos hospitalares e resíduos de construção e demolição e de acordo com as suas características em resíduos inertes e resíduos perigosos.

Este diploma define “fluxo de resíduos” como uma categoria de resíduos transversal a todas as origens, nomeadamente os fluxos de embalagens, o das embalagens de medicamentos e medicamentos fora de uso, o dos resíduos de embalagens de produtos fitofarmacêuticos, os óleos usados, os acumuladores e pilhas, os pneus usados, os veículos em fim de vida, os resíduos de equipamentos eléctricos e electró- nicos, os óleos alimentares usados e os resíduos de construção e demolição.

A gestão dos fluxos específicos é assegurada por Sistemas Integrados de Gestão (SIG), que definem os procedimentos de gestão da sua deposição, recolha e tratamento com o objectivo de se obterem bene- fícios ambientais, optimização económica e aceitação social.

O seu financiamento é assegurado pelos produtores, embaladores e importadores ao garantirem a con- trapartida por cada produto colocado no mercado, em função do seu peso e material. Trata-se de um valor que procura cobrir os custos de recolha e/ou classificação de resíduos de embalagens, excluindo os custos retirados da recolha indiferenciada e da eliminação para aterro.

As entidades gestoras dos SIG integram os diferentes intervenientes do sector e são responsáveis pela implementação de uma rede nacional de recolha e tratamento de resíduos e pelo cumpri-

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mento de objectivos de gestão (tais como reutilização, reciclagem e valorização). Estas entidades gestoras são responsáveis pela aplicação dos correspondentes modelos económico-financeiros de gestão dos sistemas, garantindo o necessário equilíbrio entre receitas e despesas. São ainda res- ponsáveis pelo desenvolvimento de acções de sensibilização e de Investigação e Desenvolvimento (I&D).

Os fluxos específicos de resíduos com maior expressão nos vários tipos de resíduos (urbanos, in- dustriais e hospitalares) são os resíduos de embalagens, incluindo as embalagens de medicamen- tos fora de uso e as embalagens de produtos fitofarmacêuticos, os óleos usados, os acumuladores e pilhas, os pneus usados, os veículos em fim de vida, os resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos, os óleos alimentares usados e os resíduos de construção e demolição.

As entidades gestoras destes fluxos especiais de resíduos são a Sociedade Ponto Verde (embala- gens), a Valormed (embalagens de medicamentos), a Valorfito (embalagens de fitofarmacêuticos), a Sogilub (óleos minerais usados), a Ecopilhas (pilhas e acumuladores), a Valorpneu (pneus), a Valorcar (Veículos em Fim de Vida - VFV) e a Amb3E e ERP Portugal (Resíduos Eléctricos e Electró- nicos - REEE).

embalagens e resíduos de embalagens.

Considera-se como embalagem todo o produto utilizado para conter, proteger, movimentar, ma- nusear, entregar e apresentar mercadorias, tanto matérias-primas como produtos transformados, desde o produtor ao utilizador ou consumidor, incluindo todos os artigos “descartáveis” utilizados para os mesmos fins.

As disposições do Decreto-Lei n.º 366-A/97, de 20 de Dezembro, alterado Decreto-Lei n.º 92/2006, de 25 de Maio e a Portaria n.º 29-B/98, de 15 de Janeiro que regulam a gestão do fluxo das embala- gens e resíduos de embalagens (E&RE), obrigam os embaladores e/ou importadores, responsáveis pela colocação de produtos embalados no mercado, a optar por um de dois sistemas de gestão para as suas embalagens, o sistema de consignação (embalagens reutilizáveis e não reutilizáveis) ou o sistema integrado (só as embalagens não reutilizáveis).

Os objectivos estabelecidos pelo Decreto-Lei n.º 92/2006, de 25 de Maio (Directiva 2004/12/CE, de 11 de Fevereiro), determinam o cumprimento, de Portugal, até 31 de Dezembro de 2011, de metas de valorização e reciclagem de um mínimo de 60% e 55% (em peso), respectivamente, fixando metas distintas para a reciclagem específica de cada material de embalagem. Assim, o vidro e o papel/cartão deverão reciclar um mínimo de 60%, o metal 50%, o plástico 22,5% e a madeira 15%. A gestão integrada das embalagens não reutilizáveis em Portugal é assegurada por 3 entidades gestoras, a SOCIEDADE PONTO VERDE - responsável pelo sistema integrado de gestão de resíduos de embalagens (SIGRE) e pelo sub-sistema VERDORECA; a VALORMED - responsável pelo sistema integrado de gestão de resíduos de embalagens e medicamentos (SIGREM) e a SIGERU - respon- sável pelo sistema integrado de gestão de resíduos de embalagens de produtos fitofarmacêuticos (VALORFITO).

sistema Integrado de Gestão de resíduos de embalagens (sIGre).

A Sociedade Ponto Verde (SPV) é a entidade gestora do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE). Encontra-se licenciada desde 1997, para gerir os resíduos de embalagens urbanas ou a elas equiparadas e resíduos de embalagens não urbanas, independentemente da sua perigosidade.

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